Quando O Lobo Uivar

2 Capítulo dois


Notas iniciais
Então. Meio rápido, né? Comentem! :)

Os braços de Bran estavam tremendo. Isso não era normal, era? Isso não devia estar acontecendo. A força que o arco e flecha exigia era muita para seus braços finos como gravetos. O arco só deveria ser ensinado para garotos acima de treze anos, no mínimo. Bran tinha apenas dez.

Mas ele sentia todos os olhos por cima dele. Jon Snow, seu irmão, estava logo atrás dele, observando-o e corrigindo-o com os olhos. Robb, seu outro irmão, estava também atrás dele, ao lado de Ellie.

De repente, sentiu uma vontade indescritível de largar a arma e sair correndo, escalar algumas torres e esquecer que já pedira para aprender a usar a arma tão complicada. Mas não tinha mais jeito, pois sentia outros olhos por cima dele.

– Não quero que se desespere. — disse Jon, pousando a mão carinhosamente no ombro do Bran. Ele baixou a coluna até estar na mesma altura que o garoto. Jon e Robb eram altos demais, faziam Ellie parecer uma pequena bonequinha de porcelana por entre os dois. — Mas saiba que papai está observando.

Bran virou o rosto lentamente, temeroso pelo que veria. Jon estava certo, ali estava seu pai. Lorde Eddard Stark de Winterfell, com sua cota de malha e várias peles cinzentas de ursos. No rosto a mesma austeridade e mistério que era possível se encontrar nas vastas planícies nortenhas. Ao seu lado, a ruiva Catelyn Tully com sedas azuis e olhos da mesma cor, fitando sutilmente orgulhosa o filho.

Ele mexeu o rosto mais um pouco, e encontrou Ellie com os dedos finos entre os lábios. Ela mordia-os silenciosamente. Ao vê-lo olhando, abriu um sorriso caloroso e animado, instigando-o a tentar novamente. Com os olhos violetas faiscantes, ela disse:

– Vamos, Bran. Você consegue.

Ela era bonita demais. Sua babá desde que Bran tinha sete anos, mas se lembrava dela nos pátios de Winterfell desde bebê, quando ela ainda apenas acompanhava o padrasto nos estábulos. Sabia cavalgar como ninguém, tendo uma paixão secreta pelos cavalos. Várias vezes brincava de fazer guerra com Robb e Jon. Depois de mais moça, começara a cantar nos jantares dos servos e a cuidar de Bran e Rickon como mãe.

Ela balançou as mãos, instigando-o a virar. Ao seu lado, estava Robb com seu olhar autoritário e adulto. Havia nascido para governar Winterfell, e Bran tinha certeza que o faria com inigualável competência, quando assim chegasse a hora.

Voltando a se focar na arma, entretando, Bran se virou completamente para a frente, mirando no alvo com concentração vertiginosa.

– Mantenha a coluna ereta. — Jon instruiu-o com suavidade quasse excessiva. — O braço direito, levante-o um pouco. Agora, puxe-o.

Bran puxou o braço, tensionando a corta e a flecha o máximo que seus gravetinhos permitiam. Fechou um dos olhos, depois fechou o outro. Logo soltou a flecha, mesmo que um pouco hesitante.

Esta encravou bem ao centro do alvo.

Ellie aplaudiu animadamente. Jon levantou-o no ar, rodando-o. Robb soltou uma risada gutural, enquanto que Lorde Eddard Stark balançou a cabeça e aplaudiu. Lady Catelyn o acompanhou, com um sorriso desta vez completamente orgulhoso.

– Parabéns, meu querido menino. — Eileen o abraçou e riu enquanto dizia: — Daqui a pouco usará espadas e viajará por Westeros combatendo bandidos e trazendo os maus a justiça do Rei.

– Robb. — chamou gravemente o Senhor do Norte. — Jon e Bran. Quero que venham até os estábulos. Hoje quero que venham comigo a uma execução.

– Ned, Bran é muito novo... — Catelyn começou, mas Ned a silenciou com um aceno de mão. — Ele não pode ir.

– Ele terá que ir em algum momento, Cat.

– Mas tem que ser hoje?

– Quem será executado? — perguntou Robb.

– Um desertor da Patrulha da Noite. Enlouqueceu.

– Da Patrulha? — perguntou Jon, sentindo o pesado olhar de Lady Catelyn sobre si.

– Sim. Venham logo.

Bran logo seguiu os irmãos, olhando uma última vez para o rosto apreensivo de Ellie. Esta ficou sozinha no centro da arena quando os Starks a deixaram.

Notas finais
E aí? Gostaram?