Quando O Lobo Uivar
9 Capítulo nove
Notas iniciais
Jon imaginava o que poderia fazer durante o dia. Estava entediado. Lady Catelyn havia mandado que ele ficasse longe dos hóspedes, e consequentemente, dos irmãos. Seu único consolo era Eileen, mas ela também tinha que trabalhar.
Ah, Eileen. Os lábios ainda estavam dormentes com o seu toque, ainda úmidos com seu sabor. Depois dos beijos nos estábulos, a garota teve que ir cortar batatas na cozinha, e por isso Jon teve de ser paciente.
Agora estava se dirigindo ao pátio de treinos. Seus pés agiam quase por conta própria, enquanto ele se ocupava em apenas rir sozinho. Pegou uma espada e começou a trabalhar contra um inocente boneco de palha, como se ele fosse o inimigo mais temível e horrendo de todos. Tinha que esperar. Durante a noite haveria um grande jantar em homenagem à corte, e provavelmente seu tio chegaria então.
Benjen Stark era um homem frio e austero, mas gentil e amigável com seus sobrinhos. Felizmente, ele considerava Jon um desses. Era Primeiro Patrulheiro da Patrulha da Noite, sabia usar uma espada e sorria com facilidade.
Jon sempre pensou na Patrulha da Noite como respeitável e honrada. Como justa. Diziam que, quando um homem se tornava um membro, seus pecados eram perdoados e esquecidos. Sua vida anterior era completamente apagada e então o homem vivia apenas para proteger Westeros dos selvagens de além-Muralha. Talvez o celibato e o gelo os tornassem frios e duros, porém eram homens do reino. Não de reis, mas do reino.
Percebeu os músculos exaustos e doloridos, e compreendeu que acabara treinando por horas. Tinha suor na testa colando o seu cabelo a pele e arfava. Deixou a espada no lugar onde a tinha encontrado. Olhou ao redor, e viu algumas servas passando de um lado para o outro, cochichando com risinhos infantis. Jon decidiu ignorá-las, e andou até os estábulos mais uma vez. Se não podia mais treinar, poderia ao menos ter a companhia de Fantasma.
O cheiro das fezes dos cavalos os antecedia, e Jon franziu o nariz quando chegou a essa conclusão. O estábulo era uma alta e longa construção, feita de madeira escura, e barulhenta devido aos relinchos dos animais inquietos devido aos lobos. O lugar era barulhento e fedido apenas para confundir os sentidos.
Todos os lobos estavam acordados e agitados. Fantasma estava lutando contra Vento Cinzento quando Jon chegou. Então se dirigiu ao dono. Cão Felpudo e Verão estavam no outro canto dos estábulos, correndo um atrás do outro. Nymeria seguiu Fantasma, mas tinha os olhos dourados cravados em Lady. Esta, por sua vez, lambia as patas preguiçosamente em cima de um banco. Jon não imaginava como ela tinha chegado lá. Mas tinha que sentar em algum lugar, então a empurrou e sentou-se lá.
Lady rosnou para ele, mas dignou-se a dar-lhe as costas e sentar-se tão elegantemente quanto uma loba poderia, sobre as patas traseiras, e continuou a atividade com as patas. Jon riu daquilo, e riu mais ainda depois que Nymeria a empurrou e as duas começaram a brigar. Fantasma separou as duas, e Vento Cinzento sentou-se quase como se de vigia na porta dos estábulos.
Fantasma sentou-se aos pés de Jon, mas o garoto o empurrou dali. O lobo gigante pôs seus dentes sobre o pulso de Jon, e o bastardo de Winterfell riu ruidosamente enquanto tentava tirá-lo dali, em um movimento de vai e vem. Entendeu que era uma brincadeira, e continuou no jogo com um sorriso nos lábios.
– Vamos, tem que me soltar. – ele disse. Pôs mais força nos movimentos até que o lobo o soltou realmente. Olhou ao redor mais uma vez, tentando ter uma ideia do que fazer. Então apontou para o chão em um movimento repentino, e acabou assustando o lobo. – Fantasma, senta.
O lobo o observou com os olhos vermelhos. Jon repetiu o comando. O animal virou a cabeça de lado, quase como se tentando entender o seu senhor. Jon repetiu mais uma vez. O lobo, então, virou-se e correu até o lado de Vento Cinzento. Jon pôs a mão sobre a testa.
– Não, Fantasma, senta! – ele levantou-se e andou em direção ao lobo. Agarrou suas orelhas e tentou virá-lo, enquanto dizia: — Não é pra ir até o Vento Cin...
Eileen estava ali. Tinha acabado de aparecer na porta dos estábulos, e abriu um sorriso travesso quando viu Jon. Pôs uma mecha de cabelo que insistia em cair em cima dos olhos atrás da orelha, e contornou Vento Cinzento. O lobo gigante insistia em segui-la, e foi atrás dela quando ela entrou no edifício.
Jon percebeu que devia estar parecendo meio ridículo ali, tentando puxar o lobo, mas seu cérebro parecia ter derretido. Não queria funcionar!
– Cinzento... É pra sentar... – ele murmurou antes de largar o lobo e deixa-lo em paz. Virou-se sobre os calcanhares, e passou a mão na parte de trás da cabeça, bagunçando os cabelos. – Eileen.
– Oi, Jon. – sua voz soou feliz e travessa. Como se ela fosse pregar uma peça a qualquer instante.
– O que está fazendo aqui? – ele perguntou, e em resposta, ela sorriu e bufou.
– Recebi ordens de limpar os lobos, pentear seus pelos e leva-los ao pátio. Madame Windstone e as outras criadas têm tanto medo dos lobos... Acham que eles são algum tipo de presságio. Um mau presságio. – ela ajoelhou-se e afagou o pelo de Vento Cinzento. Franziu as sobrancelhas para o animal. — Acho que Robb vai mostra-los aos visitantes, ou algo assim. É óbvio que sobrou pra mim.
Ela fez uma pausa, e Jon ajoelhou-se ao seu lado. Vento Cinzento nem virou o rosto para ele, estava ocupado demais aproveitando os carinhos de Eileen no pescoço e nas orelhas.
– Quer me ajudar? – ela perguntou, olhando timidamente para Jon, como se com medo da reação dele.
– Adoraria. – o garoto respondeu de imediato. Ela abriu um sorriso, desta vez um verdadeiro, e levantou-se para buscar um balde de água, uma bucha, um sabão e uma escova que estavam no canto do estábulo, do lado de outro banco minúsculo de madeira.
– Pode usar a bucha. Eu os lavo com as mãos mesmo. – ela entregou a ele a bucha e o sabão.
Trabalharam em um silêncio agradável por alguns minutos. Jon limitava-se a olhar para ela de vez em quando, apenas de relance, para ver como limpava os lobos. Ela o corrigia, às vezes. Franziu tanto as sobrancelhas e estava tão concentrada que começou a balbuciar algumas palavras, quase como se cantando, tão baixo que Jon não conseguia entendê-las. Parecia que tinha esquecido que ele estava ali.
Jon concentrou-se nos lobos, imitando a serva ao seu lado. Vento Cinzento não deixou que o tocasse, então lavou Nymeria e Verão. Como Ellie era bem mais rápida que ele, já tinha acabado com Lady quando ele terminou Nymeria, e todos quando ele terminou com Verão.
Ela já estava sentada em um banco, escovando o pelo de Lady, quando Jon terminou. Os pelos dos lobos já estavam quase secos, pelo menos os que ela tinha limpado. Os pelos eram espessos e numerosos, mas ainda assim, secaram rápido depois que os lobos chacoalharam o excesso de água.
Ellie soltou uma risada alta quando Vento Cinzento a molhou com um pouco de espuma que ainda estava em seu nariz, e sujou um pouco de seu cabelo. Ela empurrou o lobo, que nem rosnou para ela, e procurou um pedaço de pano qualquer.
Jon levantou-se para ajuda-la, e pegou uma toalha bem puída que achou pendurada perto dos cavalos. Ela olhava para os pés, com um sorriso nos lábios.
Depois que ele limpou seus cabelos com o pano, o sorriso morreu em seu rosto. Olhou para Jon, sentiu a proximidade, e provavelmente já sabia o que aconteceria em seguida.
Ele colocou as mãos em sua cintura, e ela apoiou o braço em seu pescoço. Encontrou seus lábios doces, ferozes e deliciosos. Sentiu certa urgência neles. A toalha jazia no chão. Beijaram-se por algum tempo, até que Jon a empurrou contra uma das vigas da madeira.
Ela era esguia, mas baixinha. Por isso, ele tinha que se inclinar um pouco para frente para que seus lábios ficassem na mesma altura. Quando as suas costas começaram a doer, ele segurou suas pernas e a levantou no ar. Ela entendeu o que fazia, e por isso enrolou as coxas em volta do quadril dele. Sentiu quando ele começou a se animar, e soltou um risinho entre os beijos por causa daquilo.
As mãos da serva não estavam mais em seu pescoço, mas sim agarravam o cabelo negro de Jon. Ela tinha as pernas trancadas em volta dele, fazendo com que o seu quadril fosse preenchido pelo dele. A sensação era ótima, Jon pensou.
Mas se afastou de qualquer jeito. Precisava tomar ar. Pendeu a cabeça para trás, ainda com os braços nas costas dela para equilibrá-la contra a viga. Ela tinha um sorriso provocante no rosto, além das bochechas adoravelmente coradas. Os olhos queimavam como fogo em um tom vivo de violeta. Seus olhos... Eram assombrosos.
Ele aproximou o rosto do dela, apoiando-se em seu pescoço. Sentia a respiração pesada e ofegante de ambos. Sua mente estava vazia, não estava mais ciente de nada. Nem dos lobos, dos cavalos ou do cheiro de esterco. Não via, não sentia nada além dela. Dela. Um cheiro de rosas de inverno no cabelo, um sabor doce na boca. Ele sentia seu peito subir e descer com a respiração ofegante, e não havia som mais alto e agradável a seus ouvidos.
Ela apoiou a cabeça contra a viga e acariciou os cabelos de Jon. Era o impulso que ele precisava. Levantou a cabeça e atacou os lábios dela mais uma vez, obtendo uma resposta igualmente voraz. Suas línguas começaram a dançar uma com a outra. Depois de algum tempo, aquilo não bastava mais para Jon. Queria ela, e ela toda. Tirou os lábios dos dela e passou a beijar sua bochecha, descendo com os lábios até seu pescoço delgado e pálido. Antes disso, beijou a linha de seu maxilar. A pele era macia ao toque dos lábios, e quase tão deliciosa quanto a boca.
Faminto por mais, beijou seu pescoço, dando pequenas mordiscadas aqui e ali. Um pequeno gemido escorreu pelos lábios dela apenas para provoca-lo ainda mais.
– Pelos deuses, Eileen. – ele balbuciou entre os beijos contra a sua pele.
Voltou para seu rosto, nunca deixando a boca muito longe dela, para morder um pouquinho de sua orelha e, mediante a mais um gemido, voltou para seus lábios. Dessa vez eles foram ainda mais selvagens e deliciosos do que nunca. Ela mordiscou o lábio dele como ele fizera com a pele dela e afastou-se então. Os dois olharam-se por alguns segundos, recuperando o fôlego, até que seus lábios voltaram a encontrar o caminho para um ao outro.
Então foram drasticamente interrompidos. Um pigarreio na porta dos estábulos estragou o momento.
Ainda foi lento para Jon afastar-se dela. Os olhos violetas foram para a porta e arregalaram-se repentinamente. O garoto virou o rosto, ainda que contrariado, apenas para ver Robb ali, com uma expressão petrificada e olhos azuis assombrados.
Eileen retirou as pernas dos quadris de Jon e caiu no chão com um baque surdo. Diminuiu consideravelmente de altura. Tinha os lábios vermelhos, alguns pontos aleatórios do pescoço também, bochechas coradas e o cabelo bagunçado além do normal, com mechas apontando para todas as direções. Jon não queria nem imaginar o seu estado: devia estar tão ruim ou pior.
Ellie tossiu, olhou para Jon então para Robb com os olhos arregalados. Estava obviamente perdida. Os lobos estavam prontos, então ela saiu do abraço de Jon e precipitou-se na direção dele. Tentou dizer algo, mas não conseguiu. Passou os dedos pelos lábios, como se para apagar os beijos que estavam ali.
– Os lobos estão prontos, senhor. – Robb então virou os olhos para ela. Antes os tinha fixos em Jon. Aparentou cansado e triste quando abriu um pequeno sorriso para ela.
– Bran está esperando-os no pátio. Príncipe Tommen é apaixonado por gatos, e adoraria conhecer os lobos. Por isso o pedido.
– Eu vou... – ela chegou ao lado dele e pousou a mão sobre o seu ombro. – Me desculpe. Eu...
Desistiu do que quer que fosse dizer e saiu com os lobos em seu encalço. Robb encarou o chão por alguns instantes antes de virar os olhos para Jon. Abriu a boca, mas voltou a fechá-la.
– Eu... Consegui. – Jon riu, aproximando-se dele e erguendo a mão para que ele batesse ali.
– Conseguiu o quê? – Robb perguntou, franzindo os lábios e as sobrancelhas em uma expressão raivosa. Sua voz era cortante.
– Conquistá-la! – ele sorriu, ignorando a raiva na voz do irmão. – Ela me ama, eu acho. É! Acho que ela me ama. Podíamos... Sei lá. Um dia nós podíamos... Casar, talvez.
Robb o encarou como se ele estivesse louco.
– O que você pensa que está fazendo, idiota?
– O que quer dizer com isso? – Jon deu alguns passos para trás, surpreso. Franziu as sobrancelhas para o irmão.
– A honra dela. – ele apontou para a viga onde, alguns segundos atrás, Ellie estava imprensada. – Você quase acabou com a honra dela. E se fosse aqui a minha mãe? Joseth? Palla? O nosso pai? Ou qualquer um de nossos irmãos? E se fosse, pelo amor dos deuses, o padrasto dela?
– Mas eu... Nem pensei nisso. – Jon olhou para o chão. Então sorriu para Robb, pensando em um jeito de resolver aquilo. – Não faz ideia de como ela é... Perfeita. Ela é incrível.
– Eu sei. – Robb assentiu com a cabeça, irado. – Quer dizer, eu imagino. De qualquer jeito, Jon, me escute. Você tem que acabar com isso. Isso não pode continuar. Tem que acabar com isso.
– E por que motivo eu faria isso? – Jon franziu as sobrancelhas. Não estava entendendo o porquê da raiva de Robb.
– Está apenas brincando com ela, não está? Vai destruir o coração dela em um piscar de olhos. Assim você parece o Theon, Jon. Ele que gosta de brincar com as mulheres.
– Eu a amo!
– Isso só faz tudo ficar pior. – Robb olhou para ele com um olhar pesaroso.
– Não entendo. Por que tudo fica pior? – Snow deu mais alguns passos para trás, franzindo ainda mais as sobrancelhas até sentir um vinco formar-se em sua testa.
– Eu a amo. – a voz dele falhou.
Jon sentiu as costas se enrijecerem. Os pés estavam fincados no chão. Virou o rosto, observou todo o estábulo, menos os olhos de Robb. Fantasma, que não tinha ido embora com Ellie, estava em posição de ataque e rosnava para Robb que, por sua vez, tinha os olhos fixos em Jon. O bastardo sentiu raiva invadi-lo e disse, com certo esforço para não gritar:
– Por que não me disse?
– Nunca me passou pela cabeça que você também a amasse. – Robb socou uma viga. Parecia consternado. – Comigo... Comigo... Comigo ela seria a Senhora de Winterfell. A Senhora de todo o Norte.
Jon viu onde ele queria chegar. Arregalou os olhos para o irmão e, irado, não pôde evitar gritar:
– É isso o que quer dizer? Que, comigo, ela seria apenas a esposa de um bastardo? Outra Snow no mundo?
– Não. Nunca quis dizer isso. É só que... – a voz dele falhou mais uma vez. Olhou para o chão, triste, e quando falou mais uma vez, sua voz soou fraca, rouca e baixa: — Eu poderia cuidar dela. Mimá-la. Dar tudo que ela quisesse, precisasse... Eu seria bom para ela. Eu daria tudo para ela.
Jon sentiu como se Robb o tivesse estapeado com essa fala. Deu vários passos para trás, desta vez lutando para não socar o irmão. E o pior em tudo o que ele tinha tido é que fazia sentido. O garoto sentiu as lágrimas marejando seus olhos, toda a felicidade de alguns minutos atrás esquecida.
– Lady Catelyn jamais permitiria que se casasse com ela. – Jon protestou.
– Minha mãe não tem que aprovar tudo o que faço. E ela gosta de Ellie.
– Não, não gosta.
– Mas isso não me impediria. – Robb pigarreou para tirar o choro da garganta. Repetiu, com a voz mais forte desta vez: — Eu a amo.
Engoliu em seco, provavelmente pensando que um Stark jamais choraria. Jon refletiu amargamente sobre isso, pensando que não era um Stark, e por isso as lágrimas rolavam livremente por suas bochechas. Não tina nada ali, em Winterfell, além de Eileen e Fantasma. Abriria mão de uma dessas coisas para que ela fosse feliz, mesmo sem se importar sobre si mesmo? Talvez sim.
– Não. Não impediria.
Depois disso o irmão foi embora e o deixou sozinho com seus pensamentos nos estábulos. Sozinho com Fantasma.
***
Mais tarde naquele dia já sabia muito bem o que ia fazer. Uma ideia já tinha se formado em sua cabeça. Não havia nada para ele ali. Teria que procurar algo em outro lugar. Em um lugar onde o seu passado não importasse. Ellie ficaria bem. Por mais que doesse deixa-la, era o melhor. Para os dois. Pelo menos era isso o que ele dizia para si mesmo enquanto lutava para manter as lágrimas longe das bochechas quando a viu no Grande Salão.
Usava o mesmo vestido que usara durante todo o dia, sujo por causa de Vento Cinzento e amassado por causa de Jon. Linda como uma noite de inverno. Fria e calorosa ao mesmo tempo. Concedera a ele um sorriso provocante quando o viu, mas Jon só tinha olhos para a rosa lilás que ela tinha no cabelo. A raiva tomou conta dele quando concluiu que devia ter sido obra de Robb.
Todos estavam ali, deixando um corredor vazio em frente às escadas de onde desceram os Starks e a família real, todos com suas melhores roupas.
Rickon vinha na frente, abrindo caminho ao lado de Bran. Logo atrás estavam Arya e Tommen, ela com um vestido cinzento e ele com roupas vermelhas. Então vinham Myrcella, linda com os cachos e o vestido dourados, e Robb com roupas nas cores Stark e um broche igual ao de Bran, de prata e azeviche no formato de um lobo.
Ele sorriu e piscou para Eileen quando a viu, que tinha fechado a cara e cruzado os braços por algum motivo. Uma serva mais gorda que estava ao seu lado riu e a empurrou:
– Está com ciúmes do lorde, é?
– Só tenho olhos para um único lorde. – ela falou, baixo demais para qualquer um ouvir, mas Jon leu seus lábios. Abriu mais um sorriso provocante para ele.
Aquilo o fez se sentir péssimo.
Sansa tinha o vestido branco deixando-a angelical, e os cabelos ruivos presos de modo elaborado, sulista. Príncipe Joffrey estava ao seu lado, e Jon não gostou do modo com o qual o príncipe franziu o nariz ao analisar o salão. Era alto demais, com grossos lábios de salsicha e cachos dourados na cabeça.
Então o Rei, com sua figura imponente, trazia Lady Stark, contrastando perfeitamente com a sua figura esbelta. Atrás deles vinham Lorde Stark e a Rainha Cersei, parecendo desconfortável de braço dado com o Senhor de Winterfell.
A magnífica Guarda Real, alva e dourada em seus mantos brilhantes, descia logo depois. Tinham como único dever proteger o Rei, abdicando quaisquer posses ou títulos. O único direito que tinham era o de se casar, uma gentileza de Rei Robert. Alguns, como o lendário Barristan Selmy, o Ousado, permaneciam solteiros, leais aos votos antigos de lealdade ao Rei Aerys Targaryen. Os outros eram quase todos casados.
Assim que todos os convidados pegaram seus lugares de honra na mesa principal, em cima do elevado, todos receberam permissão para se sentarem também, mas em longas mesas de madeiras.
Jon acomodou-se, e sorriu tristemente. Era um dos poucos momentos em que ficava feliz por ser bastardo. O momento em que podia beber a vontade.
Levantou um braço e pediu vinho a uma serva que passava ali por perto.
Notas finais
Então. Comentários? Alguém vai favoritar? Ou, sei lá, recomendar? Talvez ainda não, né, muito cedo?
De qualquer jeito: o que acharam?
Beijos. :*
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