Quando O Lobo Uivar

17 Capítulo dezessete


Notas iniciais
Esse capítulo vai para nataliasilveira que deixou uma maravilhosa recomendação que me fez chorar pra caramba. Outra coisa que me fez chorar pra caramba foi o ep. 9: CASAMENTO VERMELHO. Estou deprimida e movida a sorvete de flocos. Mais alguém está como eu?
Irene Adler, talvez você não goste deste capítulo.

Jeyne ainda estava um pouco traumatizada, então decidiu sentar-se a três fileiras da arena. Bem perto de onde estavam Septa Mordane e, desta vez, no segundo dia do torneio, Arya Stark.
Se Sansa era o sol, Arya era a lua. Tinha os cabelos castanhos e lisos presos em um simples penteado nortenho, ao contrário da irmã. O rosto era longo e rígido, olhos gatunos, espertos e cinzentos. O nariz era empinado, a voz ativa e o corpo, franzino. Em suma, era uma linda, pequenina e legítima Stark de Winterfell.
Sansa e Jeyne estavam atrasadas. Haviam passado o dia anterior e a manhã inteira juntas. Estavam tornando-se amigas mais rápido que Jeyne acharia possível. A garota apreciava a companhia tímida e doce da garota Stark. Esta, por sua vez, gostava da astúcia e da personalidade curiosa da menina Westerling. Mesmo com a diferença de idade – Sansa tinha catorze, e Jeyne dezessete – as duas davam-se muito bem.
O Cavaleiro das Flores, o jovem Loras Tyrell, passava a cavalo ao lado das duas, distribuindo flores entre as mais belas senhoras da corte. Sansa e Jeyne não haviam o notado, pois conversavam animadamente sobre algo, tendo os braços entrelaçados.
Loras segurou o outro braço de Sansa, que ficou paralisada instantaneamente. Encarou-o, estupefata, enquanto ele oferecia-lhe uma rosa branca. A garota não movia-se, mas pensava internamente: “Faça algo, sua idiota!”. Jeyne foi, então, em seu auxílio.
— Ela está muito agradecida, sor. – Jeyne pegou a rosa e entregou-a a Sansa.
Então Loras pôs seus olhos sobre Jeyne.
— Nenhuma rosa seria mais bela que seu rosto, Senhora. – em sua mão estava uma rosa vermelha. Jeyne tentou, mas não conseguiu corar. Achou-o extremamente divertido. Pegou a rosa, desinibida, e sorriu:
— Obrigada, sor. Espero que vença sua próxima luta.
Sentou-se ao lado de Arya, e começou a conversar com a garotinha. Mas Sansa não disse nada por um bom tempo. As justas desenrolaram-se a sua frente, entediantes e chatas. Arya estava tão interessada quanto Jeyne. Até que algo chamou sua atenção.
Um franzino homem aproximou-se de Sansa. Tinha hipnotizantes olhos cinza-esverdeados, cabelos negros com alguns prateados... E sorria. Mas seus olhos não.
— Acredito que este lugar esteja vazio. – o homem perguntou a Sansa. Ela tropeçou nas palavras.
— Sim, está certo, Lorde Baelish. – Jeyne foi em seu auxílio mais uma vez.
— Não fomos apresentados ainda, senhor. Perdoe-me, seu nome é... – Sansa recuperou-se rapidamente.
— Este é Lorde Petyr Baelish, Sansa, Mestre das Moedas. – Jeyne sorriu para o homem.
— Por que te chamam de Mindinho? – Arya não foi tão sutil quanto a irmã.
— Arya!
— Está tudo bem. Entenda, jovenzinha, eu sempre fui pequenino assim, durante toda a minha infância. E eu vim de um lugar inóspito do Vale que se chama Os Dedos. Então, veja, é um apelido, na verdade, muito inteligente, na verdade.
Petyr sentou-se, e o próximo homem que competiria contra Sor Loras entrou na arena. Era o mesmo do dia anterior, a pavorosa Montanha que Cavalga. Sansa imediatamente agarrou-se a mão de Jeyne, preocupada.
— Sor Loras morrerá agora, Jeyne.
— Não duvido de modo algum.
— Jeyne!
— Desculpe-me, é a verdade.
— Com certeza, minhas senhores. Ninguém jamais venceu A Montanha que Cavalga. Os Cleganes são imbatíveis por natureza. – Petyr Baelish disse, ao lado delas. Então gritou para alguém às suas costas. – 100 dragões de ouro em Gregor Clegane!
— Está apostado. – uma voz respondeu, e Jeyne reconheceu-a como sendo do bonito irmão mais novo do rei, Renly Baratheon. Solara descobrira rumores controversos sobre o homem, o que obrigou a menina Westerling a virar-se para encará-lo.
Era um bonito jovem, alto e de membros longos e fortes. Tinha os olhos azuis cristalinos e cabelos negros e lisos. Sorria, aplaudindo Sor Loras.
— Penso que isso confirma os rumores, então. – Jeyne murmurou para si mesma, rindo.
— O que farei com 100 dragões de ouro? Comprarei joias para senhoras? Ou vinho dornês para mim?
— Pode comprar um amigo, o que acha? Finalmente terá um.
— E quando você terá o seu? – após o comentário de Mindinho, Renly parou de sorrir e limitou-se a prestar atenção a arena.
Jeyne notou quando Sansa prendeu a respiração ao seu lado, apertando seus dedos o máximo que podia. A égua de Loras e o garanhão tempestivo de Gregor avançaram rapidamente. Mas o garanhão descontrolou-se por algum motivo e Clegane caiu ao chão, dando vitória ao jovem Tyrell.
Sansa sorriu prazerosamente, e um surpreso Petyr Baelish fitava o cavalo, fazendo com que Jeyne risse também.
— Não se preocupe, Lorde Baelish. Ainda assim conseguirá vinho dornês, e eu e Sansa conseguimos viver sem uma joia ou outra.
Jeyne riu um pouco e virou-se para a arena mais uma vez, e não viu expressão de Mindinho. Mas seu sorriso fechou-se quando Gregor Clegane cortou a cabeça de seu garanhão. Sangue jorrou mais uma vez.
Gregor avançou contra Loras, que estava do outro lado da arena. Mas antes que pudesse baixar sua espada, o outro Clegane segurava sua espada.
Sandor tinha metade do rosto queimado, um intricado de pele queimada em um padrão que apenas o fogo poderia fazer. Poderia até ser bonito, se não fosse a horrenda cicatriz. Era um monstro, mas mais baixo que o irmão. Segurava a espada com firmeza contra seu irmão.
A canção das espadas começou, estas beijando-se repetidamente no ar. Era errado para os deuses dois irmãos se enfrentando, e ela queria que alguém fizesse algo. Antes que Gregor matasse o irmão. Loras continuava deitado a distância, surpreso. Ela xingou-o mentalmente e encarou o rei, que fitava-os com uma expressão quase entediada.
— Parem com isso, em nome do Rei! – Robert finalmente fez algo. Jeyne notou que Cersei não estava ali, ao seu lado. Mas sim Joffrey, com um sorriso sádico no rosto.
Sandor ajoelhou-se imediatamente, prostrando-se de joelhos. Gregor foi mais lento, e tudo o que fez foi soltar a espada e, ofegante, sair dali. Mas não sem antes empurrar um pobre espectador em seu caminho.
— Salvou minha vida, sor. Obrigado.
— Eu não sou sor nenhum. – sua voz era áspera.
Mesmo assim, Loras pegou a mão do Cão de Caça e levantou-a no ar, fazendo com que a plateia explodisse em palmas. Jeyne levantou-se imediatamente e aplaudiu, seguida por Sansa e Mindinho.
— Loras sabia que sua égua estava no cio. E sabia que o garanhão de Gregor era temperamental.
— Sor Loras jamais faria isso, meu senhor. Não há honra na trapaça.
— Ah, doce Sansa, cavaleiros...
— Lorde Baelish, não fale asneiras! É óbvio que os cavaleiros não trapaceiam em torneios. Senão, não seriam cavaleiros, seriam? – ela deu a ele um olhar significativo, sorrindo e aplaudindo.

***

Os dias se passaram. Jeyne estava começando a acostumar-se com a vida na corte. Era mais divertida do que havia imaginado. Ver todos aqueles lordes e ladies, brincando entre si. Fazendo intrigas. Fofocas corriam sobre todos eles, e Jeyne sabia de todas.
Havia se tornado amiga não apenas de Sansa Stark, mas também de seus servos. Eles contavam a ela tudo o que acontecia na Fortaleza Vermelha, e tudo o que acontecera ali por um bom tempo. Solara também conseguira amigos, e tudo o que descobria, contava a Jeyne. Era como se tivesse sua própria rede de espiões. Fazia favores a eles. Trançava o cabelo de uma das servas. Ensinava uma a ler. Outra a escrever.
Certo dia estava atravessando o pátio principal da Fortaleza, quando ouviu vozes próximo ao portão. Andava em direção a Torre da Mão, onde estava Sansa, esperando-a para costurarem juntas. A garotinha gostava bastante de seus pontos, e Jeyne estava costurando uma almofada para ela.
Enfim, as vozes eram altas. Dois homens conversavam com uma criança, ela concluiu. Mas a voz da criança... Esta lhe era conhecida. Demorou um ou dois segundos, parada no pátio, para discerni-las. Era a garota Stark. Mas não o sol. A lua. Arya Stark.
Jeyne andou rapidamente até o portão, e ouviu os guardas conversando com a garota.
— ... daqui, menino. Não damos esmolas.
— Eu não estou aqui por esmolas. Meu pai está aqui. Ele é a Mão do Rei!
— Não, seu pai está morto em alguma taverna sendo mijado por seus amigos, tão bêbados quanto ele.
— Duvido que Lorde Eddard faria isso, senhores, nem se nascesse de novo. – Jeyne começou, fazendo com que todos virassem para ela. Abriu um minúsculo sorriso. – O homem tem mais honra que um Septão. Digam-se agora, senhores, deixarão Arya Stark entrar ou não?
Na verdade, não parecia mesmo com Arya. Tinha as roupas parecidas com as de um menino, esfarrapadas e sujas, além do rosto manchado de sujeira e lama. O cabelo estava bagunçado, como um ninho de pássaros, e ela fedia a esgoto.
— Por favor, Wyl. Não está duvidando de mim, está?
— Não senhora. Desculpe-me, milady. – ambos fizeram uma descuidada reverência. – Tenha um bom dia.
Jeyne chamou Arya, e a garota seguiu-a pelo pátio. Andaram em silêncio por alguns segundos, até que estivessem distantes o suficiente dos guardas. Jeyne tinha o braço suave e estrategicamente colocado sobre os ombros da menina. Perto das pilastras, virou-a para si.
— Onde estava, pequenina?
— Eu estava procurando gatos, para a minha aula de dança.
— Aula de dança?
— Sim, estou aprendendo a usar uma espada. A ser uma dançarina da água.
— E o que caçar gatos tem a ver com isso?
— Gatos são rápidos, espertos. É difícil pegá-los, sabia?
— Imagino. Em Despenhadeiro, meu irmão mais velho e eu gostávamos de procurar gatos. – os olhos de Arya brilharam com a história. Então Jeyne riu. — Mas minha mãe ensinou-me que sou uma lady, e que não devo agir assim.
— Eu não sou uma lady. Nem nunca serei.
— Não pode dizer isso. Vamos andando. – as duas voltaram a seu caminho. – Querendo ou não, será uma lady. Está em seu sangue, Arya.
Continuaram a conversar pelo trajeto. Jeyne não havia acreditado muito na história da menina. Estava agitada demais para ter ido apenas atrás de gatos. Mas deixou-a em paz. Decidiu acompanha-la até o escritório da Mão e, ao chegar lá, viu Lorde Eddard imerso em papéis.
— Arya! O que houve com você?
— Estava caçando gatos para Syrio. – o Senhor Stark abraçou-a ligeiramente. Então pôs os olhos sobre Jeyne.
— Achou-a no pátio, senhora?
— Sim, no pátio. – Jeyne respondeu, após um olhar suplicante da garotinha Stark. – Ela estava no pátio. Já estava vindo para cá, então decidi fazer-lhe companhia.
Houve uma batida na porta, e um esbelto homem da guarda doméstica de Lorde Eddard entrou no cômodo. Jeyne esforçou-se um pouco, e lembrou-se que o nome dele era Jory.
— Perdão, senhor. Há um homem aqui pedindo para ter uma palavra com o senhor. Diz ele que é urgente.
— Mande-o entrar, então.
O homem usava negro, fedia a viagem e tinha os cabelos mais bem penteados que Arya. O rosto era rígido, e os olhos agitados, mas parecia mais confiável que muitos dos guardas Lannisters. Jeyne ficou curiosa quanto a conversa deles.
— Seu nome, meu amigo?
— Yoren, senhor. Esse deve ser seu filho. Parece com o senhor.
— Ela é uma garota, senhor. – Jeyne corrigiu-o, notando o olhar de desagrado de Arya.
— Quem mandou-o? Foi Benjen?
— Ninguém mandou-me. Estou atrás de homens para a Patrulha. Alguns que talvez sirvam para o trabalho após algum treinamento.
— Arranjaremos homens para você.
— Obrigada, senhor. Mas achei melhor trazer-lhe uma mensagem mais urgente. É pelo bem de Benjen que vim aqui. Ele é seu irmão tanto quanto é meu. Gostaria de avisar-lhe algo.
— Pois bem. Diga-me.
— Preferiria que dissesse em particular. – Lorde Eddard tocou o ombro de Arya delicadamente.
— Se puderem me dar licença, senhoras. Jory, você também.
Jeyne saiu, ainda que a contragosto. A porta foi fechada com um baque surdo, e ela encarou, curiosa, o Jory que se postou ali ao seu lado.
— Vamos andando, senhora? – Arya perguntou-lhe. Jeyne virou-se, e seguiu-a silenciosamente.

Notas finais
Então, eu estou meio que me auto-avaliando para ver se sou uma péssima escritora e se minha fic está ficando horrível. Nesse capítulo andamos bastante na história. Preciso da opinião de vocês, meus queridos! Digam-me: fracasso total? Mais ou menos? Estou melhorando? Ou a fic está perfeita?
Beijos! :*