Quando O Lobo Uivar

19 Capítulo dezenove


Notas iniciais
Desculpem a demora, por favor, não me matem! O computador deu pau na semana passada! Só consegui postar hoje. Espero que gostem...
Ah, enquanto leem, VÃO PENSANDO NOS SEUS COMENTÁRIOS. PORQUE EU QUERO COMENTÁRIOS. Bora lá pessoal, daqui a pouco eu chego nos 70. *OOO*

Jeyne acordou com o inegável som de sinos. Eles badalavam alto o suficiente para acordar toda Porto Real. Estava assustada, e suada. Pesadelos com um monstro horrível regado a vinho que geralmente terminava sendo seu futuro marido, Tyrion Lannister. Ele sempre acabava tomando-a para si do jeito mais doloroso possível.
Ela levantou-se, ainda um pouco cambaleante, e correu até a janela. Achou que seus olhos estavam pregando-lhe uma peça quando deu um cenário ao som: eram os sinos do Grande Septo de Baelor. O rei estava morto. O gordo e vermelho Robert Baratheon estava morto. E agora Joffrey era rei.
A porta abriu-se e Solara entrou, usando seu vestido leve e laranja de sempre e carregando uma bandeja com suco, pão, frutas e mel.
— Sole, o que está acontecendo?
— Rei Robert está morto, e o Rei Joffrey agora convoca a nobreza a sua primeira audiência no poder. – Sybell Westerling respondeu-a, entrando no cômodo atrás da serva agora silenciosa. Sole temia Sybell como a um gramequim. – Se vista e fique apresentável.
— Como Robert morreu? – Jeyne assentiu para Solara, que a ajudou a retirar o vestido.
— Foi caçar um javali. Ele o matou. – Sybell sentou-se em um banco, usando um rico vestido azul. Então se levantou novamente com uma risada maliciosa, andando em direção ao baú de vestidos de Jeyne. – Burro.
Solara retirou a camisola amarela de Jeyne enquanto esta se observava no espelho. Tinha seios pequenos e cintura fina, além de um quadril mediano. Os cabelos embaraçados e ensebados de sono caíam em caracóis castanho-claros por suas costas e seus seios. Não era a mais bonita, nem ao menos tão bonita quanto Sansa, mas também não era feia, plácida e burra como aquela filha da Senhora Tanda. Não merecia casar-se com Tyrion Lannister.
Meia hora depois estava vestida com um fresco vestido verde escuro, decorado com renda rosa-claro de Myr. Era um lindo vestido, e destacava o pingente de âmbar que carregava em seu pescoço. Os cabelos estavam presos em uma trança que caía até a cintura, provavelmente o penteado mais simples das nobres da corte.
— E Eddard Stark? – ela lembrou-se da Mão do Rei.
— Preso. Como um rato.
— Por quê? – ela arregalou os olhos, virando-se tão repentinamente que assustou Solara, que prendia as últimas mechas de cabelo na trança.
— Traição. Ele tentou usurpar o trono do novo rei. Outro burro. – Sybell franziu as sobrancelhas para a filha. – Já é tarde, Jeyne. Dormiu demais. Está sentindo-se mal?
— Muito mal, mamãe. Acho que estou adoecendo. – sua visão tornara-se turva e ela respirava com dificuldade. Estava com seu sangue de lua. – E Sansa? E Arya?
— A pobre menina Stark está sendo mantida em uma das torres. A outra menininha sumiu.
Jeyne encarou o chão, sentindo o vestido apertar-lhe o peito. Não conseguia respirar. Precisava ajudar os Stark. Precisava ajudar Sansa, e Eddard, e Arya. Traçou um plano ínfimo em sua mente, temerosa e incerta. Então ergueu a cabeça, lembrando-se de suas palavras com Septa Mordane.

***
Sansa tinha os olhos inchados e mais azuis que o normal quando encontrou os castanhos claros de Jeyne e correu para seus braços. A corte estava toda reunida, mas o rei não havia chegado ainda.
— Jeyne. Eles prenderam meu pai. Mataram todos. Septa Mordane, e Jory, e todos os homens de meu pai.
— Está tudo bem, Sansa. – Jeyne prendeu-a contra o peito, então soltou-a. A Westerling era bem mais alta que a Stark, e por isso baixou a cabeça suavemente para falar com a jovem. – Vai ficar tudo bem.
Nesse momento as portas gigantescas do salão abriram-se e um radiante Joffrey Baratheon entrou. Ou melhor, o Rei Joffrey Baratheon, entrou. Usava uma roupa dourada e a coroa sobre seus cachos. Os lábios grossos como salsichas sorriam suavemente enquanto andava por todo o caminho até o monstruoso Trono de Ferro.
A audiência arrastou-se como lesmas, mas para Jeyne o tempo parecia estar fugindo por entre seus dedos. Ela não conseguia ver como colocaria o plano em prática. Talvez devesse esperar. Talvez não devesse executá-lo. Não. Não havia escolha. Era isso ou nada.
O Grande Meistre Pycelle e Lorde Varys conduziam a audiência, e as pessoas mostravam seus problemas cotidianos ao rei. Jeyne queria bater em todos eles, para que se calassem e a audiência terminasse logo. Quando esta estava quase em seu fim, Sansa, antes quieta durante todo o tempo ao seu lado, começou a mover-se até a frente do trono.
— Alguém tem mais alguma situação para trazer a frente de Sua Graça, o Rei? – a voz preguiçosa de Pycelle pronunciou. Então ele fixou seus olhos falhos sobre a cabeleira ruiva de Sansa.
— Oh. Sansa Stark.
— Eu sou a Senhora Sansa da Casa Stark, e gostaria de apresentar minha situação à Sua Graça, o meu Rei.
— Diga, Sansa. – Joffrey apoiou-se sobre um dos braços do trono, mostrando interesse. Apenas Jeyne notou a faísca de sadismo em seus olhos.
— O meu pai... – Sansa ajoelhou-se para falar ao rei, mas Jeyne não conseguiu prestar atenção em seu discurso. Tinha os olhos fixos no eunuco. Varys. E então os fixou em Petyr Baelish. Qual deles seria o melhor aliado? A dissimulada Aranha, ou o misterioso Mindinho? A escolha mais segura seria Varys. Mas a mais eficaz talvez fosse... Baelish. – Se ainda tem algum amor por mim, Vossa Graça, conceda-me este desejo. Conceda misericórdia ao meu pai.
Joffrey fitou o chão por algum tempo. Seus olhos azuis pareciam pensativos, mas Jeyne por algum motivo sentiu que algo ruim estava prestes a vir. Estava suada e gelada, mas não saberia dizer por quê.
— Eu darei misericórdia ao seu pai. – Joffrey levantou-se e, alto e magro, andou até Sansa. Ergueu-a do chão galantemente e disse, com uma das mãos em sua bochecha. – Se ele confessar sua traição. Perante homens e deuses, em público, nas escadarias do Grande Septo de Baelor.
— Ele fará isso. – Sansa sorriu, assentindo, mas Jeyne temeu. Agora que tinha-a sob sua proteção, era tudo o que faria por um bom tempo.

***
Eileen ainda tinha o couro cabeludo dolorido ao entrar na cozinha. Sorriu para Camille e para Gage e, antes que o cozinheiro notasse, pegou mais uma maçã da dispensa. Robb não se importaria, ela sabia disso. Por que Gage deveria saber, então?
Tinha os cabelos soltos caindo em cascatas até sua cintura, e sorria com facilidade naquele dia em especial. Não havia rosa em seu cabelo ainda, pois era muito cedo. O Senhor de Winterfell estava em seu café da manhã, e o senhorzinho nem mesmo acordara.
— Devia ir lá atrás de seu senhor. – Camille comentou, com a voz baixa. — Meistre Luwin passou aqui agora a pouco, e ele parecia preocupado. Um corvo chegou. E sabe como a Velha Ama diz. “Asas escuras, palavras escuras”.
— Não sei como você não tem asas escuras. – Eileen brincou. – Você sempre é pessimista, Cam.
Com isso, deixou a cozinha e dirigiu-se ao Grande Salão. Abriu as portas em tempo de ouvir Robb, com seu tom de voz senhorial, dizer:
-... Sansa escreveu isso? – ele estava em pé em frente à mesa de café, com pães e frutas a sua frente. Ao seu lado, Theon empanturrava-se de bacon e cerveja preta, sentado como se o assunto não fosse sério. – Traição?
— A letra é de sua irmã, mas as palavras são obviamente da Rainha. Você foi convocado a Porto Real para jurar fidelidade ao novo Rei Joffrey.
— Joffrey põe meu pai em correntes e quer ser bajulado?
— É um comando real, senhor. Se não obedecer...
— Se eu não obedecer? Meistre Luwin, o senhor parece não me conhecer. Eu sempre faço o que me dizem, não faço? Eu vou obedecer. Irei a Porto Real. Mas não sozinho.
— Está me pedindo, senhor, para convocar os juramentados? – Meistre Luwin não queria acreditar nas palavras de seu senhor.
Robb hesitou por um segundo. Seu cabelo rebelde, cacheado e ruivo, fazia com que aparentasse ser tão novo quanto realmente era. Mas seus olhos azuis brilhavam como os de um homem bem mais velho. Seu olhar cruzou-se com o de Eileen, que ainda estava parada na porta. Ele pareceu pedir algo. Ela não saberia dizer ao certo o que era: um conselho, ou permissão.
Seja o que for, ela assentiu com um olhar grave.
Então Robb abriu um sorriso para Meistre Luwin.
— Chame os porta-estandartes, Meistre. Todos os juramentados a meu pai. Veremos quais deles levam seus juramentos a sério.
Meistre Luwin também abriu um sorrisinho, e Ellie não reconheceu, à primeira vista, aquilo que brilhou em seu olhar. Seria orgulho? Sim, orgulho feroz. Quando o idoso saiu do cômodo, cumprimentou-a na porta. E disse:
— Eles pediram por guerra, Eileen.
Robb sentou-se ao lado de Theon. Ellie aproximou-se e sentou ao lado de Robb também. Mordeu a maçã, que era doce e suculenta. Um pouco do sumo escorreu de seus lábios, mas ela limpou-o rapidamente. Jamais vira Lady Catelyn com sumo de fruta escorrendo de sua boca.
— Está com medo? – Theon perguntou, levantando o rosto de seu prato por um segundo.
— Acho que sim. – Robb exibiu sua mão tremendo.
— Bom. Quer dizer que não é idiota. – Theon riu. Eileen segurou as mãos de Robb para que estas parassem de tremer, e ele fitou-a intensamente.
— Iremos à guerra, então.
E, naquele dia, os corvos saíram em nuvens negras de Winterfell.

Notas finais
Então, esse foi meio pequeno, né? Mas eu TENHO que fazer uma observação sobre o momento Robb-Eileen aí do final: foi inspirado em uma parte do filme 300. Não sei se já viram, mas é aquele com o Gerard Butler. Tem um momento do filme em que meio que perguntam pro cara (leia-se Gerard Butler) se ele vai começar uma guerra. Então ele vira-se para a sua mulher (interpretada coincidentemente pela nossa amada Lena Headey - a Cersei) como se pedindo permissão ou um conselho. Aí ela faz uma cara de má e assente. PRONTO - é isso que eu quero na minha fic.
O que acharam?
Eu queria pedir pra vocês, do fundo do coração, que recomendem essa fic para os seus amigos. Estava querendo mais leitores.
Sobre o próximo capítulo, ainda não está pronto. Diria que está meio que a 2/3 pronto. Preciso de comentários para ter inspiração para terminar de escrevê-lo. Mas obrigada as que já comentaram e desculpem-me por ser uma chata que demora a atualizar a fic e vive pedindo comentários!kkk
Beijos! :*