Quando O Ódio E O Amor Colidem
9 Diga-me porquê
Notas iniciais
POV’S Thayná.
Estava atordoada. Não queria ficar mais naquela casa, com ele (mesmo a nossa convivência tendo melhorado 100% e o fato da gente estar se dando bem e vendo pontos positivos um no outro, ainda não gostava nem um pouquinho dele). Precisava de respostas para as minhas perguntas. Resolvi cabular aula. Acordei cedo o suficiente para Pedro não me ver e fazer um questionário e sai. Fui até a casa da minha mãe. Entrei e após vê-la na mesa da cozinha tomando o seu café comecei.
_ Por quê? Por que tornar a minha vida um inferno?
_ o que é isso minha filha?! – ela perguntava espantada.
_ diga-me o porquê? Eu estou perdida! Casada com quem eu nunca vi na minha vida!
_ Mas você conhece o Pedro. Vai me dizer que não lembra?
_ É eu tenho Alzheimer. Agora me fala. – dizia irônica
_ Bom, você e o Pedro brincavam na infância, não se suportavam muito, mas...
_ resume essa ladainha, por favor.
_ tudo bem apressadinha. O Pedro foi embora com os pais, e você ficou com muita raiva, afinal ele era o seu melhor amigo.
_ E com quantos anos foi isso?
_ Você tinha 7 anos.
_ Não mesmo. O meu melhor amigo era gordo, feio, e eu o chamava de que mesmo... Ah! popô de urso.
_ E o nome dele era Pedro, filho da Leni, nossa vizinha. – eu a olhava com a cara já caída no chão. Ta de brincadeira, eu me casei com o meu melhor amigo de infância. Que vontade de vomitar!
_ Mas por que a Leni fez essa proposta? – perguntei ainda sem entender.
_ Bem, eu não sei. Ela não revelou o motivo. Mas como era só por um ano, eu resolvi aceitar e...
_ E fazer da minha vida um caos?
_ Thayná você sabe que eu te amo e que eu seria incapaz de te fazer sofrer.
_ eu tenho minhas dúvidas quanto a isso.
_ Filha eu....
_ Agora não adianta se arrepender mãe. O que está feito, está feito. Um ano da minha vida será perdido, e não da sua. – disse, e sai. Passei no supermercado e comprei umas garrafas de tequila. Naquele momento eu já estava discutindo com o meu pensamento. Cala a boca pensamento, ou te enfio uma faca! É eu estava mal. Voltei pro meu apartamento e quando ia me embriagar e sair da minha vidinha de merda, me deparo com Pedro sentado no sofá. Ele parecia me esperar, e eu estava certa, só foi eu chegar pra ele abrir a boca.
_ Onde você estava?
_ preocupado comigo? – perguntei irônica.
_ Nem to. Você some, fica fora o dia inteiro, não fala pra onde foi, não atende a merda deste celular e volta a noite pra casa. É com certeza isso não importa! – ele disse ironizando a minha pergunta.
_ Pra que tanto drama?! Eu não morri ok! E eu estava na casa da minha mãe. E segundo não te devo satisfações. – dizia incrédula.
_ Essa merda no seu dedo se chama aliança. E se você não percebeu estamos casados! Da pra você levar esse contrato a sério? Eu sei que ta insuportável. Eu mesmo não aquento, não suporto. Abri mão de muitas coisas. Inclusive do amor da minha vida. E essa dor está me consumindo. Estou sofrendo pra caraca. Agora da pra você parar de ser criança e agir com um pouco de maturidade? Não to pedindo pra você me amar, pelo contrário. Não precisamos nem ser amigos, apenas nos respeitar ok?! Você não me enche eu não te encho.
_ A dor é necessária, mas o sofrimento é opcional.
_ E o que você entende disso? Você nunca enfrentou nada na sua vida. Nunca sofreu a dor da perda.
_ Ai que você se engana meu caro, um dos motivos para eu estar aqui foi à morte do meu pai. Posso ser mais nova que você, mas nem por isso deixo de ser menos experiente.
_ desculpe-me estava exaltado. Fico colocando a culpa em todos, pelos meus problemas. Sei que sua vida está um inferno. E sei que você também não queria estar aqui, mas entenda é necessário. Sei que é dolorido, mas nenhuma dor é forte o bastante que você não possa suportar. E outra, lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.
_ Trégua? – perguntei insegura
_ Trégua. – ele disse e eu já ia subindo quando ele me interrogou. _ Aonde você pensa que vai com essa garrafa de tequila? – PQP agora fudeu! Se ele contar pra minha mãe que eu to bebendo eu to morta! _ Pode ir largando de ser egoísta e dividir comigo. – ele disse e me aliviei.
_ aff’s. Ok vamos pro terraço. – disse e subimos lá pra cima. Ficamos bem na beirada. Então começamos a beber. Depois de alguns copos já estávamos noiados e falando coisa sem noção.
_ doença? – eu perguntei feito uma retardada.
_ Bronquite. – ele dizia já alto.
_ Hipoglicemia. – dizia rindo, estava doidona.
_ Não posso te deixar sem açúcar. Hahaha. – ele fez uma pausa -Toda mulher precisa de terapia. TER....A...PIA.... cheia de louça pra lavar e não ficar pensando bobagem.
_ Ah! – me fiz de indignada — E homem é igual a telefone público, 80% não funcionam e os outros 20% estão ocupados.
_ E sabe por que as mulheres balançam tanto o cabelo? É pra ver se o cérebro da um tranco!
_ Qual é popô de urso... – disse e dei um tapa em suas costas.
_ Ei! Ninguém me chama assim só... – ele arregalou os olhos surpreso -É você! Caraca se ta diferente hein!
_ pra tu ver! O tempo passa. A gente cresce. As coisas mudam.... – eu dizia até que fui interrompida.
_ Mas as lembranças permanecem..
_ pq vc foi embora Pedro?
_ Eu tive que ir. – nesse momento nem riamos mais, a graça havia acabado. Apenas olhávamos para o céu que estava cheio de estrelas.
_ Que ironia não é mesmo? Casada com o meu melhor amigo de infância. – eu disse e então voltei a rir. Virei o resto da garrafa.
_ Pra você eu contava todos os meus segredos... Ainda me lembro quando eu quebrei o aquário da Michele e você viu. Quer dizer que aquela pirralinha era você? Haha.
_ Pirralinha muito da inteligente viu?! Por que se eu me lembro bem eu te subornei pelo meu silêncio e você foi obrigado a me dar a sua mesada durante um semestre inteiro! Hahaha. Você sempre foi um babaca.
_ E você sempre se achando a fodona. É tem coisas que nunca mudam não é mesmo haha. – riamos feito retardados.
_O maior prazer de uma mulher inteligente é bancar a idiota diante de um idiota que banca o inteligente.
_ Nossa! Acaba comigo vai. hahaa
_ A gente era melhor amigo e um não suportava o outro néh?! Haha.
_ É, mas eu só fingia te odiar. Por que eu gostava de você. Devo confessar tive uma quedinha por você, na verdade um barranco. Hahaha
_ sério?
_ ham ham. Só que você nem se importava comigo porque gostava do Guilherme. – ele disse debochado
_ você é muito burro mesmo! Eu nunca gostei do Guilherme. Eu só ficava perto dele porque ele gostava de mim e pagava o meu lanche todo dia. Maior otário. Desde pequena sempre fui mercenária, rs
_ Sério que eu morria de ciúmes à toa?
_ É seu besta. Hahaa Mas porque você nunca me falou?
_ medo de ser rejeitado.
_ foi burro. Porque eu gostava de você também. Só que era orgulhosa demais para admitir isso. – eu disse ele sorriu pro nada.
_ Quer fazer agora o que não fizemos no passado? – ele perguntou se aproximando de mim. Nossos narizes já estavam colados quando eu disse.
_ Pedro estamos bêbados. Haha.
_ É quando estamos bêbados que dizemos as maiores verdades. – ele disse e eu neguei com a cabeça. Mas foi inevitável. Nos beijamos. Um beijo calmo, mas que foi ganhando ritmo e movimento. Um beijo com sincronia e sentimentos guardados em uma caixinha que agora estavam sendo libertos. Mas mesmo gostando daquilo resolvi dar um chega pra lá. Me afastei dele.
_ O que ouvi? – ele perguntou sem entender.
_ não podemos deixar que os fantasmas do passado atormentem o nosso presente. Isso não vai dar certo.
_ virou vidente?
_ Não.
_ Então deixa rolar. Amanhã a gente põe a culpa na Tequila. – ele disse e eu concordei com a cabeça e voltamos a nos beijar intensamente.
(...)
No outro dia...
Acordei com uma dor de cabeça insuportável e como já não bastasse acordei no quarto dele. Fiquei doida da vida. Afinal, não me lembrava de porra nenhuma e estava no quarto do Pedro. E ele estava na mesma cama que eu! Comecei a passar a mão na cabeça em desespero! Enquanto ele dormia tranquilamente do meu lado. Aff’s que garoto mongol. Ele deve ter me dopado. A última coisa que eu lembro é de alguns copos de tequila nada mais. Desci da cama e fui até a cozinha procurando alguma coisa par minha cabeça. Achei um remédio lá e ingeri. Sentei no sofá fiquei tentando me recordar da noite passada. Mas minha mente estava bloqueada e eu não me lembrava de bulunfas. Subi até o quarto e resolvi dar o troco levei uma garrafa de água e splash! O molhei todinho com a água mais gelada que eu encontrei na geladeira. Ele deu um grito e eu comecei a rir. Ele me olhou com um ódio supremo e veio atrás de mim. Desci as escadas correndo e ficamos brincando de pega pega, é somos kids. Até que ele tropeçou e caiu. Que idiota. Fui até ele e fiquei rindo da cara dele. Mas o imbecil puxou o meu pé e eu caí também. FDP! Começamos a rir feito retardados a minha cabeça doía cada vez mais. Após xingá-lo de tudo quanto é nome, fui até o congelador e peguei um saco com gelo. Coloquei na minha testa e fiquei deitada no sofá assistindo algum programa do qual nem me dei conta. Apenas adormeci.
(...)
Acordei com empurrão que me fez cair no chão. PQP! Tinha que ser o viado do Pedro!
_ O que foi agora? – perguntei ainda jogada no chão.
_ Ei o cinema! Ontem eu já adiei. De hoje não passa.
_ ta eu vou me arrumar, seu chato. – disse e me levantei. Pedro riu.
_ Se vista decentemente ok? – ele gritava enquanto eu subia as escadas.
_ pode deixar que eu não vou me vestir feito as piranhas das suas namoradas!
_ É.. Vai se vestir pior é minha esposa. – ele disse e eu dei o do meio.
(...)
Notas finais
Sigam que depois eu sigo de volta ;p
Beijinhos ♥
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