A semana passou em um turbilhão de emoções, e Ruan se viu em um constante dilema. As interações com Suellen estavam cada vez mais intensas, mas ele ainda não sabia o que realmente significavam. Será que ela o estava vendo de forma especial, ou apenas o via como uma pessoa para ajudar nos momentos difíceis? Ele não podia negar que se sentia cada vez mais interessado por ela, mas havia algo que o impedia de dar um passo adiante.

Ele estava deitado em sua cama naquela noite, olhando para o teto. A luz suave do abajur iluminava o quarto, mas nada parecia afastar as perguntas que se acumulavam em sua mente.

O sorriso de Suellen quando a viu pela última vez, o brilho nos olhos dela ao agradecer... Seriam apenas sinais de gratidão? Ou ela realmente sentia algo por ele? Ruan fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos. Mas a verdade era que ele ainda não sabia o que fazer. Talvez fosse hora de conversar com ela, ser direto sobre o que sentia.

Porém, no fundo, ele sabia que não seria tão simples. Como falar sobre isso sem se colocar em uma posição vulnerável demais? Ele não queria se arriscar, não queria se machucar novamente, mas não sabia como lidar com o que estava acontecendo.

No dia seguinte, ele recebeu uma mensagem de Suellen. Um simples “Oi, Ruan, posso te ver hoje à tarde?” Eles haviam trocado os números a um tempo, trocavam mensagem esporadicamente. Mas algo na mensagem parecia diferente. Ela estava mais distante, mais cautelosa. Ruan franziu a testa ao ler, questionando o motivo de tanta formalidade. Será que ele estava lendo demais naquela mensagem? Ou talvez ela estivesse começando a se afastar?

Ele hesitou por um momento antes de responder. Não queria soar ansioso, mas ao mesmo tempo, não queria deixar a oportunidade passar.

— Claro, posso te ver sim. Onde você quer ir? — respondeu.

A resposta veio rapidamente: “No parque, talvez. A gente se encontra às 15h?”

Ruan não pensou duas vezes. Seria a primeira vez deles indo ao parque, que era o lugar onde muitas coisas haviam acontecido entre eles. “Mesmo não estando ciente, aquele era o lugar onde tudo começou…” Onde se encontraram pela primeira vez, onde suas almas foram conectadas. Não seria o lugar mais romântico, mas o simples fato de estarem juntos ali parecia certo.

Quando chegou ao parque, Ruan a viu logo à distância. Suellen estava sentada no banco, com os olhos fixos no horizonte. A imagem dela ali, tão serena, fez o coração de Ruan bater mais forte. Ele caminhou em direção a ela, e ao se aproximar, Suellen levantou o olhar e sorriu.

— Oi, Ruan. — Ela disse, com um sorriso tímido.

— Oi, Suellen. — Ele respondeu, sentando ao lado dela no banco.

O silêncio entre eles era confortável, mas ao mesmo tempo, carregado de uma tensão que Ruan não conseguia identificar. Eles não se conheciam há tanto tempo, mas parecia que algo tinha mudado. Ou talvez fosse apenas ele, que estava começando a perceber as coisas de uma maneira diferente.

— Como você está? — Ruan perguntou, tentando quebrar o silêncio.

— Eu estou bem. Apenas... pensando em algumas coisas. — Suellen respondeu, olhando para ele com um semblante sério.

Ruan franziu a testa. Ele percebeu que havia algo mais por trás das palavras dela, algo que ela não estava dizendo. Mas, por algum motivo, ele não queria pressioná-la. Em vez disso, ele perguntou o que estava acontecendo com ela, esperando que ela fosse abrir o jogo.

— É... sobre o que conversamos outro dia, sobre a nota, o trabalho... — Suellen começou, e Ruan sentiu o peso das palavras dela. — Eu só queria saber se... você acha que eu agi certo. Ajudar, eu digo. Será que não foi só... uma maneira de... agradar? Você acha que foi só gratidão, Ruan?

As palavras de Suellen atingiram Ruan como um soco no estômago. Ele ficou em silêncio, tentando processar o que ela acabara de dizer. Então, ele se virou para ela, seus olhos fixos nos dela, como se tentasse entender o que ela realmente queria saber.

— Suellen... — Ele começou, sua voz baixa e séria. — Eu acho que o que você fez não foi só gratidão. Não é simples assim. Eu vejo em você algo mais, algo que... você ainda não se permitiu perceber. Mas, ao mesmo tempo, eu... — Ruan hesitou, não sabendo como continuar. — Eu não sei o que você sente. Eu não sei se você está fazendo tudo isso por algum motivo específico, ou se você está apenas se sentindo perdida.

Suellen o olhou profundamente, e por um momento, o silêncio entre eles foi mais pesado do que qualquer conversa que já tivessem tido. Era como se uma barreira invisível estivesse sendo construída, e Ruan não sabia como destruí-la.

Antes que Suellen pudesse responder, uma voz familiar interrompeu o momento.

— Olha quem está aqui, que surpresa agradavel! — Evelyn apareceu de repente, sorrindo como sempre, mas com um olhar malicioso. Ela estava se aproximando do banco onde Ruan e Suellen estavam, e a tensão no ar ficou ainda mais palpável. — Olá, Ruan. E você, Suellen? Como vão as coisas?

Suellen se sentiu incomodado com a interrupção de Evelyn, mas não pôde deixar de notar a maneira como ela olhava para ele, com aquele sorriso provocador. Ela sabia exatamente o que estava fazendo.

— Oi, Evelyn... — Suellen disse, um pouco desconfortável.

Evelyn não perdeu tempo e se sentou no banco ao lado de Ruan, encostando-se de forma excessivamente próxima, como se quisesse deixar claro que estava ali, e que estava disposta a ocupar o espaço de Suellen.

— Como vão as coisas entre vocês dois? — Evelyn perguntou, com um sorriso travesso. — Estão juntos agora? Ou apenas... bem?

Ruan se virou para ela, surpreso, mas rapidamente recuperou a compostura.

— Não estamos juntos, Evelyn. — Ele respondeu, tentando esconder o desconforto na voz. Ele queria ser firme, mas a presença de Evelyn tornava tudo mais difícil.

Evelyn deu uma risadinha e cruzou as pernas, como se estivesse gostando de todo o drama que estava criando.

— Ah, então só amizade, né? — Ela disse, com um tom que deixava claro que ela estava jogando com a situação. — Que pena. Eu até acharia legal ver algo mais entre vocês dois, mas... quem sou eu para dizer, né?

A tensão no ar se intensificou, e Ruan olhou para Suellen, que agora parecia mais desconfortável do que antes. Ela se levantou rapidamente, evitando o olhar dele.

— Eu preciso ir. — Suellen disse, sem dar mais explicações. Ela saiu rapidamente, deixando Ruan e Evelyn sozinhos no banco.

Ruan ficou ali, parado, sentindo uma estranha mistura de frustração e impotência. A presença de Evelyn só complicava ainda mais as coisas entre ele e Suellen. Ele sabia que algo precisava mudar, mas não sabia se estava pronto para enfrentar o que estava por vir.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.