Quando Nossos Caminhos se Cruzaram
5 A Primeira Conversa
Notas iniciais
Ruan On
Já fazia um tempo que Suellen e suas amigas tinham saído da sala de informática, e depois de um certo tempo, percebi que na mesa que elas estavam, tinha um celular e quando liguei a tela, lá estava ela… Uma cacheada extremamente linda que roubava a cena apenas por estar presente, cujo sua silhueta era de tirar o fôlego.
“Nunca pensei que veria uma garota mexer tanto comigo…”
Eu estava completamente imerso no trabalho. A tarefa era clara: configurar toda a infraestrutura dos switches na sala, garantindo que a rede estivesse estável e sem falhas. O som dos cabos sendo conectados, o clique das ferramentas, o zumbido dos computadores — tudo aquilo era o meu foco. A rotina me absorvia, mas uma parte de mim ainda se perguntava sobre o olhar de Suellen. Aquele breve encontro, a troca silenciosa de olhares... ela ainda estava na minha mente.
Eu estava tão concentrado que nem percebi quanto tempo havia se passado. Era como se o mundo ao meu redor tivesse diminuído, e eu estivesse preso apenas naquele momento de tensão elétrica e cabos.
Foi quando ouvi a porta se abrir rapidamente. Fui puxado da minha concentração por um som que logo se transformou em um susto. Me virei, e lá estava ela.
Suellen…
Ela entrou na sala com a mesma graça que sempre a acompanhava, sem notar minha presença imediatamente. Seus olhos estavam fixos à sua frente, talvez distraída com algo que passava em sua mente. Eu só a observei por alguns segundos, absorvendo sua imagem. Os cabelos cacheados balançavam suavemente a cada movimento, e ela andava com um ritmo calmo, como se a sala fosse o seu espaço de sempre. Até que ela parou, e só então me percebeu.
Houve um silêncio breve, um instante onde o tempo pareceu congelar.
“Eu não acredito...”, pensei, tentando organizar os pensamentos. “Será que ela vai falar comigo?”
Suellen pareceu hesitar, uma leve surpresa estampada em seu rosto. Eu podia ver a dúvida nos seus olhos. Ela estava prestes a dizer algo, mas a hesitação foi clara. O desconforto, talvez de saber que estávamos sozinhos naquela sala, tomou conta dela. Mas, ao invés de continuar a caminhada até o fundo da sala, ela parou.
Olhei para ela, tentando manter a calma, mesmo que o coração estivesse acelerado. Eu sabia que esse momento poderia ser decisivo.
— Ei... — comecei, a voz saindo mais baixa do que eu esperava. — Você esqueceu isso na sala de informática.
Ela olhou para o objeto em minhas mãos: o celular dela. Naquele instante, percebi que ela havia notado que o deixara para trás.
A expressão de Suellen passou rapidamente de surpresa para uma mistura de alívio e leve embaraço. Ela se aproximou devagar, como se ainda estivesse tentando compreender o que estava acontecendo.
— Ah... — ela disse, um sorriso tímido aparecendo no canto de seus lábios. — Nem percebi que tinha esquecido. Eu sou distraída, né?
Seu tom de voz era suave, quase como se ela estivesse tentando quebrar o gelo de alguma forma. Mas havia algo mais ali, uma energia crescente entre nós dois, algo que eu não conseguia ignorar.
Ela pegou o celular das minhas mãos, e eu senti os dedos dela tocarem os meus por um breve instante. Algo em mim acelerou, um frio na barriga misturado com uma sensação indescritível.
“Naquele exato toque, minha mente disparou uma sensação estranha e nostálgica, como se eu já tivesse sentido aquelas mãos macias e delicadas, pairando como um sussurro do passado.”
— Você tá bem? — perguntei, tentando puxar uma conversa, mesmo que ainda com certa hesitação.
Ela assentiu, mas não respondeu de imediato. Seus olhos desviaram por um segundo, depois voltaram a me encarar com mais firmeza.
— Tô... só um pouco surpresa. Não esperava te encontrar aqui de novo. — Sua voz saiu mais segura dessa vez.
Sorri, sentindo que o clima começava a mudar.
— Eu que pergunto. Depois daquele susto ontem, você não se machucou, né?
Ela negou com a cabeça, e um sorriso mais leve escapou de seus lábios.
— Não, foi só o impacto mesmo... mais psicológico que físico. — Ela riu baixinho, e aquilo me deu ainda mais coragem.
— Que bom. Eu fiquei pensando nisso depois. E... como tá sendo estudar aqui? Você gosta dessa escola?
Ela pareceu relaxar mais com a pergunta. Encostou-se levemente na cadeira ao lado, como se estivesse se permitindo continuar.
— É... é uma escola boa. Meio exigente, mas acho que isso é normal, né? Os professores cobram bastante. E às vezes tem umas coisas que me incomodam, mas eu me viro.
— Entendi. E aquelas meninas que estavam com você... são suas amigas?
Ela olhou para o chão, pensativa.
— São. Cada uma com seu jeito, mas a gente se dá bem. Cecília é mais fechada, vive com a cara enfiada nos livros, mas é uma das que mais me defende quando preciso. Beatriz é calma, sensível. E Evelyn... bom, Evelyn é do tipo que fala tudo o que pensa. Às vezes é difícil acompanhar. — Ela sorriu de canto, parecendo se divertir com a própria descrição.
— Bom ter amigas assim por perto. Faz diferença no dia a dia, né?
— Faz. Ainda mais com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. — Ela respirou fundo, e por um segundo, sua expressão mudou. Como se houvesse mais por trás daquela frase.
Houve um silêncio breve, mas dessa vez, confortável. Era como se estivéssemos tentando entender a presença um do outro ali, no meio de cabos e máquinas, como se aquele momento tivesse um significado que ainda não sabíamos explicar.
— Você... — ela começou, mas parou. — Esquece.
— Pode falar — incentivei, com um olhar gentil.
Ela hesitou mais um pouco, depois sorriu de novo, quase como se estivesse lutando com o próprio coração.
— Acho que é só estranho... te ver aqui, assim, tão de repente.
— Mas… Por que seria estranho ?
— Não sei como colocar em palavras esses sentimos, eu só acho
— Acho que entendi
— Já está ficando tarde, eu vou ter que ir agora, ainda tenho aula.
— Tudo bem, tenha uma boa aula.
— Antes que eu me esqueça, como é o seu nome?
— É Ruan
— Bem diferente — Então esse é o nome dele… Que nome bonito
— Só um pouco né — Disse, soltando boas risadas
— Até mais, Ruan
— Até…
Ela saiu da sala, e fiquei ali por alguns segundos, encarando a porta fechada. Algo naquela garota fazia meu coração acelerar — e agora, mais do que nunca, eu queria descobrir o motivo.
Suspirei fundo, tentando voltar minha atenção para os cabos e configurações. Mas minha cabeça já não estava mais ali. Algo havia mudado. Uma faísca acesa, um sentimento ainda confuso, mas que pulsava forte. Suellen tinha deixado mais do que um rastro de perfume ou um olhar curioso... ela tinha deixado uma dúvida plantada no peito.
Sorri, mesmo sem entender. Talvez a resposta viesse com o tempo. Talvez ela já estivesse ali, esperando apenas ser revelada.
Assenti, compreendendo sem precisar de muitas palavras. E foi ali, naquela pequena troca, naquele instante singelo, que senti que algo novo estava se iniciando.
Enquanto ela se despedia com um leve "até mais" e saía da sala com passos lentos, eu permaneci ali, por mais alguns minutos, encarando o lugar onde ela estivera segundos antes. Meu coração ainda batia rápido, e por mais que minha mente tentasse seguir com o trabalho, eu sabia que aquela conversa tinha mexido comigo.
Algo dentro de mim dizia que aquele era só o começo.
Ruan Off
(continua...)
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