Quando Nada Mais Faz Sentido
22 Capítulo 21
Jack
Eu me lembro de estar preso em minha própria cabeça. De ver o que acontecia e não fazer nada.
Era como se eu estivesse amarado e presenciando tudo, não fazer nada para impedir e ficar gritando aos quatro ventos.
De ter um grito em resposta, mandando-me ficar quieto. Era sombria a voz, rouca e maldosa. Parecia que eu conhecia, mas não era assim. Era eu mesmo, mas com a escuridão imersa. Aquela voz que me respondia era minha versão das sombras.
Eu vi quando ele foi ao palácio das fadas. Senti o pânico.
Quando ele olhava para todos os lados em busca da ruiva com os azuis cristalinos em seus olhos. O nervosismo remoía em mim e de nada pude fazer e alertar a Elizabeth que saísse dali. O medo me dominou.
Ele iria matar a ela apenas para o poder, para ficar ao lado de Breu e reinar numa nova idade das trevas.
Via tudo como um borrado quando ele estava rodeado de medonhos e quando ele se aproximou de Lizzie, senti o pânico ficar martelando.
Se aquilo fosse um pesadelo eu queria acordar, não queria ver em hipótese alguma Elizabeth ferida. Não queria deixar de sentir a boa sensação que tinha ao estar do lado dela e o arrepio que sua risada causa em mim.
Em possessão de meu corpo, do que tinha em representação de mim, Black ou Jokul que estivesse no comando chegava ao piso de um dos pilares de memorias de dentes. Em um borrão vi aqueles olhos azuis horrorizados, assustados e tristes. Podia ver sua boca se mexendo, falando algo da qual eu não podia ouvir. Como eu gostaria de ouvir... Mesmo que fosse me machucar mais do que estava ferido.
Outro borrão e nesse ela estava próxima, seus braços cercaram meu corpo. Queria gritara pra que ela se afastasse e que ficasse o mais longe possível do que eu era agora.
— Sinto muito...
Foram as únicas palavras que eu pude ouvir até o momento. Mas o ocorrido que veio depois delas deixaram o que se passou mais confuso.
A voz que me mandavam ficar quieto gritava, mas de agonia. Eu não sentia nada, apenas a versão sombria.
Gemidos de dor ecoavam junto ao grito, conclui que eram os pesadelos e medonhos, pois estavam ao comando de Black e Breu.
Mas então aconteceu o que poderia ser bom ou ruim. Senti uma dor, que antes eu não poderia sentir se alguém atingisse o meu corpo. Ela começou como uma sensação de incomodo, foi como uma distração pois quando eu pude ver as imagens que aconteciam a minha frente, Lizzie era afastada e enquanto isso ocorria, a dor ficava mais intensa a partir do meu pescoço e ela ficou intensa em minha cabeça, como uma enxaqueca só que pior, pareciam que tinham me arremessado um cofre de porte pesado.
Mas com isso pude ver com mais clareza, como se as janelas tivessem se abrido e o vendo batesse forte de encontro com meu rosto.
As correntes que pareciam prender minhas mãos e pés se afrouxaram e pareciam nem existir, e não existiam. Livre... Sensação de liberdade.
— Não! Eu tenho o controle! Mas o que aquela garota fez? Aquela desgraçada! — Gritava desesperado.
A imagem em espelho de fez a minha frente, dentro dele a minha versão oposta. Jack Black. Ajoelhado e com as mãos na cabeça, impedindo que algo lhe atingisse.
— Ela fez algo que você nem sequer pesava que pudesse lhe atingir... Não sei o que ela lhe falou ou o que você pediu a ela, mas parece que isso é o motivo do seu aprisionamento estar fraco. – Falei sem emoção, não teria nenhuma no momento, pois aquilo não era para ser comemorado.
— Aquela ruiva... Me paga...!
— Não, ela não será a mira de sua raiva. Nunca mais será porque você não vai existir mais – Cruzei os braços.
— Se eu sumir, ainda terá Jokul para fazer da sua vida um inferno!— Ria como louco, sua voz tinha um tom de ironia.
— Acho que você não entende... Jokul faz parte de mim, não tem como eu retira-lo porque eu já tentei. Eu e ele somos um só. – Neguei com a cabeça, lamentando por ter feito aquela afirmação. – Mas não se preocupe, ele não pode tomar o controle assim como você o fez, ele só foi despertado quando você veio parar aqui.
— Maldito...! Eu ainda voltarei...!— Gritou alto a cada palavra dita, o vidro se quebrou em consequência disso, espalhando-se para os lados, mas não me atingindo.
— Esse é um problema Black, você não vai voltar – Sorri irônico.
Aos poucos os gemidos de agonia dos pesadelos e medonhos sumiram, a escuridão que estava a minha volta sedia a luz branca a minha frente.
Inspirei todo o ar que vinha em minha direção, como uma brisa leve do inverno. Era boa.
Sentia que voltava a ficar em pose de meu corpo novamente, mas lentamente eu podia recobrar os sentidos. Minha respiração saia pesadamente e eu não sentia meu corpo, mas sabia que estava ali. Tentei abrir os olhos, mas de nada adiantavam.
— Mas enquanto a Lizzie?- Eu ouvi uma voz familiar. Fada.
Mas o que tinha Lizzie? Ela estava bem, só foi afastada de mim enquanto eu estava preso em minha mente.
— O fogo mingando de sua pele já se desfez e sua pele fria agora como a neve se fez.
Parecia que alguém falava como um enigma, mas logo aquela frase dita fez sentido. “Pele fria”...
Não... Não...! Isso é apenas alguma ilusão, efeito de eu ter recobrado o meu corpo.
— Então ela já perdeu sua luz clara não é?
Era North, mas se até ele estava falando esse tipo de coisa... Isso deve significar que... Não... Eu lutei tanto para nada de ruim acontecer, qualquer coisa menos isso. Lizzie não pode estar ferida ou... Ou... Morta.
— Se Jack voltar... – Fada falou— Ira enlouquecer, mais do que estava...
Como eu quero gritar... Isso não pode estar acontecendo...
Lizzie!
— Eliza... Beth... – Consegui falar, causando espanto em alguém ao meu lado – Lizzie...
Senti o alarde da dor em meu corpo ao tentar me levantar.
— Calmo companheiro, não se esforce muito... – Coelhão falou ao meu lado, ajudando-me a pelo menos me sentar.
— Cadê a Lizzie? Eu quero vê-la... Ela... Ela estava ao meu lado quando Black me controlava... – Falei pausadamente, respirando com dificuldade.
— Oh Jack... – Olhei para a garota chamada Alex, ajoelhada com alguém deitado com a cabeça em seu colo – Eu sinto muito...
Levantei-me rapidamente, afastando o braço de Coelhão de mim. Mancando a onde Alex estava. Ela se afastou, pousando a cabeça da pequena garota no chão.
— Lizzie? Não... – Minha visão ficava embaçada, sobre meu rosto tinha lágrimas – Tudo menos você... NÃO!
Caindo de joelhos e agarrei-me a ela, abraçando-a e trazendo-a ao meu lado... Minha visão e meus sentidos se foram. Eu não consigo ver mais nada... O vazio. Ela. Ela não. Tudo menos ela. Acorde Lizzie.
— Volta... Por favor, ela não... Elizabeth! — Gritei seu nome inúmeras vezes, sentindo o ar faltar, mas mesmo assim eu continuo – Traga ela de volta... North... Bunny... Ela n-não...
Eu lembro do sussurro dela, a única coisa que eu pude ouvir... E foi mesmo que Alex falou.
Sinto muito...
Aquilo foi como... Uma despedida...!
E com palavras não ditas
Em devoção silenciosa
Sei que sabe o que quero dizer
E o fim é desconhecido
Mas acho que estou pronto
Contanto que você esteja comigo
The XX — Angels
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