Quando Menos Esperar

4 Capítulo 4 - Encontro Oficial


Notas iniciais
"Há encontros na vida em que a verdade e a simplicidade são o melhor artifício do mundo."- Jean de La Bruyère

Sexta-feira novamente. Faltavam apenas 15 min para as 19h, não queria chegar muito cedo, muito menos dar a entender que estou desesperado, mais também não poderia me atrasar. Gostaria de ser menos estranho mais isso me torna interessante, tomo as decisões de ultima hora e sempre ocorre tudo dentro dos conformes, portanto sairei ás 20h.

Ele será o mesmo da noite em que conheci, ou criara um personagem?

Como de costume fico imaginando o que pode ocorrer isso é normal do ser humano, mesmo afirmando a conformidade não consigo deixar de ser paranoico.

Enfim, ansiedade de novo.

Arrumei-me como sempre, nada muito diferente: calça jeans, camisa, jaqueta e um All Star preto.

Assim que terminei de me aprontar veio à fome, o pior é que não havia nada em casa para comer, a não ser um pote de cup noodles junto a um pacote de bolachas. Estava completamente sem tempo para ir fazer compras, todos os dias almoço e janto fora. Preparei o que tinha o mais rápido possível e comi, terminando de comer escovei meus dentes e parti ao encontro do “Desconhecido”, para mais uma aventura na noite.

No caminho, dentro do metro, não parava de pensar no que iriamos fazer: Jantar fora, eu não recusaria, pois um macarrão instantâneo não mata a fome de um cara; Dar uma volta pela Paulista, ou um cineminha; Outra balada. São tantas opções, mais deixarei nas mãos dele.

Sai da estação e avistei um rapaz muito parecido com Pedro, mais não o era. Peguei meu celular para ver se havia alguma mensagem dele, e nada. Comecei a olhar para os lados em sua busca e nenhum sinal do enigmático “Desconhecido”.

Desconhecido é um apelido meio estranho, não sei se devo contar para ele que o apelidei dessa forma, ele me acharia um idiota.

Faltavam apenas 5 min para às 21h. Voltei a procura-lo e lá vinha, caminhando lentamente com as mãos no bolso da jaqueta. Sim ele estava mais gato do que a noite anterior, simplesmente atraente.

Fui cumprimentado com um beijo e um abraço, nada melhor. Perguntei se estava tudo bem e ele o mesmo, e ambos responderam que sim estava tudo bem. Devido à curiosidade não hesitei em lançar uma pergunta óbvia:

– O que iremos fazer essa noite?

Ele olhou para mim sorrindo. Estava morrendo de saudade de assistir seu sorriso perfeito.

– Será uma surpresa!

Retribui a resposta com um sorriso, e em meus pensamentos:

“Porque ele é cheio de surpresas?”

– Bom para não te espantar ou deixa-lo com medo vamos dar uma volta para conversar, quem sabe assim você me conhece melhor e eu a você.

Concordei acenando com a cabeça e partimos para a caminhada.

Nos primeiros passos selecionei as perguntas que lhe faria, iniciei a conversa de um modo sutil:

– Conte-me o que mais gosta de fazer.

Olhando para a calçada desenhada que trilhava nosso caminho ele respondeu, mesmo com a cabeça baixa:

– Sou muito oculto.

Levantou lentamente a cabeça e olhou em meus olhos.

– Gosto de sair sozinho na maioria das vezes, é assim que consigo pensar na vida. Beber um bom whisky estimula meus pensamentos e flutuo na reflexão dos meus atos.

Incrível ele é enigmático, atraente e sabe usar as palavras de uma forma inacreditável. Mistura sutileza com conceitos da realidade. Sinto-me perdidamente louco ao lado dele. Nenhum cara que sai chega perto do que ele é. Sem duvidas o que possui mais conteúdo até agora.

Claro com um brilho escandaloso nos olhos disse:

– Interessante. Tenho outra pergunta: Quantos anos você tem? (...) Não tive a oportunidade de perguntar quando nos conhecemos.

Pedro colocou as mãos no bolso e disse com o olhar direcionado ao meu:

– Quantos anos acha que tenho?

Neste momento veio em minha cabeça a idade que teria dado a ele na noite em que nos beijamos, 26 anos. Talvez eu tenha me enganado ao pensar, não estava a fim de dar um chute em falso.

– Hum, analisando bem. Espera, deixe-me vê-lo melhor.

Sorrimos.

– Ok eu falo! Tenho 25 anos, um pouco velho. E você quantos anos tem? Parece ser muito novo!

Não pareço ser novo. É chato dizerem que temos cara de mais novo, eu pelo menos sinto que acham que não tenho responsabilidade.

– Tenho 20 anos. Vejo pouca diferença em nossa idade.

Novamente Pedro e seu sorriso de deboche.

– Realmente não há muita diferença.

Ficamos em silêncio por um instante, mais logo veio outra pergunta em minha mente e a coloquei para fora:

– E o que você faz da vida?

Essa era uma das duvidas mais apreensivas que tinha sobre ele, a vontade de saber o que ele fazia era imensa, provavelmente algo que tenha uma relação grande com o modo de ele ser.

– Sou formado em jornalismo, atualmente trabalho como fotografo. Sou apaixonado por noticias e fotografias, politica é um ponto forte em meus pensamentos.

Sorri tranquilamente. Estava me sentindo a vontade ao lado dele.

– Sua vez. Qual a sua profissão? Estuda ainda?

Minha vez de colocar as mãos no bolso, a única diferença é que as coloquei no bolso da calça.

– Sou ator e atualmente trabalho com produção. Ultimo ano na faculdade, curso Artes Cênicas.

Ele sorriu como se já soubesse o que eu iria dizer.

– Era o que eu imaginava, da para ver que você está interligado à arte.

Eu pensara que era estranho, mais ele consegue me assustar mais.

– Imaginava?

Continuo gostando do modo como ele é. Quero que a noite não termine nunca.

– Sim, consigo ver isso de longe. Bom, chegamos a nosso destino, Parque Trianon. Quero te mostrar algo legal e diferente.

Haviam umas 15 pessoas reunidas em um grupo, cada uma com um tubo fino em mãos. Uma caixa de som em cima de um carrinho começa a tocar Sweet Nothing de Calvin Harris ft Florence Welch. Amo essa musica, é meu hit predileto.

E o espetáculo se inicia, os tubos foram acesos e faíscas coloridas tornam a imagem perfeita. O grupo começa uma coreografia radiante, as pessoas que estavam no parque e na Avenida Paulista começaram a se aproximar para assistir. Extremamente perfeito. Pedro pega em minha mão, passa a outra mão de leve em meu rosto e me beija.

Beijamo-nos intensamente. Não via a hora de sentir os lábios dele novamente, e aconteceu afinal. Fui pego de surpresa foi ótimo, realmente inexplicável. Nosso segundo beijo com uma trilha sonora premedita. De uma coisa eu tinha certeza ele sabia como surpreender alguém.

Com uma mão em meu rosto e outra em minha cintura ele disse:

– A noite está apenas começando mais surpresas estão por vim, te garanto!

...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.