Quando Mais Precisava

6 Sem ar, sem chão.


Notas iniciais
Mil desculpas pelo exato um mês sem atualizar! Enfim, um capítulo novo, em que palavras ferem e notícias doem. Temos Vitor confuso e enciumado, uma breve briga lidinho e um momento Dinho/Paulina.

Agradeço os comentários, as favoritações e recomendações. Agradeço também todos que lêem, pela atenção e por acompanharem essa história.

-Então é assim? Ele volta e você esquece tudo que sofreu por ele? – Vitor questionou, já não agüentando ver a namorada grudada no ex.

-Vitor, o Dinho salvou a vida da Lia! – Ju tentou argumentar.

A roqueira, sem jeito, tentou se afastar, mas um calafrio percorreu sua espinha.

-A Ju tá certa. – Lia concordou com a voz baixa, falha. – Eu... Eu passei por um momento muito difícil, Vitor, e o Dinho... Sei lá, ele não presta, mas salvou a minha vida, entende?

-Ei, eu tô aqui! – Dinho exclamou.

Paulina, preocupada com o encontro entre Lia, Dinho e Vitor e com o que tamanha tensão poderia causar na neta não bem recuperada do trauma, deslocou-se até o quarto da neta. Percebeu o clima agitado assim que entrou. Lia e Dinho estavam sentados na cama, de certa forma próximos e afastados ao mesmo tempo, e Vitor os encarava defensivamente. Os outros presentes acompanhavam a cena preocupados e, de certa forma, escolhendo lados. Gil estava logo ao lado de Vitor, enquanto Orelha estava ao lado do melhor amigo e os outros se encontravam no centro do quarto, entre o ex(?)-casal e o atual namorado de sua neta. Paulina decidiu intervir.

-Se vocês me permitem, agradeço muito a presença de todos e a preocupação de vocês com a minha neta, mas eu acho melhor a Lia descansar. Estão todos convidados a visitá-la quando quiserem, mas acho que por essa manhã a minha neta já se agitou bastante.

Lia agradeceu a avó silenciosamente, enquanto seus amigos compreendiam o recado de Paulina e se despediam da roqueira, um por um, até restarem Dinho, Ju, Vitor e Gil no quarto.

-Vitor? – Lia chamou. – Por favor, — suplicou – a gente pode conversar mais tarde?

O motoqueiro não sabia o que responder, confuso com a cena que testemunhara. Queria esclarecer tantas coisas... e temia a resposta. Percebia que Lia não queria estar ao lado de Dinho, ao mesmo tempo em que não conseguia se afastar e lhe doía constatar que, contra a própria vontade, sua namorada talvez ainda gostasse do ex. Não sabia se estava grato por Dinho tê-la salvo ou se o odiava pelo que fez com Lia no passado, pelo que causava na garota no presente e pelo que causava e causaria em Vitor então e no futuro. Qualquer outro poderia ter salvo Lia Martins... Por que logo ele?

-Eu não sei, Lia... – Tentou responder. –Quem sabe a resposta para essa pergunta é você.

Vitor se retirou. Não sabia se estava vendo coisas, cego pelo ciúme de ver Lia e Dinho tão próximos, ou se Lia realmente estava mexida. Deus, Lia provavelmente estava mexida, ou teria conseguido se afastar quando o namorado cobrou. Precisava sair daquele apartamento e usar a razão. Deslocou-se para onde melhor se sentia: seu jardim secreto.

Adriano a salvara, era normal que Lia sentisse gratidão, que estivesse próxima dele. Talvez tivesse exagerado, era melhor falar com sua namorada em outro momento. A roqueira não era tão ingênua, estava apenas mexida com o que acontecera. Seu ex estava de volta? Em seu apartamento, abraçado a ela? Sim, mas isso não necessariamente queria dizer alguma coisa. Lia dizia não sentir mais nada por Dinho, dizia que não gostava de ninguém como gostava do namorado. Por que temer? Tinha que confiar na namorada.

-x-

Ju preferiu ficar, Dinho se recusou a sair.

-Foi por esse almofadinha que você entrou em perigo?

Ju e Paulina riram do jeito de Dinho, Lia fechou a expressão.

-Com quem eu saio ou deixo de sair não é mais da sua conta, Adriano.

-Se esse alguém te deixa em perigo, é da minha conta, porque eu te amo e não deixaria nada acontecer a você!

Lia riu sarcástica.

-Quem ouve assim, até acredita.

-É a verdade!

-É a verdade? Então por que você me traiu? Por que me fez sofrer?! – Lia tentou controlar as lágrimas para demonstrar apenas raiva.

-Eu nunca quis te fazer sofrer, marrentinha, acredita em mim!

-Não me chama de marrentinha! – As palavras de Lia voltavam a atingi-lo. Não sabia o que doía mais: o que a roqueira dizia ou a expressão de dor e ódio em seu rosto.

-Lia! – Paulina interviu. – Agora não é hora de vocês brigarem, você tem que descansar!

-A sua vó tem razão, Lia, depois você arranca a cabeça do Dinho, se quiser. – Ju sugeriu.

-Eu vou... – Dinho preferiu não terminar a frase, deixando o quarto. Ju ficou para consolar a melhor amiga e Paulina seguiu o ex-genro-neto.

Encontrou Dinho sentado na sala, com a cabeça apoiada nos braços, tentando esconder as lágrimas.

-Tu gostas mesmo dela, não gosta? – Paulina perguntou sentando-se ao lado do aventureiro, no sofá.

-Mais do que tudo, dona Paulina. – Adriano respondeu sentindo-se derrotado.

-Então prova, porque ninguém nesta casa acredita nisso. Tu não traíste apenas a minha neta, mas todos nós, Dinho. Esta cena que nós acabamos de ver é o reflexo da dor que a tua imaturidade causou a esta casa.

-Eu não sei como, dona Paulina, mas eu vou lutar por isso. Eu não vou perdê-la de novo, não posso.

Paulina observou a expressão de Dinho, querendo acreditar. Sabia que Adriano fazia sua neta feliz como ninguém, mas o garoto ainda tinha muito pela frente para convencê-la de que não faria Lia sofrer novamente.

A campainha tocou, chamando a atenção de ambos.

-Tudo bem, dona Paulina? – Era Mathias. – Como a Raquel está? –Do sofá, Dinho estranhou a curiosidade do diretor por Raquel. — Quer dizer, como estão todos? E o Lorenzo? Mal posso imaginar como ele deve estar se sentindo... O sequestro da Lia, a morte da Marcela, tudo ao mesmo tempo...

-A Marcela o que?? – Adriano se levantou subitamente do sofá. Estava horrorizado, não podia ter escutado direito.

Paulina enfim percebeu que Dinho não sabia nem de metade do que havia mudado.

-Dinho? Você voltou? – Ainda abalado por citar as tragédias em voz alta, Mathias vagamente demonstrou sua alegria por rever o ex-aluno.

-Foi o Dinho que salvou a Lia. – Paulina explicou.

-As voltas que a vida dá... – Mathias tentou rir. – E pensar que vocês juntos sempre se metiam em confusões... E agora você a salva da pior de todas. Ah, as peças que o destino prega...

-O que aconteceu com a Marcela? Eu entendi errado? Por favor, me digam que eu não ouvi direito! Ela não pode...

Mathias abraçou o garoto, entre tristeza e saudade, enquanto Paulina confirmava.

-Infelizmente é verdade, a Marcela faleceu tentando salvar a Lia.

Dinho mal podia acreditar. Encontrara seu antigo mundo de cabeça para o ar, mais confuso e triste que sua vida longe do Rio. Como tantas coisas ruins podiam resultar de uma mesma tragédia? E talvez devesse a Marcela a vida de sua marrentinha... Deus, se tivesse sido Lia a morrer nas mãos dos tais bandidos! Não saberia o que fazer. Perdeu o ar, o chão, pensando no que aconteceu e no que poderia ter acontecido.

Notas finais
Nem tudo foi dito, nem tudo foi sentido, sigam acompanhando ;)