Notas iniciais
Bem, espero que gostem. Faz muito tempo que não escrevo, então estou um pouco enferrujada, e ainda resolvi voltar com um drama, gênero no qual não sou muito boa.
Espero que gostem

Quando chega a Noite.

Palavras não bastam, não dá pra entender

E esse medo que cresce e não para

É uma história que se complicou

E eu sei bem o por quê

Ela encarava a parede. Não sabia bem o porque ou quanto tempo estava fazendo aquilo, mas parecia natural, certo até demais, ficar observando os quadrados verdes ressaltados na parede enquanto sua mente divagava.

Ouviu o barulho da porta de fechando distantemente, mas não deu importância, tudo parecia tão longe, tão irreal que só podia estar sonhando, e seja lá quem chegou, não pareceu se abalar com a falta de palavras da menina, normalmente tão comunicativa.

Acordou de seus devaneios com braços a envolvendo, e notou os cabelos róseos caindo um pouco sobre seus olhos. Sakura estava ali, assim como os outros que passaram na casa dela naquele dia. Todos vieram, lhe deram palavras de consolo, tentaram fazê-la sorrir, e lhe deram carinho, mesmo quando em sua mente estava um turbilhão tão intenso, que não sabia ao certo o que estava acontecendo, na maior parte do tempo.

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços?

Me entorta as costas e dá um cansaço

A maldade do tempo fez eu me afastar de você

Não sabia quanto tempo ao certo tinha passado desde que Sakura saíra, mas levantou-se e trancou a porta.

“Chega de visitas.”

Dirigiu-se a cozinha e viu o prato em cima da mesa, Sakura havia lhe falado algo sobre ter que se alimentar, ou pelo menos comer algo. Tentou comer aos poucos, mas isto só lhe fez sentir ânsias e correr para o banheiro, vomitando o que tinha e o que não tinha no estomago.

Foi até a cama a passos cambaleantes, observou da janela do quarto que estava escuro do lado de fora e como não percebeu o dia passar tão rápido. Como poderia?

O dia começara como todos os outros. Pela manhã, estava feliz, acabara de ganhar uma promoção no emprego e tinha um namorado que amava, tudo estava perfeito, era para ser a droga do dia perfeito para ela! Como raios tudo terminara assim?

Revisava na mente as cenas durante o dia que conseguia se lembrar.

Ela chegara ao emprego. Seu chefe a chamara e lhe informara da promoção. Ligou para Yang, seu namorado, eufórica, contando-lhe os detalhes. Ele disse que estava indo almoçar com ela, ele pagaria, como recompensa pelo seu esforço. Ele não apareceu.

Poucas horas depois, o telefone tocou. Era Ren, irmão de seu namorado, dizendo-lhe coisas desconexas. Ela só ouviu que Yang sofrera um acidente e não resistira, depois disso, tudo não passava de zumbido.

Lembrou de ter sentido as pernas fraquejarem e não aguentar o próprio corpo, viu Ino, sua colega de trabalho, aproximar-se preocupada e sua visão começar a embaçar com os vultos das pessoas aglomeradas a sua volta, antes de tudo escurecer por completo.

Não se lembrava da ida até seu apartamento. Viu o despertador marcar uma quinta-feira. Não lembrava de já ter passado dois dias. Olhou no espelho, percebendo que os cabelos não estavam presos nos dois coques que usava, e sim soltos e molhados. Lembrou vagamente de Temari ter estado ali, lhe levado para debaixo do chuveiro e lhe dar banho, enquanto a única coisa que conseguia fazer era olhar vagamente para algum lugar da parede. Então, trocou-lhe as roupas e lhe disse palavras doces. Ela provavelmente ficou mais um tempo ali antes de partir. Recordava-se do abraço dela, assim como o de Ino e logo após o de Sakura.

E quando chega a noite e eu não consigo dormir

Meu coração acelera e eu sozinha aqui

Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão

Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão

Deitou-se na cama, tentou dormir, mas as imagens de Yang ainda estavam na sua mente, muito vividas e muito claras, para conseguir se convencer de que ela não o veria mais. Não chorava. Seu coração não parecia acreditar que aquilo realmente havia acontecido. Tentou calcular a probabilidade de tudo não passar de uma brincadeira. Não, ninguém faria algo assim, e todos pareciam preocupados demais para ser uma brincadeira de mal gosto. Talvez aquilo tudo fosse um terrível pesadelo, do qual não conseguia acordar de maneira alguma. Isso também parecia pedir muito.

Virou-se, inquieta, na cama e viu o celular na escrivaninha que havia ali próximo. Sua mente parecia calcular algo. Nunca havia decorado o número, apesar dos anos que estavam juntos, dessa vez não foi diferente ao procurar o nome do mesmo na sua agenda. Só percebeu o que fazia quando já discava o número de Yang.

Aguardou enquanto chamava, mordeu os lábios sentindo-se nervosa. Tinha esperanças, Yang sempre atendia as suas ligações, até mesmo quando brigavam e ele tinha razão de estar bravo, ele atendia.

“Vamos, Yang. Atenda! Atenda!”

O desespero começava a dar sinais, enquanto ouvia os sons indicando chamada e nenhum sinal de que alguém iria atender.

-Atenda, Yang!

- Yang falando. – A voz soou ao fundo e a morena sentiu seu coração parar por um momento. – Bem, não posso atender agora, mas deixe o seu recado e prometo que tento lhe ligar quando voltar.

Sentiu um nó se formando em sua garganta e a mão pendendo ao lado do seu corpo.

Era real. A dor que sentia não poderia ser imaginada. Tudo até ali parecia não ter sido o suficiente para fazê-la acreditar, mas uma simples ligação, a cada chamada, cada silêncio do outro lado da linha, foi. E então chorou. Sentia o ar faltar, os olhos arderem e o peito doer, mas as lágrimas não cessavam, e continuaram durante horas, até ela adormecer.

Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava

E essa proximidade não dava

Me perdi no que era real e no que eu inventei

Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer

E te dedico uma linda história confessa

Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você

Passaram-se meses, até onde ela havia percebido, e aos poucos a sua vida foi voltando aos eixos. Tinha focado no trabalho e forçava sua mente a ser voltada somente para isso durante todo o dia. Não deixava que os pensamentos divagassem até a figura de um loiro tão familiar. E quando acontecia, era quando vinha alguém lhe perguntando como estava. E então sua mente tomava liberdade e deixava que voltasse momentaneamente para os momentos bons que vivera com ele, de seus braços a envolvendo e todas as palavras de carinho.

Engolia em seco, antes de responder – apagando tudo isso de seus pensamentos e voltando-os para os números – que estava bem, que seguia sua vida. Suas amigas ainda tinhas os olhares preocupados a sua volta, e isso lhe machucava, assim como os familiares do loiro, então afastou-se.

Com o tempo, pararam de perguntar. Ela deixara de ser a pobre Tenten, que perdeu o namorado, para somente Tenten, a chefe. Por mais que diversas vezes tenha ouvido seu nome nas conversas e fofocas paralelas de escritório. Somente fingia que aquilo não estava acontecendo, que o nome de Yang não deveria estar na boca daquelas pessoas, que tinha de ser profissional, pois isso a manteve em pé, durante aqueles primeiros meses tão complicados.

Olhou seu reflexo na janela do escritório. O cabelo que antes todos acostumaram-se a ver em dois coques altos, agora pendiam soltos e já chegavam próximos a cintura. Tinha de lembrar-se de cortar suas madeixas, havia esquecido disto na semana passada, e na retrasada e na anterior também.

Às vezes, perguntava-se quanto tempo demoraria, para a dor passar, se havia algum manual ou limite de tempo para uma pessoa sentir a morte da outra, e por muitas vezes só queria ele ali.

Te contei tantos segredos que já não eram só meus

Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu

Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor

Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

Seus problemas começavam quando chegava em casa. Durante o dia, era mais fácil manter a postura, conter as lágrimas e lembranças, tinha trabalho o suficiente para atolar sua mente. No entanto, quando se encontrava sozinha, sem ter nenhuma obrigação deixava-se levar pelos sentimentos reprimidos.

As primeiras semanas achou que ia ficar louca. Ligava para o número de Yang todas as noites esperando ansiosamente que ele atendesse do outro lado. E quando não acontecia, reconfortava-se ouvindo sua voz na gravação. Depois começou a deixar recados. Esperando que ele algum dia os ouvisse. Contava-lhe como fora seu dia e sobre seus amigos, lhe fazia declarações e tudo que sua timidez e orgulho nunca lhe deixaram falar enquanto poderia fazer frente a frente.

Um pouco depois, cortaram a linha e nem mesmo a voz dele tinha mais para lhe trazer conforto. Ainda ligou algumas vezes mais, até perceber que não teriam mais aquele pequeno pedaço dele consigo. Chorou nessa noite. Chorou por medo de que Yang sumisse por completo, que se esquece totalmente dele e pareceria como se ele não tivesse nunca existido.

Tentava afastar essas lembranças ‘pós-acidente’ e todo o sofrimento que teve. Depois que o medo passou, percebeu que mesmo sem a voz dele todas as noites, continuava a lembrar-se dele como sempre, como se nada houvesse acontecido.

Ele ainda era seu Yang, ele ainda ocupava todo seu coração.

E quando chega a noite, e eu não consigo dormir

Meu coração acelera e eu sozinha aqui

Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão

Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão

Anos passaram, e com o tempo, Tenten não sabia se a dor diminuíra ou só se acostumara com ela.

Já conseguia sorrir, não era sempre, normalmente ao lado as amigas. Nem percebera que se afastara tanto assim delas, mas elas nunca lhe abandonaram, esperaram o momento certo para abrir os braços e acolhe-la novamente ao grupo. Sentia-se sortuda por tê-las por perto, mesmo quando o único desejo que tivera era se ver afastada de todos.

Voltou a praticar esportes e sempre que possível tentava ir algum canto se divertir na companhia dos amigos, fossem do escritório, ou os mais antigos do tempo de faculdade e escola.

Percebeu que nunca ia esquecer-se de Yang, mas poderia ir vivendo um dia de cada vez. Ele ia continuar tendo espaço no seu coração, assim como ela poderia voltar a gostar de alguém. Demorou muito tempo a deixar-se pensar assim, a culpa passar e ela perceber que provavelmente Yang não iria querer o tipo de vida que ela estava levando.

Hinata, alguém do trabalho que chegara a pouco tempo e se tornara uma ótima amiga do grupo, lhe disse que tinha alguém a lhe apresentar, algo como seu primo e que eles se dariam muito bem, mas Tenten não conseguiu aceitar, por mais dissesse a si mesma que já estava pronta para isso.

Foi quando decidiu que era hora de deixar Yang somente guardado em um canto de seu coração, virar a página e começar um novo capítulo e todos essas metáforas clichês de recomeço de vida que conseguiu pensar.

Ao sair do trabalho, pegou o carro e dirigiu até onde sabia que Yang estaria.

Sentou-se em frente a lápide, passando os dedos levemente sobre o nome nela, sorriu tristemente, sentindo os olhos marejados, deixando o nome escapar de seus lábios em um sussurro.

Ficou um bom tempo calada, depois pôs-se a conversar com ele, primeiramente sobre futilidades, mais tarde sobre os desejos dela de voltar a conseguir gostar de alguém. Desejou que ele estivesse em um lugar melhor e muito mais feliz do que ela poderia ter-lhe feito algum dia.

Ao chegar em casa, tomou um banho e deitou-se na cama novamente. Ficou inquieta, aquilo parecia não ser o suficiente. Sentia-se diferente, mas ainda não bastava. Olhou para o telefone durante alguns minutos antes de resolver discar o número. Sabia que haviam cancelado a linha, e fazia muito tempo que não ligava, mas parecia exatamente o que precisava fazer, era sua forma de dizer adeus definitivamente para ele, e isso era extremamente certo em sua mente.

Para sua surpresa, o som de discagem soou e ela se viu ansiosa a cada toque.

“ Muito obrigada por tudo.”

Um toque soou novamente.

“ Adeus, Yang.”

- Alô? – A voz grossa soou, quando a morena já se preparava para desligar a chamada.

- Q-quem fala? – Sua voz saiu em sussurro.

- Hyuuga Neji.

Notas finais
Não consigo dar um final totalmente triste pra uma fanfic. Acho que tem algo haver com a Austen kkkk
Espero que tenham gostado. Podem imaginar o que aconteceu depois disso xD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!