Quando As Portas Se Fecham
1 Ocorridos Inesperados
- Vamos, Nina, estamos atrasadas! – Noelle gritava desesperadamente da sala em direção ao quarto da filha, Nina.
Noelle estava atrasada e andando de um lado pro outro em sua vasta sala, fazendo seus Louboutins baterem no chão com força e ecoando um barulho agoniante de salto alto. Ela tinha a obrigação de chegar cedo em todas as festas que o Governador dava, aliás Noelle era a conselheira particular do grande homem. E como não tinha marido, sempre levava a filha de 16 às festas, porém Nina sempre se atrasava com esplendor.
A sala estava impecável, pensou Noelle, mas os tapetes já eram da coleção de inverno passada, precisava trocá-los. A imprensa não podia perceber, nas reuniões ao vivo em sua casa, que esses tapetes ainda eram os mesmos do ano passado. Ela parou de andar pela sala e foi para o tapete mais próximo, tocando-o. Ainda macio como no dia que comprara, talvez ela o reutilizasse em seu quarto. Mas agora ela não devia se preocupar em tapetes e sim em chegar em 20 minutos na casa luxuosa do Governador. Ela levantou-se com classe, observou a escada, levantou a cauda do vestido e pousou-a em seu braço esquerdo para que pudesse subir pela escada com mais facilidade.
- Nina! Nina, abra essa porta! – ela bateu na porta do quarto da filha, que ouvia música bem alto. – Nina, eu já lhe disse que...
A porta foi aberta e Nina estava com os cabelos envolvidos em bobes rosas da cor de seu vestido. Ela já estava maquiada e calçada. Uma mão estava na maçaneta da porta e a outra na parede.
- Oi mãe... – disse Nina, emburrada. – Eu já to pronta, só preciso soltar o cabelo... Me ajuda? Eu não sei fazer isso direito...
Noelle sorriu.
- Se o problema era esse, era só me avisar que eu vinha aqui mais cedo. Venha, vamos sentar na sua cama. – Noelle guiou Nina suavemente até sua cama, observando como o quarto da filha era imenso. “Nós já moramos numa casa que era o tamanho desse quarto”, pensou.
...
Nina estava entediada naquela festa que a mãe sempre a levava. Raramente tinha o filho do Governador para conversar, pois Phillip estudava fora do país. Ela nunca sabia quando ele estava de férias porque o sistema acadêmico de onde ele estudava era estranho demais pra sua cabeça feminina. Ela estava encostada em uma daquelas paredes espelhadas com uma taça de champanhe na mão, apenas observando o movimento das pessoas ali dentro. Pessoas velhas e ricas vestindo roupas caras demais para seu gosto, ela detestava gastar horrores num sapato só porque era de uma marca famosa. E ela tinha tantos vestidos no seu guardarroupa que ela podia simplesmente reutilizá-los várias e várias vezes, porém sua mãe dizia que “uma filha de celebridade nunca veste um mesmo vestido duas vezes”, mas ela não queria usá-los de novo. Não tecnicamente. Ela queria pegar a quantidade enorme de vestidos que tinha e estilizá-los, misturar peças de vestidos diferentes e criar vestidos novos. Reutilizar. Reinventar. Criar. Afinal de contas, era o que ela queria para sua vida, ser estilista.
Seu celular vibrou em sua bolsinha e ela parou de observar as roupas das pessoas velhas. Vasculhou em sua bolsa até encontrar seu celular e ver que era uma mensagem no Whatsapp de Phillip. Onde você está? Não te encontro aqui dentro com tanta gente velha andando na minha frente rs. Ela levantou a cabeça e o procurou, porém não conseguia ver nenhuma cabeleira preta e lisa que parecesse com a dele. Onde VOCÊ está? To na visão da mamãe, ela tá conversando com o seu pai.Ela levantou a cabeça por alguns segundos e sentiu o celular vibrar de novo.Na parede de vidro né? Já te vi, não poderia estar mais rosa :3. Nina guardou o telefone em sua bolsinha chique e sorriu. Um garçom ia passando perto dela e ela pegou uma nova taça de champanhe. “Desde que eu beba socialmente, eu posso”, pensou. Enquanto tomava o segundo gole da sua segunda taça, Phillip apareceu sorrindo para Nina. Ele sempre aparentava estar com a mesma roupa de gala, mas Nina terminava encontrando cortes diferentes em sua roupa e percebia que ele também tinha um guardarroupa cheio de roupa social.
- Boa noite, jovem senhorita! – Phillip fez uma pequena reverência a Nina, o que a fez revirar os olhos e rir. Eles se abraçaram e ele segurou a mão livre dela, forçando-a a dar um giro. – Mas a senhorita caprichou mesmo no rosa hoje, não foi? Parece que seu nome agora é Sharpay Evans, hahahah!
Nina soltou a mão dele e riu um pouco, ficando corada. Ela gostava de Phillip, porém ela ainda estava no Ensino Médio e ele na faculdade. Provavelmente estudaria no mesmo lugar que ele dali a um ano, mas nunca rolaria nada entre eles, porque ele iria querer uma garota de 16 anos tendo as internacionais na faculdade dele?
Ela botou a mão na cintura, fez pose de patricinha, um biquinho e afinou a voz:
- Ryan, pare de zombar de mim e vá arranjar um pouco de ponche rosa pra mim. Vai, vai! – ela riu e ele também. Ela sentou em uma cadeira luxuosa que tinha perto e ele ao seu lado. – E aí, Phill? Como andam as coisas na faculdade? Já tá de férias ou resolveu matar aula? – ela o olhou em um tom desafiador, o que o fez rir.
- Nins, e você acha mesmo que eu iria deixar de vir a uma festa dessas por causa de direito? Nem a pau rs. – ele tomou o drink da mão de Nina e virou a taça em segundos. – Beber de graça é minha especialidade.
Ela riu bastante e os dois começaram a contar as novidades um para o outro.
...
— Ai, meu Deus, Phillip! Você me embebedou mesmo! Hahaha! – Ela ria e sentia sua pele arder se sua mãe descobrisse a quantidade de champanhe que tinha tomado com Phillip.
Os dois estavam do lado de fora do salão de festas, ela sentada no chão encostada na parede e ele em pé. Eles tinham dançado bastante lá fora ouvindo as músicas do celular dela e Phillip tinha extraviado umas garrafas de champanhe, que agora estavam todas secas. Essa era uma das coisas que Nina gostava em Phillip, porque ele sempre dava um jeitinho especial de colocá-la em encrenca de um jeito de que ela não se arrependesse. Ela se levantou rindo porque ele estava fazendo uma coreografia engraçada ao som de Katy Perry e dançou junto dele. Ela estava descalça e ele sem o paletó, com a gravata toda folgada. Pareciam dois derrotados depois de uma festa, mas eles não ligavam. Se divertiam como se estivessem numa boate, apesar de Nina nunca ter ido em uma.
Os dois riam enquanto cantavam e dançavam, gritando aos ventos como se fossem infinitos. Criavam coreografias engraçadas e rodopiavam um em volta do outro, apenas por rodopiar. Então Nina pisou em seu vestido sem querer e foi lançada pra cima de Phillip, que a segurou antes que os dois caíssem no chão. Ela ficou estática por alguns segundos, antes de começarem a rir histericamente como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
- Ai, Nina... Eu sempre vou ter que te levantar, não é? Quer dizer, você sempre cai por algum motivo e eu sempre tenho que tomar conta de você... – eles ficaram se entreolhando por uns segundos que pareciam mais minutos, nenhum dos dois sabia se era pra levantar ou ficar ali, porque Phillip também gostava de Nina porém nunca tinha se manifestado.
O QUE NINA ESTAVA PENSANDO?
“Ai, meu Deus, eu estou tão próxima dele hehehehe, mas eu não estou no meu estado normal, tudo culpa dele ò.ó! Se eu beijar ele agora, ele pode achar que é por efeito do álcool, mas não deixaria de ser porque eu não tenho coragem de me declarar haha. Mas se eu não beijar, ele vai achar que eu não to nem aí :|. Mas eu nem sei se ele gosta de mim D:, será que ele gosta? Não sei se gosta, mas a boca rosa dele me chama atenção e eu adoraria beijá-lo nesse exato momento...”
O QUE PHILLIP ESTAVA PENSANDO?
“Nossa, ela é muito gata... e gostosa, não posso esquecer que ela é gostosa. Uau, como uma menina de 16 anos pode me chamar tanto a atenção? Ela fala pouco, mas quando fala me cativa. E a cada roupa que ela veste eu percebo mais que não é só a atração sexual... Mas ela deve ser virgem, não tenho coragem de fazer isso com ela, ainda mais agora que ela tá bêbada... Será que ela vai se incomodar com uns beijos? Vamos testar...”
Phillip arriscou e deslizou sua mão até o pescoço da garota, sentindo o corpo dela travar. Ele estudou o rosto dela, que estava numa poker face total, então ele riu. Ele riu porque ela estava nervosa, ele a conhecia bem o suficiente pra saber que ela estava esperando ansiosamente por aquilo.
- Porque nunca me contou? – Ele perguntou para ela, com um sorriso de canto de boca.
Ela, confusa, fitou-o sem saber do que ele estava se referindo.
- Nunca contei o que? – ela sentiu o rosto corar.
- Nunca contou sobre isso rs. – ele puxou a garota pelo pescoço até suas bocas colarem, e então ele pôde sentir o corpo dela gelar e relaxar lentamente.
Nina lutava internamente na dúvida eterna de deixar o beijo continuar e agarrá-lo pelo pescoço ou de se afastar dele e dizer que aquilo nunca esteve nos planos dela. Porém, sem perceber, Nina já tinha deixado os braços passarem pelo pescoço dele e as mãos de Phillip apertavam sua cintura levemente. E quando ela se deu conta de si, eles estavam na parede, ele imprensando ela enquanto os dois se beijavam fervorosamente e ela mordia seu lábio com vontade. Ele segurou as mãos de Nina sobre a cabeça dela e desceu com a boca pelo pescoço da garota, e então...
Então a parede de fora do salão se abriu e os dois caíram pra dentro da parede.
Nina caiu e se sentiu sufocada por causa do peso de Phillip, enquanto ele ainda estava atordoado por causa da queda.
- Phil, que brincadeira é essa? Porque a paredese abriu?
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