Quando As Folhas Caíam
6 Seis
Desde aquele beijo, eu me sinto mais idiota do que nunca. Tenho que repassar toda a minha vida para chegar a uma conclusão.
Gustavio continua a treinar-me diariamente. Eu estava me acostumando com o peso da espada, e já a manuseava com mais rapidez. Mas para que tudo isso? Eu ainda gostaria de saber. Eu poderia perguntar.
-Gustavio, por que está fazendo tudo isso por mim?
Ele não responde.
Por que eu perguntei?!
Não posso entrar em pânico, afinal o casamento iria acontecer daqui a três semanas. Hanna estava tomando conta de tudo, pois acho que seria cansativo demais para mim e minha falta de paciência.
Estávamos sentados, aproveitando nossos 30 minutos de descanso. Eu estava usando uma roupa velha, e Gustavio não pareceu se importar, o que me deixou feliz. Pra ser sincera, odeio vestidos, pois me sinto desconfortável quando o uso.
-Logo em breve será nosso casamento...
-Sim – diz ele, olhando-me com um leve sorriso no rosto.
Em seguida, ele me beija. Eu já estava ficando acostumada.
Isso é vergonhoso. Hanna ficaria no meu pé se visse isto.
–Alexandra... Preciso ser sincero com minha futura esposa. Uma terrível guerra está por vir.
-Por isso você está me treinando.
-Exatamente. Por hora, guarde este segredo, sim?
Balanço a cabeça em concordância.
Ele retira uma pequena faca do bolso e a entrega para mim.
-Guarde isso com você.
-Não precisa ficar tão preocupado assim.
-É só pra garantir.
-Está preocupado com a festa de noivado, não é?
-Sim.
~
E o dia da festa chegou. Fiz questão de escolher um vestido no joelho, no qual eu poderia esconder a pequena faca de Gustavio e pegá-la rapidamente se algo acontecesse. Hanna insistiu tanto que prendi meu cabelo. Até que não ficou tão ruim assim.
A festa foi preparada de forma simples, e todos os nobres compareceram. Houve um brinde e então as pessoas começaram a dançar. Realmente essa faca não seria necessária. Estou a conversar com alguns nobres. Sempre o mesmo assunto.
-A senhorita poderia me dar à honra de uma dança? – pergunta um homem atrás de mim, interrompendo minha conversa entediante. Eu não deveria reclamar.
-Claro.
Vou com ele até o meio do salão. O homem tinha cabelos negros e olhos claros. Olhei em volta e procurei Gustavio. Ele estava a tomar uma taça de champanhe do outro lado do salão.
Mas por que eu me importo? Este homem não vai me matar.
A dança se inicia. A música é um pouco lenta, o que me deixa desconfortável. Sinto-me desajeitada dançando.
-A senhorita é sem dúvida a dama mais encantadora desta festa – diz ele enquanto dançamos.
-Obrigado.
-Este belo vestido dourado lhe caiu bem, mas seria uma pena se alguém o manchasse de vermelho.
Olho bem para ele.
Aparência estranha.
Ele pega uma faca escondida em sua manga e mira em meu pescoço. Seguro a sua mão com força e puxo minha faca como que por extinto e então, a próxima coisa que vi, foi este mesmo homem morto, na minha frente com um grande corte no estômago.
Escuto um barulho lá fora.
Suspeito. Muito suspeito.
E para melhorar minha primeira aparição como noiva do príncipe, retiro meus sapatos altos, solto meu cabelo e me jogo pela janela, quebrando o vibro e caindo na grama.
Agora eu sou um tipo de pigmeu?
Procuro por alguma coisa suspeita em volta. A escuridão não permite que eu veja nada naquele momento. Mas eu ouço algo. Corro em direção ao som e vejo três homens com espadas na mão, apontando-as para mim.
-Olhe o que temos aqui. Uma puta real – diz o da direita, que me parecia ser o líder. Eu os olho bem.
Usavam uma capa que cobria seus rostos.
-Vamos nos divertir com você – diz o do meio.
-Podemos estuprá-la enquanto está inconsciente, não podemos chefe? – pergunta o da esquerda.
Percebo que o chefe sorri.
-Vamos pegá-la.
O da direita vem correndo na minha direção com sua espada aposta. Dou-lhe um soco no rosto, quebrando seu nariz e tomo sua espada. Ele cai na grama, gemendo de dor. O do meio investe contra mim em seguida, tentando dilacerar meu braço. Desvio e corto seu pescoço, deixando a mostra sua traquéia a mostra. Aponto minha espada para o líder, mas ele não investe contra mim.
-SUA BRUXA!
E dizendo isso ele sai correndo. Abandono a espada e vou atrás dele. Agarro-o pelos braços e o imobilizo-o. Pego a pequena faca de Gustavio e coloco no pescoço do homem.
-O que você pretendia ao tentar matar-me?
-Como se eu fosse lhe dizer, sua vadiazinha de merda.
Neste momento, o príncipe chega até mim, com seus guardas armados.
-Alexandra, afaste-se deste homem, por favor.
Fiz o que ele pediu. Saio de cima do homem e os guardas o tiram da minha vista.
-Você está bem? O inverno é realmente frio aqui – Gustavio pergunta, colocando a mão no meu rosto. Ele me parecia aflito.
-Sim, por que não estaria?
Eu normalmente não sinto frio.
Ele afasta-se um pouco, para mostrar-me algo. Vejo o homem que matei sendo levado dali e o outro encaminhado ao hospital. Olho para meu belo vestido dourado, que agora estava manchado de sangue em todos os lugares.
Parabéns Alexandra, agora você é uma assassina.
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