Quando acordei, Hanna e Gustavio estavam me encarando. Mas só ocorreu uma coisa para perguntar a eles.

-Eu perdi o meu filho?

Eles hesitam em responder.

-Você sempre teve sorte, Alexandra. O bebê está bem. A espada não atingiu o bebê e nenhum órgão.

Sinto lágrimas escorrerem de meu rosto. Gustavio as enxuga com a mão e beija minha testa.

-Quem mandou você sair...

-O que aconteceu com a guerra?

-Vencemos. Meu irmão mais velho, André, será o novo rei. Haverá uma união dos reinos.

-Mas e nós?

-Tenho uma coisa melhor em mente.

Ele sorri para mim.

~

Um mês depois, minha barriga já havia criado um volume considerável e eu recebi alta do médico. Gustavio passeava comigo todos os dias no jardim do palácio e eu ficava realmente feliz em ver os belos lírios que brotaram no início da nova estação.

A primavera seguiu feliz. Ekaterina e Hanna me ajudavam a escolher as roupas para o bebê e Gustavio me mimava até o anoitecer. Ele realmente ainda estava preocupado que eu fizesse mais alguma das minhas loucuras. Mas para a minha própria surpresa, eu permaneci comportada. Não queria dar-me ao luxo de quase perder meu bebê novamente.

-Tenho certeza que é uma menina.

-É um menino, Hanna. – eu disse.

-Como você pode ter certeza?

-O médico que falou.

-Ele mentiu. É uma linda lady assim como eu.

-Pobrezinha. –sussurrou Ekaterina.

-Eu ouvi isso, projeto de gente.

-Bom o que importa. Eu sinto que é uma menina.

-Sua intuição nem sempre acerta, Hanna.

-Que insulto!

-Ande Hanna, escolha um logo.

-Mas todas são fofas.

-A ideia de comprar roupas para o bebê foi sua. Escolha logo.

Hanna fitou Ekaterina por esse comentário e eu ri baixinho.

~

Depois de algumas horas, Hanna comprou uns sapatinhos e alguns brinquedos. Voltamos ao palácio e quando perguntei por Gustavio, Lucy me disse que ele havia saído.

Estranho. Muito estranho.

Hanna, Ekaterina e eu fomos tomar chá. Elas tomaram chá e eu tomei suco. Odeio suco. Desde que eu me recuperei, Hanna sempre aparece onde estou e me faz perguntas sobre o bebê. Uma vez ela apareceu quando eu estava no banho e me perguntou se ele havia chutado. Acho que ela está preocupada. Só acho.

Depois de alguns minutos, Gustavio chegou e levou-me para uma caminhada. O verão já iria começar e os lírios pareciam mais belos do que nunca. Ele segurava minha mão e tive a sensação que jamais iria soltá-la.

-Tenho uma coisa para você.

Olhei para ele enquanto ele me entregava uma chave. Uma bela chave dourada.

-Guarde-a com você. – ele disse.

Fiz que sim com a cabeça e o observei. Ele sorria amavelmente e então, beijou-me na testa.

~

Alguns dias mais tarde, Gustavio levou-me para um passeio na floresta. Ele segurava a minha mão e guiava-me por uma trilha.

-Onde está me levando?

-Você vai ver.

Continuamos a caminhar em silêncio.

-Feche os olhos. – disse ele.

Eu dei um sorriso e fiz o que pediu. Ele levou-me pela mão e então paramos.

-Está com a chave?

-Sim. Sempre a levo comigo. – eu disse ainda de olhos fechados.

-Abra os olhos.

Quando abri meus olhos, estávamos numa clareira e em frente a uma bela casa rodeada por flores e árvores.

-É a nossa casa agora. Achei que deixar o palácio seria melhor para você e para o bebê.

As palavras não saíam da minha boca. Eu fui até a porta da frente, com a linda chave dourada em mãos, e abri a porta lentamente.

A linda sala fora decorada por Hanna, eu soube. Gustavio levou-me até o quarto do bebê. Hanna também havia decorado aquele, pois as paredes eram rosa, e estava cheio de bichos de pelúcia.

-Ela tem certeza que é uma menina. Vamos confiar nela.

Olhei para ele com os olhos cheios de lágrimas e então, eu o beijei.

~

Hanna e Ekaterina continuaram a viver no palácio, mas nos visitavam constantemente. Lucy e o capitão da guarda começaram a namorar, embora eu ache que eles não têm muito em comum. E Gustavio e eu vivemos felizes para sempre.

Notas finais
OBS: ainda tem o epílogo u-u