Desde aquele beijo, eu me sinto mais idiota do que nunca. Tenho que repassar toda a minha vida para chegar a uma conclusão.

Gustavio continua a treinar-me diariamente. Eu estava me acostumando com o peso da espada, e já a manuseava com mais rapidez. Mas para que tudo isso? Eu ainda gostaria de saber. Eu poderia perguntar.

-Gustavio, por que está fazendo tudo isso por mim?

Ele não responde.

Por que eu perguntei?!

Não posso entrar em pânico, afinal o casamento iria acontecer daqui a três semanas. Hanna estava tomando conta de tudo, pois acho que seria cansativo demais para mim e minha falta de paciência.

Estávamos sentados, aproveitando nossos 30 minutos de descanso. Eu estava usando uma roupa velha, e Gustavio não pareceu se importar, o que me deixou feliz. Pra ser sincera, odeio vestidos, pois me sinto desconfortável quando o uso.

-Logo em breve será nosso casamento...

-Sim – diz ele, olhando-me com um leve sorriso no rosto.

Em seguida, ele me beija. Eu já estava ficando acostumada.

Isso é vergonhoso. Hanna ficaria no meu pé se visse isto.

–Alexandra... Preciso ser sincero com minha futura esposa. Uma terrível guerra está por vir.

-Por isso você está me treinando.

-Exatamente. Por hora, guarde este segredo, sim?

Balanço a cabeça em concordância.

Ele retira uma pequena faca do bolso e a entrega para mim.

-Guarde isso com você.

-Não precisa ficar tão preocupado assim.

-É só pra garantir.

-Está preocupado com a festa de noivado, não é?

-Sim.

~

E o dia da festa chegou. Fiz questão de escolher um vestido no joelho, no qual eu poderia esconder a pequena faca de Gustavio e pegá-la rapidamente se algo acontecesse. Hanna insistiu tanto que prendi meu cabelo. Até que não ficou tão ruim assim.

A festa foi preparada de forma simples, e todos os nobres compareceram. Houve um brinde e então as pessoas começaram a dançar. Realmente essa faca não seria necessária. Estou a conversar com alguns nobres. Sempre o mesmo assunto.

-A senhorita poderia me dar à honra de uma dança? – pergunta um homem atrás de mim, interrompendo minha conversa entediante. Eu não deveria reclamar.

-Claro.

Vou com ele até o meio do salão. O homem tinha cabelos negros e olhos claros. Olhei em volta e procurei Gustavio. Ele estava a tomar uma taça de champanhe do outro lado do salão.

Mas por que eu me importo? Este homem não vai me matar.

A dança se inicia. A música é um pouco lenta, o que me deixa desconfortável. Sinto-me desajeitada dançando.

-A senhorita é sem dúvida a dama mais encantadora desta festa – diz ele enquanto dançamos.

-Obrigado.

-Este belo vestido dourado lhe caiu bem, mas seria uma pena se alguém o manchasse de vermelho.

Olho bem para ele.

Aparência estranha.

Ele pega uma faca escondida em sua manga e mira em meu pescoço. Seguro a sua mão com força e puxo minha faca como que por extinto e então, a próxima coisa que vi, foi este mesmo homem morto, na minha frente com um grande corte no estômago.

Escuto um barulho lá fora.

Suspeito. Muito suspeito.

E para melhorar minha primeira aparição como noiva do príncipe, retiro meus sapatos altos, solto meu cabelo e me jogo pela janela, quebrando o vibro e caindo na grama.

Agora eu sou um tipo de pigmeu?

Procuro por alguma coisa suspeita em volta. A escuridão não permite que eu veja nada naquele momento. Mas eu ouço algo. Corro em direção ao som e vejo três homens com espadas na mão, apontando-as para mim.

-Olhe o que temos aqui. Uma puta real – diz o da direita, que me parecia ser o líder. Eu os olho bem.

Usavam uma capa que cobria seus rostos.

-Vamos nos divertir com você – diz o do meio.

-Podemos estuprá-la enquanto está inconsciente, não podemos chefe? – pergunta o da esquerda.

Percebo que o chefe sorri.

-Vamos pegá-la.

O da direita vem correndo na minha direção com sua espada aposta. Dou-lhe um soco no rosto, quebrando seu nariz e tomo sua espada. Ele cai na grama, gemendo de dor. O do meio investe contra mim em seguida, tentando dilacerar meu braço. Desvio e corto seu pescoço, deixando a mostra sua traquéia a mostra. Aponto minha espada para o líder, mas ele não investe contra mim.

-SUA BRUXA!

E dizendo isso ele sai correndo. Abandono a espada e vou atrás dele. Agarro-o pelos braços e o imobilizo-o. Pego a pequena faca de Gustavio e coloco no pescoço do homem.

-O que você pretendia ao tentar matar-me?

-Como se eu fosse lhe dizer, sua vadiazinha de merda.

Neste momento, o príncipe chega até mim, com seus guardas armados.

-Alexandra, afaste-se deste homem, por favor.

Fiz o que ele pediu. Saio de cima do homem e os guardas o tiram da minha vista.

-Você está bem? O inverno é realmente frio aqui – Gustavio pergunta, colocando a mão no meu rosto. Ele me parecia aflito.

-Sim, por que não estaria?

Eu normalmente não sinto frio.

Ele afasta-se um pouco, para mostrar-me algo. Vejo o homem que matei sendo levado dali e o outro encaminhado ao hospital. Olho para meu belo vestido dourado, que agora estava manchado de sangue em todos os lugares.

Parabéns Alexandra, agora você é uma assassina.