Quando As Folhas Caíam
15 Quinze
Quando acordei, Hanna e Gustavio estavam me encarando. Mas só ocorreu uma coisa para perguntar a eles.
-Eu perdi o meu filho?
Eles hesitam em responder.
-Você sempre teve sorte, Alexandra. O bebê está bem. A espada não atingiu o bebê e nenhum órgão.
Sinto lágrimas escorrerem de meu rosto. Gustavio as enxuga com a mão e beija minha testa.
-Quem mandou você sair...
-O que aconteceu com a guerra?
-Vencemos. Meu irmão mais velho, André, será o novo rei. Haverá uma união dos reinos.
-Mas e nós?
-Tenho uma coisa melhor em mente.
Ele sorri para mim.
~
Um mês depois, minha barriga já havia criado um volume considerável e eu recebi alta do médico. Gustavio passeava comigo todos os dias no jardim do palácio e eu ficava realmente feliz em ver os belos lírios que brotaram no início da nova estação.
A primavera seguiu feliz. Ekaterina e Hanna me ajudavam a escolher as roupas para o bebê e Gustavio me mimava até o anoitecer. Ele realmente ainda estava preocupado que eu fizesse mais alguma das minhas loucuras. Mas para a minha própria surpresa, eu permaneci comportada. Não queria dar-me ao luxo de quase perder meu bebê novamente.
-Tenho certeza que é uma menina.
-É um menino, Hanna. – eu disse.
-Como você pode ter certeza?
-O médico que falou.
-Ele mentiu. É uma linda lady assim como eu.
-Pobrezinha. –sussurrou Ekaterina.
-Eu ouvi isso, projeto de gente.
-Bom o que importa. Eu sinto que é uma menina.
-Sua intuição nem sempre acerta, Hanna.
-Que insulto!
-Ande Hanna, escolha um logo.
-Mas todas são fofas.
-A ideia de comprar roupas para o bebê foi sua. Escolha logo.
Hanna fitou Ekaterina por esse comentário e eu ri baixinho.
~
Depois de algumas horas, Hanna comprou uns sapatinhos e alguns brinquedos. Voltamos ao palácio e quando perguntei por Gustavio, Lucy me disse que ele havia saído.
Estranho. Muito estranho.
Hanna, Ekaterina e eu fomos tomar chá. Elas tomaram chá e eu tomei suco. Odeio suco. Desde que eu me recuperei, Hanna sempre aparece onde estou e me faz perguntas sobre o bebê. Uma vez ela apareceu quando eu estava no banho e me perguntou se ele havia chutado. Acho que ela está preocupada. Só acho.
Depois de alguns minutos, Gustavio chegou e levou-me para uma caminhada. O verão já iria começar e os lírios pareciam mais belos do que nunca. Ele segurava minha mão e tive a sensação que jamais iria soltá-la.
-Tenho uma coisa para você.
Olhei para ele enquanto ele me entregava uma chave. Uma bela chave dourada.
-Guarde-a com você. – ele disse.
Fiz que sim com a cabeça e o observei. Ele sorria amavelmente e então, beijou-me na testa.
~
Alguns dias mais tarde, Gustavio levou-me para um passeio na floresta. Ele segurava a minha mão e guiava-me por uma trilha.
-Onde está me levando?
-Você vai ver.
Continuamos a caminhar em silêncio.
-Feche os olhos. – disse ele.
Eu dei um sorriso e fiz o que pediu. Ele levou-me pela mão e então paramos.
-Está com a chave?
-Sim. Sempre a levo comigo. – eu disse ainda de olhos fechados.
-Abra os olhos.
Quando abri meus olhos, estávamos numa clareira e em frente a uma bela casa rodeada por flores e árvores.
-É a nossa casa agora. Achei que deixar o palácio seria melhor para você e para o bebê.
As palavras não saíam da minha boca. Eu fui até a porta da frente, com a linda chave dourada em mãos, e abri a porta lentamente.
A linda sala fora decorada por Hanna, eu soube. Gustavio levou-me até o quarto do bebê. Hanna também havia decorado aquele, pois as paredes eram rosa, e estava cheio de bichos de pelúcia.
-Ela tem certeza que é uma menina. Vamos confiar nela.
Olhei para ele com os olhos cheios de lágrimas e então, eu o beijei.
~
Hanna e Ekaterina continuaram a viver no palácio, mas nos visitavam constantemente. Lucy e o capitão da guarda começaram a namorar, embora eu ache que eles não têm muito em comum. E Gustavio e eu vivemos felizes para sempre.
Fale com o autor