Qual é o preço do seu sorriso?

1 Eu pago o preço que for preciso


Notas iniciais
Oneshot, então não terá mais capítulos, e também já decidi que não seguiria uma história assim.

As aulas já haviam começado, todos os alunos estavam na sala esperando a professora dar o comunicado inicial. Uma aluna nova iria entrar na classe.

— Olá classe, essa é Sophia, ela se transferiu para a nossa escola faz poucos dias.

Todos a convidavam com boas vindas e parabéns, menos um jovem que sentava na primeira carteira perto da janela, Sophia pode perceber isso, ele parecia triste e depressivo.

— Pode se sentar Sophia.

Sophia arrumou um lugar ao lado do jovem. Ela percebia que nele havia algo diferente, não interagia na sala, não conversava com ninguém, apenas ficava olhando vagamente para o canto de sua carteira.

Os dias se passavam e o menino não fazia nada além de ficar na sala sozinho. Era o primeiro a entrar e o ultimo a sair. O simples fato de estar sozinho sempre chamava atenção de Sophia. Ela já tinha feito amizades na escola, mas ainda não entendia o porquê do garoto também não fazer.

Ela decidiu perguntar para sua amiga Claudia o motivo do menino ser tão solitário.

— Dizem por aí que o Matheus ficou assim por causa de um acidente. Antes ele era muito alegre e feliz, espalhava felicidade por onde passava, mas houve um dia em que ele saiu com seus pais e irmão, estavam voltando de viagem de férias de verão, mas um trágico acidente aconteceu. Um carro veio em contra mão em alta velocidade, ao desviar do carro que vinha em sua direção o pai dele não viu e acabou batendo contra uma parede. O pai dele morreu na hora, o irmão e a mãe morreram indo para o hospital.

— Mas alguém descobriu quem fez isso?

— Não, até hoje não e já faz bastante tempo. Desde então ele mora sozinho e vive sua vida solitária, não dá sorrisos e não conversa com ninguém, evita interagir, sempre chega antes de todo mundo e sai depois de todos. É impossível fazê-lo sorrir.

— Não é impossível! — Sophia limpando as lágrimas dos olhos disse entusiasmada — Vou fazê-lo dar um sorriso, essa será minha meta.

— Boa sorte, você vai precisar.

Rapidamente Sophia pensa em algo, pega uma folha de papel em branco, alguns lápis e faz alguns desenhos. Não sabia desenhar, mas isso não a impedia de tentar, assim que terminou o desenho, o pintou e deixou em cima da mesa de Matheus.

O garoto ficou surpreso, pegou o desenho e o fitou por vários segundos, depois olha para Sophia, ela dava um sorriso acolhedor, mas o jovem abaixou a cabeça novamente e continuou a fitar vagamente o canto de sua carteira. Sophia não se sentiu bem após ter seu desenho supostamente rejeitado. Ela queria deixá-lo bem, apesar de não conhecê-lo, sua história era bem comovente.

Ela repetiu o processo de deixá-lo feliz por dias, sempre com algo novo em sua mente.

No dia seguinte Sophia o presenteia com um cupcake, mas o garoto apenas deixa no canto de sua carteira, não o comia e não demonstrava nenhum desejo em comê-lo. Ver Matheus daquele jeito estava acabando com a autoestima de Sophia, mas não com sua coragem.

No outro dia ela chegou perto dele e tentou fazê-lo rir com cócegas, mas parecia que Matheus não as sentia. Sophia não conseguia entender como não conseguiu fazer Matheus sorrir até agora.

Dias incessantes eram os que se passavam, todas as esperanças de Sophia estavam sendo jogadas fora, mas ela ainda tinha uma carta na manga, era meio idiota, mas era a ultima ideia que teve.

No dia após o ultimo, logo no inicio do intervalo, como sempre Matheus estava em sua carteira, Sophia não saiu da sala, continuou lá. Pegou dentro de sua mochila duas marionetes feitas a mão. Chegou à carteira do jovem e fez um pequeno teatro, com piadas e contos engraçados, mas o garoto não mudava a expressão, sempre a mesma expressão triste e depressiva.

Essa tinha sido sua ultima tentativa, não havia mais ideias nem mais coragem para continuar, então Sophia desistiu.

Foi embora para sua casa, um caminho longo, sempre sozinha, durante esse caminho foi pensando no fracasso que foi nos últimos dias, mas sem perceber nada, Sophia acaba por tropeçar em uma pedra.

Isso a desequilibrou e seu antebraço assim como sua face fizeram encontro com o chão, machucando os dois a ponto de ralar e iniciar um sangramento, sua mochila caída no chão, espalhou diversos papéis de caderno e desenhos. Ela sentia uma dor enorme, começou a chorar, ali mesmo.

Ao longe se vinha um rapaz, vendo que a garota tinha se machucado. Chegou perto da garota, recolheu seus papéis e a entregou, quando Sophia levanta o olhar, ela vê Matheus lhe entregando suas coisas.

Ela estava chorando, estava toda machucada, Matheus não sabia exatamente o que fazer, então ele se lembrou do que ela tinha tentado fazer por ele. Então o garoto abriu um imenso sorriso, um sorriso acolhedor que abre portas para mais sorrisos, um sorriso nunca visto antes por Sophia.

Mesmo com os olhos cheios de lágrimas, Sophia sorriu de volta.

Pelo jeito havia conseguido cumprir sua meta.

Notas finais
Por favor, não peça para continuar ou fazer uma história parecida, não me identifico com coisas "fofas" parecidas com a desta história.

Críticas são sempre bem-vindas.
Obrigado por lê-la.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!