Qual a Próxima Música?
1 Atrasos
Notas iniciais
Esta é minha primeira fanfic do gênero, estou um pouco nervosa postando, mas... vamos em frente!
Acho que eu falei tanto de música na sinopse que este primeiro capítulo pode parecer não ser desta história, mas... Bem, é uma introdução.
De qualquer forma, espero que gostem.
Boa leitura e até as notas finais!
Péssimo... Sou um péssimo amigo; um tio horrível; uma pessoa sem coração. Como pude esquecer o aniversário da filha do meu melhor amigo? Mas prefiro chegar atrasado a não comparecer.
Presente... Ele sempre diz que o comparecimento é mais importante e especial do que um presente. Tudo bem, concordo, mas não vou aparecer de mãos vazias. Pelo menos uma lembrancinha. Ainda eram seis horas, com certeza teria uma loja de criança aberta no shopping. Do que a Thais gostava mesmo?
Fiquei observando uns bonecos na vitrine de uma loja, até que reparei um panda me olhando. Não, ele não estava me olhando, só foi posicionado de maneira estratégica para que, quando alguém ficasse parado em frente à loja, desse a impressão de que o urso te olhava. De que ele ficasse te encarando, quase que transmitindo, por pensamento, um pedido do tipo “Me compre, sou fofo.”
Não resisti a tanta fofura. Ele segurava uma folha de bambu e uma placa muito linda escrito “Liquidação”. Aquela placa era tão atraente quanto o relógio no meu pulso apressando-me porque a festa já começara. Pedi para embrulhar num papel de presente roxo, que me amostraram, com desenhos de notas musicais em prata e palavras, que dizemos à alguém que está fazendo aniversário, em preto. Coisas do tipo “Parabéns!”, “Saúde”, “Paz”, “Felicidades”, e outros clichês.
Consegui chegar à casa de Marcos por volta das sete. O que eu podia ter perdido em uma hora de festa?
A distribuição de sorvete, claro, com calda ainda! Ganhei o sorvete, mas a calda havia acabado. Só porque tenho meus trinta e dois anos, não quer dizer que eu não goste de sorvete com calda de chocolate. Quem não gosta?
Estendi os braços com uma mão segurando o enorme presente e um sorriso abestado no rosto, no meio de um alvoroço de crianças pra lá e pra cá pisando em meus pés e passando por baixo de minhas pernas, ao avistar os anfitriões e a aniversariante.
Passei por aquele mar de pequeninos para abraçar a princesinha da noite que pareceu muito feliz ao me ver. Entreguei o presente e, apenas tateando, descobriu que era um urso de pelúcia. Também, uma coisa grande e fofa, gostosa de apertar... Só poderia ser um urso.
—Pensei que você não vinha mais. — Cumprimentei Marcos com um abraço.
—E perder o aniversário de minha afilhada?
Karla veio me cumprimentar. Sorrindo terno, me deu um abraço como de uma velha amiga. Um abraço confortante. Agradeceu o presente da filha e voltou a dar atenção às crianças. Acho que nunca havia visto tanta criança num espaço mediano, mas que pela quantidade de indivíduos baixinhos parecesse tão pequeno.
Fui chamado para uma pequena sala de estar, particularmente, considerado o melhor cômodo da sala, pois tinha acesso direto à cozinha. Pode-se dizer que eram duas festas em um local com dois ambientes, já que as crianças tomaram conta da casa e os adultos, da sala. Aquilo foi como um reencontro com amigos do colegial, entre, na verdade, cinco pessoas incluindo eu. Duas pessoas, que não conhecia, ocupavam um sofá, de dois lugares, adjacente ao que eu sentei. Apresentaram-se como Vinícius e Victória.
Suspeitei que fossem irmãos. Os traços de seus rostos eram bem parecidos, mas como típico de irmãos, seus comportamentos, diferentes. Victória parecia ser bem sociável, conversava com um grupo misto entre pessoas que eu conhecia e desconhecia. Paulo, Marina e Fabrício estudaram comigo. Já outros dois, ainda não gravei seus nomes, mas pareciam ser legais.
Vinícius era menos sociável que a irmã. Arrisquei conversar com ele. Enquanto fortalecia minhas amizades, tentei criar uma nova. Demorou um pouco, mas ele se soltou. Quando menos esperei, ele já brincava com a gente, fazia piada, conseguiu ingressar naquele clima descontraído.
A hora passava e alguns iam embora, daí descobri de onde vieram tantas crianças. A cada casal que saía, levavam pelo menos duas crianças: irmãos ou amigos. Karla se levantava a todo momento para acompanhar alguém saindo ou para atender a porta a algum pai/mãe de criança. Eram dez horas e o grupo diminuíra significativamente. Naquela noite, conversas fluíram com tanta facilidade e diversos assuntos. Conversei com Victória e nem percebi quando começou.
Falamos sobre trabalho. Ela trabalhava numa boate, quando seu irmão entrou na conversa logo comentou que ela era ágil. Deduzi que fosse garçonete. Ela dizia que gostava muito do trabalho, exceto quando vinha algum chato, sem noção, tentar puxar assunto. Ele trabalhava numa loja de material de construção. Fiquei um pouco envergonhado ao dizer meu atual estado profissionalizante: desempregado. Fui demitido há dois dias, de um trabalho que odiava.
Passaram cerca de meia hora e decidimos ir embora. Sim, restaram-se apenas nós três.
Acordei cedo, como de costume, para ir ao trabalho, mas… Eu não tinha mais trabalho, né? Nesse caso poderia ceder à vontade de permanecer na cama, se o telefone não tivesse tocado…
A preguiça era maior, então permaneci na cama até parar de tocar. Não deu muito certo. O telefone conseguiu me tirar da cama, para que quando eu atendesse a chamada ser finalizada… O que me restou a fazer foi olhar para o telefone de cara feia, como se o aparelho fosse o culpado disso, e fazer o ritual matinal de bilhões de pessoas no mundo.
Por um momento me senti no ensino médio. Marcos costumava me ligar de manhã cedo na tentativa inútil de me acordar, mas sempre ligava quando estava escovando os dentes. E foi justo colocar a escova na boca que o telefone voltou a tocar. Dessa vez, ignorei. Ritual é ritual.
Não demorou muito pra que ele voltasse a tocar após eu terminar com a higiene e começar a recobrar com a consciência de “quem sou” e “onde estou”.
—Te consigo um emprego, quer?— Pensei que eu já estivesse acordado. — Alô?
—Quem ser? — A voz do outro lado da linha riu. Desculpe, to com sono ainda.
—Bom dia, é o Marcos!— E ele continuava rindo. Como se eu fosse obrigado a reconhecer qualquer voz ao telefone num horário tão cedo.
—Bom dia…
—Quanta animação.. Vamos lá! Tem motivo pra ficar animado tão cedo!
—E qual motivo poderia ser? Um emprego? Acho que ainda não acordei.
—Então vamos tomar um café para conversar sobre negócios, porque eu tenho algumas oportunidades para te falar.
—É um trote?
—Se você não me considerar um tipo de “fada madrinha”, não é um trote.
—Bom… Se você for o Marcos mesmo, vai querer um café no lugar de sempre…
—Perfeito! To morrendo de fome!
—Não se a… — Como nos velhos tempos, ele desliga na minha cara e certamente vai demorar um século para aparecer… Mas vamos lá, né?
A padaria mais próxima era à duas ruas do meu apartamento, e talvez só uma quadra de Marcos, mas ele com certeza chegaria de carro. No balcão tinha muitas gostosuras, mas não resisto ao pão de queijo. E não era daqueles pequenos que encontra no mercado, era o de padaria mesmo, um grande e delicioso pão de queijo. Que cairia muito bem com um simples café.
Marcos demorou 25 minutos desde que eu cheguei, já tava no meu segundo cafézinho, que provavelmente acompanharia meu amigo. Ele pediu um croissant e cappuccino. Deu a primeira mordida, e na primeira oportunidade pra falar, ainda com boca cheia, ele começou:
—Vamos falar de negócios!
Por favor, só coma primeiro. Não queria ser obrigado a ficar vendo tal cena, mas ele nunca me ouve, né?
Notas finais
Tentarei deixar um pouco maior nos próximos, mas não garanto.
Em falar em próximo, o capítulo 2 ainda não está pronto. Preciso digitar e completar, e como falei nas notas da história, tenho escrito fora de ordem. Pra terem uma noção: escrevi este, pulei pro 7, depois pro 9, voltei ao 2, to quase escrevendo acho que o 12 e... Socorro kkkkk
Este capítulo é o único completo, por enquanto kkkkk
Mas eu vou terminar o 2, e assim que fizer, postarei!
Até o próximo!
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