Qual é o problema dele?
1 OneShot
Notas iniciais
Estava feito, passei na faculdade que havia ganhado a nota máxima no curso pelo qual eu havia prestado, mas era longe, muito longe. Eu não estava apenas mudando de faculdade, estava mudando de estado.
Estava deixando para trás tudo que tinha e iria começar uma vida nova, isso é o sonho de toda pessoa. Afinal quem nunca quis jogar tudo para o alto e começar de novo? Em um lugar onde ninguém te conhece? Por favor, sem hipocrisia, até eu já quis isso por isso prestei o vestibular.
Realmente fiquei feliz quando vi o resultado, como tinha tempo para arrumar minhas coisas decidi que iria na semana seguinte tomar as providencias necessárias. Essa semana seria minha despedida.
Tudo estava indo bem, todos estavam tão felizes por mim, íamos para o bar na sexta-feira nos divertir pela última vez pelos próximos quatro anos. Mas é claro nada na vida é perfeito.
Sim, havia um problema e ele decidiu dar as caras na quarta-feira, no dia exato em que eu ia comprar a passagem de avião, já tinha resolvido tudo sobre ter um quarto na republica. Não tinha tido tempo de contar a todos os meus amigos nem ao mais importante deles. Ainda não tinha contado para o Hyoga.
Hyoga era meu melhor amigo desde quando começamos a faculdade, nos conhecemos no dia do trote, ambos éramos calouros. Nossa amizade começou com provocações e brincadeiras sem sentido.
Ele era a minha companhia na ida e na volta da faculdade, sempre rindo e feliz, nunca o vi de mal humor. Menos quando eu disse, ai ele fechou a cara.
O que era totalmente estranho, não havia motivos para ficar com raiva, eu sei que eu sou muito legal, mas qual é ele não vai ficar sozinho, a namorada dele também é legal.
Hyoga ficou com essa cara a semana inteira, ele mal me dirigia à palavra.
“Que diabos aconteceu com ele?” era o que eu me perguntava, mas decidi ignorá-lo.
Novamente, nada na vida é fácil e perfeito, senti sua falta, queria ouvi-lo nem que fosse ao telefone, queria ele ficasse feliz por mim. Por que ele não podia fazer isso? Era tão fácil, todos estavam fazendo.
No dia seguinte eu chorei, não queria ir embora com ele com raiva de mim, por que esse idiota não podia simplesmente aceitar? Eu estava indo bem na vida, tinha conseguido passar em uma ótima faculdade. Qual é o problema dele?
Ainda naquele dia voltei a chorar, eu queria ir para a capital, mas não queria deixá-lo. Queria que ele fosse comigo. Não queria abrir mão da nossa amizade.A distancia ia acabar com ela. Sim, eu chorava.
Então finamente na sexta-feira fomos beber no bar da esquina, todos estavam se divertindo, menos nós, a diferença é que eu disfarçava. Mesmo estando com meus amigos eu queria ir embora, não estava confortável ali.
Me despedi de todos alegando estar com dor de cabeça e prometendo que viria passar o natal com todos, não que eu fosse fazer isso, mas prometi.
Hyoga se levantou e disse que me daria carona. É eu não tenho carro e taxi custa caro então aceitei. Claro que foi a viagem mais desconfortável do planeta, não nos falávamos há quase três dias na verdade eu não o via há quase três dias. Realmente o clima estava muito feliz ali dentro.
Pedi para que ele parasse no parque que tinha ali perto e pedi que fosse comigo. Queria passar um tempo com ele. Fui andando na frente guiando o caminho até finalmente parar no topo de uma ponte. Pude sentir ele se aproximando e se apoiando no parapeito ao meu lado.
Não queria que ficássemos com raiva um do outro, queria abraçá-lo e dizer que ele podia me visitar sempre que quisesse. Mas ele foi mais rápido, ele me abraçou de um jeito que nunca havia feito antes.
–Eu não quero ir embora. – Eu disse. Realmente não queria, a idéia de começar tudo completamente sozinho me apavorava, queria ficar, mas não podia mais. – Não sei o porquê, só não quero ir.
Ele riu baixinho, ele estava rindo de mim por ser sempre muito corajoso. Sim, estou sendo irônico.
–Você não quer ir porque está completamente apaixonado por mim.
Certo ele estava brincando, podia ouvir o tom de brincadeira. Não eu não podia estar enganado conhecia aquele tom melhor do que ele mesmo, isso era ridículo.
Então eu ri.
–Isso é totalmente ridículo.
Tentei sair do abraço, mas ele não deixou. Isso já estava ficando estranho ele estava me apertando demais e ele sabe como odeio quando ele fica falando perto do meu ouvido.
–Não é não, você sabe disso. – Novamente aquele riso idiota de quando estava rindo da minha cara, mas dessa vez ele me surpreendeu, ele... Cheirou o meu cabelo? Okay, isso está ficando muito esquisito. – Eu menti.
Mentiu sobre o que?
–Mentiu sobre o que?
–Não amo a Eire. – Eire era a namorada dele... COMO ASSIM NÃO A AMA?
–Você disse que a amava.
–Por isso disse que menti. – O maldito está rindo da minha cara de novo. Okay Hyoga, já pode me soltar.
Não, ele não podia era muito mais legal me deixar sem reação. Começou a beijar os meus cabelos, me abraçava com mais força e vontade. Estava ficando confuso, o que ele está fazendo.
Afastou-se um pouco, só o necessário para pode me olhar nos olhos, ainda me abraçava e me olhava com aquele olhar de.... Aaaah merda.
Não me olhe com essa cara, você não tem esse direito, eu estou indo embora e você namora. Não isso não pode acontecer, o que restaria de mim?
Mas ele não se importou com nada disso. Aproximou seus lábios dos meus, mas não os selou isso era tortura. O que ele queria que eu fizesse? Me deixar nessa situação? Ele me conhece, sabe que vou ficar desesperado sem saber o que fazer.
–Não quero que vá. – Ele finalmente disse com os lábios a centímetros dos meus.
–Eu não quero ir.
–Então não vá.
Ele tentou me beijar, mas eu fugi. Não, isso não podia acontecer, era errado.
–Não posso ficar. – Eu disse.
Ele tentou novamente e eu fugi de novo, como Hyoga não era um cara de tentar uma coisa mais de duas vezes eu sabia que a qualquer momento ele iria me soltar e se afastar irritado.
Me deixaria ali com certeza, por sorte minha casa era a apenas alguns quarteirões. Não era certo fazer aquilo, Eire não merecia, eu não merecia.
Mas foi eu me distrair um segundo que ele captura meus lábios.
Claro que eu estava assustado, não sabia o que fazer. Quer dizer, sabia o que fazer, era só afastá-lo, mas eu não queria.
Ele começou a ficar mais exigente, mas eu ainda estava atordoado demais pra aceitar, ainda estava processando o que estava acontecendo ali.
Quer saber? Dane-se. Retribui o beijo. Eu o queria, sempre o quis, apenas me negava a aceitar. O puxei para mim como se minha vida dependesse disso. Era um beijos exigente e impetuoso.
Quando nos separamos eu não conseguia olhá-lo, desviei o olhar para o chão da ponte.
–Shun. – ele me chamou, mas não conseguia olhá-lo, não podia fazê-lo. Mas quem disse que Hyoga se importou com isso? Segurou meu rosto entre suas mãos me fazendo encará-lo. Eu podia ver a felicidade em seus olhos, mas não queria olhá-lo. Não ainda. – Fique comigo.
Abri a boca para responder, mas ele não deixou. Tomou novamente meus lábios, mas dessa vez com amor.
Esse foi um beijo apaixonado, como aqueles que você sempre vê em finais de filmes melosos de adolescentes americanos. Provavelmente nosso último beijo.
Pensar isso me fez chorar, o afastei e corri para o mais longe que pude. Podia ouvir ele gritar meu nome da ponte. Ele não viria atrás de mim. Era melhor assim.
...
Segunda feira, ainda não tinham começado as aulas só na semana que vem, tinha uma semana para me organizar e encontrar novos amigos.
Novos amigos...
Me fez lembrar Hyoga. Passei o fim de semana chorando e ouvindo suas mensagens na caixa postal. Sim, eu sou um idiota sentimentalista e aceito isso. Podem me julgar.
Decidi que ia andar pelo campus para conhecer pelo menos o meu prédio, sempre odiei ficar perdido no primeiro dia. Minha sala era do lado da do primeiro semestre de arquitetura, por quê? Eu não sei. Mas era.
Lembrei novamente de Hyoga, ele sempre quis cursar arquitetura, mas fazia outra Deus deve saber o porquê.
Ainda andando pelo campus vejo um grupo de estudando que chegavam hoje, tinha gente de tudo quanto é lugar desse país, e... Aparentemente dos países vizinhos também.
Não estava com vontade de ver a bagunça que eles fazem quando chegam, já tinha visto ontem quando cheguei, me virei e fui embora.
Mandava mensagem para a June quando sinto alguém me abraçando por trás. Mas que isso agora? Quem é esse imbecil? Quem disse que podia fazer isso? Não tinha dado intimidade pra ninguém...
–Oi Shun.
–H-Hyoga?
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