Notas iniciais
Miil anoos depois...
Desculpem-me pela demora, mas decidi postar um capítulo de uma fic diferente de cada vez. Como as férias estão chegando, não demorarei mais tanto a postar.
A personalidade dos personagens não estarem exatamente de acordo com a mostrada no jogo, mas farei o possível para não fugir muito.
Se alguma característica estiver errada, me avisem.

Tantas vezes me enganaram

Falavam que eu nada era

Só sabiam me diminuir.

Tantas vezes chorei;

Tantas vezes fiquei triste

Tantas vezes me importei com o que diziam.

Na placa a frente podia-se ler claramente: vigésimo andar. Quem em plena sanidade construiria um hospital com 20 andares?! Pensou Sora, já sentindo preguiça do tanto que teria que rodar até achar o quarto certo. Se é que acharia. Aquele prédio de hospital só tinha a placa e o cheiro. Pois seus corredores eram enormes e em cada corredor havia um número inimaginável de portas que davam a diversos lugares, desde salas de cirurgias até as salas de repouso.

Era seu primeiro dia como integrante oficial da ONG,e já cometera vários deslizes, como, por exemplo, esquecer o número do quarto em que deveria estar desde as 14 horas.

Olhou o relógio que estava em seu pulso esquerdo, soltando um suspiro prolongado ao ver que já estava meia hora atrasado. Deveria ter pelo menos um funcionário, nem que seja da limpeza, em cada corredor para orientar os desorientados como ele. Mas, exatamente naquele momento, não havia ninguém. Então teria que se virar sozinho.

Fora até o ultimo andar, para começar a procurar de cima para baixo. Torcia para que lembrasse o número assim que o visse. Mas só de olhar para os corredores abarrotados de portas, a preguiça falava-lhe mais alto, mandando-o desistir, obrigando-o a ir para casar e dormir.

-- Ei, pirralho! Você é novo aqui, né? – um rapaz de cabelos prateados e olhos azuis claríssimos chamou-lhe a atenção. Estava apoiado na parede com os braços de musculatura definida cruzados a cima do peito.

-- Eu não sou pirralho! – Sora respondeu fechando a cara em um bico, seu dia não fora dos melhores. Tivera prova surpresa na escola, tivera que dar seu dinheiro do lanche para um valentão da escola e, para fechar com chave de ouro, estava atrasado para o encontro com seu primeiro “amigo sonhador”.

Há uns meses atrás se inscrevera para uma ONG que tinha como principal objetivo realizar o sonho de pessoas com câncer em estado terminal. O filho do fundador da ONG, Leon, havia lhe mostrado como tudo funcionava e no que a ONG esperava de seus funcionários. Leon foi uma das primeiras pessoas que Sora podia chamar de amigo e ao saber o que ele fazia, decidiu ajudar. Por conhecer Sora muito bem, Leon sabia que não poderia dar uma tarefa muito difícil logo na sua primeira semana a Sora. Por isso o trabalho do moreno de olhos azuis era descobrir o sonho de um rapaz que teria que fazer uma cirurgia complicada, mas que já fora feita com sucesso em outros pacientes.

-- Foi mau garotão! – o maior falou de forma sarcástica, chamando novamente a atenção do moreno, que podia jurar que já ouvira essa voz antes. – Não precisa fazer esse bico.

-- Não estou fazendo um bico! – retrucou, dando as costas para o rapaz de cabelos prateados, queria poder ir embora, mas estava completamente perdido e andar desorientado pelos corredores (que mais pareciam labirintos) do hospital não era uma boa idéia. Qual era mesmo o número do quarto?

-- Está perdido? – o maior perguntou, como se adivinhasse a situação do moreno, ou este era, simplesmente, muito fácil de se decifrar.

-- Você é funcionário do hospital ou só está querendo me estressar mesmo?! – falou, sentindo como se uma fraca luz se acendesse em sua mente, se apagasse quase que instantaneamente, deixando apenas a incômoda idéia de deja vu.

-- Opa! Estou vendo que alguém acordou com o pé esquerdo hoje!

-- Sora! O que faz aqui? – perguntou um loiro que o moreno logo reconheceu como sendo Demyx, o ex de Leon. O loiro acabara de sair do quarto que estava entre Sora e o rapaz de olhos mais claros que os dele – Não era para você estar com o seu mais novo “amigo sonhador”? – esse era o nome que eles davam aos pacientes terminais da qual ainda não sabiam o verdadeiro nome. O que era o caso de Sora, pois na ficha que recebera de Leon só constava o número do quarto.

-- Estava apenas caminhando. – mentiu. Não queria que ninguém soubesse que estava perdido.

-- Ah! Saquei. Você faz parte da ONG “Realizando um Sonho”. – o rapaz de cabelos prateados falou se aproximando do loiro e o cumprimentando – E aí, Demyx. Como anda o Marluxia?

-- Está com o cabelo rosa. – Demyx sorriu, cumprimentando o outro.

-- Fiquei sabendo. – o rapaz sorriu – E quem é o pirralho ali? — perguntou gesticulando com a cabeça para Sora.

-- O nome dele é Sora, é novo na ONG. – Demyx respondeu dando de ombros – Pegou seu primeiro desafio hoje. Mas já ta vadiando. – a ultima frase falou dirigindo-se a Sora, em um falso tom de descrença. Em resposta, Sora abaixou a cabeça, sentindo suas bochechas queimarem em constrangimento.

-- E quem é o moribundo que será vítima dele?

-- Como assim vítima?! – Sora disse indignado – E posso saber quem é você?

-- Ah! Mas que cabeça a minha – o rapaz de cabelos prateados se aproximou de Sora, estendendo sua mão para um cumprimento um tanto formal – Chamo-me Riku.

Sora o encarou, ainda estava irritado, mas não podia deixar de notar que Riku tinha charme e que o cativava. Assim como não podia deixar de notar que algo nele lhe era familiar. Muito familiar.

-- Sora?! – a voz conhecida veio do início do corredor – O que faz aqui? Era para você estar no quarto com o Roxas! – o rapaz moreno de cabelos castanhos um pouco abaixo dos ombros falou, enquanto se aproximava do trio. Trajava uma calça jeans azul escura e uma camiseta branca. O tênis era um Bull Terrie de cano alto marrom escuro.

-- Leon! Não sabia que estaria aqui hoje. – Sora comentou se afastando de Demyx e Riku. Leon era um grande amigo seu, e desde a morte de sua mãe havia virado um irmão mais velho. Certamente o ajudaria a achar o quarto sem fazer brincadeiras de mau gosto ou envergonhar o menor.

Sora nunca gostou do que os demais falavam dele. Por isso sempre foi muito reservado e tinha poucos amigos. Leon era o único em quem confiava. Foi o mais velho que o ajudara a superar os traumas da perda da mãe. E agora Sora se sentia mais que na obrigação de mostrar o tanto que crescera nesse meio tempo.

-- Não me diga que está perdido?! – o moreno mais velho falou baixo, para que apenas Sora escutasse. Em seus olhos podia-se notar um brilho de diversão. O mais novo tinha que admitir que se fosse outra ocasião, ela também teria vontade de rir da cena. Só agora tinha dois estranhos um pouco mais afastados, mas que prestavam atenção a cada movimento que a dupla morena fazia.

-- Estou... – a resposta saiu como nada mais que um sussurro, juntamente com um par de bochechas coradas. Leon, sorriu, fazendo uma enorme força para não gargalhar da cara que Sora estava fazendo.

-- Eu te mostro onde é. – falou e depois, dirigindo-se para Demyx e Riku, disse – As enfermeiras estão reclamando de barulho nos corredores. Espero que não sejam vocês os responsáveis. E nem que eu torne a ouvir reclamações.

-- Nós?! Fazendo barulho?! – Demyx falou sarcástico – Até parece que você não nos conhece. – se bem que, desta vez, eles eram realmente inocentes.

Logo após se despedirem, Leon conduziu Sora até o quarto do seu “amigo sonhador”. Enquanto andavam pelos corredores, o mais novo percebeu que, se não fosse por Leon, ele passaria a tarde em busca do quarto e nunca acharia. Pelo menos não começando do vigésimo andar. O quarto ficava no primeiro andar, seguindo o corredor à direita. A porta era a antepenúltima e não tinha a plaquinha com o nome do paciente. O moreno de olhos também castanhos explicou que era um quarto provisório, já que um grande amigo do garoto, cujo nome era desconhecido para Sora, estava preparando uma surpresa para esse. E do antigo quarto dava para o “amigo sonhador” ver tudo que se passava lá fora, onde estava sendo preparada a surpresa.

Ao chegarem ao quarto, Leon bateu levemente na porta e esperou por uma resposta que não veio.

-- Será que ele não está? – Sora sugeriu. Só agora se questionara como conseguiria fazer amizade com o desconhecido. Não era uma das pessoas mais sociáveis que existiam. Muito menos a mais interessada em fazer novas amizades. Desde a morte da sua mãe se fechara completamente para o mundo.

-- Nem comece! – Leon falou, abrindo a porta – E você, trate de responder quando alguém bate na porta. – a segunda frase não foi direcionada a Sora. – E abra essa cortina, o quarto já está ficando com cheiro de mofo! Como alguém consegue enxergar aqui?! – não é preciso explicar que, sendo filho do diretor do hospital, Leon acabava passando tempo demais por lá. Resultando em um fato que não era parte da realidade do menor: o mais velho não só conhecia, mas também era amigo de todos por lá.

-- Me deixa dormir – uma voz sonolenta veio de dentro do quarto. Sora se aproximou mais, conseguindo ver... Nada. O quarto estava completamente escuro e abafado. Parecia que as correntes de ar eram proibidas de se quer chegar perto da porta.

-- Aqui está fedendo... – Leon verbalizou os pensamentos de Sora – Há quanto tempo não abre a janela? – perguntou adentrando o quarto e se perdendo na escuridão.

Sora ficou do lado de fora, perdido em pensamentos, como: e se ele não gostar de mim? E se eu não levar jeito para a coisa? E se ao invés de ajudar eu atrapalhar? E foi no meio desses “e se (s)” que ele tomou uma decisão. Foda-se! Azar é dele, quero ajudar o Leon, então vou tentar fazer isso direito! Mas, e se...

-- Achei – os pensamentos do menor foram interrompidos pela voz de Leon. Não demorou muito para a cortina ser aberta e uma enorme quantidade de luz invadir o aposento. Sora fechou os olhos por causa da luz forte e imaginou que, seja lá quem estava lá dentro, tinha feito a mesma coisa.

-- Você não poderia ao menos avisar antes de abrir?! – a voz irritada veio de baixo de um embrulho de lençóis brancos.

-- Foi mau. – Leon respondeu, abrindo a janela – Vou abrir as cortinas, ok?! – completou, rindo. O rapaz que estava na cama pegou o controle da TV que estava em cima do criado-mudo, ao lado da cama de hospital e jogou no moreno de olhos castanhos que conseguiu desviar bem a tempo de ganhar um galo.

-- Não se pode nem mais dormir nesse hospital?! – reclamou, voltando a se cobrir por inteiro.

-- Hora de acordar, mocinho! – o maior seguiu até a cama e puxou os lençóis – Aquele ali na porta é Sora, e será seu “amigo realizador de sonhos”.

-- O... Oi – Sora falou meio receoso. Agora, mais do que nunca, estava repensando suas decisões.

-- Sora, este é Roxas – Leon terminou a apresentação.

-- Oi – o rapaz na cama levantou-se, aproximando-se de Leon e tomando-lhe os lençóis. Seus cabelos desgrenhados eram loiros como os raios solares que agora se faziam bastante presentes no quarto. Seus olhos eram tão azuis quanto os de Sora e sua pela de um branco leitoso, mostrando que o outro não era de tomar sol.

-- Algo me diz que vocês se darão muito bem! – Leon falou irônico – O gênio é igualzinho. – como em uma afirmação ao que o moreno alegou, Sora e Roxas o fuzilaram com o olhar. – É, sem dúvidas o gênio é igual. Tenho que fazer umas coisas que meu pai me pediu. Tentem não por fogo no hospital. – se despediu e sumiu porta a fora.

Com a saída de Leon o quarto foi inundado por um silêncio incomodo, mas nenhum dos garotos tinha vontade de rompê-lo.

Os orbes azuis de Sora vasculharam o quarto em busca de distração. No cômodo só havia uma cama, um criado-mudo, duas cadeiras, que serviam para as visitas se sentarem, ao lado da cama e, por fim, uma portinha que dava para o banheiro. No criado-mudo tinha um vaso com rosas, magnificamente, vermelhas. Sora não acreditava que flores tão prefeitas poderiam ser de verdade, mas o aroma não o enganava. Era fraco, mas delicioso. Deveriam ter sido colhidas a pouco, mas o quarto ficara fechado tempo o suficiente para ficar abafado num dia tão ventoso quanto aquele.

Continuou sua inspeção pelo quarto: paredes brancas, piso de cerâmica branca, janela grande de metal pintado também de branco. Não que Sora não gostasse de branco. Mas aquilo já era exagero. Era tanto branco que a televisão preta que estava suspensa na parede chamava muita atenção. Embaixo da TV, também suspenso, tinha um aparelho de DVD. Ambos desligados. Parecia que Roxas estava mesmo dormindo, e não tentando evitá-lo.

Evitar-me? De onde surgiu esse pensamento?!

-- Se quer ver televisão, tem uma no hall de entrada. – a voz irritada do loiro rompeu o silêncio.

-- Na... Não. Eu só estava observando o quarto. – Sora falou meio sem jeito. – É meio sem cor.

-- Nem me fale. Já pedi para pintarem, mas parece que é norma de hospital ser sem graça. – Roxas retorquiu, enquanto sentava na cama. – Sora, não é?

-- Isso – respondeu parado no meio do quarto, sem saber muito bem o que deveria fazer em seguida.

-- Pode sentar aqui, não vou te bater. E além do mais, o controle está longe – sorriu, indicando com a mão onde Sora poderia sentar. Na cama, ao lado do loiro. – Vamos acabar logo com isso, não estou a fim de alugar teu tempo...

-- Bom, então pode começar me dizendo qual é seu sonho. – falou o moreno, enquanto se sentava.

-- Eu estava imaginando mais um: “foi bom te conhecer” seguido por um “se manda do meu quarto”! – o loiro disse, irritado. – To querendo voltar a dormir.

-- Só vai poder dormir quando me falar o seu sonho – Sora falou, cruzando os braços. Já chegou até ali, não iria mais desistir.

-- É o que você pensa... – a voz de Roxas saiu zombeteira e foi cortada pela enfermeira que aparecera na porta para informar que o horário de visitas havia terminado. Nem mesmo os integrantes da ONG “Realizando um sonho” tinham a autorização de ficar após o encerramento do horário de visitas.

Sora se viu obrigado a sair do quarto antes mesmo de saber o sonho de Roxas. Algo lhe dizia que tinha, antes de qualquer coisa, conquistar a confiança do loiro. E era isso que ia fazer. Não era conhecido por desistir das coisas, e não seria agora que iria começar.

Andou pelos corredores do hospital pensativo, sem prestar atenção ao caminho que estava tomando. Sua mente vagava em planos infalíveis para conseguir fazer com que seu mais novo “amigo sonhador” lhe contasse seus segredos. Pena não ser dotado de uma imaginação fértil, pensando apenas em tortura ou chantagem. Se prepare Roxas, pois amanhã estarei aqui de novo. E dessa vez não irei me atrasar!

Notas finais
Bom, lá se foi mais um capítulo.
Peço desculpa por erros de concordancia e gramaticais. Essa é a única fic que eu escrevo direto no computador e enquanto eu digito, fico lendo outras e jogando. Então as vezes eu me perco um pouco na história.
Reviews?! *-*