Notas iniciais
Olá peixinhos ♥3 Sentiram minha falta? Eu sei que demorei. Mas acontece que eu comecei a estudar de noite, minha rotina virou do avesso. E com tanta coisa nova acontecendo, minha inspiração foi pro ralo. Não prometo postar com frequência, mas sim, quando puder. Espero e agradeço a compreensão, Aproveitem. bjoss ♥33

Uma semana se passou desde que Luna se mudou, nós estávamos nos entendendo até. Demorou, mas eu já me acostumei com a insônia e surtos de inspirações que ela tem até as cinco da manhã, que muitas vezes me acordavam junto.

Bom, hoje eu fui novamente acordada a base da minha campainha sendo esmagada. Nota mental: retirar aquela merda, se não, não dormirei mais em paz aos finais de semana. Novamente fui xingando os quatro ventos, e mesmo avisando que já estava indo, a campainha continuou sendo esmagada. Atendi e fui suspendida e esmagada no ar por um vulto colorido. Atrás dele eu vi uma montanha de músculos de roupas sociais um pouco justas.

–Pe...dro... – Disse com o resto de ar que eu tinha.

–Maninha... – Ele esfregou a barba por fazer na minha bochecha. – Que saudade que eu tava de você.

–Vamos Pê, você tá matando a Jú. – Marcos disse colocando a mão no ombro de Pedro.

Pedro me soltou, mas não demorou muito para eu ser novamente esmagada em um abraço, agora de Marcos. Um pouco depois, Pedro chegou pelas minhas costas e se juntou no abraço. Fazer o que? Não nos encontramos com frequência. Finalmente libertada eu percebo que estávamos sendo observados por Luna. Ela estava de pijama com várias carinhas de bichinhos. O cabelo bagunçado, descalça e a cara amaçada. Ela coçava os olhos feito uma criança. Tanto seu rosto quanto sua roupa estavam com respingos de tinta.

–Você deve ser a Luna. – Disse Marcos esticando a mão. – Prazer, Marcos, e este é o nosso irmão, Pedro.

–Prazer. – Disse ela apertando a mão de Marcos e em seguida a de Pedro.

–Tenho que admitir, maninha. – Pedro tinha a mão fechada em punho apoiada no queixo, e olhava Luna de cima a baixo. – Ela é um pitéu. – Ele sinalizou positivamente para mim, sorrindo.

–“Pitéu”? De onde você tirou isso? Do baú do vovô?

–Verdade, quem usa pitéu quando se tem brotinho? – Marcos sorriu largo.

–Chuchuzinho.

–Docinho de coco.

A partir daí eles começaram a desenterrar as gírias da época dos nossos avós. Enquanto eu cobria o rosto com a mão, Luna ria com uma mão cobrindo a boca.

–Gente! – Falei mais alto do que seus elogios. Atraindo os olhares de todos. – Vocês me acordaram puta cedo pra ficar elogiando a Luna? Serio isso?

Os meus irmãos trocaram um rápido olhar entre eles e continuaram a elogia-la. Decidi ir para a cozinha prepara o café, levaria tempo. Ocasionalmente eles me acompanharam e se sentaram na mesa. Só quando Marcos depositou uma pasta na mesa, eu a notei.

–O que é isso, Marcos? – Perguntei apontando pra a pasta, me apoiei no armário.

–Ah! Sim! É o contrato de vocês. – Ele apontou para nós duas.

Enquanto eu preparava o café, Marcos começou a explicar que não tinha muito o que fazer. O maldito contrato era carimbado por um juiz e que para anular ele demoraria mais do que o tempo mínimo que eu e Luna tínhamos que estar casadas. E se uma das duas fosse homem, seria muito bem recebido e visto um filho.

–Café? – Perguntei para todos. Meus irmãos aceitaram, mas Luna preferiu chá. Como ela consegue começar o dia sem café?

– Você tem algum chá? – Perguntou Luna.

–Acho que tenho um aqui. – Comecei procurar no alto, com a ajuda de uma cadeira. – Serve ... hã... chá preto?

– Sim. – Ela deu de ombros. – Mais tarde compro um de camomila.

A ruiva começou a preparar o chá e eu fui sentar.

–Quanto tempo temos para casar? – Perguntei levando o café a boca.

–Um mês. – Marcos e Luna responderam em uníssono. O pouco tempo me fez engasgar.

– Um mês? – Perguntei estupefata.

–Tecnicamente, 23 dias. – Falou Pedro, que estava em silencio até então. – Já que começa a conta a partir do dia em que a Luna vem mora contigo e já passou uma semana e tal..

–Ah! Valeu Maninho. Ajudou muito. — Respondi comum sorriso irônico. – Aliás, não sei nem pra que você veio. Pra que você veio?

–Nem vem com ironia, tá !? Eu vim porque sou eu quem vai organizar as coisas do seu casamento.

–Quem te escolheu, meu querido?

–Eu, meu amor. – Começamos a nos encarar em uma disputa tosca de encarar, mas acabou que eu pisquei primeiro, fazendo Pedro comemorar como uma criança. E eu revirar os olhos.

–Então, — Disse Pedro se ajeitando na banqueta. – Como o tempo está apertado, tudo bem pra vocês duas começarem essa semana ainda?

–Claro, né!?– Luna respondeu atraindo meu olhar para si. Na mesma hora eu senti a nossa comedia romântica está voltando ao sentido normal.

–Sim. – Disse tensa.

–Então – Continuou. – No contrato não tem exigência nenhuma sobre a decoração ou qualquer coisa assim. As únicas exigências são: tem que ser no cartório e tem que ter uma festa gigantesca, com todos os parentes.

–Todos?? – Me levantei em um pulo. – A vóvó vai enfartar quando souber que eu estou noiva de uma mulher, e vai morre sendo obrigada a ir na festa.

–Falando nisso.. – Pedro sorriu amarelo. – A mamãe conto pra vóvó sobre o noivado, e ela quer conhecer a Luna o quanto antes.

Fiquei estática por alguns segundos e então olhei para Luna. Seus olhos verdes estavam mais claros por conta da luz, ela tinha a caneca de chá parado no meio do caminho até a sua boca, aos poucos suas bochechas começaram a ficar rosadas. Ela então me retribuiu o olhar, e então brincou sorrindo.

–Eu sempre fico nervosa quando vou conhecer a família de um ficante. – Meus irmãos explodiram em risadas e eu sorri. Isso não amenizou o peso nos meus ombros.

[***]

Meus irmãos, então, se foram após um tempo. Luna foi para a secada com um caderno e lápis, e eu me joguei no sofá. Na minha cabeça tinha muita coisa rolando, com certeza esse final de semana eu não descansei mentalmente. Liguei a teve afim de espairecer as ideias, ou pelo menos organiza-las.

Depois de mais ou menos quarenta minutos, eu me levantei e olhei para a sacada. Luna estava sentada no muro, ainda desenhando. Me aproximei e sentei ao seu lado, sem cerimonias, olhei o que tanto desenhava. Percebendo que eu estava olhando o seu desenho, ela levanta-o e alinha aos prédios vizinhos.

–Não está terminado ainda. – Comentou.

–Wow... você é muito boa. – Respondi. – Até para um esboço, está perfeito.
Ela sorriu, abaixou o caderno, pousando no colo.

–Obrigada. – Ela me olhou nos olhos. Parecia uma das famosas cenas românticas, se não fosse pelo o meu estomago que roncou feito um porco no cio. – Acho que você está com fome. – Caçoou.

–Nãão... Magina. É só a minha porca no cio. – Ri descendo do muro. – Não está com fome?

–Não tanto quanto você. – Ela desceu e me acompanhou até a cozinha. Em resposta, lhe mostrei a língua.

Comecei a preparar o macarrão, sob a vigilância de Luna e Lana (que por algum motivo também quis me ver cozinhar, coisa que ela já está cansada de fazer). Achando que não estava atenta, Luna discretamente me desenhava. Quando virava para conversar com ela, o seu lápis parava de rabiscar. Sentamos para comer e então Luna me mostrou o desenho. Era eu, obviamente, de vários ângulos. Não só o rosto, mas também, de corpo inteiro. Com e sem coisas nas mãos.

–Você ficou me olhando enquanto cozinhava. – Fingi estar ofendida.

–Eu sou uma artista, — Deu de ombros. – Não consigo me segurar quando vejo algo inspirador.

–Inspirador, sei... Você só está me “elogiando” porque senão eu te expulso daqui. – Serrei os olhos.

– Ah.. saco. – Brincou. – Como você descobriu? Eu estava indo tão bem!

Estufei o peito, apoiei os punhos na cintura e ri como vilão de desenhos animados.

–Você foi fraca, Garota. Deixou vestígios. – Apontei o indicador para ela. Ela fingiu chorar e eu ria como vilão. Até que não aguentamos e desabamos em risadas.

O resto do nosso sábado foi assim, brincadeiras bestas intercalando com conversas profundas sobre tudo em nada ao mesmo tempo, mitos e verdades, eu e ela.

Notas finais
Comentem o///