Notas iniciais
Alô alô marciano - Digo Peixinhos como vão? Demorei eu sei. Mas entre ida e vindas, eu estou de volta. Não sei por quanto tempo e nem sei se fico. ME AMEM NOS COMENTÁRIOS/ PV

"As melhores histórias não começam com "Era uma vez", “Há muito tempo..." ou em um começo de dia normal. Elas começam do nada, no meio de uma ação, quando a merda já está jogada no ventilador.

Não desmerecendo os grandes clássicos, mas eu acho que o autor conquista os leitores nas primeiras linhas, bom, pelo menos aqueles que não leem as orelhas ou capa dos livros. Assim como eu. É só um ou outro que eu leio."

Essas foram as palavras que acarretaram uma longa discussão entre mim e os meus dois melhores amigos. Estávamos em casa, na varanda, discutindo sobre literatura. Regado a vinho, cigarros e lounge music. Era bom relaxar depois de ontem e a discussão com Julia.

—Que cara é essa Lu? — Disse Mariana.

Mariana é uma linda mulata, de dreads com pontas roxas. Nós conhecemos na faculdade de artes e viramos melhores amigas logo nas primeiras frases que trocamos, nós descobrimos éramos opostos complementares. Isso nos permitia saber o que a outra gostava apenas por suposição, se eu gostava de algo era só somar os gostos dela e eu descobriria se ela iria amar também.

—Hã? — Respondi distraída. — Nada, só... Estou prestando a atenção na conversa. — Ela estreitou os olhos me encarando enquanto tragava um pouco do cigarro e afagava a cabeça de Lara.

—Eu sei que não é nada. — falou soltando a fumaça. — Diz ai.

Suspirei e contei sobre a discussão sem pé nem cabeça que eu e Julia tivemos. Meus amigos ficaram quietos até eu terminar, e quando eu terminei Mari deu de ombros e começou a rir me acalmou dizendo que discussão é super normal.

—Que é normal eu sei, mas foi tão... — Gesticulei com a mão esquerda, já que a direita estava segurando a taça de vinho.

—Relaxa... — Disse Matheus. — Vocês logo estão se dando bem.

Matheus é a pessoa mais positiva que eu conheço, diz ele que o segredo é o yoga e a meditação diária, mas eu não sei não. Ele é o típico cara do yoga, magro meio musculoso, cabeludo e com barba rala. Ele sempre vê o lado positivo de algo, não importa o quão terrível fosse a situação. Nós nos conhecemos através de um ex-namorado meu, que é o melhor amigo dele. E desde nosso primeiro encontro, não nos separamos mais, por conta disso, ele acabou conhecendo a Mari e, hoje, eles estão em uma união estável.

Depois de uns minutos, a nossa conversa migrou da minha briga para o meu casamento. E eu lhes contei como nós duas dividimos as tarefas do casamento:

—Eu fiquei com a decoração, os convites, as cores, as mesas e cadeiras. Já que a Julia é péssima com tudo isso. — Dei uma risada lembrando das milhares de vezes que ela não só ressaltou isso como mostrou, ao usar roupas com cores que não combinavam nem um pouco.

—Julia — Continuei — Vai ficar com o DJ, fotógrafos, a playlist e a documentação do cartório.

—E onde vai ser o casório? — Mari perguntou.

—Na chácara da minha família. — Respondi servindo mais vinho.

—E que dia vai ser?

—Ainda estamos vendo... Estamos entre dia 16 e dia 23.

Eles acenaram com a cabeça. Apesar de serem poucas as coisas a se resolver, pareciam muitas, e pior, as coisas que temos divididas acordamos em passar pelo consentimento da outra para então riscar a tarefa da lista. O tempo apertado as vezes me causava certa ansiedade.

Olhei para o céu, já deviam ser mais ou menos 7 — 8 horas, o azul claro se tornava rosa e laranja. Era uma linda visão.

Os dois ficaram até mais ou menos 9 horas. Enquanto esperava a chegada de Julia, recolhi as taças e garrafa de vinho, lavei-as e as deixei no escorredor. Coloquei comida para a Lara, sentei no sofá e liguei a TV.

Estava passando um filme, que muito provavelmente Julia iria amar, se já não tivesse visto. Era uns dos clássicos de ficção cientifica de caras que vivem no espaço e travam guerras, não sei qual e nem a diferença entre eles. Devia estar no meio do filme, mas mesmo que estivesse começando eu não entenderia nada e me entediaria facilmente. O que não é dificil se tratando desses filmes, eu amo filmes de comédia, como... "Meninas Malvadas" ou "A Escolha Perfeita". E esses filmes, eu tenho quase certeza que a Julia ficaria entediada.

—Ah! Eu amo esse filme! — Falando no diabo...

Mirei uma Julia sorridente na porta, seus olhos fixados na TV, brilhando. Seus cabelos estavam presos em um coque frouxo, os óculos escorregavam para a ponta do nariz por conta do suor, por isso, ela empurrava-o de volta ao lugar a cada dois segundos. Ela vestia uma camisa de quadribol com o símbolo da Grifinória, calça jeans preta e tênis também preto.

Ela fechou a porta, jogou a bolsa do lado da porta e sentou ao meu lado no sofá.

—E qual que é? — Perguntei encostando a cabeça no encosto do sofá.

—Star Wars — A ameaça Fantasma. — Respondeu me olhando. — Não sabia que se interessava por Star Wars. — Serrou o Cenho.

—E não me interesso. — Dei de ombros. — Acho chato.

Ela se manteve séria, e aos poucos um sorriso ia se formando até terminar em uma risada fraca.

—Então — Ela levantou do sofá e se virou para mim. — Se você vai ser a minha esposa, eu, Julia Cardoso, me sinto na obrigação de te levar para o lado nerd da força.

Sorri.

—E como pretende fazer isso?

—No final de semana, vamos maratona a franquia que você escolher. — Esticou a mão. — Feito?

—Só se você assistir os meus filmes favoritos também. — Apertei sua mão.

—Filmes favoritos? — Ela tombou a cabeça para o lado, como uma criança confusa.

—Meninas Malvadas, A Proposta, Uma linda mulher... — Comecei a listar e sua cabeça foi para trás em tédio. — Se você não topar, eu não topo.

Ela suspirou, tombou a cabeça para os lados, fez bico. Eu conseguia ver ela vendo os prós e contras, as engrenagens rodando na sua cabeça.

—Tudo bem — Apertou a minha mão mais firmemente.

Ela largou a minha mão pouco depois, se virou e foi indo para o seu quarto. Só quando ela estava no quarto lembrei que ela ja podia dar uma olhada na organização e talvez aprovar.

—Ju — Chamei levantando do sofá e indo na mesma direção que ela foi.

—Oi — Falou através da porta.

—Preciso da sua opinião sobre a organização. — Respondi a porta.

—Ah... Que bom que você me lembrou. — A porta se abriu. Ela tinha trocado de roupa e tirado os óculos. — Separei algumas músicas e eu quero que você veja.

[***]

E lá estávamos nós, ouvindo a pequena playlist que a Julia fez e ela avaliando toda a decoração logo após o banho dela. Eu explicava com desenhos como as peças que foram escolhidas separadamente ficariam juntas. Julia apenas concordava e opinava entre garfadas da sua janta. Ambas aprovaram as escolhas da outra e iniciamos uma pré-lista de convidados, começando com os nossos pais, obviamente, irmãos, tios e tias e primos de primeiro grau.

—E como tá o seu pai? — Perguntou Julia enquanto anotava os nomes.

—Na mesma — Respondi comprimindo os lábios.

—Você já foi visita ele?

—Não desde que me mudei pra cá, estou sem coragem. — Continuei sem mira-la.

Ela segurou a minha mão.

—Eu vou com você, se você quiser. — Olhei para ela e ela tinha um sorriso torto, quase que triste.

Sorri de volta.

—Até porque eu tenho que conhece o meu... "querido" sogrão — Ela fez as aspas com os dedos. E lá se foi a tensão do momento, com a minha risada fraca e sua gargalhada.

Ao fundo, o cara cantava alguma coisa sobre proteger a pessoa amada, perguntando se pode ser a pessoa que ela fala nas histórias dela. Enquanto eu prestava a atenção na música, eu olhava para um ponto fixo no chão, por isso, eu não percebi que a Ju estava com os olhos fixos na playlist com o cenho franzido.

—Meu Deus, que música triste. — Ela comentou novamente com um sorriso torto.

—Eu gostei. Qual o nome? — Olhei o seu celular por cima do seu ombro.

—Can i be him. — Respondeu. — Sério mesmo que você gostou? Você vai querer essa música na nossa festa? — Ela ajeitou os óculos.

—Gostei — Dei de ombro — É bonita.

—Os convidados ao invés de dançarem, vão chorar. — Ela rio.

—Podemos usar como nossa primeira dança.

Ela desviou os olhos dos meus, olhou para baixo. E pensou por alguns segundos.

—É mesmo, temos que ter uma primeira dança... — Ela mirou os meus olhos. E aqui se inicializou uma longa discussão sobre quais músicas seriam melhores, e o quanto essa era muito desanimada e etc.

Enquanto discutíamos, as músicas continuaram a tocar sem que prestássemos a atenção. A discussão só parou pois Julia levantou o dedo e disse que amava a música que começara a tocar. Ela subiu na mesa de centro e começou a rimar com o cantor, a dançar e a interpretar:

—Ela vai te enlouquecer – “Ela já está” pensei – Te mostrar o que é capas – “De me fazer brigar num dia por comida e no dia seguinte rir dela e com ela”. – Te fazer compra uma casa lá em Minas Gerais – “Minas? Será que ela gostaria de morar lá?”.

Pequenas partes me faziam parar pra pensar se ela se isso podia descreve-la, mas outras eu tinha certeza. Como que ela é única, verdade, Julia é a única pessoa que já conseguiu com que eu brigasse por nada e não parasse de falar comigo, já que não é nada mesmo.

—Eu quero essa música na nossa festa e eu não aceito um não como resposta — Disse quando a música acabou.

Rindo eu concordei, eu não a perderia cantando e dançando assim na frente dos convidados nem morta. Ela mirou as horas e se foi dizendo que amanhã tem trabalho, que nem tudo infelizmente era festa. Eu também fui me deitar depois do meu banho, e só quando eu estava relaxando na minha cama eu percebi algo que provavelmente ia me deixar louca.

Notas finais
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