Química
1 O Mal-Cheiro do Teu Caráter
Notas iniciais
Espero que cê goste :)
Era raro, mas havia dias como esse em que Gumball desejava que pudesse matar Marshall.
A personalidade desinibida e sem preocupações de Marshall sempre trazia problemas para Gumball; seja com as garotas com que ele flertava, que depois passavam dias procurando-o no colégio e causando problemas que ele, como presidente do Conselho Estudantil, tinha de consertar.
Ele às vezes também pregava peças nos professores, e era Gumball quem tinha de mentir e falar que não tinha a menor ideia de quem estava fazendo tudo aquilo, mesmo que ele e mais que a metade da escola soubessem exatamente quem era o culpado.
Dessa vez, entretanto, era algo novo.
Ele e Marshall fizeram dupla na aula de Química. A professora tivera a desilusão de acreditar que o melhor aluno da matéria e presidente do Conselho Estudantil, Gumball, conseguiria mantê-lo do jeito que ela queria: quieto e imóvel. Gumball, previsivelmente, falhara.
Quando não estava olhando, Marshall quebrara um frasco de amônia, deixando a classe inteira com um mal cheiro insuportável. E, como foram eles a dupla que fizera a bagunça, eles seriam a dupla a limpar tudo.
Gumball o odiava desde então.
O trabalho era relativamente simples: usar um aspirador de líquidos para tirar a maior parte e usar panos descartáveis. Mas a simplicidade da tarefa não diminuiu o mau humor de Gumball, ainda mais quando ele tinha de deixar um outro pano sobre o nariz para não ficar enjoado com o cheiro.
Ele teria que tomar um banho quando chegasse em casa e se descartar dessas roupas para se livrar do cheiro, mas não estava nada garantido.
Ah, como ele odiava Marshall.
― Olha pelo lado bom ― começou Marshall, depois de terem terminado com o aspirador e não havia mais o barulho ensurdecedor. ― Pelo menos foi só amônia. Não é?
Gumball o ignorou e abriu a despensa da sala de química para procurar os panos descartáveis.
Marshall não se deixou abalar e começou a assobiar.
Deus, ele não calava a boca nunca?
― Para de fazer isso ― falou com os dentes rangendo e se surpreendeu com a rispidez da própria voz. Era assim que era a sua voz quando deixava de falar por um tempo? Estranho.
― Fazer o quê? ― Marshall perguntou como se estivesse cantando.
Gumball jogou a sacola de panos descartáveis na cabeça de Marshall, que não conseguiu pegá-la e quase caiu com ela. ― De agir como se você não tivesse feito nada. Estou preso aqui com você por sua culpa!
― Mas não é como se você não gostasse da minha companhia, não é, príncipe? ― brincou Marshall, mas a verdade de suas palavras deixou Gumball vermelho mesmo assim.
Fazia pouco tempo que o relacionamento dos dois começara, só uns dois, três meses. Nenhum dos dois estava contando, já que nenhum dos dois tinha a paciência para fazê-lo, mas estavam felizes.
Os beijos escondidos nos corredores durante os intervalos, as noites em que voltavam para casa tarde porque estavam na casa do outro, as idas ao cinema em que se encontravam em segredo.
Era bom, não ideal, mas o suficiente.
Afinal, nenhum deles tinha vontade de quebrar o coração de Fionna, a amiga dos dois que estava há anos perdidamente apaixonada por Gumball.
Fez uma careta.
― Não quando você cheira a ovo podre, Marshall. ― Revirou os olhos, pegando um pano e começando a limpar a mesa em que estiveram sentados.
― Podemos tomar um banho juntos depois ― Marshall começou a romantizar, enquanto se agachava para limpar o chão. ― À luz de velas. Velas aromáticas, para disfarçar o cheiro.
― Que estratégia incrível, Marshall ― Gumball ironizou, descartando seu pano e pegando outro para limpar o lugar dos cacos. Cuidadoso para não se cortar, coletou todos e os jogou no lixo. ― Jogar amônia em alguém e tentar conseguir sexo depois requer muita perseverança e idiotice.
Passaram os próximos minutos em silêncio, uma vez que Marshall não tinha uma resposta. Jogaram tudo que utilizaram fora depois e foram para casa. Seguiram juntos pela avenida principal em que a Academia Ooo estava localizada, até que tinham de se separar. Marshall morava sozinho em um apartamento comum na zona oeste da cidade, enquanto Gumball morava numa mansão do centro.
Marshall se virou para Gumball e fez uma cara de cachorro abandonado.
Suspirando, Gumball concordou:
― Como compensação, você fica embaixo hoje.
O rosto de Marshall se animou imediatamente. Sorrindo, agarrou sua mão e arrastou Gumball pela rua, que pela surpresa, quase caiu.
― Sem problemas, príncipe.
Notas finais
:v
Espero que cê tenha gostado ♥
Fale com o autor