Sozinho.

Isolado.

Para sempre.

E nada nem ninguém poderia mudar isso.

Pensava Joaquim consigo mesmo, ou melhor, dizendo só Quim,no bar olhando as pessoas à seu redor todas dançando,comendo,bebendo rindo,se divertindo.E ele só as observando.Não tinha como ele se divertir ali.

Afinal, como ele poderia se divertir como uma pessoa normal?Como ele, um gordinho que só serve para ocupar espaço no mundo poderia ser uma pessoa normal?

Nunca. Ele nunca poderia ser alguém normal, não sabia fazer nada direito, futebol, por exemplo, ele já jogou em quase todas as posições e nenhuma deu certo. Nem mesmo goleiro em que ele só tinha que agarrar a bola quando ela viesse na direção dele. Fala sério!

Quim estava tão absorto em seus pensamentos que nem percebeu sua amiga Mônica que era morena e um pouco dentucinha vindo em sua direção com uma menina morena de cabelos presos.

—Oi Quim!-falou Mônica alegremente para o amigo, ela estava assim faz uma semana já que Cebola havia finalmente a pedido em namoro.

—Hã?!Onde?O quê?Quem?-perguntou Quim assustado olhando para os lados pensando que alguém havia o roubado ou o sequestrado enquanto ele pensava sobre o quão inútil era.

Mônica riu de seu amigo e apresentou garota que estava ao seu lado. -Essa é a Magali, ela é nova na cidade. -explicou para o garoto confuso que estava se perguntando mentalmente como nunca tinha visto ela antes.

Olá!-disse Magali timidamente.

—Oi. -respondeu Quim, simplesmente. E acenou coma cabeça para Cebola que estava atrás de Mônica que retribuiu e depois fechou os olhos da garota lançando a famosa pergunta do “Adivinha quem é”. A garota riu e se virou para o namorado.

—Oi Cê. –falou Mônica.

—Oi Mô, oi Quim, oi Magali. -cumprimentou Cebola.

—Oi Cebola- falaram os dois.

—Mônica, vamos dançar?-perguntou o garoto.

—Ah, agora não posso Cê, estou apresentando a Magali pra turma — respondeu a garota.

—Ah, deixa outra pessoas fazer isso, tipo o Quim. Você está fazendo alguma coisa, Quim?-perguntou Cebola.

—Não. –respondeu.

Então, você se importaria de ficar com a Magali o resto da festa?-perguntou.

Nessa hora, Quim teve uma vontade enorme de dizer que sim, ele se importava, não queria ficar com uma garota que provavelmente era mimada, mandona e chata, mas simplesmente assentiu com a cabeça esperando que logo ela fosse amiga das outras meninas, tipo a Carmem ou a Denise.

—Ótimo, então vamos nessa Mônica. -disse Cebola assim que começou a tocar uma música lenta. E os dois saíram em direção à pista de dança.

Logo que não dava pra ver nem a sombra deles, um silêncio constragendor caiu sobre eles. Então, Quim começou a puxar assunto para não ficarem mais naquela situação o que deixou Magali aliviada.

—Então, onde você morava antes?

—Japão — respondeu a garota.

—Então, você é japonesa? -perguntou. A garota deu uma risadinha e explicou que era brasileira, mas seus pais adoravam viajar então iam para um lugar novo a toda hora e que eles resolveram ficar aqui na cidade natal deles por um tempo e logo iriam embora.

—Ah. E a que lugares você já foi?-perguntou Quim interessado queria saber mais sobre as culturas, roupas e pratos típicos dos outros países.

—Em muitos, nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Egito, Grécia, Itália, África do Sul, China, Alemanha, Argentina... -ia dizendo Magali que foi interrompida por Quinzinho.

—Já esteve em Buenos Aires?-perguntou.

—Já, por quê? –quis saber Magali curiosa.

—Lá realmente tem bois nos ares?-brincou.

A garota riu e bateu no ombro do menino o chamando de bobo, mas de uma maneira carinhosa e não como bullying.

Rapidamente, eles viraram amigos e conversaram sobre vários assuntos. E Quim percebeu que Magali não era tão ruim assim. Na verdade, estava longe de ser mimada, chata e mandona. Ela era meiga, linda e inteligente. E isso tudo o encantava. Quem sabe eles poderiam sair um dia desses?Quem sabe eles não poderiam sair amanhã?Era só pedir. Eles já eram amigos mesmo, se ele pedisse isso, ela acharia que era um encontro de amigos e aceitaria, simples assim. Agora era tudo uma questão de coragem. Só uma questão de coragem. Questão de coragem. Questão de coragem. Isso!Agora ele estava pronto. Iria pedir e ela aceitaria e estariam namorando depois de alguns meses e...

—Ai, Cascão!-riu Magali ao ser abraçada por alguém. Era um menino moreno, forte e meio sujinho.

—Oi gata!-disse e beijou a bochecha dela deixando Quim confuso. O que estava acontecendo ali?Quem era aquele cara?Porque ele a chamou de gata?Ele não estava entendendo mais nada.

—Oi Cas, esse é o Quim, meu novo amigo — apresentou Magali-E Quim, esse é o Cascão, meu namorado.

Namorado. Mas é claro, claro que era seu namorado, afinal como uma garota linda como aquela estaria solteira ou sem pretendentes. Magali era linda inteligente, meiga, maravilhosa, gentil e amável, claro que deveria ter um namorado e se não estivesse porque ela o escolheria quando se tem ao seu lado alguém melhor?Ele foi burro ao achar que ela namoraria com ele. E mais burro ainda por alimentar esperanças que aquilo poderia dar certo.

—Prazer. -falou Cascão sorridente.

—P-prazer-murmurou Quim e vendo que não agüentaria ficar mais ali inventou uma desculpa — Bom, gente, está tarde tenho que ir ajudar meu pai na padaria.

Eles apenas assentiram e começaram a conversar. E Quim foi ao canto mais afastado da festa deixando uma lágrima sair de seu rosto.

Sozinho.

Isolado.

Para sempre.

E nada nem ninguém poderia mudar isso.

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