Notas iniciais
Olá pessoal, mais um capítulo!! Aqui é o Murilo,desejando a todos uma boa leitura!

Alice Dallas

“Na guerra, o amor é a melhor arma.”

Halo- Beyonce

Mary e Machael dormiam, depois daquela manhã cansativa tudo o que restava era apenas descansar o máximo que pudessem até que chegasse a hora de enfrentar o trio novamente. Ela não entendeu o motivo pelo qual foram atacados, e mais ainda como eles sabiam o motivo da vinda deles ao Cairo. Talvez Sebastian tivesse algo a ver com aquilo tudo, ou ele ou um de seus aprendizes. Volúpia talvez.

Ela acariciou a face da irmã, tão nova, e já tão enroscada em assuntos perigosos, seu maior desejo era apenas livrar sua irmã de todos aqueles problemas. O sol tocava gentilmente a face das duas crianças, como se as acariciasse, às vezes a natureza tinha atos mais belos do que os seres humanos.

Seres humanos eram arrogantes, gananciosos, cheios de ódio e inveja, guardando rancor por nada. A natureza é simples, bela e generosa, não se importa em dar o que tem aos que necessitam dela. O ser humano tinha muito a aprender com o planeta Terra. O mesmo planeta que eles destroem e infectam diariamente, ela ouviu certa vez alguém dizer que os seres humanos são a pior praga do universo.

Ela ouviu três batidas na porta e virou-se, Clevence sorria gentilmente para ela, usava o uniforme do Instituto, o qual Alice só usava quando era obrigada:

– Posso entrar?- ela acenou em afirmativo com a cabeça, o garoto entrou e sentou-se na cama ao lado dela- Vim ver como estava.

– Estou bem, apesar de estarmos sob ameaça de morte- ela riu- não sei o que deu neles.

– Acho que só estão com medo, crianças abandonadas tendem a se refugiar dos outros seres humanos.

– Mas isso é diferente, eles sabiam muito bem quem nós éramos e o que estávamos fazendo aqui, não me admiraria que a corja de Sebastian estivesse metida nisso- ela bufou- aquele idiota.

– Nem o conheceu ainda.

– Nem preciso, se a Volúpia que é a cadelinha dele é ruim, ele deve ser mil vezes pior- Clevence riu- e depois de ter visto aquelas Gárgulas não me admira que ele queira nossas cabeças em uma bandeja.

– E você tem medo?- seus olhos azuis brilhantes a focavam a todo segundo sem nem piscar, aquilo era quase que incômodo- De ser morta.

– Tenho medo, mas não por mim, e sim pela Mary- ela acariciou os cabelos da irmã que sorria, provavelmente tendo um sonho bom- ela é nova demais pra ser colocada nesse tipo de situação.

– Mas ela tem você pra protegê-la!

– Mas nem sempre eu vou poder estar ao lado dela- ela disse em um tom melancólico.

– Ela tem habilidades incríveis Alice, vai saber se virar quando chegar a hora.

– A propósito você disse que sabia tudo sobre mim- os olhos castanhos se encontraram com os olhos azuis vívidos do garoto que agora expressavam nervosismo- sabe de tudo mesmo?

– Sei- ele disse receoso.

– Quanto você sabe?

– Tudo, sei que sua mãe te obrigava a matar os seus padrastos pra pegar a herança e assim ser rica, sei que você matou o pai por questão de necessidade e sei também que a polícia colocou a culpa no efeito da “combustão espontânea” simplesmente por não conseguir decifrar o caso. Sei que você cuidou da Mary todos esses anos e tem receio de ser presa e que ela fique sozinha.

– Você sabe muito- ela riu, mas não um sorriso de alegria e sim um sorriso nervoso que ela não costumava esboçar nem mesmo quando viu aquelas gárgulas atacando o Instituto- mas nem tudo isso estava na minha ficha.

– Existem pessoas no Instituto que sabem ler mentes, e não é difícil de ler a mente de um novato. Sem ofensa!

– Então quer dizer que é fácil pra você invadir a minha mente?- ela disse em um tom de desafio.

– Digamos que sim!

– Bom você sabe tudo sobre mim, mas eu não sei nada sobre você, então Clevence, me conte seu passado.

– Tem certeza?

– Sim!

– Fui abandonado quando era apenas um bebê pela minha própria mãe, não sei nada sobre meu pai ou sobre ela, sei apenas que fui adotado por uma família que me deu muito amor e carinho, mas quando eu completei doze anos recebi uma carta de alguém que se dizia ser meu pai e dali por diante comecei a apresentar minhas habilidades, fui parar no Instituto, quase morri na Batalha do Desamparado e estou aqui lutando contra três adolescentes egípcios que querem nos matar. Fim!

– Bem curta não acha?

– Não gosto de detalhes.

– E o seu poder de ilusão?

– Ainda estou aperfeiçoando.

– Então teste em mim.

– Mas eu...

– Não tenha medo, eu tenho a mente fraca lembra?

– Você é muito sarcástica.

– Anda logo!

O garoto olhou fixamente em seus olhos, o azul brilhante de seus olhos tornava-se mais claro a cada segundo e Alice sentia tudo girar. Em pouco tempo estava em um jardim colorido, flores de todos os tipos e tamanhos se espalhavam naquele mar de grama, borboletas raríssimas sobrevoavam sobre as flores e o perfume era o manjar dos deuses para o seu olfato.

Abelhas, joaninhas e formigas completavam a fauna bela e colorida do jardim, o vento tocava-lhe a face e a luz do sol parecia massagear todo o seu corpo, ela estava sentindo a grama, sentia a brisa suave e podia ver tudo aquilo, parecia até irreal. Clevence sorria para ela, ela estava dentro da mente dele, sabia que tudo aquilo era uma simples ilusão, mas era tudo muito real.

Após alguns poucos minutos apreciando aquela beleza, as flores e os insetos pouco a pouco foram se dissipando, até que ela viu-se de volta ao quarto amarelo e silencioso do Instituto do Cairo.

– Nossa, isso foi...

– Incrível?- ele sorriu gentilmente- Ainda estou aperfeiçoando essa habilidade.

– Se isso foi apenas um teste me chame quando conseguir controla-la. Parecia que eu estava mesmo lá.

– A mente às vezes nos prega peças, bastou dizer a ela que você estava lá e automaticamente ela criou a imagem do jardim.

– Deve ser maravilhoso ter habilidades assim.

– E é, principalmente quando tenho motivos pra criar uma imagem tão linda.

– Isso foi uma cantada senhor Clevence Menethil?- ela olhou-o de cima a baixo, encontrando novamente seus olhos azuis vívidos, dessa vez ela sentiu um estranho arrepio.

– Talvez!

° ° °

Dollynalva Scrithzer

“O tempo deixa perguntas, traz respostas, esclarece dúvidas, mas, acima de tudo, o tempo traz verdades.”

Alice- Avril Lavigne

Ela nunca viu Dagda tão zangado, até mesmo Ava que sempre fora gentil e calma esbanjava ódio. Era como se eles estivessem emanando uma aura que dizia; “Perigo”. Dolly também tinha raiva daqueles jovens, jovens maus que queriam maltratá-los, e ela não deixaria Ava e Dagda, sua única família, ser maltratada por estranhos.

Durante todo o momento em que percebeu que eles estavam com raiva, manteve-se calada, o que ela menos queria era que suas palavras fossem as faíscas de uma bomba que estava prestes a explodir, preferiu deixar tudo há seu tempo e esperar que eles resolvessem o que fazer com aqueles estranhos.

Desde a chegada da mulher de preto, eles se mudaram para uma casa de verdade. Era uma casa simples, mas, no entanto cheia de alegria e esperança. Por enquanto tinha poucos móveis, mas a mulher de preto garantiu que depois que eliminassem os americanos, poderiam ter tudo o que quisessem.

Mas para ela, aquela casa, um quarto próprio e uma família, já estavam de bom tamanho. Dagda garantiu que quando recebessem o dinheiro a colocariam na escola, usariam a desculpa de que tinham de morar sozinhos por que os pais trabalhavam muito e a mulher de preto era a mãe deles.

Dolly não sabia mentir muito bem, mas confiava neles, as pessoas que a tiraram da sarjeta e da amargura, as pessoas que deram a ela, amor e carinho. As pessoas que mereciam tudo do bom e do melhor.

Enquanto fingia que lia um livro o qual ela nem sequer sabia o título espiava Dagda pelo canto dos olhos. Estava quieto e silencioso, ele sempre fora o mais calado do trio, mas parecia estar mais silencioso que o normal, tinha uma expressão séria no rosto e era como se seus olhos mostrassem o ódio que estava sentindo. Ele sempre agira como um pai, tomando decisões, protegendo as duas e sempre se responsabilizando.

Dolly o admirava, porque ela o considerava não como um irmão, mais como um pai mesmo, ele era o exemplo de super-herói para ela. Ava chegou na sala, sentando-se ao lado de Dagda, ela beijou o rosto dele, que esboçou um leve sorriso. Ela sussurrou algo em seu ouvido que o acalmou e Dolly percebeu que a expressão de ódio sumiu por uns poucos minutos.

Ava era como uma mãe, doce e delicada, sempre disposta a ajudar os outros, a dar conselhos e a cuidar das tarefas domésticas, também era a personificação da vaidade, ensinando a Dolly truques de moda e maquiagem e também a arte de como hipnotizas as pessoas, ela era o exemplo feminino para Dolly e tinha uma relação um tanto conturbada com Dagda, embora eles agissem como irmãos, Dolly sabia que eles eram mais do que isso.

E por fim tinha a ela, a inocente e doce Dolly, que admirava aqueles dois adolescentes que lhe serviam de pais e a protegiam nos tempos difíceis, apesar de toda a dificuldade pela qual elas haviam passado, eram uma família feliz. E se os americanos queriam estragar sua felicidade, teriam de se ver com ela.

° ° °

Kjirsten Milani

“ Da vida não quero muito, quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que vali, e perdi apenas o que no fundo, nunca foi meu.”

Complicated-Avril Lavigne

O próximo voo sairia a poucos minutos, em breve ela estaria a apenas um passo de concretizar aquilo pelo qual ela havia lutado desde que fugiu do Instituto, não sabia se encontraria alguém lá disposto a ajuda-la, mesmo que não encontrasse não faria a mínima diferença, iria sentir o sangue quente de Sebastian derramar por suas mãos, sentiria o gosto daquele sangue, e sentiria o medo dele.

Pela Tv do aeroporto ela pode assistir a notícia de um assassinato, um homem fora encontrado carbonizado em um beco escuro e não muito convidativo, ela sabia muito bem que o assassino fora ela mesma. Ainda sentia o gosto metálico do sangue daquele homem em suas papilas gustativas, ainda sentia o cheiro do medo dele, e ainda guardava em sua mente a visão daquele homem sendo cremado até não restar nada além de um corpo enegrecido e sem possibilidade de identificação.

A vingança já tramou uma armadilha para ela, Kjirsten sabia que tinha se tornado um demônio insaciável, com sede por vingança, sede de sangue, uma sede que nunca saciaria mesmo depois da morte de Sebastian, ela ainda continuaria com a mesma sede e sabia disso, não se importava se estava ou não com visita marcada a Lúcifer quando morresse, mas se ela tivesse de ir para o quinto círculo dos infernos, levaria junto a ela seu maior inimigo, não só ele, mas todos os que se opusessem a seu caminho.

Fosse amigo ou não, quem tentasse impedi-la teria um encontro com o céu ou o inferno, ou qualquer outro lugar para onde as almas sejam transportadas. E enquanto fazia o check in no aeroporto, imaginava todas as mil possibilidades de se matar Sebastian. Ela ria sadicamente, mas ninguém se importou, a assistente apenas sorria, achando que ela tinha ganhado alguma promoção e que estava contente com isso.

Mas no fundo daquela risada macabra havia um monstro preso, pronto pra ser libertado. A ruiva terminou seu check in e começou a passear pelo aeroporto, ainda teria alguns minutos antes de embarcar no avião, se despedia mentalmente dos Estados Unidos, daquela terra que havia lhe dado dor, sofrimento e que de brinde, a havia transformando em uma assassina.

Mas Kjirsten não podia ignorar o fato de que havia gostado daquela sensação, de sentir o gosto do sangue de outra pessoa, de sentir a cor dos olhos se dissipar enquanto a alma da pessoa deixava o seu corpo, e se fosse necessário faria aquilo mil vezes mais, mas não por obrigação e sim por gosto.

Notas finais
#Clevice Espero que tenham gostado!! Tenham todos uma boa noite, bom dia ou boa tarde- depende da hora em que lerem! Até o próximo!