Q.I.- Fanfic Interativa

17 O Encontro do Pégaso Escarlate - Parte Dois


Notas iniciais
Desculpe a demora e o tamanho (comparado ao anterior), mas o próximo será maior. Minhas aulas começaram hoje e foi bem deprimente... Enfim, boa leitura!

O Encontro do Pégaso Escarlate – Parte Dois

“A gente, depois de muito chorar e lastimar-se, sente apetite de beijar e abraçar alguém; queremos crer que é na adversidade que se fortalecem mais os corações, e se corroboram os afetos” – Aluísio Azevedo

Brandon Samartin

David Guetta – She Wolf

O sabor do amargo na língua enquanto via de longe o corpo de Joe, era detestável. Seu maior desejo era poder lhe ajudar, de alguma forma, porém até mesmo Anya parecia á ter percebido o que tinha acontecido. Joe, um rapaz ainda jovem e muito gentil, morreu. Do lado de fora o Sol arrombava a escuridão dentro do carro, tornado tudo muito avermelhado, como fogo. Não estava caloroso, entretanto. Com receio, ele virou o rosto para Anya que encarava fixamente a menina de cabelos brancos, elas pareciam estar se comunicando através dos olhos e às vezes Anya dizia alguma coisa em voz alta que Bran não conseguia entender.

– Eu vou – disse por fim, abrindo a porta ao seu lado, que não tinha sofrido muito com o impacto. O menino das sobrancelhas engraçadas segurou seu braço fortemente.

– Cuidado – ele pediu, soltando-a. Se Brandon tivesse estar no lugar daquele garoto, jamais deixaria que a menina saísse. Porém eles eram experientes, Brandon era apenas um menino de quatorze anos.

A menina se aventurou lá fora, na neve, e depois de alguns minutos de espera cansativa, enfiou a cabeça novamente para dentro do carro e disse com calma.

– É um pégaso. – e com isso saiu de novo.

O primeiro a reagir foi o menino das sobrancelhas, pulando o bando e saindo para ver que tipo de pégaso teria tirado um carro da estrada. Logo em seguida Anya se levantou, e pulou do carro, fazendo o peito de Bran se acelerar. O que aquela menina estava pensando em fazer? Foi atrás dela sem pensar duas vezes.

O céu da Rússia estava congelado, num cinza quase palpável. A vegetação taiga se estendia por toda a borda da estrada, do lado em que eles tinham virado. A mureta de proteção estava quebrada onde o carro virara e flocos de neve caíam, fazendo com que seus cabelos ficassem brancos. Anya estava dando pequenos gritinhos de excitação enquanto passava a mão no focinho de um cavalo grande e forte, de cor vermelha-sangue e asas duas vezes maiores que seu corpo. As asas estavam dobradas nas costas, deixando-o no chão. Gloss acariciava lombo do animal, enquanto o menino das sobrancelhas somente observava de longe.

– Pare de chamá-lo de menino das sobrancelhas – Gloss de repente se voltou para Brandon, assustando-o – O nome dele é Edgar e o meu é Gloss.

Mas ela não tinha nem virado o rosto em sua direção. Nem piscado. Nem movido os lábios. Era como se aquela voz monótona estivesse falando em sua mente. Em sua mente... Ele piscou os olhos várias vezes, até que se recuperou. Quando já estava mais calmo, o pégaso avançou sobre Anya.

Ele usou o focinho para atingir a menina na cabeça, que caiu desmaiada. Gloss o montou rapidamente, segurando sua crina vermelha e o puxando para trás, mesmo assim ele não se moveu. Edgar se preparou para investir contra o animal, mas ele só tinha as mãos e as luvas para atacar. Se abaixou e pegou um punhado de neve. A apertou até que virasse uma bola e acertou o olho do pégaso, chamando sua atenção. Sem mais nem menos, começou a correr, levando o pégaso atrás de si e junto sua colega Gloss. Brandon se apressou em ir ver como Anya estava. Seu coração já tinha virado chumbo. Se ajoelhou ao lado do corpo pequeno da menina e a segurou com mãos trêmulas. Não queria perder mais um de sua família, não... Anya era a única pessoa que agora lhe restava, ela não podia deixá-lo... Com hesitação, aproximou o ouvido do peito da menina para ouvir suas batidas, mas levou um susto quando percebeu que batia bem mais rápido do que o comum. Logo explodiria.

Anya se contorceu, jogando Bran para trás. Suas mãozinhas pareciam estar queimando, pois ela tentava enterrá-las na neve, enquanto sua cabeça chacoalhava e ela se agachava. Logo seus finos e louros cabelos estavam batendo no final das costas, suas roupas se rasgavam enquanto seu corpo se alongava. Seus ossos apareciam, expandindo-se e quase perfurando a pele da menina, mas pele também esticou. Os seios tomaram forma, enquanto tentavam se livrar do casaco que ela vestia. As pernas se alongaram, engrossaram, seu quadril também. A cintura alargou e então afinou rapidamente, ficando proporcional ao corpo. Seus cabelos longos lhe cobriam as partes nuas do corpo, enquanto o resto dos retalhos do vestido lhe cobriam o resto. Então ela caiu na neve, contorcendo-se de frio e com o nariz e ponta dos dedos vermelhos. Sua pele ficava pálida enquanto uma leve camada de neve se juntava em seus ombros e pernas. Brandon rapidamente abriu o zíper da jaqueta e entregou para Anya, ficando com o casaco e a blusa de lã. Ela tateou o tecido, colocando as mangas e fechando a roupa, abraçando-se. Continuava com frio, porém agora estava mais aquecida. Abriu os olhos, revelando aquele azul tão vívido e cristalino, arrepiando a espinha de Bran.

– Você está bem?

Ela gaguejou um sim com dificuldade. Se jogou para frente, tentando alcançá-lo. Com demora, Brandon entendeu o que ela queria e se apressou em lhe dar seu colo, para que ela se aninhasse e dormisse.

– Você está grandinha demais para isso – ele brincou, enquanto sentia o peso de Anya nas pernas. Alguns minutos arás, ela dormia dentro de seu casaco e ele mal a sentia, agora era quase impossível que se sentasse em suas pernas. Anya estava maior que ele. E linda, muito linda.

– Dezessete – ela sussurrou perto de seu pescoço, fazendo com que o hálito quente o arrepiasse por inteiro.

– Dezessete anos?

– Sim – ela olhou para Bran, encarando-o nos olhos. – Estou com frio, idiota.

– Ah, claro – ele a abraçou com os braços tremendo. Ele nunca tinha abraçado uma garota mais velha. Na verdade nunca tinha abraçado uma menina que não fosse sua irmã ou Anya. E agora estava abraçando Anya, mas de uma forma diferente. Não podia mentir, ele não era de ferro, estava excitado com sua experiência.

Ela se aconchegou pertinho de seu pescoço, abraçando-o de volta, com uma força que ele não esperava. Além de ser mais pesada, Anya também estava mais forte. Ela então o abraçou ainda mais forte, enquanto a jaqueta de Bran escorregava por entre suas mãos. Quando olhou para ela novamente, estava muito pequena e os cabelos ainda nos ombros. Ele piscou os olhos, encantado. Ela agora parecia ter sete ou oito anos.

– Nove – ela olhou para o próprio corpo e depois ergueu a cabeça. – O que foi isso?

– Você diminuiu. Quer dizer, voltou na idade. – ele então tocou seus cabelos, ainda admirado – Você pode, além de crescer, voltar? Meu Deus, Anya, isso é incrível! – ele a pegou pelos ombros – Pode fazer comigo também? Me levar direto para os dezoito anos?

Ela piscou os olhos, enquanto se livrava das mãos dele.

– Eu não vou fazer nada, Bran. – e se levantou, enquanto arrumava o vestido de dois anos numa saia. Virou-se. – Onde estão os americanos?

– Não sei – Bran também se levantou, limpando a neve com as mãos. Olhou em volta, mas as únicas coisas que via era a neve e o inverno da Rússia. Voltou os olhos para Anya, mas não a encontrou mais. O desespero bateu em seu peito e ele se viu gritando o nome da menina por todos os lados, em vão.

º º º

Edgar Lewis

Kodaline — High Hopes

Edgar começou a se sentir realmente ameaçado quando não conseguia mais ver e diferenciar uma árvore da outra. Gloss se agarrava a crina do pégaso vermelho, enquanto ele voava para mais alto. Edgar se grudou em sua cintura, tentando não cair. As asas do animal impediam que suas pernas se fixassem na barriga dele e assim ficou vulnerável. Quando o pégaso investiu para baixo, ele se viu gritando enquanto sua calma e paciência se transformavam em adrenalina e medo. Puro terror. A neve ficava mais próxima, o vento frio o congelava. Gloss também estava gritando, então se sentiu menos vulnerável.

Ele investiu contra uma menina de oito anos na rua, que estava olhando distraidamente para o outro lado. Edgar nunca a tinha visto e não soube porque o pégaso abocanhou a jaqueta da garota, mas ela foi levantada do chão e praticamente voou junto com eles, saindo de vista. Edgar sentiu novamente que estavam subindo e um arrepio passou por sua barriga. Ele fechou os olhos fortemente, agarrando ainda mais Gloss, que se agarrava ainda mais ao pégaso.

A viajem que fizeram não foi das mais agradáveis, ainda mais com os gritos afobados da menina loura e suas pernas o tempo todo escorregando. Algumas vezes pensou que iria cair, mas logo se recuperou. O céu estava escurecendo estava ainda mais frio quando finalmente pararam de voar. O pégaso pousou no telhado de um hotel de luxo no centro de alguma cidade grande. Luzes e holofotes piscavam em neon e cegavam os olhos de Edgar. Ele escorregou para longe do cavalo alado, enquanto sentia as pernas fracas e bambas. Quando alcançou a firmeza do chão, se apoiou, sentindo que Gloss se apoiava em seu ombro para descer também. O pégaso soltou a menininha, que agora estava totalmente pálida e vermelha como um pimentão. Edgar se apressou em tirar seu casaco para dar a ela, mas quando tocou a pele da garota, sentiu a mão queimar. Ela estava fervendo em febre. Piscou os olhos, atormentado, até que a menina abrisse os olhos e sua cor voltasse ao normal.

– Ela pode controlar a temperatura do corpo – Gloss disse em voz baixa, sem se enrolar, chamando a atenção de Edgar. Ele a encarou, enquanto recolocava o casaco – Devemos estar em-em-em-m... – ela tocou a garganta, ficando vermelha e irritada, depois de um tempo continuou – em alguma cidade grande na Rússia.

– Novidade – Edgar sorriu, irônico.

A menininha se agarrou a perna de Gloss, escondendo seu rosto nela e se protegendo de algum mal que estivesse em volta. Edgar não entendeu até ouvir a voz que fez seu sangue gelar. O mesmo som metálico e áspero, como se a pessoa não bebesse água fazia anos.

– Bem vinda de volta, Anya... – Edgar sentiu novamente o poder da batalha, o som de arma tilintando nos estábulos, os cavalos agitados, os feridos chegando cada vez em ondas maiores... A batalha sendo perdida a cada hora... A Batalha do Desamparado. A Batalha que destruiu o Instituto Dórean Mind.

Notas finais
A foto da Anya do capítulo passado: http://ext.pimg.tw/joster091886/1313241082-f8c69400fbd82168d6732a787944436d.jpg Espero que tenham gostado ^.^