Q.I.- Fanfic Interativa
8 Cama de Gato - A Revolta de Um Vira-Lata
Notas iniciais
Khaos Kayser Sagara
“O amor e a morte vencem o mais forte”
InuXBoku OP — Nirvana (Não me perguntem porque essa música, quando estava pensando em qual colocar me veio essa na cabela >.< E eu simplesmente amo ela)
Coçou os olhos, tinha dormido novamente. Parecia que estudar simplesmente não era possível para ele e os exames estavam chegando, logo teriam as provas para testas as habilidades e descobrir se houve algum avanço ou não. Desde seu primeiro teste a atividade de Khaos se elevou em 30%, o que foi muito elogiado, sendo que só tinha dois anos de casa. Ouviu alguém bater-lhe a porta. Deveria ser a professora particular que ele tinha pedido. Passou as mãos pelos cabelos e se olhou no espelho no guarda-roupa uma última vez antes de ir atender. Não podia aparecer de qualquer jeito perante uma dama.
– Gloss? – questionou quando encontrou a menina segurando um punhado de livros – Ah, deixe-me carregar para você. Entre. – pegou os livros da mão dela e lhe deu passagem. Sem nem mesmo levantar o olhar para ele, ela entrou.
Com dificuldade, Khaos fechou a porta e então despejou os livros sobre a cama. Gloss quase voou em seu pescoço nesse momento.
– Cuidado – sibilou – São preciosos.
– Claro, me desculpe, não sou muito chegado em livros didáticos – ele empilhou-os com delicadeza, embora mal-humorado. Nunca tinha ficado muito tempo perto de Gloss, e na verdade ela lhe dava arrepios. O jeito como seus olhos estavam num tom lilás fantasmagórico e a franja sempre cortada reta enquanto o resto do cabelo branco se prendia num rabo de cavalo. Ela tinha os lábios cheios de cicatrizes e feridas, Gloss era conhecida por estar sempre mordendo os lábios, até que eles soltassem sangue. Era como se ela gostasse deste sabor e Khaos não podia culpá-la, o sangue sempre o agradou, por isso tinham algo em comum. Sentou-se com as pernas cruzadas diante da mesa de centro. Olhou para cima, para ela.
Vestida com o uniforme feminino do Instituto, Gloss mantinha os ombros eretos e a postura, parecia uma princesa prendada, embora fosse mais parecida com um fantasma de rosto. Suas roupas também não sugeriam nada, a saia estava abaixo dos joelhos, o que eram incomum já que as próprias meninas do Instituto cortavam as saias para deixarem acima dos joelhos, numa forma de se mostrarem e também mostrarem sua juventude. A saia era preta, em contraste com a camiseta vermelha de colarinho branco. As mangas tinham desenhos de flores pretas e os sapatos eram sapatilhas vermelhas. A meia que ela usava chegava até os joelhos, diferente das outras meninas que usavam meias mais curtas para deixarem maior parte de pele a mostra. Gloss era diferente, ela odiava mostrar sua pele branca como cadáver. Ela tirou a camiseta vermelha, ficando somente com a camisa de botão branca. Era típico usarem camisas de botão, principalmente as brancas.
Seus cílios longos e brancos impediam-no de ver seus olhos lilases. Ela se sentou, passando a mão pela saia e alisando-a. depois alisou a camiseta e então colocou os cotovelos brancos sobre a mesa. Fixou os olhos nos braços de Khaos. Gloss evitava de todos os modos olhar nos olhos de outra pessoa, assim ela fixava-se normalmente no resto do corpo. Nunca ninguém recebeu uma encarada direta dela.
– Então, você veio me ajudar a estudar? Pensei que viria alguém mais... Experiente. Um professor, talvez.
– Ocupados – ela disse, simples. Sua voz era fraca, mas rouca e isso a tornava quase como uma canção de rock pesado ou então de rock bem leve. Khaos gostava disso, dessa rouquidão. – Minha memória é boa para essas coisas. – pegou um dos livros didádicos empilhados na cama e o colocou aberto em uma página aleatória. Levantou os olhos para a lâmpada do quarto e começou – “As partes do cérebro de um Ausgebiltede é dividido em várias categorias, sendo elas responsáveis pelos movimentos ou pelo raciocínio. São chamadas de...
– Certo, eu entendi – ele tentou cortá-la – Você decorou os livros, todos.
– Sim – ela abaixou os olhos, voltando a encarar os braços de Khaos. — Entendeu?
– Entendi o quê?
– As partes do cérebro de um Ausgebil...
– Eu entendi, entendi! – ele afirmou, quase desesperado – Mas você só vai dizer e eu vou ficar ouvindo, sentado?
Gloss se inclinou, pegando outro caderno. Esse era de folhas para serem escritas. Jogou-o no colo de Khaos. Ele encarou o caderno e então ergueu a cabeça. Ela estava encarando seus braços. Por fim ele soltou um suspiro entediado.
– Abra. – ela exigiu.
Khaos estava prestes a abrir o caderno quando ouviu algumas batidas na porta.
– Kha-os-kun! – a voz fina e infantil cantou – Abra a porta, Khaos-Nyan!
Khaos sorriu.
– Pode entrar. – gritou, enquanto fechava o carderno. Gloss encarou o caderno em suas mãos, decepcionada.
A menina abriu a porta e saltou para dentro do quarto, lançando-se em direção ao colo de Khaos, que a pegou gentilmente com um sorriso nos lábios. A menina, de longos cabelos num tom alegre de rosa claro, tinha uma tiara com orelhas da mesma cor dos cabelos, o par de olhos era heterocrômico, enquanto um deles era verde e o outro azul.
A garota de longos cabelos rosa se levantou e então olhou ao redor do quarto, percebendo a presença de Gloss. A menina de cabelos brancos se limitou a encarar as orelhas de Catherine. Cat ruborizou instantaneamente. Khaos notou pela primeira vez que ela estava usando apenas a camiseta de botão branca do uniforme, nada mais. Nem saia, nem agasalho, nem meias ou lingerie. Somente a camiseta.
– Traição! – ela gritou com a voz aguda – Você me traiu, Khaos-Kun! Traiu-me com essa raça pura! Pensei que tinha dito não se importar com vira-latas como eu!
– M-Mas eu não me importo – Khaos se levantou, tentando agarrar o pulso de Cat, porém a menina se desvencilhou facilmente.
– Está tudo acabado entre nós, Khaos! Tudo! Não sou mais sua! – ela soluçou, limpando os olhos que se inundavam de lágrimas. Lágrimas de verdade. – Eu deveria saber que enquanto está sozinho vive pulando a cerca! Nyan, como eu pude ser tão cega?

Khaos gritou para Cat esperar, porém a menina já tinha saído correndo pela porta, sem se importar com a blusa de botão que subia as pernas nuas. Ele então girou nos calcanhares, olhando na direção de Gloss, em busca de apoio. Recebeu apenas um sorriso, ou o que ele pensou ser um sorriso.

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