Q.I.- Fanfic Interativa
43 A Tumba
Notas iniciais
A Tumba
Tabitha Nakamura
“O silêncio é a melhor resposta.”
– E o que tem de tão assustador pra nos falar?- perguntou Isabel, visivelmente nervosa.
– Simples! Seremos atacados a qualquer momento pelas forças de Sebastian, e precisamos estar preparados para qualquer coisa.
– E por que seremos atacados? Eles parecem tão concentrados em descobrir a origem do livro- disse Clevence- acho que não se dariam ao luxo de mandar seus soldados pra atacar um bando de adolescentes... A menos que tenham um motivo muito forte pra isso.
– E infelizmente eles têm! O livro está aqui no Egito!
– Como?- gritou Clevence- mas os estudos diziam que ele devia estar na Europa ou na Ásia, e não aqui na África.
– Simples, os caras que fizeram os livros enganaram-se! Eu sei que eles falam que existia uma grande possibilidade de ele estar na Europa, ou na Ásia, mas eles nunca confirmaram este fato. Eles acreditavam que o livro poderia estar na Rússia, pois o frio iria conservá-lo, ou no Vietnã, escondido em alguma cripta secreta, mas eles esqueceram-se de uma coisa.
– E o que foi que eles esqueceram?- perguntou Alice.
– Simples. Como vocês sabem, o povo hebreu foi segundo a Bíblia, o “povo escolhido”, e como eram um povo obediente, Deus deu a eles de presente o Livro, onde estavam escritos as curas para todos os males da humanidade. No entanto, os hebreus caíram nas mãos dos egípcios, e aconteceu toda aquela história de escravidão que vocês já conhecem.
O senhor Gullar apertou um pequeno botão em um controle remoto, e o projetor foi ligado, mostrando as imagens de uma pequena tumba, escondida no meio do deserto. Dentro da tumba, além de um sarcófago muito extravagante, havia uma pequena caixa dourada, cheia de hieróglifos que pareciam querer transmitir alguma espécie de código, tudo lá dentro estava impecavelmente limpo e arrumado, o que era estranho, pois o tempo se encarregava de encher tudo de poeira, aranhas e escorpiões.
– Para os estudiosos, os hebreus teriam levado o livro consigo ao saírem do Egito. Mas na passagem do Mar Vermelho, o livro foi perdido, e mais tarde encontrado por um dos servos do faraó. E desde então o livro tem estado no Egito, escondido na tumba do servo que o encontrou em um lugar longínquo do deserto. Um amigo meu que é arqueólogo, conseguiu encontra-lo e me enviou essas fotos.
– E onde o seu amigo está agora?
– Ele foi assassinado, provavelmente pelos servos de Sebastian, fizeram parecer que foi um assalto, mas eu desconfio muito disso.
– E o livro?
– Ele continua escondido na tumba, o problema que o meu amigo não conseguiu me enviar as coordenadas da localização da tumba, tudo o que sabemos é que ela fica junto de um oásis de águas claras.
– Existem inúmeros oásis no Egito- protestou Alice- como vamos encontrar um deles?
– Bom, segundo o meu amigo, o livro fez com que a vida se proliferasse no local, ou seja, deve haver plantas e animais de diversos tipos junto a tumba.
– Então isso reduz nossas buscas, aos oásis que contenham mais vida junto a si, acho que podemos descartar mais da metade.
– O problema, é que Sebastian também sabe disso, por isso ele convocou aqueles três jovens, eles querem que nós sejamos destruídos para que ele esteja livre para procurar essa tumba.
– Então resumindo, estamos em perigo?- perguntou Isabel.
– Sim! E precisamos nos preparar, antes que seja tarde.
° ° °
Rebecca Kieran
“Existe um fenômeno sem explicação e sem propósito, que iguala tudo que é vivo em um só rebanho de condenados, por que tudo que é vivo... morre!”
A ferida em suas costas estava quase sarada, ela tinha sorte de estar viva naquele momento. Sorte da faca não ter atingido nenhum ponto fatal. Sorte de poder ver a luz do sol brilhar novamente. Ela sentou-se na cama, agora já não sentia mais dores, apenas umas leves pinicadas na ferida, que eram apenas incômodas. Mas se ela conseguiu suportar uma dor intensa por todos aqueles dias, poderia suportar um simples incômodo.
Colocou os pés no chão, sentindo a madeira gélida eriçar os pelos de sua nuca. Com um pouco de dificuldade conseguiu colocar-se de pé, e deu alguns passos a frente para tentar recuperar o equilíbrio- passar todo aquele tempo em cima de uma cama havia deixado suas pernas um tanto fracas- com alguns passos a mais já conseguia andar normalmente.
Um silêncio reinava, onde estariam os outros? Será que teriam abandonado ela ali? Não, com toda certeza deviam estar lá embaixo fazendo alguma coisa, ela não sabia mais quantos dias estava em cima de uma cama, sabia apenas que tinha ficado em coma por três dias, e já não sabia mais distinguir o tempo que passava voando. Ela abriu a porta do quarto lentamente, desceu as escadas em direção a sala. Como ela previra estavam todos reunidos.
Ela pigarreou fazendo com que todos olhassem para ela- visivelmente chocados- Madame Gláucia espantou-se, ninguém nunca tinha escapado de uma lâmina das trevas. A mulher correu até ela para ampará-la e exclamou:
– Céus! Pelo visto você conseguiu se recuperar- ela sorriu- ninguém nunca sobreviveu a uma lâmina das trevas, e você além de sobreviver voltou a andar. Seu metabolismo e seu sistema imunológico devem funcionar muito bem.
– É, acho que eu não morro nunca mais.
– Venha, sente-se, vou buscar alguma coisa pra você comer!
Madame Gláucia sentou-a em uma das poltronas que havia na sala, todos os outros jovens do Instituto estavam ali, com exceção de alguns que deviam ter saído ou algo do tipo. Havia uma jovem asiática que estavam fazendo uma dobradura, sem prestar atenção em mais nada. Duas gêmeas também asiáticas que a olhavam curiosas. E Alex, ela sabia que os outros deviam estar dormindo em algum lugar, afinal pela claridade devia ser muito cedo.
Alex sorriu para ela, haviam se tornado amigos, afinal era ele quem levava comida, água, cobertores para sua cama. Era ele que colocava pomada na ferida horrível em suas costas, e todo excesso de cuidados fez com que ambos se aproximassem. Ele deu uns passos até ela e perguntou:
– Então, sua recuperação foi bem rápida.
– Quantos dias eu fiquei em cima da cama?
– Bom, você ficou três dias em coma, e mais quatro em recuperação. Uma semana!
– Uma semana? O que eu perdi?
– Nada de especial, apenas que a polícia está investigando o incêndio do Instituto e uma assassina em série que anda assombrando a Rússia nada demais.
– Assassina em série?
– É, parece que ela carboniza os corpos das pessoas, mas nada de especial. Afinal, quantos assassinos não existem por aí não é?
– É mesmo... Quantos!- ela suspirou, afinal quase foi morta por um assassino, mas se ela o visse de novo, ele é que seria morto, e não teria a mesma sorte que ela.
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