Notas iniciais
Um trio perigoso... mas que eu amo de todo o meu coração!

Dollynalva Schritzer

“Aproveite o hoje, porque o ontem já passou e o amanhã pode não chegar.”

Elastic Heart- Sia

Ela ficou de guarda na porta da loja olhando para os dois pontos da rua se certificando de que nenhuma autoridade passaria por perto. Ela olhou pela vitrine da venda, viu que Ava ludibriava o vendedor enquanto Dagda colocava tudo o que queria dentro de uma mochila azulada, era a tática perfeita para sobreviver no Cairo.

Dolly foi abandonada quando tinha apenas seis anos de idade, tudo porque ela tinha dons especiais, quando era criança podia produzir pequenos fachos de luz que criavam as formas que ela queria, era uma cena linda, mas seus pais a chamavam de aberração o tempo inteiro. Ela nunca sentiu o que era o carinho de um pai ou o afago de uma mãe.

E quando foi colocada pra fora, estaria morta se não fosse por Ava e Dagda, eles cuidaram dela e a ensinaram como sobreviver, eles foram seu pai e sua mãe. É claro que ela não concordava muito com a ideia de furtar, mas as coisas no Egito não eram tão boas assim. Ava e Dagda também tinham habilidades especiais. Ava era ruiva e esguia com os olhos faiscantes, tinha habilidades sobre a água, podendo congelar ou evaporar uma fonte inteira, também podia criar pequenas nuvens de chuva. Dagda era moreno e naturalmente egípcio, tinha os cabelos pretos e desarrumados que ele considerava sua marca, conseguia produzir um ruído inaudível para os seres humanos, mas que o ajudava a controlar insetos de todos os tipos. E Dolly era a mais nova do grupo, tinha a pele negra e os cabelos cacheados e curtos, ela que antes apenas produzia pequenos fachos de luz agora podia controlar a temperatura de seu corpo, não passava frio e nem calor. Também podia produzir bombas de luz que os ajudavam na hora de fugir dos policiais.

Os três apesar de jovens eram o trio mais procurado pela polícia em todo o Cairo, por conta de suas habilidades desconhecidas. Eles se autodeclaravam a “Federação do Escaravelho”. Que ganhou esse nome por que Dagda certa vez usou um enxame desses insetos para poder despistar a polícia. E cada um dos três tinha um apelido que usava para dificultar a identificação. Dolly era Hator, deusa da luz e venerada em todo o Egito no tempo dos faraós. Ava era Neftis, a rainha do rio Nilo. E Dagda era Anúbis, deus dos mortos e dos escaravelhos.

Ela continuou a observar a rua atentamente, escolher as vendas mais afastadas do centro era uma vantagem já que naqueles locais as rondas policiais eram bem menores. Os minutos se passavam e ela voltou a olhar pela vitrine, Dagda já havia enchido a mochila do que podia carregar, ela ergueu um dos dedos e fez um pequeno facho de luz ser produzido no ar. Ambos perceberam e Dagda foi o primeiro a sair da loja, sendo seguido de Ava.

O vendedor percebeu que havia sido assaltado e começou a gritar e correr atrás dos jovens que já viravam a esquina. Eles já estavam acostumados em fugir de outras pessoas e já conheciam todos os caminhos da cidade facilitando assim as formas de sumir da vista dos perseguidores.

O vendedor virou a esquina e continuou a correr atrás dos jovens, com certeza ele era muita insistente. Dolly parou sua corrida e produziu uma bomba de luz jogando-a na frente do homem, quando a bomba explodiu a poeira da rua criou uma densa neblina, era o momento perfeito para que eles escapassem.

Os três entraram em um beco escuro e sujo, apesar do mau cheiro, aquele era o atalho mais rápido até o esconderijo deles. Após alguns minutos de caminhada eles chegaram a seu destino, uma garagem abandonada. O portão levadiço era enferrujado e quebrava-se em alguns pontos, as paredes não viam uma mão de tinta a anos e todo o local esmo despistava os enxeridos. Mas apesar de toda a decadência do prédio, aquilo era o lar deles.

Como era a menor Dolly podia passar por um dos buracos que se abriam no portão de ferro, Ava e Dagda entravam sempre pela janela que havia ao lado do prédio. Embora por fora o prédio fosse decadente por dentro era no mínimo decente. No canto esquerdo, havia uma televisão- que deu muito trabalho para roubada- e algumas almofadas de veludo que serviam de sofá. Havia uma mesa de mogno marrom com três cadeiras acolchoadas, um beliche servia de cama para os três, já que Dolly e Ava dormiam junto, um guarda-roupa branco para os três e um armário onde eles guardavam a comida e outro armário para os produtos de limpeza. Fora o pequeno fogão a gás e o frigobar que eles roubaram de uma loja de móveis durante a noite. E um pôster na parede com a imagem de um escaravelho.

Apesar de jovens, os três eram considerados os ladrões mais ardilosos que Cairo já teve. Ninguém conseguia pegá-los, ninguém conseguia encontra-los e ninguém conseguia superar as suas habilidades.

Dagda despejou o conteúdo da mochila sobre a mesa: barras de cereais, frutas, caixas de bombom e tudo o que eles precisariam para aquele mês, agora faltava programar o assalto do mês que vem. Mas por enquanto poderiam descansar e aproveitar o que haviam conseguido.

Dolly brincava com os fachos de luz criando figuras no ar, enquanto Dagda fazia o jantar e Ava varria o chão, parecia mesmo uma família, uma família composta de ladrões adolescentes, mas ainda assim era uma família. E Dolly queria ficar com eles o resto de sua existência, com eles sentia-se plenamente feliz.

– Sabe Dolly, eu estava pensando em te mandar pra escola ano que vem- Ava comentou enquanto terminava de retirar a poeira do que eles consideravam ser o seu lar- você ainda é pequena e precisa estudar.

– Não daria certo Ava... Precisamos agir os três juntos pra conseguir pegar o que precisamos- comentou Dagda- nós mesmos podemos ensiná-la o que ela vai precisar aprender.

– Ela precisa viver Dagda, não podemos privá-la de ser uma criança, ela só tem dez anos! E nós dois podemos dar um jeito de continuar com os roubos...

– Sim e quando fossemos fazer a matrícula dela, eu vou ser o pai e você a mãe? Vamos usar identidade falsa é isso? Vão nos reconhecer na hora e você sabe disso- Dagda percebeu o olhar triste de Ava- eu também quero que ela viva, mas enquanto estivermos nessa vida vamos ter de nos privar de certos luxos.

– Eu não ligo pra escola- Dolly fez um coração de luz no ar- eu só quero ficar com vocês!

Os dois mais velhos sorriram para a garotinha. Para Dolly nada era mais importante do que viver com sua família, e aqueles dois eram sua família. Mesmo que tivesse que viver a margem da lei ou mesmo que fosse impedida de viver como uma criança normal, ela não ligava. Apenas queria estar com sua “mãe” e com seu “pai”.

Eles ouviram um silvo vindo do lado de fora da garagem, Dagda mexeu os lábios, provavelmente fazendo o chiado de sempre e vários besouros se colocaram a frente do portão, prontos para morder qualquer um que decidisse entrar ali. Alguma coisa se jogou contra o portão velho que desabou, e diante deles estava uma mulher alta e esguia, usava um vestido branco e rendado, com uma faixa de seda dourada em sua cintura. Seus cabelos eram cacheados e seus olhos eram como duas contas de carvão. Ao lado dela duas serpentes silvavam e mostravam os dentes, mas não eram serpentes normais, pareciam ser feitas de pedra.

Com as mãos embaixo da mesa, Dolly fez uma bomba de luz, o mínimo movimento daquela serpente e ela jogaria a bomba em cima dela. Dito e feito, uma das serpentes saltou na direção de Ava e foi atingida pela bomba luminosa de Dolly, reduzindo a serpente de pedra a pó. Os besouros atacaram a mulher enquanto Ava formava uma poça de lama embaixo da outra serpente que não conseguia se livrar da areia movediça. Dolly jogou outra bomba na serpente explodindo-a.

Iria jogar a terceira bomba na mulher, mas esta se desviou agilmente deixando que a bomba de luz formar-se um buraco no chão.

– Não quero lutar com vocês- ela estendeu as mãos em sinal de redenção- vim testá-los para ver se vocês eram bons o suficiente para cumprir a tarefa.

A mulher não era egípcia, mas falava árabe muito bem.

– E quem te disse que nós estamos interessados?- gritou Dagda.

– Eu vim propor a vocês um trato, eu posso dar muito dinheiro a vocês, uma casa, escola e tudo o que desejarem. Mas quero que vocês façam uma coisinha para mim.

– Que tipo de “coisinha”- disse Ava- quer que a gente mate alguém, é isso?

– Acertou em cheio minha cara. Alguns jovens petulantes estão vindo para o Egito atrás de vocês! Eles querem convencê-los a se juntarem a eles, mas eles não são quem parecessem, apenas querem se aproveitar das habilidades de vocês.

– E porque deveríamos acreditar em você- disse Dolly fazendo um bico ainda sentada na mesa- você tentou nos atacar.

– Eu sei, mas se eu não atacasse vocês não estaria me ouvindo agora- ela andou alguns centímetros para frente sendo encarada pelos três jovens que não estavam gostando- eu estou oferecendo a vocês tudo o que vocês desejam, posso até limpar a ficha criminal de vocês, podem ser adolescentes normais.

Os três se olharam, aquela proposta era muito tentadora. É claro que matar não era um serviço que adolescentes estavam acostumados a fazer, mas ter casa, dinheiro e a ficha limpa era algo que os três almejavam. Como se tivessem ensaiado os três afirmaram com a cabeça. A mulher sorriu, retirou da cinta uma pasta dourada e jogou-a em cima da mesa:

– Aí está um pouco de dinheiro, e as informações necessárias para derrotarem esses jovens. Tem fotos, nomes , todas as informações necessárias estão aí. Quando tiverem terminado o serviço irei transferir vocês para uma moradia decente e poderão viver as suas vidas. Até mais ver- a mulher ia se retirando mas depois virou-se com um sorriso malévolo- a propósito entrarei em contato, quero que me chamem de Volúpia.

Dollynalva Scritzer

Notas finais
Ava- http://sarahbulk.files.wordpress.com/2012/12/ruivas_sb-2.jpg Dagda- http://www.distrito13.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Ashton-Moio-1024x681.jpg Volúpia- http://potterheaven.com/ph/wp-content/uploads/2010/05/bellatrix-Lestrange-helena-bonham-carter-7954356-2500-1667-e1274894684555.jpg Obs: Qualquer semelhança de Volúpia com Bellatrix é mera coincidência-ou não!. Minhas aulas começaram hoje, o primeiro dia é sempre legal, mas daqui pra frente sei que as coisas só vão piorar- Deus me ajude- primeiro ano do ensino médio é sempre um choque!!!