Notas iniciais
N/A: Oi leitores!! Estou muito contente que vocês gostaram da fanfic e bastante gente decidiu acompanhar! Obrigada, de coração, principalmente àqueles que não conhecem BH6, mas decidiram ler por confiança ao meu trabalho. ^^ Espero que gostem do novo capítulo. Amei todas as reviews, e aguardo mais opiniões de vocês. Um muito obrigada a sabrinanbc pela revisão, valeu amiga! Beijinhos a todos, boa leitura!

Q.I. ≠ Q.E.

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Passaram-se seis meses desde a primeira chamada de Skype com a pessoa que se auto intitulava “Kyle Takachiho” ou, pelo menos, a primeira que Hiro se lembrava. Muitas outras vieram desde então: eles mantinham um contato quase que diário, e Hiro estava satisfeito com a atenção recebida. Não conversavam muito além de toda a dinâmica sexual que suas conversas possuíam, mas o Hamada acabou revelando alguns detalhes da sua rotina, como o fato de que dividia quarto com seu irmão e que eles deveriam ser um pouco “cuidadosos” no uso indiscriminado do Skype.

Kyle não pareceu muito preocupado com essa notícia, apenas um pouco curioso. Perguntou para Hiro muitas coisas sobre o seu irmão, mas o adolescente foi cuidadoso em não revelar nada, muito menos o seu nome. Kyle ainda adotava “Tadashi” quando eles estavam “brincando”, e não mais questionou da onde surgiu esse nome. No mais, pouco conversaram sobre suas vidas, e Hiro nada sabia a respeito daquele estranho do outro lado da tela além do fato de que ele conseguia lhe causar muito prazer.

Muito prazer mesmo. Hiro não sabia ao certo que tipo de “magia” acontecia, mas a voz de Kyle, tão semelhante à de Tadashi, o deixava totalmente louco. Kyle também gostava muito de falar as sacanagens mais absurdas do mundo, e isso era um ponto positivo e fez com que Hiro colocasse uma estrelinha de favorito naquele contato do Skype (sendo bem sincero, Hiro nunca mais deu bola para os demais contatos além dele).

Mas já fazia uma semana que ele não cruzava com seu contato favorito do Skype e, pela sua vontade imensa de virar o dia dormindo, não seria tão cedo que eles iriam se encontrar.

— Hiro, levanta dessa cama. — Tadashi falou do outro lado do quarto enquanto digitava um trabalho da faculdade, sem levantar os olhos de seu notebook.

Hiro deixou um ruído irritado escapar de sua garganta, girando o corpo na cama e lhe dando as costas.

— Me deixa dormir. — o garoto suplicou, envolvendo-se ainda mais nas cobertas, escondendo quase seu rosto inteiro nelas.

Ouviu Tadashi expirar com força, talvez indignado pelo seu comportamento, mas o “tec-tec” de digitação no teclado não parou nem por um segundo.

— Já são duas da tarde, vá fazer alguma coisa útil, seu vacilão.

— Vai fazer suas “nerdices” e me deixa em paz, ‘Dashi. — Hiro exclamou, fechando os olhos e se aconchegando ainda mais nas cobertas.

Desta vez, Tadashi não acatou seu pedido. Logo Hiro ouviu passos acelerados, e sentiu seu corpo ser girado e sua coberta agarrada com força. O mais novo segurou a outra extremidade com determinação, nem um pouco disposto a ter seu cobertor arrancado.

Se fosse há um ano, possivelmente Tadashi conseguiria arrancar suas cobertas; mas Hiro não era mais o menino franzino de antes e se finalmente cresceu o suficiente para se equiparar em força física com o irmão, conseguindo manter o cobertor sobre seu corpo.

Crescer tem algumas (poucas) vantagens... — ele pensou, dando um sorriso de canto de boca vitorioso e ganhando um levantar de sobrancelha irritado por parte de Tadashi.

— Hiro, levanta vai! — o mais velho tornou a repetir, soltando o cobertor antes que o rasgasse e cruzando os braços, contrariado — Hoje é sábado, vamos fazer alguma coisa juntos. Eu tenho um projeto novo, quero te mostrar.

O tom de voz de Tadashi fez Hiro fitar o olhar pidão de seu irmão. Instantaneamente sentiu seu coração acelerar e sentiu uma grande vontade de acatar àquele pedido. Ele quase cedeu, afinal, não havia nada que fosse tão nostálgico em sua vida quanto ver os experimentos de Tadashi e participar em seus aprimoramentos.

Quase...

— Eu ‘tô cansado. — Hiro se explicou, desviando o olhar de seu irmão e fitando a parede como se lá estivessem escritas a solução para todos os seus problemas — Eu trabalhei a semana toda por causa do campeonato, e esse fim de semana quero colocar o sono em dia.

— Agora você está chamando essa babaquice de robô-luta de “trabalho”? — indignado, Tadashi questionou — Não era você quem sempre queria passar um tempo comigo? Eu tenho um tempo agora.

— Novidades: as coisas mudam, Tadashi.

Tadashi pareceu um tanto ofendido com aquela frase, mas desistiu de tentar argumentar com seu irmão teimoso. Deu-lhe as costas, voltando para a sua cama e colocando fones de ouvido, focando ao máximo em sua frenética digitação, possivelmente tentando ocupar sua mente para não brigar com o adolescente mais uma vez.

Hiro sentiu-se um pouco mal ao ver seu irmão irritado daquela forma, mas não poderia aceitar Tadashi por perto do jeito que a situação se complicara cada vez mais nos últimos meses. Bem verdade que nada mudou: ele ainda desejava ficar ao lado de Tadashi e sentia falta dos momentos que eles tinham antigamente, mas ele não conseguia mais passar um tempo junto com o irmão e não deseja-lo para si. Já era muito difícil antes de ele começar a interagir com Kyle no Skype, mas agora estava praticamente impossível. Toda vez que ouvia a voz de Tadashi, ele automaticamente pensava em besteira, e se ele aceitasse passar um tempo com o irmão nessas condições, seria descoberto inevitavelmente.

Se isso acontecesse, senhoras e senhores, o mundo de Hiro iria desmoronar. Não era nem uma mera possibilidade, era um fato.

Havia momentos em sua vida que Hiro desejava voltar no tempo. Era tudo tão mais fácil quando ele ainda não tinha noção de seus sentimentos por Tadashi, tão mais tranquilo antes de toda aquela carga hormonal da adolescência complicar toda a sua vida. Hiro sentia falta de ouvir a risada de Tadashi, de planejar projetos que dificilmente dariam certo (apenas para perceber que, milagrosamente, a maioria deles funcionavam e Tadashi ficava sempre com um sorriso de completude estampado no rosto). Era delicioso sonhar com Tadashi em seus lençóis, dentre suas pernas, mas era complicado demais; seria tão mais simples se pudesse voltar à simplicidade de antes.

Para piorar ainda mais a situação, já fazia mais ou menos quatro meses que Tadashi parou de tentar fugir de Hiro e estava forçando uma reaproximação, justo agora que Hiro estava tão incontrolável em seus sentimentos. Seu irmão podia ter feito isso antes de toda aquela loucura com Kyle começar, não é mesmo? Hiro conseguia se controlar naquela época, teria dado tudo certo! Mas não, ele tinha que esperar as coisas complicarem daquele jeito.

Inacreditável!

Hiro suspirou baixinho, pegando o celular debaixo do travesseiro e olhando as notificações na tela. Não era culpa de Tadashi tudo isso que acontecia, ele precisava parar de tentar culpá-lo sempre. Não era normal esperar que seu irmão retribuísse um sentimento tão condenável como aquele, ou que entendesse o que se passava em sua cabeça. Ele desejava poder voltar no tempo porque ele sabia que o que ele sentia por Tadashi nunca iria passar. Era forte demais, era mais intenso do que qualquer coisa que ele já sentiu em sua vida; Tadashi era o seu “tudo”, não uma paixonite adolescente qualquer como geralmente ocorria com garotos no auge da adolescência. Ele realmente não sabia o que fazer para poder voltar a conviver com a simplicidade de antes com o seu irmão; mas ele queria, e muito, poder voltar a interagir com ele.

Ele estava com saudades...

Deixando de lado o seu momento de tristeza e indignação com seus sentimentos (e hormônios, malditos hormônios!), Hiro abriu o Skype; não conseguiria dormir agora que a melancolia bateu à porta e, mesmo se ele adormecesse, teria sonhos ruins.

Mal a tela de contatos abriu e Kyle já o chamou para conversar:

“Oi.” ele digitou; Hiro se aprumou um pouco mais nos cobertores, levando o aparelho para dentro deles e cobrindo a cabeça “Você sumiu a semana toda”.

Era verdade. Não que quisesse sumir, mas ele realmente estava “trabalhando” bastante. Metade da cidade resolveu organizar um campeonato maior de robô-luta e Hiro acabou participando. Ele tinha batalhas todas as noites, e as finais seriam naquela madrugada. Ele não teve tempo para entrar no Skype, por mais que sentisse falta das “conversas”.

“Eu estava ocupado, muito trabalho.” Ele digitou e, como sempre, Kyle não pediu maiores detalhes.

Às vezes, Hiro tinha a impressão que ele sabia no que ele trabalhava, mas é claro que nãos e passava de uma ideia absurda. Kyle não sabia quem ele era, assim como ele não sabia quem era a verdadeira pessoa por detrás daquele apelido inventado. Era tudo um pressentimento tolo e infundado e Hiro, como um evidente adepto da ciência e não do misticismo, não iria se curvar diante de tanta babaquice.

“Eu senti sua falta.” Kyle respondeu e Hiro sorriu de maneira comedida, imaginando como a voz quase igual a de Tadashi soaria falando essas palavras. Ele gostaria de ouvir isso... “Podemos tirar o atraso agora?”

Agora? — Hiro repetiu em sua mente, abaixando um pouco as cobertas e espionando Tadashi no outro lado do quarto, o qual parecia totalmente atendo a tela do computador, possivelmente ouvindo música no último volume de seus fones de ouvido.

“Meu irmão tá no quarto.” Hiro disse, sentindo-se um pouco travesso. A resposta não foi uma negativa, afinal de contas.

Kyle demorou a responder, possivelmente pensando numa saída.

“Então não vamos fazer chamada de vídeo nem de áudio, apenas leia o que eu vou digitar pra você.”

Isso deixou Hiro desmotivado. Ele queria ouvir as sacanagens de Kyle, e não ler. Ler não tinha graça.

“Você pode falar, sou só eu que não vou poder responder.” ele insistiu, esperançoso.

“Eu já te disse uma vez e repito: eu jogo dentro das suas limitações. Você não mostra pra mim o seu corpo, então eu não te mostro o meu; você não me diz seu nome real, então eu não digo o meu; se você não pode falar, eu também não vou falar.”

“Sem graça.” Hiro digitou, não conseguindo impedir o beicinho contrariado em seus lábios. Kyle conseguia ser bastante frustrante quando queria. “Não é que eu não queria fazer chamada de áudio com você, eu quero, mas como o Tadashi tá aqui não dá. Eu posso compensar quando você não puder falar.”

Enviar.

Ele apertou enviar.

ELE APERTOU ENVIAR!!

— M-merda!! — Hiro sussurrou, olhando pra o smartphone totalmente mortificado, sentindo uma vontade tremenda de se levantar e bater a cabeça na parede até desmaiar. Como, como que ele pode deixar o nome de Tadashi escapar assim!? Tá certo, ele havia acabado de acordar, ele estava sonolento, mas... mesmo assim!

Se Kyle buscasse “Hiro e Tadashi” no Google descobriria sobre os testes na Mensa e sua vida em Kyoto, e teria um ponto de partida para buscá-lo! Ele poderia encontrar o Tadashi na página da SFIT e contar tudo pra ele!

“Então ele é o seu ‘Tadashi’, uhn?” Kyle escreveu, fazendo o coração de Hiro disparar ainda mais “Os irmãos Hamada... Eu desconfiava.”

— Não! — Hiro sibilou, verdadeiramente apavorado àquela altura do campeonato.

“Não, eu falei sem querer, é habito falar ‘Tadashi’ contigo, ele não é meu irmão.”

Quem ele queria convencer com essa mentira mais deslavada do mundo? Era até ridículo uma pessoa com o grau de inteligência que ele tinha não ter a capacidade de mentir de uma maneira mais convincente. Tadashi sempre o “pegava no pulo” e, pelo jeito, nem pra mentir na internet ele prestava.

“Não estou te julgado, Hiro.” Kyle respondeu, ainda digitando uma mensagem mais longa “Eu já suspeitava, você não pensa que eu não tinha buscado ‘Hiro e Tadashi’ no Google, né? Mas essa foi a confirmação que eu precisava.”

Será que eu devo bloquear? Será que eu devo mandar um vírus e acabar com a máquina dele? Não adianta, ele acessa o Skype pelo computador e celular, ele vai ter a cópia da conversa na outra máquina. — Hiro pensava em todas as possibilidades, detestando aguardar o restante da resposta de Kyle, que ainda digitava. Se ele pudesse fazer um desejo nesse momento, certamente seria voltar no tempo apenas cinco minutos e não ter entrado no Skype!

“Eu não vou contar para ninguém.” Kyle disse e Hiro finalmente conseguiu respirar de verdade, ouvindo seus batimentos cardíacos pulsarem em seus ouvidos de tão fortes que se encontravam naquele momento “Se você sair comigo, é claro.”

Hiro voltou a se desesperar, olhando para a tela enquanto sentia seu corpo tremer num misto de vergonha e indignação. Kyle fazia algum tipo de chantagem?! Ele não podia aceitar esse tipo de coisa, ele não iria cair numa palhaçada dessas!!

“Ei, eu estou brincando.” Kyle respondeu depois de algum período sem resposta, como se adivinhasse o descontrole de Hiro. O Hamada adolescente não pôde deixar de pensar o quão idiota Kyle poderia ser ao fazer essas brincadeirinhas sem graça, e o quão parecido com Tadashi ele ficava ao fazer esse tipo de coisa “Mas o convite é sério: se você quiser sair comigo, eu estou a fim de te conhecer pessoalmente.”

“Você acabou de descobrir que eu gosto do meu irmão e agora que inventa de me chamar pra sair? Qual a sua lógica?”

Ele demorou um pouco para responder dessa vez, mas a resposta eventualmente veio:

“Antes eu sabia que poderia receber um não facilmente porque você gostava do tal ‘Tadashi’ e se ele te chamasse pra sair você sumiria; mas agora eu sei que o seu ‘Tadashi’ nunca vai olhar pra você. Ele é uma pessoa proibida, então eu tenho uma chance.”

Tadashi nunca vai olhar pra você...

Tadashi nunca vai olhar pra você...

Tadashi nunca vai olhar pra você...

Hiro lia essa frase mil vezes, sentindo um nó grande em sua garganta e uma vontade forte de chorar. Colocou o rosto para fora do cobertor mais uma vez, fitando Tadashi olhar para a tela de seu notebook enquanto prendia a sua atenção na leitura de algo, não cruzando olhar com ele ou percebendo que era observado.

Ele parecia concentrado e, com toda certeza, não estava pensando nem por um segundo nele. Hiro era seu irmão, nunca seria nada além disso. Tadashi nunca olharia para ele, Kyle estava certo e Hiro sempre soube disso.

Só que doía bastante, ter a verdade esfregada na sua cara por outra pessoa...

Sentindo-se bastante melancólico de uma hora para a outra, Hiro cobriu sua cabeça com as cobertas e viu que Kyle começava a digitar mais uma mensagem ao mesmo tempo em que o “tec-tec” de Tadashi recomeçava.

Por algum motivo, Tadashi começou a irritar Hiro profundamente.

— Dá pra você parar de fazer tanto barulho, porra!? — Hiro gritou para Tadashi, virando na cama, ainda se escondendo abaixo dos cobertores. Seu irmão, todavia, não respondeu (nem deveria ter ouvido sua explosão, por conta da música alta no fone de ouvido).

“Me dê uma chance. Prometo que ao vivo sou muito melhor do que a distância.” Kyle mandou, finalmente terminando de digitar, agora aguardando uma resposta de Hiro.

O garoto, enfezado, se acalmou um pouco ao receber aquele pedido. Pensar que alguém o desejava de verdade era reconfortante, e ele realmente considerou essa possibilidade. Tá certo que seria perigoso, Kyle era um desconhecido, mas Hiro não era nenhuma criança indefesa. Marcando para se encontrarem em lugares públicos, durante o dia, não haveria perigo.

Não foi o medo de conhecer alguém da internet que o impediu de aceitar o convite. Não... Por mais que Hiro odiasse admitir isso, foi aquele idiota nerd sentado do outro lado do quarto que o impediu de dizer “sim”.

“Não dá.” Hiro respondeu, digitando rápido antes que perdesse a coragem; Kyle era um cara legal, apesar de um pouco stalker, e não merecia ser enrolado “Você é legal e tudo mais e acho que está certo quando diz que poderia ter uma chance comigo, mas eu não consigo te dar essa chance.”

“Como assim não consegue?” foi a resposta que recebeu, e dessa vez ela veio em tempo recorde.

“Eu gosto demais dele para sair com outras pessoas.” Hiro digitou, sendo ainda mais sincero do que esperava ser “É por isso que eu mantenho tudo on-line, é o máximo que eu posso levar a diante.”

“Ele é seu irmão. Eu tenho certeza que posso te ajudar a esquecer.”

“Você não me conhece.” Hiro começava a se sentir irritado com a prepotência de Kyle e a maneira como estava subestimando a intensidade dos seus sentimentos “Eu nunca vou deixar de olhar pro Tadashi assim, por mais que eu queira vê-lo de um jeito diferente.”

Hiro ainda aguardou mais alguns segundos por uma resposta, mas no fim resolve bloquear o contato de uma vez e deixar isso tudo para trás. Ele já devia ter feito isso há muito tempo e, querendo ou não, seria a palavra dele contra a de Kyle caso essa história viesse à tona. Muito provavelmente não moravam na mesma cidade, ele não devia temer tanto assim o que Kyle iria fazer com aquela revelação. Agora, talvez, ele conseguisse colocar as ideias no lugar e com o tempo voltaria a se controlar quando estivesse perto de Tadashi. Quem sabe eles poderiam voltar a se tratar como irmãos, principalmente agora que Tadashi parecia desejar sua companhia.

Quem eu quero enganar? Nunca vai passar, nunca vai melhorar, nunca!

Ainda irritado, Hiro empurrou as cobertas para baixo e sentiu uma onda de ira gigantesca, chegando a impulsionar seu braço para jogar o celular no outro lado da parede, mas se refreou a tempo, deixando-o apenas cair na gaveta da mesinha de cabeceira, causando um barulho forte e fazendo Tadashi desviar sua atenção para o garoto.

Hiro, todavia, estava preocupado demais tentando refrear um ataque de pânico para notar a atenção que recebia. Ele estremecia da cabeça aos pés, batendo os dentes como se sentisse frio, tamanho era o nervosismo que precisava enfrentar: por que diabos ele não conseguia se livrar desses sentimentos e seguir em frente?

Porra, como eu sou idiota! Não dá mais pra viver assim, não dá! Quem em sã consciência deseja seu irmão desse jeito... Talvez seja melhor eu sair de casa, eu eu já fiz dezoito anos mesmo.

— Hiro.

É, talvez isso seja a única opção e... Não, não adianta! Nunca vai melhorar esses sentimentos, nunca vai passar! Eu nunca vou conseguir olhar pro Tadashi sem ter vontade de arrancar as roupas e cair de quatro na frente dele!

— HIRO!

Eu ‘tô condenado, ‘tô na merda. Fodeu tudo! E um dia o Tadashi vai descobrir a porra da ereção que eu tenho toda vez que ele fica a um metro de mim, e aí ele nunca mais vai querer olhar na minha cara, porque ele nunca-...!

Hiro piscou, voltando a realidade ao notar a pressão firme em seus lábios, agindo por impulso e empurrando Tadashi com toda sua força, quase caindo da cama em meio ao processo. Respirava ofegante, sentindo seus lábios formigarem e seu corpo estremecer num misto de sentimentos contraditórios.

Tadashi... Tadashi o beijou?!

— Caramba Hiro, eu achei que você ia ter um troço! — Tadashi falou, aliviado, aproximando-se de Hiro como se não houvesse feito nada fora do normal. Encostou sua testa à dele, parecendo bem mais abobalhado do que antes da pequena discussão que tiveram naquele começo de tarde.

Hiro nunca se sentiu tão confuso em toda a sua vida.

— Você me beijou? — ele perguntou, um pouco tímido e incerto. Claro, não seria absurdo imaginar que seu inconsciente estava mais uma vez pregando peças nele; ele poderia muito bem ter sonhando com toda aquela confusão e ter acabado de acordar.

Mas seus lábios estavam diferentes, estavam mais sensíveis e úmidos. Apesar de Hiro nunca ter recebido um beijo antes, era impossível não perceber a diferença. Se fosse realmente um sonho, era um sonho muito real.

— Eu já tinha tentado te sacudir e você não parava de falar... Então... Uh... — Tadashi corou um pouco, mas não deu uma resposta negativa.

Falar!? — ok, agora que Hiro verdadeiramente se apavorou.

Ele falava em voz alta os seus pensamentos? Não, não era possível! Como que uma pessoa podia deixar tanta besteira escapar num único dia? Primeiro a revelação à Kyle, agora ele estava falando o que definitivamente não devia ser dito à Tadashi? Isso só podia ser uma piada! Como que ele tirou duzentos e trinta e um no teste de Q.I. mesmo?? Estava mais do que claro que seu Q.I. não passava de... doze!

— Não entre em desespero de novo cabeção, por favor. — Tadashi pediu, tentando abraçar Hiro e recebendo um novo empurrão forte.

Hiro levantou-se da cama mais do que rapidamente, pronto para correr para fora de casa sem olhar para trás. Mas, felizmente, Tadashi conseguiu agarrá-lo antes de ele alcançar a maçaneta da porta e o puxou para a sua cama, atirando-o no colchão e o imobilizando com seu próprio corpo.

— Me solte, Tadashi! — Hiro gritou; Tadashi se viu forçado a cobrir sua boca com a mão para abafar seus gritos.

— Shii!! A tia Cass saiu, mas os vizinhos ainda têm ouvidos! — Tadashi falou com urgência, sofrendo bastante para conter Hiro e tentar acalmá-lo — Fique quieto! Não entre em pânico, vamos conversar!

Mas Hiro não ouvia, ele não queria ouvir. Tadashi iria dizer que ele estava errado, que estava confundindo os sentimentos, que não era amor passional e sim uma abominação, ou talvez falaria coisas do tipo “isso é nojento” e “você vai sentir vergonha dessa fase no futuro”. Hiro não estava pronto para ouvir esse tipo de coisa. Ele precisava sair dali! Fugir! O quanto antes!

— Para, para com isso! — Tadashi implorava, tentando segurá-lo, mas sofrendo bastante com as debatidas de seu irmão, as quais possivelmente deixariam alguns roxos em suas pernas.

Percebendo que o caçula não se acalmaria tão cedo e que, se tivesse sorte, uma coisa faria seu irmão desistir de fugir e ouvir que ele tinha a dizer, Tadashi resolveu jogar logo a sua última arma: Tratamento de choque.

— Eu sou Kyle Takachiho! — ele exclamou, silenciando os gritos abafados de Hiro e agarrando o rosto dele com determinação, fitando firmemente os olhos castanhos assustados e apavorados que tanto o faziam se lembrar de quando Hiro era criança.

Tadashi descobriu a boca de Hiro quando teve certeza de que ele não gritaria novamente.

— O quê?! — o caçula questionou, sua voz soando fraca e desafinada.

O primogênito tiraria sarro dele se não estivesse também apavorado por tratar daquele assunto.

— Eu sou o Kyle. — Tadashi repetiu, preocupado com a reação de Hiro, que parecia prender a respiração, em choque — Eu... não era pra tudo ter ido tão longe, mas...

— Como assim você é o Kyle!? — Hiro questionou, abismado, arregalando o olhar e conseguindo finalmente se livrar dos braços de Tadashi e se rastejar até a cabeceira da cama — Você estava aqui fazendo trabalho enquanto eu falava com ele!

— Eu estava falando com você, seu lento. — Tadashi explicou, deixando uma risadinha encabulada escapar e esticando o braço para tentar se aproximar de Hiro mais uma vez — Existe Skype pra computador também, não sei se você se lembra desse pequeno detalhe. Por que você acha que eu estava recusando a chamada de áudio?

— Cale a boca! — Hiro exclamou, assombrado, dando um tapa na mão de Tadashi que insistia em tentar segurá-lo — Isso piora muito mais as coisas, você está tirando sarro de mim! E fez todo esse circo só pra me humilhar, não é!?

Tadashi sentiu uma vontade tremenda de dar um tapa na própria testa. Como Hiro podia ser tão tapado assim?

— Ow, seu cabeça-dura, eu precisaria te beijar pra te humilhar? — Tadashi exclamou, segurando os o rosto do mais novo com as duas mãos e forçando-o a encará-lo — Não seja idiota, Hiro.

— Eu não sou idiota! — Hiro respondeu, sentindo seu coração bater mais rápido só por voltar a encarar os olhos de Tadashi tão próximos dos seus (e definitivamente se sentindo um idiota por isso) — Mas o que você fez não faz sentido. O que mais você iria querer além de me humilhar?

Tadashi olhou para o teto e murmurou alguma coisa, um pedido celestial de paciência, talvez. Depois voltou a encarar seu irmãozinho, tentando fazer a expressão facial mais séria que conseguia fazer.

— Hiro, quando a Honey me falou que existia essa coisa de quociente emocional eu não levei muito a sério, mas acho que existe mesmo e o seu tá beirando à dois.

— Quociente em-...? Ah, seu nerd, só falta me dizer que tá lendo essas porcarias de livro de autoajuda! Some da minha frente, não quero olhar pra você! — Hiro exclamou, sentindo seu rosto cada vez mais vermelho.

Tadashi o olhou decidido, agarrando seus ombros e tentando mais uma vez imobilizá-lo, conseguindo depois de grande esforço prendê-lo contra o colchão; todos os minutos que Hiro ficou se debatendo fizeram sua camisa subir e se enrolar abaixo de seus braços, e o primogênito estremeceu ao ver seu corpo tento um maior contato com a pele exposta. O perfume de Hiro já começava a impregnar na sua pele, misturando-se ao seu, e isso o fez reagir com uma coragem que, até então, não era muito do seu feitio:

— Eu te amo, seu bebezão mimado e teimoso! — ele exclamou, sem muito pensar — Será que é difícil demais pra você ver o que está bem debaixo desse seu nariz arrebitado!?

Hiro ouviu direito? “Eu te amo”? Bom, claro que Tadashi o amava de alguma forma, eles eram irmãos. Ele não deveria se deixar levar e interpretar essas palavras do jeito errado. Pensou em uma saída para aquela situação, e decidiu rebater com a primeira coisa que veio a sua mente.

— Ei, quem você pensa que é pra falar do meu nariz!? — Hiro ficou tão corado que até a ponta de suas orelhas pareciam esquentar; ok, pelo menos aquilo era melhor do que falar de amor.

— Isso foi um elogio, seu idiota! Será que você... Urgh, esquece.

Tadashi não estava nem um pouco disposto a discutir bobagens com Hiro; aquele olhar arregalado que seu irmão lhe dava a e a forma como ele corava e parecia totalmente acuado fez com que Tadashi sucumbisse aos seus desejos, abaixando o rosto e beijando Hiro como se sua vida dependesse disso. Pressionou seus lábios contra o dele. pediu passagem com a língua através de uma leve mordida no lábio inferior e, depois de um momento de choque, Hiro pareceu agir por impulso, abrindo a boca e concedendo o início do tão esperado e desejado beijo francês.

Trocaram estalos e gemidos suaves enquanto o beijo se intensificava; Hiro liberou uma de suas pernas do cobertor e puxou o corpo de Tadashi para baixo, agarrando suas costas e o apertando como se ele fosse fugir no universo, deixando-o para trás. Tadashi, por sua vez, tentava se controlar seu desejo e não agarrar Hiro, temendo assustá-lo se assim o fizesse, limitando-se a fincar suas unhas no travesseiro do garoto e respirar de forma ofegante a cada segundo em que o beijo se interrompia, para que assim não tentasse se aliviar pressionando-o contra o colchão com seu baixo ventre.

Quando o beijo se interrompeu, depois de quase uma eternidade, Hiro abriu os olhos semicerrados, suspirando fundo e criando coragem para trocar olhares com Tadashi, que respirava de forma ofegante contra seus lábios. Assim que seu olhar cruzou com o dele, ele recebeu um selinho breve nos lábios mais uma vez, e foi incapaz de segurar um gemido necessitado em sua garganta.

— Vai me ouvir agora? — Tadashi perguntou, finalizando a pergunta com uma caricia leve de sua língua contra o lábio inferior do menor.

— Vou... — ele respondeu, sem fôlego, entre um suspiro dengoso e um espasmo de prazer em seu corpo.

Tadashi deixou um sibilo escapar, ansiando voltar a beijar Hiro o quanto antes, mas sabendo que eles precisavam urgentemente conversar antes de fazer qualquer coisa. Com muito esforço se afastou, sentando-se na cama e puxando Hiro para que se sentasse ao seu lado, ainda encarando-o nos olhos e apreciando a forma como seu rosto permanecia corado e seus cabelos ainda mais bagunçados do que de costume; mesmo depois de todos aqueles minutos de beijos, Hiro voltava a se sentir envergonhado e perdido.

Apesar de Tadashi achar adorável esse comportamento, não era algo comum à Hiro. Seu irmão sempre era cheio de si, não que fosse confiante ao extremo, mas era essa a máscara que ele vestia para lidar com os seus traumas infantis. Tadashi era a única pessoa que eventualmente o flagrava inseguro e tímido, não era sempre que Hiro deixava sua máscara cair.

Hiro tinha um grande problema de autoestima e, por amá-lo mais do que tudo na vida, Tadashi detestava vê-lo tão inseguro assim.

— De que adianta ter um quociente de inteligência tão alto quando nós temos um quociente emocional beirando ao zero... — o Hamada mais velho mencionou, baixinho, acariciando os lábios de Hiro, agora inchados pelos beijos — Era tão mais fácil você supor que eu fiz o que fiz por te amar, e você pensa nas coisas mais absurdas do mundo pra justificar isso. Você tem um quociente emocional bem baixo pra pensar que eu fiz o que fiz querendo te castigar ou te humilhar de alguma forma, irmãozinho.

— As suas atitudes não fazem sentido pra mim.

— É por isso que eu digo que nós temos um Q.E. baixo, a gente não consegue interpretar muito bem os nossos próprios sentimentos, quem dirá os dos outros. Por exemplo: eu te quero a tanto tempo, mas tanto tempo, que eu comecei a me auto sabotar sem perceber para tentar não te querer mais; e você, em vez de me dizer o que queria, também foi se afastando de mim. — Tadashi sussurrou, unindo sua testa à de Hiro, adorando a forma como os olhos dele pareciam levemente fechados, mais pacíficos do que antes— Somos dois idiotas.

— Nosso Q.I. não classifica idiotas...

— Mas nosso Q.E. sim.

— Chega de “nerdices”, você fala a verdade? — Hiro questionou, se sentindo um pouco mais corajoso depois da revelação e do beijo intenso que recebeu e subindo no colo de Tadashi, entrelaçando suas pernas ao corpo dele ao sentar-se em suas coxas, ainda mantendo o maldito cobertor como escudo. Tadashi suspirou fundo, adorando a intensidade do contato, e instintivamente uniu sua testa a de Hiro enquanto se perdia em seus olhos — Você não se importa com... Hmm... Você sabe.

— Com o quê? O fato de você ser meu irmão? O fato de você ser homem? De termos uma diferença de idade grande? De tia Cass perigar ter um infarto se descobrir a verdade?

Hiro abaixou o olhar, sendo invadido por uma onda gigantesca de pessimismo. Talvez não valesse a pena tentar, pois se desse tudo errado, seria um completo desastre; era problemático demais.

— É... Essas coisas. — ele murmurou, virando o rosto e fazendo menção de se afastar.

Tadashi riu e forçou o rosto de Hiro com o indicador para que ele voltasse a encará-lo, unindo a ponta de seu nariz ao do outro em uma carícia doce, adorando a forma como o mais novo pareceu ainda mais encabulado com um gesto bem mais meigo do que os beijos necessitados que trocaram antes; Hiro podia ser uma caixinha de surpresa as vezes.

— Você, em algum momento dessa sua vida rebelde, se viu ao lado de outra pessoa? — Tadashi indagou, sua voz soando mais calma que conseguia fazer, deixando claro que já havia pensado a respeito e estava em paz com sua decisão.

— Não, mas...

Tadashi estava começando a entender: Hiro tinha que ficar mais calmo, e apenas transparecendo calma ele conseguiria esse resultado.

— Eu também não. Pode parecer idiotice e ingenuidade, mas eu ainda acho que certas coisas acontecem por um motivo: se eu não tivesse descoberto essa sua identidade virtual do Skype, eu não teria te procurado lá e não perceberia que você talvez sentisse por mim o mesmo que eu sinto por você. — Tadashi parou de falar subitamente, sentindo seu rosto aquecer ao corar — Q-quero dizer, eu não sei o que você sente exatamente, mas alguma coisa você deve sentir já que você pediu pra falar meu nome enquanto a gente fazia aquelas coisas e...

Hiro puxou Tadashi para mais um beijo, não permitindo que ele continuasse a falar tamanhos absurdos como aqueles. Assim que terminou sua carícia o abraçou, sentindo o cheiro delicioso de seu perfume na gola de sua camisa e aconchegando o rosto em seu ombro.

— Lógico que eu sinto a mesma coisa. É por isso que eu vou para pras robô-lutas, nii-chan (1).

Ouvir Hiro falar em japonês chamá-lo como costumava fazer quando eram crianças deu um sentimento nostálgico para Tadashi; no entanto, ele não gostou do que acabou de ouvir.

— Não. — Tadashi murmurou, balançando a cabeça em negação — Não me chame assim.

— Você não vai me dizer que vai ficar na negação agora e não quer que eu te lembre que você é meu irmão, vai?

— Não é isso, Hiro. — Tadashi afirmou, suspirando fundo — Eu não quero que você me chame mais assim, porque nós somos iguais.

Hiro não respondeu de imediato, ficando sem palavras diante dessa afirmação.

Apesar de não ser comum eles falarem japonês desde que se mudaram pra San Fransokyo, Hiro e Tadashi foram alfabetizados nesse idioma e sabiam bem como a dinâmica dele funcionava. Tadashi o chamava de “Hiro” desde que era pequeno, pois na sociedade japonesa o irmão mais velho possui uma hierarquia superior ao mais novo, e por isso não necessita de sufixos honoríficos; mas Hiro, como mais novo, sempre foi instruído a chamar Tadashi de nii-san ou nii-chan, raramente o trava pelo nome apenas (senão nunca, pelo menos não quando falavam japonês). Era algo normal na sociedade deles. Todavia, quando adotaram o inglês como idioma principal, inclusive dentro de casa (já que San Fransokyo era a única cidade da região que falava inglês como idioma local), Hiro passou a não se preocupar mais com essas regras japonesas e Tadashi nunca reclamou de ser tratado com o primeiro nome.

Agora Hiro entendia; Tadashi queria se sentir igual a ele, e não superior. Isso, para o caçula, era muito especial e importante: como alguém do mesmo patamar, caberia a ele explicar para Tadashi o que havia acontecido nos últimos meses.

— Eu queria que você voltasse a prestar atenção em mim. — Hiro explicou, sentindo vergonha de admitir isso, mas tendo a certeza de que deveriam colocar tudo em pratos limpos de uma vez por todas — Você só foca no Baymax e na faculdade, nunca dá atenção pra mim. Quando eu vou pras robô-lutas, você pelo menos me rastreia e vai me buscar...

— Então é por isso que você deixou os rastreadores funcionando por tanto tempo?

— Sim, eu deixei por causa disso. Quero dizer, até eu chegar no meu limite. — Hiro murmurou, desviando o olhar.

— Me desculpe por isso. — Tadashi murmurou, sentindo seu coração comprimir por aquela declaração. Olhando para trás, agora era bem verdade que ele não dava a devida atenção para seu irmãozinho — Eu fiz isso sem perceber, eu estava tentando fugir dos meus sentimentos do jeito errado. Mas eu tentei voltar a te procurar já faz um tempo, e você não me deu muita bola.

— Por causa do Kyle.

Tadashi se ergueu subitamente, fazendo Hiro quase perder o equilíbrio e quase cair da cama. Ele começou a andar de um lado para o outro, evidentemente frustrado, passando a mão pelos cabelos na tentativa de se acalmar.

— Eu sabia. — ele disse, depois de um longo silêncio por parte de Hiro, que observava a cena sem saber o que dizer ou como interpretar aquela súbita mudança — Eu sabia que era por causa disso. Você se afastou ainda mais quando tudo isso começou. Você gosta dele, né?

Hiro piscou, um pouco atordoado, mas milagrosamente ele entendeu o que estava se passando na cabeça de Tadashi; foi impossível não rir.

— Você está com ciúmes de si mesmo? — Hiro questionou dentre a sua gargalhada, apreciando a forma como agora Tadashi corava com suas palavras, e não o contrário.

— Não vem me taxar de louco, você entendeu o que eu quero dizer. — Tadashi exclamou, indignado, fazendo Hiro rir ainda mais — Eu sabia que você estava a fim do Kyle, foi por isso que eu te chamei pra sair no Skype, pra ter a minha confirmação. Mas aí você recusou dizendo que gostava de mim, só que isso não faz sentido, já que você mal sai do Skype se não fosse pra ir nas lutas, nem olha mais pra mim e-...

— ‘Dashi, você deseja o Baymax?

Tadashi parou subitamente de falar, olhando para Hiro como se ele tivesse dito o maior absurdo da face da terra.

— Você tá me zoando?

— Porque é a mesma coisa: Kyle era a minha distração, assim como Baymax é a sua. Era o que fazia eu me esquecer de você... Ou melhor, pensar ainda mais em você, por causa da sua voz. — Hiro explicou e Tadashi visivelmente se acamou, parecendo um pouco envergonhado com sua explosão — Não que você tenha o direito de ter feito o que fez! Você passou dos limites quando criou essa conta no Skype e... Pensando bem, como você conseguiu minhas fotos?

— No seu celular.

— Tadashi!! — Hiro exclamou, estupefato e chocado demais pela invasão de privacidade.

Tadashi o garrou, fazendo Hiro ficar de pé e o tomando em um abraço forte e cheio de sentimento.

— Desculpe. — ele disse, suspirando fundo e enterrando seu rosto nos ombros e Hiro, adorando o fato da diferença de altura não ser mais tão grande como antes — Eu não agi certo, eu devia ter conversado com você, mas eu estava preocupado e perdido demais, e eu queria saber o que estava acontecendo contigo. Eu não vou mais invadir a sua privacidade desse jeito, não agora que você está se abrindo pra mim e me tratando como um igual.

— Nem os rastreadores?

Hiro olhou para Tadashi com uma expressão sapeca, como se o avaliasse. Se Tadashi realmente queria tratá-lo como um “igual”, agora ele receberia sua prova real.

— Ok, nem os rastreadores. — O mais velho respondeu, suspirando fundo e se perguntando se estaria fazendo a coisa certa, mas decidido em sua conduta — Tem um na sua carteira agora, você pode tirar.

— Eu descobri na semana passada, ele está na coleira do Mochi no momento.

— Isso explica o seu novo hábito de pular em telhados. — Tadashi comentou; Hiro riu sonoramente — Eu achava que o rastreador estava com bug.

Extremamente feliz com o rumo da conversa, Hiro agarrou Tadashi pelo pescoço e o puxou para um beijo suave, sorrindo contra seus lábios e apreciando a forma como o mais velho instintivamente circundou seus braços ao seu redor.

Eles encaixavam tão bem quando estavam abraçados... Hiro não via a hora de ver se eles encaixavam bem em outras posições.

— Bom Tadashi, acho que eu posso te perdoar. — Hiro deu um sorrisinho sacana de canto de boca, acariciando as laterais do corpo de Tadashi e puxando-o para um abraço um pouco mais obsceno que o anterior, unindo apenas o baixo ventre de ambos nesse novo contato e não deixando de perceber a forma como Tadashi o olhou de cima a baixo enquanto fazia isso — Se você se redimir, é claro...

Tadashi agiu por instinto: pegou Hiro pelos antebraços e o empurrou de volta a cama, agarrando o cobertor e jogando-o do outro lado do quarto, para dar espaço em sua desenvoltura. O garoto se assustou com a súbita movimentação, mas antes que pudesse reagir de qualquer forma, Tadashi já estava acima de seu corpo, olhando-o com intenso desejo e até mesmo um pouco de insanidade.

— Eu pretendo sim me redimir, pode deixar comigo. — Tadashi sussurrou contra os lábios de Hiro, e ele reconheceu aquela voz rouca e necessitada: era voz de Kyle.

Não, não era a voz de Kyle, era a voz excitada de Tadashi. Não era mais uma fantasia; e, dessa vez, Hiro não iria fugir de uma realidade, não quando ela parecia tão promissora daquele jeito.

Quem sabe agora as coisas não pudessem finalmente tomar um rumo menos frustrante e mais prazeroso, não é mesmo?

.

... Continua...

Notas finais
(1) Nii-chan: é uma forma de chamar o irmão mais velho no Japão. Hiro, no mangá, chama o Tadashi assim; na versão japonesa do filme ele se refere à Tadashi como “nii-san” e não fala o nome dele em nenhum vídeo que eu assisti no youtube. Hiro respeita e admira demais o Tadashi, e mesmo tendo um Q.I. superior ao de seu irmão mais velho, ele considera Tadashi muito mais inteligente e genioso do que ele – isso ele fala com todas as letras no mangá. O que eu expliquei na fanfic é verdade: não é muito comum o mais novo chamar o irmão mais velho pelo nome, e quando o faz ele coloca “nii-san/chan” junto em seu nome, como por exemplo “Tadashi-nii” ou “Tadashi-nii-san”. É uma forma carinhosa de chamar seu irmão, mas vai além disso, pois é uma questão de respeito. Na sociedade japonesa, deixar de lado esses sufixos honoríficos e chamar apenas pelo nome é uma forma de demonstrar intimidade e igualdade entre as pessoas da conversa. Tadashi desejar que Hiro não o chame com o sufixo honorífico é um pedido de “não me veja como superior a você, pois eu sou o seu igual”. N/A: Espero que tenham gostado da atualização! =D Aguardo opiniões! o/ Capítulo que vem é o tão esperado lemon, e final da fanfic! Beijos, até a próxima! Links relevantes: Página do Facebook: www.facebook.com/pcspuzumaki Tag de atualizações do tumblr: www.uchihalicius.tumblr.com/tagged/atualizacaofics Aviso sobre Plágio: Plágio é crime (artigo 184 do Código Penal) e quem plagiar qualquer fanfic minha, seja totalmente, parcialmente, ou seguindo os mesmos acontecimentos e apenas escrevendo com outras palavras (plágio conceitual) será denunciado e processado judicialmente. Eu sou advogada, sei meus direitos e não vou hesitar em buscá-los, pois pra mim vai ser só mais um processo pra levar a diante, enquanto para você será uma imensa dor de cabeça. Tenha em mente o que te aguardará caso você decida plagiar algo meu, e tenha certeza do seguinte: se eu ou algum leitor meu encontrar o seu plágio de fanfics de minha autoria, eu não terei piedade. Quem não teve respeito com minhas obras não merece minha consideração e meu perdão.