Púpilos da máfia

4 Traficante na ponte: Florence Churill


Notas iniciais
Desssssculpa a demora, fui viajar, perdi o arquivo que as ideias tavam guardadas tive que lembrar de tudo e fazer de um jeito legal pelo menos, não é mesmo? Espero que gostem! ;)

Florence Churill

Eu não pude esperar que a velocidade dos associados do meu pai fosse tanta, enquanto estávamos a caminho de Salinas eles já tinham encontrado o Kriston que seria “julgado”, sempre que eu acompanhava meu pai quando ele tinha este tipo de trabalho a fazer, eu observava sua classe. Ele nunca colocava as mãos na massa a menos que fosse algo extremamente grave, por vezes nem aparecia no local, fosse para não levantar suspeitas, fosse pela pequena importância que o assunto tinha, mesmo com todo esse cuidado ele ainda era considerado muito aparente por outras famílias.

Demoramos mais ou menos uma hora para chegar em nosso destino, a cidade portuária de Salinas mantinha como elemento cultural uma ponte de ferro antiga que não era mais de muita utilidade, nosso motorista parou em frente ao portal desse ponte, o sol estava começando a se pôr, e alguns homens de terno nos esperavam no meio da armação, entre eles um homem, pequeno e gordo, cara de idiota, suando feito um porco, estava tremendo de medo. Meu pai parou antes de chegarmos até ele e pediu que eu continuasse, no que me aproximei os associados abriram espaço, para que eu pudesse ficar cara a cara com Enzel Kriston, o traficante.

— Olá – Falei enquanto o via suar, delicadamente coloquei minhas mãos no paletó que eu tinha colocado durante o percurso.

Ali o vento era bem forte, tal qual o cheiro de maresia e o som dos navios, como a ponte era antiga a única proteção com a qual contava eram os corrimões e as grades que ficavam apenas para baixo deles, acima era livre de qualquer tipo de bloqueio, talvez por isso alguns suicídios – ou assassinatos enrustidos – acontecessem ali. Enzel estava com um olho roxo e parecia nervoso a ponto de ter um ataque cardíaco, o medo era visível em seus olhos.

Encostei as costas do corrimão atrás de mim, com cuidado para que minha fobia com altura não se tornasse transparente, olhei para o lado contrário ao que estava meu pai, e fiquei esperando o momento certo para tomar qualquer decisão. Os homens que pegaram Kriston o seguravam com muita força, e ele parecia não ter nenhuma, fosse para fugir ou para se manter em pé. Estava drogado, olheiras profundas e rosto magro, os olhos assustados estavam vermelhos, e por mais que isso parecesse uma vantagem, não tinha como imaginá-lo vivendo muito mais tempo, não era um homem jovem, não era um homem feliz e apesar do medo de morrer naquele momento, parecia alguém que cometeria suicídio na primeira oportunidade.

— Kriston – Falei e ele levantou o rosto, sonolento, em minha direção – A venda de drogas em Salina não é legal, ainda mais em boates da família Churill – Seus lábios começaram a tremer, e seu corpo ficou ereto, parecia ter medo de meus movimentos, mas ter confiança em si próprio, não deixaria que sua ignorância fosse maior do que a minha imponência – E como sabe, não se pode mexer conosco.

Em um ato inusitado ele soltou seus braços dos comparsas e se aproximou de mim, deixando uma distancia tão mínima que fez meu estômago embrulhar devido ao cheiro de álcool e drogas que ele exalava, aparentemente ele imaginou que seu ato fosse me assustar, pois quando tentou falar comigo, já não parecia tão confiante, afinal eu não havia mexido um músculo. Isso não o impediu.

— Madame – Ele falou com a voz lenta e atropelada – Você acha que é o que? Don Corleone – Continuou soltando uma gargalhada, mantive o mesmo olhar frio e a mesma posição endurecida – Eu não respondo a crianças e nem a mulheres, se seu pai está infeliz com o que eu faço dentro da boate de vocês, ele que me procure, gracinha!

Devagar ele se afastou e os homens voltaram a segurá-lo, o observei alguns instantes, e decidi me aproximar, olhei para ele atentamente, curvando a cabeça de um lado para o outro e vendo o homem, amedrontado, na minha frente, engolir em seco. Aquilo me serviu de sinal. Olhei para os capangas, um de cada vez, virando a cabeça devagar e assentindo quando o olhar deles focava em mim. Em um movimento súbito eles levantaram Enzel Kristion e o penduraram para o lado de fora da segurança da ponte, segurando-o apenas pelo braço.

Aproximei-me do corrimão aonde ele estava e olhei para baixo, ele gritava como uma mulher dos anos 60 em um prédio em chamas, ergui um sorriso com a lateral dos lábios e observei divertida enquanto ele gritava para os homens do meu pai o trazerem de volta, deixei ele assim por alguns segundos, quando Charlie, um dos homens informou pelo olhar que não estava mais aguentando – Kriston era pesado, para ajuda – Assenti novamente e eles o subiram, mas não o trouxeram de volta para o lado de dentro da grade, apenas o deixaram apoiar o pé ali.

— Me deixe voltar! – Ele gritou na minha cara.

Sua saliva voou em meu rosto e seu hálito com o cheiro anteriormente descrito tomou conta de minhas narinas me enjoando.

— Não fale tão próximo de mim – Falei com a maior calma do mundo, enquanto tirava um lenço do bolso e limpava o rosto – Você fede.

Observei a mandíbula do homem endurecer e apenas gargalhei, era exatamente o que eu queria.

— Escute bem, Kriston – Falei olhando diretamente em seus olhos – Você tem duas opções maravilhosas.

Ele ficou observando atentamente, enquanto eu ditava seus passos.

— Você pode pegar sua família e sair do Estado – Falei divertida – Ou acordar com os peixes, caso você pense em vender drogas nessa cidade novamente, seja em nosso monumento ou em qualquer outro.

Kriston ficou com a boca fechada, suas características nunca sairiam da minha mente, cabelo ruivo, tal como a barba que era mal feita, os olhos castanhos ansiosos e amedrontados, mas o ar prepotente e arrogante, ele era gordo, mas a droga tinha feito com que alguns pontos dele parecessem mais profundos, como os olhos e a bochecha. Nada disso se comparou ao fato de depois de eu ter falado aquilo, seus lábios se fecharem por um momento para depois cuspirem em meu vestido, e soltarem uma estridente gargalhada. Por alguns momentos fiquei imóvel, apenas abaixei a cabeça tentando olhar o estrago que tinha sido feito na altura do meu peito, quando o vi, minha decisão foi tomada.

Andei até ele e segurei sua camisa pela gola.

— Meu pai te apadrinhou e você tornou essa merda que é hoje – Minha voz tinha tomado um pequeno rosnado para deixar clara as coisas que falaria a aquele homem – Um traficante de merda, que busca por putas todas as noites e as consegue pelas drogas, deixa sua família de lado e bate em sua mulher quando ela busca por informação seja para teu bem ou teu mal, e se tem uma coisa que minha família não suporta é isso violência, prepotência e preconceito, acha que eu não sei que foi você que assassinou aquele negro na boate? – Ele olhou para mim com os olhos arregalados e cada vez maior o medo estampado em seu rosto, lágrimas surgiram em seus olhos e aquilo não me era prazeroso, mas sim necessário – Ou que você violentou aquele Gay? E a menina que foi vítima de estupro foi você também?!

— Eu nunca faria isso com uma criança – Ele falou com a voz esganada de perdão e choro.

— Isso não vai te salvar do que já fez antes – Cuspi as palavras para ele e voltei ao meu tom de voz natural — Eu devia deixá-lo vivo, para que o visse deteriorando cada vez mais e sofrendo com a morte lenta que teria, mas você não merece sequer um segundo a mais nesse mundo. Sua família receberá proteção, enquanto a você...

Ele olhou para mim, as lágrimas já tinham começado a correr e ele não conseguia mais falar devido ao medo.

— Espero que Deus tenha piedade da sua alma – Então eu soltei a sua gola e os homens soltaram os seus braços.

Ele não gritou, apenas ouvimos o barulho de seu corpo de encontro a água alguns segundos depois, olhei para baixo garantindo que ele afundaria com as pedras que tinham sido colocadas em seu casaco sem ele nem perceber. Ele não retornou a superfície.

— Florence? – Falou Charlie – Está tudo bem?

— Sim – Respondi ainda um pouco tonta, não era a primeira vez e não seria a última, mas a morte é sempre um choque, para mim – Vamos encontrar com meu pai.

— Tenho certeza que ele saberá que você fez o certo – Ícaro, o outro associado comentou.

Sorri para ele em agradecimento, e então fomos andando para de volta o encontro do meu pai, já estava anoitecendo e estava muito frio. Meu pai nos observou de longe, parecia estar a procura de Kriston então dei sinal de que ele tinha sido morto, ele pareceu assustado, mas me deu as mãos quando me aproximei.

— O que houve? – Ele perguntou olhando para meu vestido cuspido.

— Digamos que ele não aceitou a negociação – Respondi e ele apenas balançou a cabeça negativamente.

— Se é o certo, então não tem problema – Ele falou com um sorriso frouxo – Vamos?

Assenti e ele me guiou para o carro, a única coisa na qual eu conseguia pensar agora, era em tomar um banho.

Notas finais
TAN TAN TAAAAAN Next chapter by Matthew ~3^