Púpilos da máfia

6 Reunião Familiar: Matthew Herdig


Notas iniciais
Kkkkkkkk Foi mal pelo tempo sem postar, eu meio desanimei, mas foi por questões pessoais, e prometo que vou postar certinho agr ♥ Não desistam PLEASE

Felizmente a reunião fora marcada para uma hora depois de eu realmente acordar, pude tomar um longo banho, na tentativa de deixar o cheiro de bebida para trás e o resultado foi realmente satisfatório. Desci como normalmente para tomar café, mas me apressei durante o ato, a música da vez eram os clássicos, e aparentemente, de Beethoven. Olhei para o escritório do meu avô, que ficava bem em frente ao salão em que tomávamos café da manhã, ele estava com os olhos fechados e a cabeça balançando ao ritmo da música, em sua frente estava o neto mais novo, com cara de infeliz. Sorri com a situação, depois olhei no relógio cuco e faltavam dez minutos para a reunião, terminei meu café um pouco apressado e caminhei para o escritório de Lucio.

Seus olhos não se abriram com minha presença, muito menos sua cabeça deixou de balançar. Fiquei esperando por volta de cinco minutos até que a musica acabasse e meu primo mais novo se desse por liberto, finalmente quando o violino terminou de tocar e a vitrola parou de trocar os discos, ele abriu os olhos e me observou, estava sorridente esta manhã.

— Bom dia vô – Falei cordialmente – Como se sente?

— Ótimo! – Ele falou muito feliz – Meu coração está batendo normalmente, o remédio está em dia, meus netos estão aqui para o casamento de amanhã, o que poderia ser melhor?

— Ainda bem que está feliz avô, vamos para o jardim? – Perguntei enquanto ele pegava sua bengala com ponta de leão e se apoiava nela.

— Vamos, vamos, vamos! – Ele respondeu – Já estamos atrasados.

Acompanhei meu velho até o jardim de inverno onde meu pai, meu Henrico e seu filho Fernando, ainda meu outro tio, Juan e seus dois filhos gêmeos, Oliver e Gabriel, estavam todos sentados jogando conversa fora, todos tinham vindo para o casamento de uma prima minha, irmã de Fernando. Kyla tinha conhecimento dos negócios da família, mas não tinha a mínima vontade de se envolver assim como seu pai, assim eles nunca estavam por aqui, meu avô ficava triste na ausência dos filhos, mas quando os via parecia reviver em uma alegria inacabável.

— É ótimo vê-los, meus filhos – Ele falou sorridente sentando-se a ponta da mesa que tinha sido deixada livre para ele, enquanto eu me sentava do outro lado, ao lado de meu pai, pousei a mão rapidamente em seu ombro quando sentei e ele a segurou levemente – É um prazer reunir todos, prometo não falar de negócios da máfia com vocês, excluindo Carlo e Matthew, durante toda a estada aqui.

Meus tios sorriram com a notícia e pareceram animados, meu pai e eu, no entanto, sorrimos por educação, algo ainda estava para acontecer naquela família. Meu avô continuou, avisou que pagaria o vestido de Kyla, assim como o das outras mulheres da família, o que deixou meu tio muito aliviado e feliz. Abraçou o pai com carinho e pediu licença, na intenção de avisar à filha.

— Só um momento – Ele pediu e segurou as mãos do filho, olhando atentamente nos olhos – Soube que Florence Churill foi convidada para o casamento, junto com o senhor seu pai.

Senti a tensão tomando conta da sala e observei isso claramente quando a garganta do meu tio se movimento, como se eles estivesse engolindo em seco.

— Sim, meu pai – Ele respondeu com a voz muito tensa, todos na sala estavam quietos e atentos à resposta – Ela é amiga de faculdade da minha filha, e com isso, Kyla à convidou e consequentemente o pai que fora muito gentil com ela.

— Entendo – Meu avô respondeu, parecia mais pensativo do que tudo e de nenhum modo parecia bravo ou decepcionado, isso se comprovou quando ele continuou a frase – Isso é maravilhoso!

— Pai? – Meu tio e meu pai questionaram juntos.

— Queremos estreitar relações com os Churill, mais como amigos do que qualquer coisa, o que seria melhor do que um convite de casamento para isso? – Ele falou sorridente. Ninguém se atreveu a discordar, mesmo sentindo que todos tinham ficado um pouco na defensiva, meu avô era o chefe, o Don, e por isso não seria questionado de suas decisões – Não vai contar à Kyla sobre o vestido?

Henrico sacudiu a cabeça, como se tentando remover o excesso se informações da sua cabeça, chamou Fernando para acompanhá-lo que foi de bom grado, deixando um beijo na testa do avô e andando atrás do pai, estavam felizes demais para pensar em problemas.

— Muito obrigado por essa reunião maravilhosa, Juan pode sair assim como meus netos queridos – Os três se levantaram e seguiram para perto do meu avô, repetindo o ato de meu primo, dando um beijo em sua testa e seguindo o pai para fora do jardim.

Don Herdig esperou que ficássemos só nós três sentados à mesa, então ele se sentou e colocou uma xícara de café para si, meu pai e eu não dissemos uma palavra sequer, esperamos que ele fizesse o que quisesse e nos comunicasse seus planos. Eu não era a única pessoa tensa na mesa, meu pai segurava as mãos com força, deixando seus nós brancos, seus lábios formavam uma linha fina em seu rosto, e seus olhos não pareciam focados em lugar algum.

— Observador – Meu avô falou de repente – Tem aprendido o movimento das pessoas muito bem, Matt.

— Senhor? – Perguntei, meu pai tinha tornado à ficar com o corpo mais relaxado.

— Percebo que hoje você está mais ativo com os acontecimentos – Ele respondeu, enquanto acendia um cachimbo antigo e o colocava nos lábios – Tem alguma pergunta à me fazer?

Enquanto dizia isso, ele ergueu a sobrancelha esquerda, muito semelhante à meu pai quando estava conversando sobre negócios, mas ele dissera a verdade, mesmo eu não a tendo percebido, eu consegui prever o movimento de todos naquela mesa até então, não as palavras, mas seus gestos e suas características mais irrelevantes, isso porque eu tinha decidido me focar em apenas uma coisa de cada vez, não tentar prestar atenção aos atos enquanto eles falavam e vice-versa, como dissera Churill.

— O que deseja realmente com a presença dos Churill aqui? Se me permite perguntar – Falei com a postura mais correta que consegui, e tentando não tirar os olhos dos de meu avô à qualquer momento que fosse.

Não foi surpreendente para mim, quando ele ergueu um lado de seus lábios em um sorriso irônico e satisfeito, o velho Don, se levantou e andou devagar até onde eu estava, tentei com todo o esforço não dar nenhuma demonstração de nervoso, ele se aproximou e colocou as mãos nos meus ombros apertando-os suavemente, olhei para cima de forma bem discreta e vi um sorriso de orgulho nos olhos do meu avô, aquilo sim era impressionante.

— Matthew, sempre tão assustado com o som das balas, mas firme com o som das repreensões – Ele falou, com certeza lembrando-se de quando eu era criança, e comecei à aprender o que a família fazia de melhor, não podia ver uma arma, um rosto estranho ou ouvir uma palavra feia que saia correndo para o colo de minha mãe – Meu interesse com Robert Churill é inteiramente amigável, assim como com sua filha, no entanto, temos que juntar a fome com a vontade de comer, deste modo, Non fa niente!

Lucio então deu um tapinha de leve no meu rosto e saiu dançante para de volta à mansão, no momento que o vi entrando e sumindo de vista olhei para meu pai questionando-o, a resposta mais concreta que ele pode me dar foi um levantamento de ombros e um convite para ir buscar minha mãe no aeroporto.

— Não espere nada concreto de seu avô – Meu pai falou enquanto íamos para o carro – Ele nunca foi de dar boas respostas.

— Nem de ter boas intenções – Retruquei – Acha que ele fará algo aos Churill?

Carlo olhou para as árvores na nossa frente pensativo, então em silêncio, continuou seu caminho para o carro. Era típico do meu pai, procurar uma resposta perfeita antes de dizer qualquer coisa, o que fazia dele um homem muito calado, mas muito inteligente. Chegamos ao carro, e ainda estávamos quietos, então quando entramos, percebi que meu pai mantinha um olhar vidrado à uma árvore exclusivamente.

— Pai? – Disse tentando tirá-lo do devaneio

— Existe uma história, um pássaro, que mantinha seu ninho constantemente protegido de uma cobra, e é sabido que os ovos nascem um de cada vez para que nunca faltem oportunidades de realmente continuarem as ninhadas, em uma dessas vezes a cobra decidiu matar o pássaro e comer os ovos de seu ninho, mas um filhote já havia nascido, e quando viu que sua mãe tinha morrido, se escondeu embaixo das asas dela, quando viu que a cobra estava comendo os ovos que tinham sido deixados, o pássaro jurou que faria aquela cobra o mesmo que ela havia feito à sua mãe, mas pior, então quando a cobra teve filhotes, o pássaro não matou os filhotes e sim a cobra, deixando que os filhotes morressem das causas mais dolorosas possíveis...- Quando ele terminou, entendi perfeitamente o que ele quis dizer, e também me dei conta que já tínhamos percorrido metade do caminho – Ligue para sua mãe, por favor...

Sem dizer mais nada, fiz o que ele havia mandado.