Péssima Escolha
20 Capítulo 19
Notas iniciais
– Por favor Quero te levar a um lugar.
– Tudo bem — cedi, girando os olhos
– Valeu! — pegou minha mão e saiu, literalmente, me puxando escada abaixo, até seu carro, deu a partida e começamos a andar
Pouco menos de um quilometro depois paramos no sinal.
– Ah Me lembrei de uma coisa — falei
– O que foi?
– Eu esqueci de avisar ao meu irmão que eu saí e não volto com ele.
– Relaxa eu mando uma mensagem
Pegou o celular do bolso e começou a digitar. Me estiquei para ver o que ele tinha escrito
"Mano, sequestrei sua irmã, mais tarde devolvo ela Talvez."
O olhei com uma sobrancelha erguida, ele riu da minha cara, logo fiz o mesmo, o sinal abriu e voltamos a andar
– Então Onde nós vamos? — perguntei animada
– Surpresa — sorriu maroto — Ah tenho que pedir mais uma coisa
– O quê? — o olhei desconfiada
– Você podia vendar os seus olhos? — falou me estendendo um flanela, o encarei com cara de tédio e ele sorriu amarelo — Vai É porque eu não quero que você veja aonde estamos indo Por favor
– Tá bom — aceitei contra gosto e amarrei a flanela em volta da minha cabeça cobrindo os meus olhos
Ficamos alguns minutos andando, só ouvindo uma música
– Já estamos perto? — falei com a voz arrastada
– Jessie, pela milionésima vez Ainda não! — choraminguei
Depois de mais uns quinze minutos, que pareceram uma eternidade, o carro parou. FINALMENTE!
Ouvi o Fred abrindo sua porta e logo em seguida a fechando, esperei, pois não seria nada legal eu tentar sai do carro sozinha com os olhos vendados, até que ouvi minha porta também se abrindo
– Já chegamos? — perguntei virada na direção onde provavelmente ele estava
– Bem Mais ou menos Ainda falta um pouco, mas agora vamos ter que continuar a pé
– Por quê?
– Porque aonde vamos não pode entrar com o carro. Agora levanta
– Sério?
– Para de reclamar e vem logo — pegou minhas mãos, que estavam no meu colo, me puxou para sair do carro, em seguida bateu a porta e o travou
Dei uns dois passos e ele me parou, ouvi o rangido de um portão se abrindo ONDE ESSE MALUCO TÁ ME LEVANDO?!
Passamos, fechou o provável portão e continuou a me guiar
– É muito longe? — perguntei
– Um pouco Mas acredite, vale a pena
– Sério Se eu cair ou bater em alguma coisa, eu juro que te mato!
– Relaxa — falou tranquilo
Caminhamos o que pareceu um quilometro, mas acho que nem chegou perto disso, parecia ser um caminho de terra, ele segurava minhas mãos e provavelmente andava de costas
Paramos, o Fred largou uma das minhas mãos, o ouvi parar do meu lado.
– Pronto, chegamos
– Finalmente! Posso tirar essa coisa dos meus olhos agora?
– Pode
Desamarrei a flanela e a tirei de cima dos meus olhos, minha visão foi ofuscada pela grande quantidade de brilho, pisquei algumas vezes e quando consegui enxergar me maravilhei com a imagem que surgira. Estávamos num parque Incrível As folhas das árvores eram tingidas num tom perfeito de verde, as flores pareciam ter sido desenhadas a mão, num colorido vivo e era completamente deserto, só ouvia-se o piado dos pássaros e as folhas que dançavam nas árvores quando o vento batia nelas
– Wow, que lindo — murmurei encantada, olhei para trás onde estava o Fred, que estava sorrindo
– É, né? Encontrei esse lugar faz um tempo Mas nunca tive a chance de te trazer — abaixei o olhar, essa frase me fez lembrar de tudo que aconteceu, ele provavelmente já teria trazido a vadia — Você sabia que você é a primeira pessoa que eu trago aqui? — levantei o minha cabeça e o encarei. Ele pareceu ler meus pensamentos. Sorri boba e ele fez o mesmo — Esse é meu esconderijo secreto Quando estou triste ou preciso pensar, é pra cá que eu venho
– É mesmo incrível! — falei quase sem fôlego, ao me virar, mas ele segurou meu braço e me puxou para perto de si, me deixando a apenas alguns centímetros dele
– Olha Você ficou mais forte Não é? — sorri brincalhona, ele revirou os olhos e sorriu
Ficou me encarando e seu sorriso foi se desmanchando
– Olha Vou falar de novo Me desculpa — sussurrou
– Eu já disse mil vezes que sim — respondi séria, mas com um pequenino sorriso de canto
– Não, não disse É sério Me desculpa, me desculpa por tudo Por não ter acreditado em você Por ter sido um idiota Por ter te feito sofrer! Eu preciso desesperadamente que você diga com todas as letras que me perdoa!
– Olha Por você não ter acreditado em mim, eu perdoou, eu sei como aquela biscate é e você estava apaixonado
– Quer saber? Acho até que eu nem tava tão apaixonado assim Eu só estava encantado Atraído fisicamente por ela
– TÁ BOM! JÁ ENTENDI! Continuando Sobre você ter sido um idiota, retardado, debimental, desgraçado Deixa pra lá Todo mundo tem um momento de cegueira. E Bem Por você ter me feito sofrer Não importa Eu posso até ter me magoado, mas eu fiz tudo porque o meu objetivo era fazer VOCÊ não sofrer Eu sabia que podia me machucar, mas Eu nunca estive nem aí Resumindo: É claro que eu te desculpo!
O sorriso dele foi se alargando e se transformou num lindo sorriso bobo, o meu também foi surgindo. Num ato agil, rápido e possessivo ele pôs a mão direita na minha nuca e a esquerda na minha cintura, me puxando para perto de si e me beijando O beijo mais doce e suave existente na galáxia E naquele momento meu coração finalmente admitiu a paixão que eu sempre senti por ele E ele pareceu demonstrar que sentia o mesmo por mim
Nos separamos, ficamos nos encarando com um sorriso de canto, até que o meu se transformou num sorriso infantil, olhei em volta e o lugar pareceu ainda mais lindo, peguei a mão dele e comecei a caminhar, pulando e girando, ele girou os olhos rindo e me acompanhou
– Jass — parou puxando minha mão para me virar para ele
– Oi — falei com um sorriso
– Posso te perguntar uma coisa?
– Pode
– Ok, então vamos lá — ainda segurando minha mão se ajoelhou, o encarei com uma sobrancelha erguida — Jasmine Black — começou — Será que o meu anjinho aceitaria namorar comigo?
– Ham Não sei Por que não pergunta a ele? — sorri brincalhona
– Engraçadinha — falou estreitando os olhos — Mas, então, anjo, você aceita namorar comigo? — perguntou com um sorriso lindo
– Hum Deixa eu pensar Não — falei, na hora o seu sorriso desapareceu, ele simplesmente congelou e começou a empalidecer — É brincadeira, Johnson Claro que eu aceito, eu não seria capaz de negar — completei com um sorriso, mas ele continuou parado, apesar de ter surgido um microscópico sorrisinho no canto de sua boca — Fred? Fred? Fred Você está bem?
– Anham Você só quase me fez ter uma parada cardíaca — ironizou, levantando aliviado
– Seu bobo Você acha mesmo que depois de tudo que passamos eu negaria? — entrelacei meus braços nos seu pescoço e o puxei para um beijo
Passamos horas e horas conversando, caminhando e nos "curtindo", mal notamos o tempo passar. Só despertamos quando meu celular apitou, era a Thaty.
"Jessie, amiga, você sabe que eu te adoro e desculpe se eu estiver atrapalhando algo, mas, por favor, vem até a minha casa, eu imploro, rápido!"
– Será que aconteceu alguma coisa? — questionou o Fred abraçado de lado comigo pela cintura
– Não sei Mas eu tenho que ir ver o que essa maluca quer, pode ser alguma coisa importante
– Mas justo agora? — me puxou para a sua frente pela cintura, fazendo cara de cachorrinho jogado na estrada, me puxando novamente para um selinho
– Foi mal, eu tenho que ir — falei lastimando
– Tá bom, se não tem jeito, eu te levo até lá — pegou minha mão e fomos andando de volta para o carro e o caminho também era lindo
Depois de um tempinho nos deparamos com um portãozinho, ao passar mesmo assim não reconheci o lugar, enquanto eu olhava em volta o Fred abriu a porta do carro para mim e fez sinal para eu entrar, entrei e ele fechou-a novamente. Fomos o caminho conversando com uma musiquinha ao fundo, após uns 25 minutos chegamos frente a casa de Thaty
– Entregue — falou ao parar o carro
– Obrigada Nos vemos depois — sorri pondo a mão na maçaneta da porta
– Espera! — me virei para ele interrogativa — Não se atreva a sair! — abriu a própria porta, saiu, deu a volta no carro e parou frente a minha porta a abrindo — Agora sim — abriu e estendeu a mão para mim, fiz cara de tédio para ele, porém aceitei sua mão, saindo carro — O que foi? Eu gosto de ser cavalheiro — deu um sorriso maroto e eu ri
– E eu adoro isso em você — sorri — Agora tchau — tentei me afastar lentamente, mas ele me puxou pela mão
– Antes eu quero meu beijo de tchau — ri da cara de safado dele e dei um passo em sua direção, soltei sua mão, entrelaçando meus braços no seu pescoço, ele agarrou minha cintura e me puxou para mais um beijo, tão doce quanto o primeiro, só nos separamos ao ouvi um grito animado vindo de dentro da casa, olhei para a porta assustada, a vi se escancarar com força e uma Thaty vindo até nós correndo com um monumental sorriso estampado no rosto, logo em seguida vi o Teddy vir numa lentidão como se fosse um zumbi o qual perdeu metade do cérebro, foi aí que eu lembrei que a Thaty tinha dito que hoje o traria para conhecer seus pais, mas não entendi direito
– Eu não acredito! Você finalmente admitiram de se amam e agora estão juntos?! — ela pulou na nossa frente
– Anham — confirmei
– Isso é maravilhoso! — deu pulinhos animados batendo palmas, vi os pais da Thaty aparecerem e pararem a porta, o pai dela estava com uma cara de um super mal humor, quase mortal, finalmente o Teddy conseguiu chegar até nós
– O que houve lá dentro? Por que você me mandou aquela mensagem? — perguntei curiosa
– Eu entrei em desespero Você lembra que eu falei que hoje traria o Teddy para conhecer meus pais? — assenti
– Pois é O pai dela é aterrorizante Quase não falou nada, mas me olhou de um jeito parecendo que a qualquer segundo pegaria uma faca e me mataria — falou com cara de assustado
– Tudo bem, Jessie? — ao ouvi a voz do Sr. Rowling que se aproximava, o Teddy endureceu
– Oi, tio Estou ótima — falei com um sorriso e ele retribuiu com um de canto
– Jessie — falou a Sra. Rowling
– Oi, tia — sorri para ela também — Então, vocês conheceram melhor o meu irmão?
– Anham — falou o pai da Thaty, logo em seguida olhando feio para Teddy
– Então, Teddy, vamos? — perguntou a Thaty, ele não respondeu nada, só virou para ela
– Vocês vão sair juntos? — questionou o Sr. Rowling sério
– É que combinamos de sair nós quatro, tio — menti, a Thaty também tinha dito que iriam ao cinema depois
– Vocês quatro? — fiz que sim com a cabeça — Fazer o quê?
– Cinema — tentei parecer natural
– Tá bom Se vão vocês quatro, podem ir — disse sério — Prazer em te conhecer, meu rapaz — estendeu a mão para o Teddy
– O prazer foi meu, senhor — apertou a mão dele
Eles ficaram se encarando, o Sr. Rowling ficou balançando a mão sem querer largar a do Teddy e eu nunca vi meu irmão demonstrar tanto medo, tive que me segurar para não rir
– Ok, chega, né, pai? — falou a Thaty se metendo no meio dos dois, os fazendo soltarem as mãos — Vamos, Teddy — pegou a mão dele, fazendo seu pai lançar-lhes um olhar mortal — Tchau, pai Tchau, mamãe — falou o puxando para o carro dele
– Tchau, filha — respondeu a Sra. Rowling
– Tchau, querida — respondeu também o Sr. Rowling
– Nós vamos indo também Tchau, tio Tchau, tia — falei entrando no carro com o Fred
Os dois carros sairam e fomos um tempinho juntos para despistar, mas eles acabaram indo ao cinema e nós ao parque, foi muito divertido
Quando no dia seguinte, entramos juntos no colégio, a cara da Swift foi hilária, bem feito para aquela vadia
Eu queria muito dizer que sem o Fred a Swift se ferrou nas provas e teve que ficar de recuperação do mesmo jeito, mas não, ele é tão bom professor que ela aprendeu o suficiente para passar. Mas não é um problema, a vida é assim, e pelo menos agora o Fred sabe disso, ela é feita de erros É assim que aprendemos Mas você que escolhe o que vai fazer com eles Vai deixa-los te destruir ou vai seguir em frente até acertar?
Fim
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