Notas iniciais
Agradeço a todos que postaram reviews, eles me fortalecem para continuar a escrever. Obrigada!

Dean pegou o celular e discou para o número de Bobby enquanto caminhava em retorno para a estrada, para fora daquela maldita floresta sombria. As árvores estavam ressequidas e o vento forte agravava ainda mais o cenário, típico dos filmes em que as vítimas corriam para escaparem de seu algoz, que mesmo a passos lentos os alcançavam. Mas além de todo o cenário Dean sentiu um frio no estômago, aquela sensação de caçador em que algo não estava certo. O telefone continuava chamando, o loiro parou e virou-se para o irmão. Sam conhecia cada feição de Dean, e aquela era a que ele mais temia. O pavor!

_Dean o que tá pegando? Qual o problema?

_Eu..._Dean colocou o telefone no viva voz, o sons eram tenebrosos. Era como o mastigar de ossos e resmungos das malditas bestas, mas o pior ainda estava por vir...gritos humanos...gritos modificados pela dor e em seguida um profundo silêncio.

_O que foi isso Dean? É o telefone do..._as palavras não queriam sair da garganta do mais jovem ao fixar seus olhos aos do irmão, ambos aterrorizados pela possibilidade de que seu mentor, um pai para eles tivesse sido o autor dos gritos.

_Era sim Sam, o número do Bobby. Vamos nos apressar em salvá-lo, rápido!

Sam o olhou, mas Dean já estava longe. Nos pensamentos do moreno Bobby já estaria morto, mas não tinha coragem de pronunciar nenhuma palavra ao irmão. Isso acabaria com o resto que sobrou de Dean. E Sam estava muito assustado, não lembrava-se de sentir tanto medo, nem pelo pai sentiu o que estava em seu peito. A medida que tentava correr o desespero se intensificava, e se suas visões o estavam alertando para isso? E se o homem ensangüentado não fosse Dean e se fosse o Bobby? Lágrimas começavam a descer pela sua face, o vento forte as secavam rapidamente e não precisava preocupar-se em limpá-las antes que Dean percebesse o estado emocional em que se encontrava.

Por outro lado estava o loiro, sem lágrimas, sem pensamentos, sem emoções...apenas uma função martelava sua cabeça, salvar Bobby e matar os cães ou o que for aquelas coisas peludas e pegajosas. Acabaria com todas elas, fulminaria as pragas da face da terra, não do universo! Tentou ligar novamente para o velho caçador, desta vez não houve chamadas, nem caixa de mensagem, apenas silêncio. Dean parou repentinamente, aguardou o irmão que chegava em seguida, ambos esbaforidos.

_O que é Dean?

_Não devíamos ter deixado Bobby sozinho ...fomos idiotas, era uma cilada e nem percebemos. Como pude me deixar enganar!

Dean sempre culpado-se pela desgraças que lhes aconteciam, até quando ele agiria desta forma, Sam não consigou calar-se desta vez.

_Cara, pára tudo! Se o pior aconteceu não foi sua culpa e nem minha culpa, somos caçadores e por mais experientes somos surpreendidos pelo destino. Vamos acabar com esses monstros, até o último fio de vida que nos restar. Era o que Bobby gostaria que fizéssemos.

_Sam, não fale como se Bobby já não estivesse entre nós!Eu sinto, ele ainda está vivo e esperando por nós, vamos nos apressar, estamos próximos. Acionei o GPS do celular dele e parece vir lá debaixo...daquela casa abandonada ali!

_Dean, veja!_O loiro olhou na direção indicada pelo irmão, era a caminhonete do Bobby capotada a uns 300 metros de onde estavam. Os dois aceleraram ainda mais a corrida, queriam acabar com a agonia que invadia seus corações. O forte vento dificultava ainda mais a visibilidade, estavam chegando perto da estrada de chão batido e a areia invadiam-lhes os olhos.

Estavam a poucos passos do local, olharam para dentro da camionete, não havia vestígios do amigo, o que parecia ser um bom sinal. Porém um rastro de sangue vivo chamou-lhes a atenção. Os sentidos dos dois caçadores aguçaram ainda mais, os gritos e lamentações que ouviam da casa abandonada continuavam com menor intensidade. Com rapidez e cautela ambos adentraram o recinto escuro e frio. Pararam por um instante para ouvir de onde vinha os murmúrios agonizantes. Sam sentiu algo abaixo de seus pés, estava muito escuro para perceber o que seria a mão de um ser humano esmagada, seu coração estava muito acelerado, embora não visse sabia que não era nada de bom e continuou seguindo Dean naquele labirinto fétido. As cortinas envelhecidas pelo tempo estavam paradas sem nenhum movimento, isso era estranho pois o vento lá fora estava atordoante e havia janelas destruídas e nada de ar passava por elas, a madeira se decompondo necessitava de extremo cuidado ao pisá-las. Dean virou-se para alertar Sam, tarde demais. O piso não agüentou o peso do moreno e um buraco abriu-se e se Dean não o pegasse rapidamente pelo braço teria caído naquele abismo negro. Uma rajada gelada e com odor repulsivo invadiu-lhes a narina. Certamente aquele seria o local onde viviam as bestas.

_Sam! Não larga minha mão, tente apoiar-se em algo que está a sua esquerda e suba rápido!

A ferocidade das palavras proferidas por Dean, alertaram ainda mais o moreno. E não estava errado, algo estava se aproximando de Dean, a sombra estava aumentando e os passos pesados de algo arrastando-se aproximava-se cada vez mais.

_Dean! Me larga, tem algo se dirigindo perto de você, me solta!

_Não! Nunca! _ E Dean virou-se como pôde para poder enxergar seu algoz, enquanto Sam tentava apoiar-se em qualquer parte das madeiras do piso.