Páris e Julieta
2 Decisões
Notas iniciais
O dia amanheceu atribulado. Charlie não conseguiu dormir a noite toda, pois o sono ininterrupto de Bella acabava acordando-o. Não sabia mais o que fazer. Chegou a conclusão que não poderia mais aguentar isso: ver sua filha definhar estava acabando com ele. Tomou uma decisão importante. Sentado em frente a filha, à mesa do café, resolve falar:
– Bella, acho que você deveria voltar para Flórida e ficar junto da sua mãe.
– Mas o que? Por que? O que foi que eu fiz?
– Nada. Você não fez nada. E esse é o problema. Tenho me preocupado com você, querida. Quero o melhor para você.
– Se quer o melhor para mim, então sabe que não posso ir embora. Estamos no meio do semestre. Não conseguirei me adaptar ou acompanhar os estudos em outra escola. Por favor, pai! Quero ficar em Forks.
Toda aquela conversa deixou Bella com embrulho no estômago. Percebeu que deveria agir, tomar uma decisão, qualquer que fosse. Deu-se conta de que não adiantaria fugir da verdade. ELE não voltaria.
– Pai, não se preocupe comigo. Tenho encontro marcado com a Jess.
– Jess? — Charlie não pareceu convencido.
– Sim. Combinamos de ir ao cinema. — Bella tentou fazer sua melhor cara animada, sem qualquer sucesso.
– Ok. Mande notícias quando sair do colégio pelo menos. Assim me certifico que você ainda esta viva.
Embora apreensivo, Charlie concorda com a desculpa que Bella lhe dá, mesmo desconfiado de que não haja qualquer cinema com Jess. Os últimos meses o deixaram derrotado, pois não sabia o que fazer para diminuir o tormento que sua filha sentia. Gostaria de saber o que aconteceu para que as coisas tivesse terminado tão repentinamente.
Charlie nunca achou que o jovem Cullen fosse alguém normal. Alias, algo nele gritava "PERIGO" quando se aproximava do garoto, mas por conhecer seu pai, relevava aquele instinto paternal, já que Bella parecia feliz ao lado dele. O que não durou tanto tempo assim. Agora só pensava em como ajudar Bella a sair do entorpecimento. Ansiava os dias em que ela voltaria a dormir normalmente, um sonho tranquilo, sereno, como o de seis meses atrás.
Depois de ver Bella saindo pela porta, Charlie pega sua xicará de café e senta-se em frente a televisão. Muda de canais distraído, quando o telefone toca. Pego de surpresa, derruba o café em sua camisa e atordoado pega o telefone.
– Alô?
– ...
E ninguém responde de volta. Furioso, bate o telefone e troca de roupa rapidamente. Já está atrasado para o trabalho.
Do outro lado da linha, Edward arremessa o celular longe, frustrado por não ter conseguido ouvir a voz de Bella. Imagina como ela está e se sente sua falta. Ainda que Alice garanta que Bella está a salvo, não consegue afastar o sentimento de que algo está para acontecer. Algo que ele não pode evitar. Será que Bella já seguiu em frente?
*****
De: Bella Swan
Para: Alice Cullen
Alice, como vai? Faz alguns dias que Charlie não me atormenta mais com a história de Jacksonville. Acredito que tenha esquecido completamente. Não quero voltar a viver com a minha mãe. Parece que algo em Forks me impede de ir embora. Ou talvez eu só esteja me agarrando a alguma ponta de esperança novamente.
Resolvi criar coragem e chamei Jess para ir comigo ao cinema, afinal Charlie praticamente implorou para que eu fizesse alguma coisa. Devo dizer que a programação não correu como previsto já que Jess se irritou porque eu não quis ver o filme romântico e sim o de ataques zumbis. Você sabe que eu não sou chegada a programas femininos, como "noite das compras" ou "noite do pijama", mas precisava fazer algo para que Charlie percebesse que eu estava tentando. Consegui me animar um pouco, mas não o suficiente. Os dias continuam passando lentamente. Vou ao colégio, ao trabalho, volto para casa. Sempre a mesma coisa. Mike tenta se aproximar e me animar, em vão. As vezes só quero ficar sozinha.
Consigo perceber por que o Charlie se preocupa tanto. Talvez eu deva tomar uma atitude e tentar dar a volta por cima, só não sei como fazer. Queria tanto que você estivesse aqui. Queria tanto alguém com quem conversar. Sinto sua falta.
P.S: Aconteceu uma coisa esquisita na outra noite. Ao voltar do cinema com Jess, deparei-me com uns motoqueiros estranhos que uma vez me atormentaram em Port Angels. Na época, ELE me salvou. Tive um flashback esquisito e por um instante, juro que vi ELE se materializou em minha frente, como um fantasma, e pude ouvir seu alerta, dizendo-me para recuar, que era perigoso. Talvez tenha sido uma alucinação, não sei. Acho que estou ficando maluca. Talvez eu deva procurar mesmo um psicólogo como o Charlie sugeriu.
P.S.3: É isso! Talvez eu deva deixar um pouco de lado essa obsessão e seguir com a minha vida. Mesmo vazia, pela metade, sem saber pelo que ansiar ou esperar do dia seguinte, preciso me agarrar a coisas reais. Ilusões não irão preencher o vazio que ainda sinto aqui.
Realmente gostaria que você estivesse aqui, Alice. Você saberia o que fazer.
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