Páginas de um diário sem fim.
8 Capítulo sete.- Amigos
Notas iniciais
O tempo em que passei com Annabel foi intenso e único. Ela preenchia um espaço que estava vazio fazia tempo, eu queria que ela fosse minha, não só naquele momento, queria que ela fosse minha durante muito tempo, não só para preencher meu espaço vazio, mas queria que ela fosse parte de mim, queria dizer a ela o bem que me fazia, queria contar as coisas e explicar o quanto foi difícil perceber que na verdade eu nunca quis a Lindsey e o como fui idiota.
Annabel e eu andávamos pelos corredores vazios do colégio, seu cabelo estava bagunçado e ela se envolvera numa toalha que cobria seu vestido úmido.
– E agora? — ela perguntou. — O que a gente faz?
– Como assim?
– Quer ir para casa?
– Não sei, você quer ir para casa?
– Quero. — ela respondeu
– Eu te acompanho...
– Quero que você vá pra minha casa.- ela disse entrelaçando delicadamente seus dedos nos meus.
***
Annabel colocara uma blusa de lã larga que chegava até os joelhos e um shorts que não aparecia, eu estava sentado em sua cama acompanhando cada movimento. Ela deitou entre minhas pernas, apoiando a cabeça no meu peito com um livro em suas mãos.
– Eu nunca me canso de ler esse.- ela disse, abrindo-o
– Que livro é?
– Alice no país das maravilhas.- envolvi meus braços em sua cintura, ela começou a ler em voz alta, mudando a intonação de voz durante os diálogos. Eu apoiei minha cabeça no seu ombro e ficamos lá por horas, mesmo depois dela ter parado de ler o livro, ela se aconchegou em mim, nossos corpos estavam em perfeita sintonia. Meu celular vibrou.
– É minha mãe. — respondi
– Porque você não passa a noite aqui, Christian?
– Não tem como...
– Claro que tem.- ela sentou-se ficando de frente para mim. — Diz pra sua mãe que vai dormir no Rick, e avisa o Rick que você tá aqui.
– Mas...- hesitei.- E sua mãe?
– Minha mãe não vai nem mesmo se importar. Contanto que você não seja uma menina.- ela riu.
– Não sei, Annabel...
– Por favor, vai. Você tem uma troca de roupa, seu material está aí...- seus olhos imploravam.
– Tudo bem, vai. — Mandei uma mensagem para minha mãe, avisando que dormiria no Rick, ela me deu permissão e pediu para que me comportasse. Quando expliquei a situação para o Rick ele não deixou de fazer algum comentário sarcástico, é claro.
Annabel pegou um cobertor e deitou ao meu lado, me cobrindo junto. Eu abracei-a, ela me observava e percorria os dedos pelos meus cabelos e pelo meu rosto, as vezes beijando-o. Eu fechei os olhos. Caí no sono.
Quando acordei, Annabel estava dormindo ao meu lado e alguém batia na porta.
– Annabel. — chamei.
– Hm?- ela disse, com os olhos ainda fechados.
–Tem alguém na porta.
– Hmmmm.- ela murmurou e abriu os olhos, lentamente. — Pois não?
– Annabel, é a mamãe.
– Hm.
– Vamos jantar, meu bem.
– Já vou. — ela respondeu. Levantou-se da cama, espreguiçando-se. Seus cabelos estavam bagunçados, ela passou a mão colocando os fios para trás da orelha, calçou uma pantufa e estendeu a mão para mim.
– Vamos? — ela chamou.
– Seus pais não vão...?
– Vamos?- ela me interrompeu. Eu levantei da cama segurando em sua mão e ela me guiou pelo corredor até o fim das escadas, quando chegamos na sala de jantar seu pai, Jeff, foi o primeiro a falar comigo.
– Christian, que surpresa! — disse ele com um sorriso um tanto quanto medonho estampado no rosto.
– Oi...
– Pai, esqueci de avisar, Christian vai passar a noite aqui hoje.- ela disse sem nenhum tipo de emoção em sua voz.
– Christian?- disse Danna colocando a comida na mesa e dirigindo o olhar para mim. — Christian!
– Oi, Danna. — foi tudo que consegui falar.
– Como vai sua mãe?
– Vai bem, ela...
– Ah que bom! Manda um beijo, diz que mal posso esperar para vê-la de novo.
– Claro, eu...
– Sente-se. — disse Jeff. — Annabel, pegue um prato para seu amigo.
O irmão mais novo de Annabel sentou-se ao meu lado e me observou por um longo tempo enquanto eu jantava. Eu olhei para ele e sorri, o que não foi um ato recíproco.
– Você é o namorado da Bel? — ele perguntou.
– E-eu?
– Ele é meu amigo. — ela respondeu por mim, sorrindo levemente com o canto da boca, ao me ver tropeçar nas próprias palavras.
– Amigo. Beatrice também era sua amiga.
– Junior! — Danna exclamou, nervosa.
– O quê? Eu gostava dela.
– Mais uma palavra e você está de castigo. — o restante do jantar ficou com o clima pesadíssimo, a expressão de Annabel mudou severamente por uns minutos, ela se recompôs rápido, mas percebi o efeito que aquilo ainda causava nela. Não demorou nada até ela me levar novamente para seu quarto e nos fechar lá, longe de tudo.
Annabel percebeu minha inquetação pelo acontecimento na hora do jantar, ela podia ler minha mente, de alguma forma.
– Relaxa. — disse. — Eu tô bem.
– O que? — fingi não entender sobre o que ela estava falando e ela me lançou um olhar único, o que me fez rir. — Tá legal, eu entendi.
– Eu sei que entendeu. — ela se sentou na minha frente e eu beijei sua testa.
– Eu não posso obrigar você a falar sobre isso.
– Mas eu posso te obrigar a fazer outra coisa. — ela me empurrou jogando seu corpo para cima do meu.
– Não pode me obrigar a fazer nada.- ela tentou me beijar e eu virei o rosto, desviando.
– Não posso? — ela perguntou.
– Não. — respondi, ela se aproximou do meu pescoço beijando-o lentamente, percorrendo o perímetro até chegar na orelha.
– Não mesmo? — ela sussurrou baixinho.
– Tá bom, pode. — eu abracei-a rolando para a esquerda, permanecendo por cima dela, a mesma ria enquanto eu beijava todo seu rosto.
– Christian, para!
– Queria me obrigar, não queria? — eu continuei beijando-a, ela não parava de rir.
– Mas assim... É demais... Para!
– Pede com jeitinho. — eu parei encarando-a
– Por favor? — ela sorriu de forma angelical.
– Tudo bem, vai. — cedi. Ela entrelaçou os dedos nos meus cabelos e me beijou delicadamente a ponta do meu nariz.- Eu gosto de você.
– Eu sei que gosta.
Annabel conversava muito comigo, mas eu mal sabia sua história, praticamente não conhecia mais nada além de Beatrice, que mesmo assim era de forma muito superficial. Eu queria entender como a cabeça dela funcionava, queria saber no que ela estava pensando cada segundo que eu estava com ela, eu não tinha medo de me apaixonar. Eu queria isso, queria mantê-la perto, eu adorava a forma com que ela me acompanhava com os olhos, da forma em que ria de coisas que nem sempre eram necessariamente engraçadas, de como gostava de ler e assistir filmes, do jeito que conseguia encontrar uma beleza natural em praticamente tudo que estava ao seu redor, eu queria fazer parte disso.
– Psiu.- acordei com Annabel me cutucando de manhã.
– Que horas são?- murmurei.
– Sete e meia.
– Annabel, a escola só começa as nove. Deita aqui comigo, vai.
– Eu sei, eu acordo mais cedo para tomar banho.
– Hmmm.
– Quer tomar banho comigo?
– Opa.- levantei da cama, ela estava enrolada na toalha, sorriu e abriu a porta do banheiro largando a toalha no chão antes de entrar, fui atras sem nem mesmo hesitar.
– Fecha a porta.- ela disse ligando o chuveiro.
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