Puzzles
2 Capítulo 2
Mais tarde nessa noite eu não parava de pensar no que se tinha passado entre mim e Mello na sala comum; enrolando uma mecha de cabelos entre os meus dedos enquanto os meus pensamentos procuravam respostas.
Existiam tantas perguntas para as quais eu desejava ter respostas. Porque o Mello fez aquilo? Ele odeia-me porque é que ele tentaria remediar algo e depois ir longe o suficiente a ponto de me tocar daquela maneira? Eu tinha a certeza que se ele alguma vez me tocasse seria para me bater.
Apenas não fazia sentido.
E os sentimentos que me consumiram quando a sua mão tocou a minha face, porque é que eles apareceram? O que significavam? Eu nunca senti algo assim antes e mesmo que eles fossem interessantes eu não consigo para de pensar porque foram aparecer logo quando Mello me tocou e não em outra qualquer situação.
Finalmente deixei sair uma pequena respiração contida e levantei-me. Eu precisava de respostas para aquelas perguntas agora. Ele não tinha agido de maneira agressiva antes então talvez fosse assim de novo. Era um tiro no escuro mas era um risco que estava disposto a correr. Todas as peças do puzzle estavam à minha frente mas talvez com as respostas que espero obter fique mais fácil de as colocar bem.
Peguei então numa barra de chocolate da minha mesa-de-cabeceira e coloquei-o no bolso antes de sair do quarto. Apenas no caso de algo acontecer.
Comecei a andar pelo corredor escuro, que parecia triplicar de tamanho à noite, e contar todos os quartos e lembrar-me de quem são para que não fosse entrar num que não fosse o pretendido devido à minha desorientação.
Quando cheguei ao quarto que Mello e Matt partilhavam fiquei apenas a olhar para a porta. Talvez isto fosse uma má ideia, talvez devesse esperar pela manhã para falar com ele, ou amanhã à tarde. parece tão trivial agora. Já não parece tão urgente a ponto de o acordar caso este estivesse a dormir.
Não parecia, mas quanto mais eu pensava sobre isso mais me dava vontade de falar com ele.
Então bati silenciosamente na porta, apenas alto o suficiente para que eles ouvissem caso ainda estivessem acordados.
“O que é?” veio de dentro a voz chateada de Mello.
Larguei os meus pensamentos de antes para trás e forcei-me a entrar no quarto escuro. Os 2 estavam acordados, Matt jogando um de seus jogos na TV e Mello deitado de costas a observá-lo.
“O que queres Near?” Perguntou olhando para mim com os seus olhos azuis a brilhar devido à luz oriunda da TV.
Eu precisava de falar com ele sobre antes, mas como é que eu podia dizer-lhe sem dizer por completo? Eu não queria Matt ali, e eu sabia que quando Mello percebesse o porque de eu estar ali também não o iria querer.
Mello conseguiu de alguma forma perceber através do meu silêncio e olhou para Matt.
“Matt” disse firmemente “saí”.
“O quê, porquê? Este também é o meu quarto!” Disse sem desviar os olhos da TV.
“Foda-se Matt apenas saí por um bocado” Disse aumentando consideravelmente o seu tom de voz não dando espaços para discussões.
Matt finalmente suspirou pesadamente e salvou o seu jogo, depois desligou a TV e pegou noutro de seus jogos portáveis “Pronto, como queiras, eu vou estar lá embaixo” disse antes de sair do quarto e passar por mim.
O quarto ficou silencioso e escuro visto que a única fonte de luz era a TV. A tensão entre nós estava de cortar à faca. Aqui estamos, dois rivais, no mesmo quarto sem mais ninguém para acalmar caso algo acontecesse tentei manter a minha compustura, tentei parecer seguro para que ele não visse o quão assustado eu estava e me batesse ou algo do género.
“O que é que tu queres, Near?” Perguntou novamente olhando fixamente para mim.
Dei um passo para a frente “Queria perguntar-te algo sobre antes” estava surpreendido que a minha voz saiu como saiu.
Ouvi-o suspirar enquanto se sentava “O que é que tem?” a sua voz saiu vazia e forçadamente como sempre.
“…” Fiquei quieto por um momento tentando colocar os meus pensamentos em frases que fizessem sentido. Estava provado que iria ser difícil pois eu nem conseguia perceber os meus pensamentos “porque é que o fizeste” perguntei finalmente.
Ele grunhiu em frustração “Estás a ser vago, Near. Fazer o quê?”
“Arranjar o meu puzzle” resolvi começar por aí.
“Porque raios isso te importa?” ele perguntou olhando para mim
“…” Fiquei em silencio, não sendo corajoso o suficiente para descobrir qual a reacção dele quando dissesse que isso me interessava e que se tinha tornado o meu novo puzzle.
Os seus olhos azuis ainda estavam presos nos meus enquanto falava “deixa-me adivinhar, porque te interessa? Tudo tem que ser um puzzle para ti não é?” Ele perguntou embora não esperando realmente uma resposta.
“Não respondeste à pergunta” disse depois de outro momento de silêncio.
Ele deu de ombros “Eu estraguei-o, não estava a tentar meter-me contigo na altura. Porque já não estou autorizado a fazer algo simpático para variar?” perguntou. Ele esperava que eu desse a resposta normal, que ele ESTAVA autorizado? Mas essa não era a resposta correcta.
“Tu não és assim.”
Ele deu de ombros novamente, a frustração tinha voltado “e então? Como eu disse, para variar. Nunca disse que ia acontecer de novo.”
“Porque é que me tocaste?”
Os seus olhos abriram-se por uma fracção de segundo e então olharam para mim “O quê?”
“…” novamente fiquei quieto, pensando se devia ou não repetir a pergunta que tinha acabado de fazer
Quando ele se levantou eu soube a resposta “Raios Near” disse asperamente.
O meu coração disparou e eu mal tive tempo de registar o que estava a acontecer. Ele caminhou para mim com o punho fechado pronto para me bater, mas eu finalmente voltei a mim tirando o que tinha guardado no bolso, segurando-o.
Uma barra de chocolate. Ou de outra forma a minha segurança estaria em risco.
O chocolate fazia Mello feliz, não consigo imaginar a possibilidade de coisas que ele faria só para ter um. Então enquanto eu tivesse a sua felicidade nas minhas mãos ele não me podia fazer nada.
Ele parou, exactamente como tinha previsto; os seus olhos se estreitaram um pouco “Mas que raio?” Perguntou
“…” Nada disse. Nesta posição ele podia fazer duas coisas, podia arrancar-me o chocolate das mãos e bater-me na mesma ou podia esperar que eu lho desse. Conhecendo-o era fácil de prever a primeira opção mas como ele não tem agido como normalmente não posso confiar nas minhas previsões.
Ele colocou o braço para baixo e voltou a olhar-me, depois virou-se e sentou-se na cama onde tinha estado sem dizer mais uma palavra.
Baixei o doce hesitante depois fui até à cama de Matt e sentei-me com os olhos dele a seguirem-me durante todo o percurso. “Então” começou depois “Posso ter o chocolate visto que não te bati?”
“Não, não respondes-te à minha pergunta” disse
“Eu não tenho uma resposta para a tua estúpida pergunta! Eu sou impulsivo, Near não sei porque é que o fiz! Agora posso ter o raio do chocolate?”Notava-se que ainda estava zangado. Conseguia ver isso só de olhar nos seus olhos.
Acenei; era uma boa resposta por agora, acho.
Ele inclinou-se para a frente e pegou na barra, mas quando ele a puxou eu a agarrei firmemente. Eu tinha que segurar a sua felicidade para estar a salvo. Os seus olhos encontraram os meus, eles estavam procurando algo novamente. Do que ele estaria à procura?
Mello puxou novamente desta vez com força o suficiente para me fazer levantar e andar até ele; as suas mãos começaram a tirar o papel de embrulho.
Depois colocou as suas mãos sobre as minhas e guiou o doce até seus lábios, onde deu uma leve mordida fechando um pouco os olhos enquanto o fazia.
Não conseguia fazer nada senão olhar; eu juro que até me esqueci de respirar por um segundo. As mãos dele sobre as minhas estavam quentes e suaves; elas trouxeram aquela sensação que eu tinha sentido antes, também estava nervoso mas desta vez não sabia a razão. O meu coração tinha começado a bater tão forte no meu peito que eu juro que ele podia ouvir estando tão perto.
Depois afastou apenas o suficiente para perguntar, olhando para mim “Porque é que estás aqui Near? Tem que haver outra razão não pode ser só porque te interessa. Eu conheço-te, se fosse algo tão simples como isso ou arranjavas uma hora decente para perguntar ou descobririas sozinho.”
Estava aliviado que ele mencionou o assunto porque de outra forma eu não sabia como o começar “Eu tenho outra questão em particular que queria fazer-te, visto que eu próprio não consigo achar a resposta.”
Os seus olhos pareciam confusos e um pouco chocados, provavelmente pelo facto de eu não conseguir encontrar uma resposta.
Quando ele não disse nada peguei na barra de chocolate e coloquei-a na mesa ao lado da sua cama depois peguei gentilmente na sua mão e trouxe-a para cima deixando-a sobre o meu coração disparado.
Quando os olhos dele, que tinham estado a seguir a sua mão, olharam nos meus eu soube que ele percebera.
“Diz-me o que isto significa Mello”
Ele ainda estava quieto com os seus olhos procurando novamente algo nos meus “O que sentis-te antes?” Perguntou finalmente. A sua voz estava mais calma do que antes e pronunciava cada palavra cuidadosamente.
“…” Fiquei quieto por um tempo e depois divergi os meus olhos para o chão respondendo “O meu coração acelerou, estava nervoso por alguma razão que não tenho a certeza qual e as minhas mãos queriam tocar em algo que não tenho a certeza o quê.” Admito que enquanto o meu olhar estava longe, sentia o dele colado em mim.
“Raios Near” Disse ele com a voz alterada, mais alta, puxando a sua mão de volta depois de alguns momentos de silencio “Como é que…”
Eu sabia o que ia acontecer, eu sabia exactamente o que ele ia fazer agora, mas a sua reacção repentina tinha me paralisado.
De repente ele levantou-se e bateu-me com um golpe suficientemente grande para me mandar ao chão; a minha cabeça bateu contra a mesa-de-cabeceira de Matt fazendo-me sentar no chão, tentei não deixar a dor manifestar-se.
Tentei tirar a dor do meu pensamento enquanto abria os olhos.
Ele sentou-se de novo e deixou os seus dedos perderem-se nas suas mechas loiras; a sua face estava olhando para baixo e o os seus olhos longe de mim. Ele sabia a resposta para a minha pergunta, conseguia perceber isso pelas acções que ele fazia, mas eu sabia que se pergunta-se de novo agora ele provavelmente me bateria de novo.
Então agarrei-me ao silencio, apenas pensando na forma como ele estava naquele quarto livre de muita luz. Mal conseguia vê-lo através do escuro. Mas os meus olhos permitiram-me ver cada uma das suas características enquanto que a luz da lua o iluminava fazendo uma pequena linha branca em torno dele.
Fiquei desse modo durante uns bons cinco minutos; cada um desses minutos pareciam horas mas eu estava disposto a dar-lhe todo o tempo que ele necessitasse para se acalmar. Não tenho a certeza do porquê.
Ele se levantou e caminhou na minha direcção os seus olhos estavam vazios e não diziam nada. Ele estendeu-me a sua mão que eu aceitei depois de alguns momentos de hesitação.
Ele puxou-me novamente para cima ficando do lado dele depois pegou novamente na barra de chocolate e colocou-a nas minhas mãos.
“Mello?” Perguntei, confuso com as acções dele. O que é que ele estava a tentar mostrar a partir disto?
Ele não respondeu, em vez disso segurou as minhas mãos de novo e guiou o chocolate aos seus lábios dando mordida após mordida no doce chocolate.
Observei isto enquanto que o chocolate começava a derreter nas minhas mãos e tentava ter a resposta para as minhas questões nas suas acções, mas o meu corpo e mente estavam preenchidos das emoções que me têm atingido sempre que me tocava.
Ele terminou o chocolate depressa, mas mesmo depois disso não largou as minhas mãos.
Em vez disso, observei-o enquanto ele virava as minhas para que assim as minhas palmas estivessem viradas para cima depois, de repente, guiou o meu dedo indicador para os seus lábios.
Os seus lábios separaram-se e a sua língua começou a lamber o chocolate das minhas mãos. Os meus olhos alargaram-se por uma fracção de momento ao ver isto; eu queria dizer algo mas ele tinha me paralisado de novo.
Os sentimentos começaram a surgir em mim com cada vez mais intensidade enquanto que os seus lábios se fecharam sobre o meu dedo, sugando a pele para ter a certeza que não havia mais nada antes de partir para o próximo digito.
O meu corpo estava a gritar-me algo mas não perceber o que queria, ou estava a dizer-me.
Continuei a observar as acções de Mello até que ele tinha finalmente limpado cada um dos meus dedos do chocolate derretido. Os seus olhos azuis outrora fechados olharam para mim. Ainda estavam vazios mas com tanta emoção ao mesmo tempo. Nunca o tinha visto assim.
“Mello?”
“Acho que podes estar apaixonado por mim, Near.” Ele disse lentamente.
Os meus olhos alargaram-se novamente. Apaixonado…pelo…Mello? Não isso é impossível, ele odeia-me porque eu sou o numero um e ele não. Mas…espera…se é assim qual é a minha resposta contra a conclusão a que ele chegou?
Claro somos rivais mas eu nunca disse que o odiava, nem sinto isso. Mas eu nunca considerei que tivesse caído pelo loiro à minha frente. Como é isso de qualquer das formas? Estar caído por alguém?
Mas ao olhar novamente para Mello senti como se o estivesse a olhar com outros olhos.
Olhava os seus lindos olhos que me observavam e tentavam ler os meus pensamentos, os seus loiros que pareciam tão sedosos enquanto caiam tão perfeitamente perto dos seus olhos mas sendo o suficiente para obscurecer os seus olhos azuis, e ainda as suas mãos macias que ainda tinha as minhas.
Algo me dizia que ele estava certo, todas as peças combinavam e faziam sentido para mim. Minha mente estava numa névoa tal que nem pensar racionalmente se ele tinha ou não razão.
Havia algo no modo em que ele me olhava e no modo que me segurava como se eu fosse um pedaço de cristal, que me disse para deixar acontecer e que ele podia mostrar-me que tinha razão. Eu queria tanto acreditar nele.
“Mello eu não…” Odeio palavras em alturas como esta. Nunca pareço dize-las bem. “Tu podes estar certo.”
Ele deu um leve sorriso que estranhamente não parecia nada feliz o que me fez dar-lhe um olhar confuso; ele não sentia o mesmo? Porque é que me estava a dar um olhar que parecia feliz mas que não era ao mesmo tempo?
“Não me entendas mal Near eu também te amo. Reparei que tinha me apaixonado por ti à algum tempo. Mas eu também sei que isto nunca podia resultar, quer dizer, olha para a gente. Nós somos rivais por amor de deus! É este o modo que as coisas devem ser dentro destas estúpidas paredes. Como diabos conseguiríamos fazer com que algo resultasse sem que tudo nos caísse em cima?”
Ele tinha razão, mesmo que eu odiasse admiti-lo. Parece que sempre que eu estou perto de finalmente ter uma chance de ser feliz algo a afasta de mim retirando aquela fantasia de mim e colocando-a fora do meu alcance.
Olhei para baixo, o meu cabelo branco bloqueava-me a vista que eu tinha dele e vice-versa, se eu estava mesmo apaixonado por ele não queria ter que olhar para ele e saber que tal felicidade nunca poderia ser obtida.
Não tinha estado a olhar para baixo por mais que uns segundos até que ele levantou a sua mão e segurou o meu queixo, forçando-me a olha-lo novamente, os seus olhos procuravam-me novamente; perguntei-me se ele viu o quanto as suas palavras me tinham magoado.
“Ouve-me” ele disse num tom calmo e persuasivo que me fez tratar as suas palavras como ouro “Eu amo-te, acredita quando digo isto. Tentei fazer com que não se mostrasse porque não queria que este tipo de coisa acontecesse. Mas, visto que aconteceu, suponho que podemos ter esta noite juntos. Amanhã tudo vai ter que voltar, por razões óbvias. Mas isso é amanhã, por agora isso não tem que existir.”
Nós podíamos ter esta noite?
“Hoje nada importa. Nenhum de nós vai ser melhor que o outro, tu vais ser apenas tu, e eu vou ser apenas eu.”
Este não parecia o Mello, ele nunca era assim. Ou ele esqueceu-se completamente de quem é neste sentimento de amor, ou está a tentar deixar-me feliz nesta situação difícil.
Eu finalmente acenei, esta noite seriamos apenas nós dois e nada mais. Nem me atrevi sequer a pensar no que eu faria amanhã quando me apercebesse que noites como esta nunca mais iriam existir ou em quanta dor sentiria.
Ele sorriu. A sua mão que tinha estado a segurar a minha direita moveu-se para segurar a minha cintura e puxando-me para mais perto dele até que eu estava quase “em cima” dele; ele não se parecia importar.
“Mello!” Esperei que entendesse.
O seu sorriso mudou para um depravado enquanto me puxava ainda para mais perto e, nesse momento, eu soube que ele entendia “eu vou-te beijar agora; tu vais fechar os olhos e colocar a mão nos meus cabelos, depois apenas segue-me.
Acenei enquanto ele ia diminuindo a distancia entre nós até estarmos a alguns centímetros de distancia, naquela altura eu juro que o meu coração estava prestes a sair do meu peito pela maneira que batia contra as minhas costelas, a minha pele parecia que estava a arder mas ainda assim o toque dele era quente e suave.
Eu conseguia cheirar a doce essência do chocolate na sua respiração e senti que ele me apertava com mais intensidade. A sua mão que ainda agarrava a minha esquerda passou a entrelaçar os nossos dedos antes de finalmente fechar a distancia entre nós.
Nunca pensei que o meu verdadeiro primeiro beijo fosse com a pessoa que me tinha jurado ódio.
Ao inicio estava chocado e não conseguia fazer nada contra os seus lábios macios. Mas depois lembrei-me do que ele me dissera e os meus olhos fecharam-se movendo a minha mão para os seus igualmente cabelos macios. Apaixonei-me pelo modo que sabia debaixo dos meus dedos.
Ele apertou ainda com mais força e eu tentei seguir as suas acções até que senti os lábios dele a separarem-se e a sua língua a lamber o meu lábio inferior. Deixei o instinto tomar controle visto que a minha mente estava completamente vazia em completa alegria, para tentar pensar no que fazer.
Os meus lábios separaram-se e instantaneamente a sua língua invadiu a minha boca encontrando-se com a minha. Ele tinha o sabor do doce chocolate.
Nunca tinha gostado muito de doces mas descobri que quando estão nele são irresistíveis.
Apos do que pareciam apenas segundos os seus lábios mexeram-se, colocando leves beijos no meu maxilar inferior abrindo caminho para a minha garganta e depois para a base do meu pescoço onde eu imediatamente me mexi para lhe dar mais liberdade.
Ele tirou proveito disso, mordendo e chupando a carne forte o suficiente para desenhar pequenas marcas e assegurando-se que elas estariam ali amanhã. Mais do que tudo um sinal para todos que eu era dele; iria usa-las com orgulho.
Afastou-se de mim apenas o suficiente para poder apanhar os meus lábios novamente, dando leves beijos antes de finalmente se afastar, o sorriso voltou à sua face enquanto ele encostava a sua testa contra a minha e fechava os olhos.
Eu queria fazer o mesmo, fechar os olhos e meio que pensar no que está a acontecer e no que tinha acontecido e no que tinha sentido. Mas eu estava demasiado maravilhado pelo aspecto que ele tinha diante de mim. Tive que me perguntar porque é que eu nunca notei quão lindo ele era até agora?
“Podes não acreditar em mim quando eu digo isto, mas eu amo-te, Near.”
Ainda estava num grande choque com aquilo que estava a acontecer e no que todas aquelas peças tinham acabado por me revelar.
“Esta é a parte onde tu me dizes de volta” Ele disse.
Mentalmente trouxe-me de volta para o presente só para reparar que os olhos dele se tinham aberto e olhavam profundamente nos meus “também te amo Mello” disse finalmente; as palavra saíram naturais como se os meus lábios tivessem sido feitos para as dizer.
Mello sorriu e puxou-me para a sua cama antes que eu pudesse ter tempo de protestar (não que eu o fizesse) já estava deitado em baixo dele, os nossos olhos ainda presos um no outro.
Ele aproximou-se e novamente tomou os meus lábios, estava a começar a ficar viciado na maneira que os seus lábios sabiam sobre os meus.
Tentei não me apaixonar por eles, não me apaixonar por ele, convencer-me a mim próprio que amanhã seria uma história completamente diferente, mas isso era algo que era mais fácil dizer que fazer.
Mello era demasiado perfeito para eu não me apaixonar por ele.
Os olhos dele agora estavam fechados mas eu sabia que nenhum de nós iria dormir esta noite. Nós ambos estaríamos desejando que o tempo congelasse e nos deixasse assim para toda a eternidade.
Ele moveu-se de repente deitando-se de costas e eu instantaneamente me movi também, nem parando para pensar se estava a fazer a coisa certa ou não; não parecia haver uma maneira de fazer as coisas mal agora.
Deitei a minha cabeça no seu peito, por cima do seu coração e ouvi o ritmo que ele fazia era como se fosse a minha canção de embalar pessoal.
Olhei para a sua cara angelical, ele parecia tão inocente, como se fosse incapaz de magoar alguém.
Inconscientemente a minha mão que tinha estado no peito dele passou a estar no cabelo dele enrolando-o no meu dedo da mesma forma que fazia com os meus próprios cabelos.
Os seus olhos abriram-se ao reparar nisto, ele deu-me um olhar confuso mas eu não o encontrei, ou dei uma resposta para justificar as minhas acções.
Suponho que queria fazer todas as coisas pequenas e simples com ele que sabia nunca mais ter uma chance para fazer.
Depois desse momento ele largou a minha mão da tarefa que estava a fazer e beijou os meus dedos deixando-a lá de novo. Ao fechar novamente os olhos pensei no que ele poderia estar a pensar.
Finalmente apaguei a urgência de perguntar sobre tudo o que se tinha passado.
Estava feliz por me ter forçado a pegar este mistério e o tentar resolver. Tinha achado todas as peças para este mistério e a resposta estava agora em minhas mãos agora, mesmo que fosse só por um curto período de tempo.
É em alturas como esta que eu me apercebo do quando eu realmente amo puzzles.
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