Purple Light
30 Capítulo 29
Notas iniciais
POV Harry
Os primeiros raios de sol entravam pela janela atravessando nossos corpos ainda quentes da noite passada. Nós dois riamos, gargalhávamos e nem mesmo saímos o porquê.
—Tudo bem, para – Nina pediu tampando minha boca. Eu não conseguia. – Harry, precisamos conversar! – ela se debruçou sobre meu peito ainda brincalhona.
—Ah, não! – a abracei fazendo-a ficar por baixo enquanto ouvia sua gargalhada contaminar o ambiente de novo. Beijei seu pescoço sentindo o meu perfume preferido no mundo, e senti quando ela se arrepiou por inteira.
—Aí, garoto – ela suspirou se livrando de mim – É sério, se vamos fazer isso precisamos de regras – estávamos deitados de lado, um de frente para o outro e eu tinha que entrar na onda outra vez.
—Tudo bem então – pensei – Nada de ciúmes.
—É uma boa primeira regra – ela puxou o meu braço pra que pudesse se deitar sobre ele parecendo feliz, mas eu sabia que a primeira regra já era a maior furada.
Já sentia ciúmes dela antes disso tudo, e ela também sentia de mim. Então provavelmente nada mudaria, mas se Nina queria se enganar...
—E ninguém precisa saber disso – ela decidiu e eu sorri sarcástico – o que?
—Diz isso aqui, mas assim que sair desse quarto vai correndo contar pra Lay
—Isso não é verdade – se levantou provavelmente me olhando super indignada, mas seu bom humor era impossível de esconder, ela ria a cada palavra que saia de sua boca e aquilo me deixava radiante
—Ela sabia do nosso beijo – me deitei virado para o teto e logo ela subiu em mim, entrelaçando nossos pés
—Isso foi diferente – tentou se justificar
—Claaaaro – continuei sorrindo esperto – Então, podemos colocar nas regras ‘nada de brigas’
—E nem mentiras – concordei com ela
—E não vamos fazer aquilo de ficar olhando dentro dos olhos um do outro. – Eu ri enquanto levava um tapa
—Imbecil! – mais tapas. Sabia que ela tinha revirados os olhos
—Aii!
—Tá legal, chega de regras, senhor Styles – ela se afastou tentando me puxar junto, mas a cama estava boa demais – Vamos! – continuou me puxando – Anda, antes que Niall e Lay acordem.
Suspirei derrotado. Meu pequeno paraíso estava prestes a acabar.
***
—Acredita que não tem nada pra comer? — Nina gritou enquanto eu caminhava até a cozinha secando meu cabelo molhado com a toalha
—Você e Layla são péssimas em fazer compras — ela riu forçada
—Falou o cara que nunca fez sua própria compra.
—Hey — protestei — quem disse isso?
—Eu sei que Gemma faz pra você, e antes tenho certeza que você não fazia. Estava ocupado demais sendo um cara famoso — ela fez uma voz engraçada enquanto mexia em alguma coisa na pia
—Continuo sendo famoso — dei de ombros convencido
—AH MEU DEUS, NÃO ACREDITO! — Nina pareceu surpresa, mas eu sabia que estava prestes a me zoar — Eu dormi com Harry Styles.
Ouvi seus gritinhos e pulinhos por toda a cozinha. Ela fazia uma tiete perfeita.
—Se continuar assim vou ter que pedir pra assinar um termo confidencialidade.
Ela não me respondeu de imediato e pude senti-la se aproximando devagar. Me encostou na parede colando seu corpo no meu. Levantou uma de suas pernas e eu a agarrei, acariciando sua cocha com firmeza.
Essa mulher sabia bem como ser sexy.
Mordeu meu lábio inferior que não continha minimamente meu sorriso, e sussurrou entre meus lábios:
—Me obriga.
Meu corpo se contorceu com aquele tom de voz e eu não pensei antes de abraçar sua cintura prendendo-a a mim. A beijei como se fosse minha última chance e talvez realmente fosse.
Ouvi a porta se abrindo na cozinha e os braços de Nina me empurraram para longe.
—AH MEU DEUS! — Layla sempre discreta e nada escandalosa
—Deu certo! — Niall comemorou e eu tive a imagem na minha cabeça dos dois se abraçando, mas estava mais preocupado com Nina.
Depois daquilo provavelmente ela surtaria. Diria que estava tudo errado, que não poderíamos fazer aquilo. Toda aquela palhaçada de novo. Suspirei esperando a bomba.
—Quero saber de absolutamente tudo!!! — Layla estava super animada
—Não fiquem tão animadinhos vocês dois — Nina finalmente disse com a voz brincalhona e mais uma vez me surpreendi — Não vamos namorar, só...
—Transar de vez em quando — Completei a frase
—Harry... — talvez ela estivesse um pouco envergonhada com o jeito que eu falei. Só dei risada
—Tá legal — Niall riu bobão — Lembra como começamos, Lay?
—Claro, amor — ouvi o estalo de um beijo — Transavamos só de vez em quando
—E agora estamos juntos? — Niall e Lay eram impossíveis
—Juntissimos! Há quase cinco meses?
—Com certeza, amor — mais um beijo, só que mais longo que o outro
—Tá vendo porque ninguém deveria saber disso — Nina sussurrou pra mim, mas não estava tão tensa quanto eu imaginei. Sua voz era divertida ainda, estava achando graça na situação. Meus ombros relaxaram um pouco.
—Eles não vão contar pra ninguém — disse alto o suficiente para que os dois ouvissem — E não vão encher nosso saco por causa disso
—Disso o que? – Lay se fez de desentendida mostrando que tinha entendido o recado
— Boa garota – estendi a mão até acha-la e baguncei seu cabelo
—Ai, idiota! – ela reclamou
—Trouxeram algo pra comer? – Nina perguntou
—Não – Niall respondeu um pouco desesperado – Não tem nada pra comer?
—Não – sorri
—Não dormiram aqui? – Nina observou e eu sorri esperto
—Hmmmm! Danadinhos – ela riu comigo
—O bom humor de vocês pôs sexo é fofo, mas irritante. – Layla ´parecia entediada.
Nós arrumamos as coisas, que não eram muitas já que não tínhamos levado nada, e voltamos para Londres. Não era como se eu pudesse evitar isso, mas aquele parecia um universo paralelo louco onde as coisas eram simples. Em casa tudo podia ser diferente.
Deixamos Layla e Niall na casa dela e seguimos para o nosso prédio.
No elevador o silêncio pairou entre nós, mas não era aquele silêncio torturante e incômodo, era reconfortante.
Assim que o elevador abriu ouvimos um gritinho agudo.
—Pelo amor de Deus você apareceu!
—Max – Nina não estava surpresa
—Eu sabia que você tinha alguma coisa a ver com isso
—Está falando comigo? – perguntei sem entender
—Óbvio! Você sempre desestrutura tudo, Harry! – ele estava histérico e eu só pude rir
—Tudo bem, vamos com calma. – O barulho de algumas chaves fez-se presente – Vai abrindo um vinho pra gente, tá com cara de quem precisa beber, querido – aquele tom calmo de quando precisava tomar a frente de algo apareceu. A porta dela abriu e fechou. – Onde estão suas chaves? – As tirei do bolso da calça e ela pegou.
Abriu minha porta e eu entrei com calma esperando que aquilo não acabasse ali. Ela não se aproximou, mas sentia seus olhos em mim, então suspirou.
—Talvez isso acabe tarde. – hmmm, então ela queria me ver hoje ainda.
—Por mim tudo bem – sorri dando de ombros e só ouvi a porta bater.
Talvez esperasse mais do que ela era capaz de me dar.
Os dias foram passando rápido demais. Nina estava extremamente ocupada, o desfile seria em algumas semanas e todos corriam para que tudo saísse perfeitamente.
Ela se dividia entre as obras do abrigo, o escritório, sessões de fotos, confecção das roupas e todo o espetáculo que estava prestes a oferecer ao mundo da moda. Seus horários eram loucos, mas ela sempre aparecia. Precisava de alguém que estivesse disposto a estar em sua cama as três da manhã e que não precisasse se preocupar em dar desculpas ou explicações, e eu era perfeito para aquilo.
Passava meus dias esperando por ela. Voltei a dormir demais, não saia, comia pouco e todos aqueles sentimentos de merda que aquela semana exercia sobre mim voltaram a ser fortes demais. Não contei a Nina que naquela sexta-feira faria 2 anos que meu maldito cérebro tinha feito minha visão parar de funcionar. Ela estava ocupada demais pra ter que se preocupar com mais isso, e além do mais, apesar de estar mais conformado com a minha condição, não conseguia deixar de sentir aquela sensação ruim de incapacidade.
Não por minha deficiência ou as dificuldades que ela me trazia em todos os segundos da minha vida. Claro, tudo o que eu queria fazer sozinho dependia de tempo e paciência, mas eu tinha me adaptado bem. O difícil era aquela sensação de imaginar como as coisas estariam se tudo fosse diferente.
Estávamos prestes a terminar mais um álbum no auge de nossas carreiras, começaríamos uma nova turnê e eu estava completamente apaixonado por Kendall.
Suspirei tão fundo que meu peito doeu. Não me permitia pensar nela a tanto tempo.
Onde estaríamos hoje? Onde ela está hoje? Será que se lembrava desse dia? O dia em que tudo que acreditávamos ser real, se tornou um grande nada.
O dia em que EU me tornei um grande nada pra ela.
Minha campainha tocou e eu sem muita vontade fui abrir a porta.
—Tio Harry! – Aquela vozinha doce entrou em meus ouvidos tirando todas aquelas merdas da minha cabeça em instantes
—Engraçado, achei ter ouvido alguma coisa
—Aqui em baixo! – Lydia segurou minha mão balançando-a e eu me abaixei sorrindo
—Ah, aí está a senhorita – apertei seu pequeno nariz arrancando uma gargalhada
—Tia Nina, disse que precisa de você AGORA – ela tocou meu nariz com seu dedinho minúsculo, já era mandona igual a tia.
—Tudo bem – me levantei e peguei Berta ao lado da porta onde eu sempre deixava. Lydia segurou minha mão assim que fechei a porta me puxou até o apartamento de Nina.
Ela abriu a porta e assim que entramos me soltou e saiu correndo
—Querida, cheguei! – gritei e logo ouvi os passos de Nina virem até mim
—Como foi o seu dia, querido? – me cumprimentou com um selinho rápido entrando na brincadeira
—Um tédio e o seu?
—Uma loucura – ela suspirou cansada
—Do que você precisa?
—Pode mandar essas pestes pro banho? Elas só falam de você, não me ouvem e eu preciso terminar o jantar – Nina era perfeitamente capaz de lidar com Jaime e Lydia, mas por algum motivo queria que eu fizesse aquilo
—Tudo bem – dei de ombros enquanto caminhava na direção das pequenas gargalhadas
—Quer ajuda? – perguntou um pouco insegura.
Talvez até precisasse, não estávamos no meu apartamento, aquilo definitivamente seria um desafio, mas talvez fosse exatamente o que eu precisasse naquele momento, um desafio que me mostrasse ser capaz de coisas simples.
—Eu me viro.
As crianças me obedeceram em segundos. Fui com eles até o banheiro e cuidei de tudo com maestria.
Quando voltamos a sala o cheiro da comida estava de matar. Jantamos e exatamente as nove e meia colocamos as crianças na cama. Era dia de semana, então por mais que estivessem na casa de Nina tinham que seguir as regras de Haley
Nina e eu fomos para cama também e fizemos o que fazíamos de melhor. Várias e várias vezes. E depois, fizemos de novo. Foi uma experiência totalmente diferente dessa vez. Todas as outras transamos no meu apartamento, mas aquela noite estávamos na cama dela e eu me vi inundado por completo em seu perfume. Inundado nela.
Acordei por volta das quatro e meia e notei que ela não estava na cama.
—Nina? – chamei, mas nenhuma resposta.
Levantei e fui até a sala, comecei a ouvir barulhos vindos da cozinha.
—Hey, estranha – chamei de novo
—Oi – sua voz era doce e um pouco ofegante – Acordei você?
—Não – sorri para tranquiliza-la – O que tá fazendo?
—Sorvete – ela respondeu e eu arqueei a sobrancelhas sem entender. Talvez ela fosse louca. – Eu faço sorvete quando não consigo dormir. – Eu sorri e acrescentei aquilo a longa lista de coisas que tornavam Nina tão maravilhosa. – Quer experimentar? Tenho um pronto.
—Claro. – ela se movimentava rapidamente na cozinha e logo uma taça gelada estava em minhas mãos. Coloquei uma colher na boca e não acreditei. Era simplesmente incrível! – Meu Deus! – suspirei enquanto a ouvia rir discretamente – Isso tá sensacional!
—Eu sei – riu convencida dessa vez
—Meu Deus! Isso é demais – continuei comendo – Onde aprendeu a cozinhar assim?
—Minha avó me ensinou, aí eu fui pra Paris fazer um curso de seis dias de doces e acabei ficando um ano trabalhando de aprendiz em uma padaria. – Larguei a taça
—Sem chance! Você não trabalhou em uma padaria.
—Claro que trabalhei – ela respondeu dando risada da minha reação
—Eu também! – disse animado demais – Só que eu ficava só no caixa, mas não importa. Isso parece destino pra mim.
—Talvez – A ouvi rindo fraco, provavelmente se lembrando da primeira vez que tinha dito aquilo pra ela enquanto estávamos sentados embaixo das árvores no parque. Tinha sido há alguns meses, mas parecíamos pessoas completamente diferentes hoje.
—Você disse que voltou porque Nate precisava de você. Foi por causa da coluna?
—Uhum — ela concordou quase silenciosa — Nate tinha se aposentado na NBA cedo por uma lesão na coluna. Agora treinava o time de basquete da escola — ele ficou... desolado. Foi muito difícil pra todo mundo.
—Imagino. Não é fácil desistir de um sonho. — suspirei pensando na minha carreira e no quanto eu amava fazer aquilo
—Pois é — ela pareceu despertar — O pior é quando as pessoas desistem de seus sonhos sem precisar
Abri um sorriso amarelo para ela. Só eu sabia meus motivos.
—Vamos ficar no papo da padaria, melhor — ela riu, mas respeitou o espaço que eu havia pedido me dando mais um pedacinho dela
—É um dos meus sonhos sabia? – ela puxou o banco ao meu lado e se sentou também – abrir uma padaria.
—Pode fazer isso depois de conquistar o mundo da moda.
—Com certeza! – ela se animou tomando um gole de algo que provavelmente era vinho – Só vou fazer isso quando tiver meus 50 anos. Em uma boa propriedade com um casa aconchegante e rústica onde eu vou ter minha própria horta e uma cozinha enorme pra pendurar tudo o que eu quero. Num lugar calmo e afastado, cheio de natureza, onde eu possa passar o verão com as crianças enquanto forem pequenos, e que eles tenham boas lembranças quando vierem me visitar. Vou cuidar da minha padaria – suspirou – e tomar vinho na varanda lotada de cachorros até morrer.
—Crianças?
—Meus quatro filhos – ela riu de si mesma
—Você disse que não sabia se ia ter filhos
—Amo crianças, é claro que vou ter filhos. Quero uma família grande, que faça muito barulho. Mas isso não significa que eu precise de um homem. Provavelmente vão ser de produção independente. – Eu gargalhei. Ela era decidida, forte, engraçada e incrível. Ela conquistaria o mundo se quisesse, e eu queria vê-la fazer isso.
—Você é demais, sabia? – acariciei seu rosto com cuidado e ela colocou sua mão em cima da minha
—Queria conseguir me ver do seu jeito.
—Não queria, não. Você não veria nada – ela riu tirando minha mão de seu rosto e entrelaçou nossos dedos.
—Vamo pra cama, engraçadinho. – desceu do banco me puxando – Aquelas pestinhas vão acordar a todo vapor amanhã.
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