Purple Light
28 Capítulo 27
POV Harry
Mais uma vez, eu perdi por completo a noção do tempo. Mas ficaria horas, meses, anos ali com ela.
Até que em um movimento rápido ela se afastou, deixando um vazio em mim estranho. Era como se seu corpo fosse parte de mim.
Continuei com os braços em volta de sua cintura, não queria deixa-la, então a puxei para mim de novo segurando seu rosto com uma das mãos, deixando-o a milímetros do meu. Não podia vê-la, mas nossos narizes se tocaram, sua respiração rápida batia em mim enchendo-me de desejo.
—Harry... – ela suplicou confirmando o que eu imaginava, estava pronta para fugir de mim. Mas não dessa vez.
Então fiz seus lábios tocarem os meus pela segunda vez e ela não resistiu o mínimo, me queria tanto quanto eu a queria. Deu abertura para que minha língua acariciasse a sua, apertando minhas costas em um ato de quase desespero.
Até provavelmente se dar conta do que estava acontecendo. Ela me empurrou com delicadeza e a ouvi sussurrar:
—Não...
—Nina... – sussurrei quase implorando para que não o fizesse, mas acho que ela nem me ouviu.
—HEY! – Um grito ecoou longe de nós e ela se desvencilhou por completo de mim.
—Não posso fazer isso. Não posso... – ela repetiu – Não com você.
“Não com você.”
Sua voz invadiu minha mente me deixando em uma espécie de choque que nem mesmo me deixou perceber quando ela se afastou me deixando sozinho.
Logo alguém tocou em mim e eu puxei meu braço em um solavanco assustado.
—Hey, cara. – a voz de Niall pareceu confusa – Tudo bem?
—Nina? – eu chamei ainda atordoado
—Não a ouviu chamando Lay para ir ao supermercado?
“Não com você.”
—Eu...
“Não com você.”
—Harry... – o tom de Niall se tornou preocupado e eu tateei até conseguir apertar seu braço.
—Preciso descansar – respondi talvez baixo demais, mas Niall foi muito ágil ao me tirar da água. Quando me dei conta estávamos no apartamento de Nate, onde Niall me dizia como era o banheiro e onde tinha o que, para que eu conseguisse me virar.
Não prestei muita atenção e esbarrei em várias coisas, mas não me importava.
“Não com você.”
A frase de Nina ecoava em minha cabeça de uma forma que me deixava retardado.
Quem ficaria com um cego inútil?
Obvio que Nina não ficaria comigo, Jimmy mesmo já tinha me alertado. E lá estava eu, a grande piada do universo, cego feito uma toupeira sem nem mesmo um motivo que a medicina pudesse explicar. O imbecil que não consegue nem mesmo sair do mar sozinho, que não pode tomar um banho sem derrubar alguma coisa, achando que Nina ficaria comigo.
Eu ri sozinho enquanto a água escorria sobre mim, então senti algo amargo na boca. Soquei a parede com toda a minha força. Claro que não seria comigo. Quem ficaria com uma merda como eu?
Mas ela me beijou!
Que merda, Nina. Por que me beijou? Uma esperança gritou em mim, tentando me dizer que ela realmente podia ter me beijado por me querer, mas então outra coisa me ocorreu. Podia ter sido pena.
Pena se encaixava mais na situação.
“Não com você” Pena se encaixava mais na frase.
Ela tentou me deter e eu, imbecil, a beijei de novo. Merda. Como pude acreditar que ali ela me correspondia? Que me desejava?
Sai do banho revoltado comigo mesmo desejando nunca ter sobrevivido aquele acidente.
Vesti as roupas de Nate que Niall tinha separado pra mim e deixei que ele me levasse até uma das camas. Estava exausto, e quando ele me perguntou o que tinha acontecido lá, fechei os olhos e esperei que fosse embora. Não demorou muito, e logo cai no sono.
POV Nina
Caminhei pela praia ao lado de Layla completamente atordoada. Que porra tinha feito?
Mergulhado de cabeça dentro do meu maior pesadelo?
Não era pôr tê-lo beijado ou por ter começado algo que NUNCA deveria ter nem espaço para acontecer. O pior era aquela corrente elétrica que ainda percorria meu corpo, a sensação de estar pisando no chão pela primeira vez por ter me sentido completamente aérea quando os lábios de Harry tocaram nos meus.
Aquele ritmo desenfreado que meu coração de repente tinha tomado e que agora simplesmente se recusava a voltar ao normal.
Era tudo isso junto com o fato de estar sendo paga por Anne.
Eram todos esses sentimentos novos e maravilhosos me invadindo junto com a sensação de me sentir a pior pessoa do mundo. Como eu não conseguir me controlar? Pelo amor de Deus, ele merecia muito mais do que o lixo de garota que aceitou dinheiro para ficar ao seu lado.
E eu o queria tanto, mas sabia que não poderia me deixar levar por isso. E isso... doía. MUITO. Era quase como algo físico. Um machucado, uma ferida aberta. Latejava em meu peito, principalmente depois de tê-lo tocado daquela forma. Principalmente por ter sido tocada por ele.
—Hey, terra chamando Nina! – Layla ficou na minha frente me tirando daquele infeliz transe. – O que aconteceu com você?
— Eu o beijei. – Vi o queixo de Lay despencar na minha frente. Poderia ter escondido, mas no que adiantaria? Estava na merda mesmo.
—COMO É?? – Layla começou a rir e a fezer o maior escândalo
—Chega, não tem graça. – me desviei dela continuando a andar
—Como foi? – ela finalmente perguntou e meus olhos vacilaram. Lágrimas os invadiram e Lay me segurou pelos ombros – Foi ruim assim?
Não aguentei não rir. Layla era muito idiota.
—Claro que não – a empurrei e voltamos a andar – Acho que foi... – suspirei fechando os olhos ao lembrar do gosto de Harry em meus lábios – Incrível.
—Sério? – ela riu de novo e bateu palma satisfeita – E agora?
Revirei os olhos
—Não sei. Fingir que nada aconteceu? – dei de ombros sabendo que para Layla não existia essa opção.
—ENLOUQUECEU?
—Lay...– Sorri triste, sentindo as lágrimas aparecendo em meus olhos de novo – Queria que fosse outra situação, outra vida. – Lembrei de como nos conhecemos, totalmente por acaso. Meu Deus, por que não me colocou no caminho dele semanas antes? – Queria ter esbarrado nele em um momento totalmente diferente.
—E qual seria a porra da diferença? – Layla perguntou inconformada e eu fique irritada.
—A mãe dele não estaria me pagando, Layla! – Falei de um jeito ríspido e alto demais. Então abaixei a cabeça – Ele merece muito mais que isso.
Layla me fez parar de novo, me olhando nos olhos.
—Vocês dois mereciam que a situação fosse diferente, mas não é. – Lay segurou meu rosto entre suas mão para que eu não pudesse desviar o olhar – Não estrague tudo por um contrato idiota que nem mesmo vale direito. – Suspirei – Viva essa merda, Nina. Se não eu vou te matar!
Revirei os olhos sem dar esperanças a ela. Queria que as coisas fossem simples como Lay fazia parecer, mas nunca era. E apesar de tudo aquilo parecer muito bom, eu também sentia uma pontado no coração. E eu sabia exatamente o que era.
A pontada tinha nome e sobrenome. Tinha sido o único dono do meu coração até Harry aparecer e resolver tentar tomar tudo para ele.
Eu tinha sentimentos fortes por Harry, mas no fundo Kyle sempre estaria ali, e eu não queria chegar nem perto de sentir aquilo por outra pessoa.
—Talvez eu não queira viver isso, Lay. Dói! — E pela cara dela eu soube que ela viu Kyle em meu olhar. — Eu não quero mais dor — Pela primeira vez Layla ficou sem palavras — Vamos comprar comida logo. – a puxei fugindo do assunto e ela não insistiu.
Seguimos até o supermercado buscando o que Niall chamava de suprimentos. Não que eu conseguisse me concentrar no que estavamos fazendo. Não conseguia parar de pensar em Harry e no que aconteceria depois daquilo.
Como tudo ia ficar? Eu conseguiria ficar longe se precisasse?
A resposta com certeza era não.
Chegamos no apartamento e eu quase morri por ter que entrar nele, imaginando milhões de coisas, milhões de conversas que eu poderia ter com Harry e milhões de finais para tudo aquilo. Mas assim que encontramos Niall assistindo TV sozinho eu relaxei.
Harry estava dormindo. Estava exausto por causa do dia e eu ainda o tinha levado até lá, devia estar detonado demais. Passei por seu quarto quando fui tomar banho e não me aguentei, tive que dar uma espiada nele.
Dormia sereno, como um anjinho. Lindo, como sempre. Meu coração se aqueceu enquanto um sorriso bobo se formava em meus lábios, logo me afastei ao perceber. Estava completamente tomada por aqueles sentimentos, sem nem ao menos ter chance de luta.
Lay preparou o jantar e eu mal toquei na comida. Niall tentou arrancar algo de mim, Harry não tinha contato a ele e eu não o faria também. Fiquei na minha, quieta, apavorada com o que enfrentaria no dia seguinte.
Não demorou muito para que os dois fossem se deitar também.
Mas eu fiquei.
Sentei na confortável poltrona da varanda ouvindo o mar, sentindo a brisa da noite sem conseguir dormir. Sem conseguir parar de pensar nele e nas milhões de oportunidade que teria. Tanto de felicidade, quanto de tristeza a partir dali.
Então, talvez por destino, ou simplesmente porque Deus gosta de dar uma brincadinha comigo, pude ouvir o bater da bengala de Harry na sala, ele andava a passos lentos e cuidadosos. Não tinha familiaridade nenhuma com o apartamento, estava perdido. Dei um passo pensando em ir até ele, mas parei. Não sabia como agir.
Ele sumiu na cozinha e eu suspirei pensando que poderia ignora-lo, mas logo um estrondo me assustou.
—Harry! — Corri até ele e o encontrei apertando a testa. Layla tinha deixado a porta de um armário aberta. – Meu Deus, você tá bem? – tentei tirar sua mão da testa, mas ele se afastou de mim.
—Tô bem. – disse frio, mas não me importei. Toquei seu punho com delicadeza e ele tirou a mão da testa. Estava vermelho e tinha um corte mínimo.
—Ah, droga! Senta aqui. – Puxei uma cadeira e o fiz sentar
—Nina, ta tudo bem. Eu só queria um copo de água.
—Não. Vou pegar o kit de primeiros socorros – não o escutei
—Já disse que estou bem. – seu maxilar estava travado, mas eu não dei muita importância.
—Está sangrando. Vou resolver em um segundo...
—Não me ignore como se eu fosse a porra de uma criança. Já disse que estou bem. – sua voz era fria e irritada, então me contive.
Ele estava com raiva de mim. E como eu poderia julga-lo?
—Desculpa – disse em um sussurro envergonhado.
Ficamos em um silêncio constrangedor por mais alguns segundos, então decidi me mexer. Peguei um copo e coloquei água. Peguei sua mão colocando o copo sem dizer nada e ele soltou um riso debochado.
Esperei que dissesse algo, mas ele não o fez. Apertou os dedos em volta do copo respirando fundo e então o soltou na mesa que estava ao seu lado, se levantando.
Abaixei a cabeça enquanto ouvia de novo sua bengala, dessa vez se afastando de mim. Algo no meu estômago se mexeu e eu achei que fosse vomitar. Eu não ia conseguir continuar com aquilo.
Meu coração disparou e minha respiração quase falhou, sabia o que tinha que fazer. Em uma descarga de adrenalina fui até ele. Abri a porta do quarto sem cuidado, e disse a única coisa que poderia dizer:
(N/A: Podem ouvir Give Me Love do Ed Sheeran)
—Eu sinto muito.
Harry estava sentado na cama com a bengala apoiada em seu ombro esquerdo, a cabeça baixa. A blusa branca de Nate parecia imensa nele, os pés descalços mexiam os dedinhos vez ou outra. E minhas palavras pairaram no ar por alguns segundos como se ele precisasse de um tempo para assimila-las, por mais simples que elas parecessem.
Ele suspirou mais uma vez um pouco derrotado, passou os dedos pelo cabelo puxando-o pra traz como se estivesse ponderando algo.
—É por que eu sou cego, não é?
—O que?! — achei que não tinha ouvido direito
—É porque eu não posso ver? -Sua voz carregava um tom de angústia, ansiando por minha resposta — Você... — parou — Foi por pena? – sua voz parecia travada e aquela pergunta me deixou... PUTA
—Pena? – perguntei ainda sem acreditar naquilo – Acha que eu te beijei por pena?
Ele finalmente levantou a cabeça, fitando a parede sem se virar para mim.
—Acho. – Ele disse sem dificuldade alguma e eu percebi que realmente acreditava naquilo – Eu estava vulnerável, e... – sua voz falhou como se escolhesse suas palavras naquele mar de coisas que precisávamos dizer um para o outro. — Você disse “Não com você”. — Apertou os olhos e engoliu em seco, aquilo o machucava — Eu entendo...
Ele fez menção de continuar, então parou de novo. PUTA MERDA! Minha única vontade ali era de rir, rir muito, rir alto.
Harry Styles era uma negação em entender as coisas, tinha interpretado TUDO errado!
—Não! – fiz questão de não deixar que continuasse, agora levemente agressiva – Você NÃO entendeu porra nenhuma! Eu disse “Não com você” porque é meu melhor amigo, porque é importante demais para mim. “Não com você” por não querer arriscar tudo o que temos por esses malditos sentimentos que eu nem entendo. — Harry se levantou ficando de frente para mim — E eu senti raiva, muita raiva! Por não conseguir controlar toda essa maldita atração que eu tenho por você, mas agora to com mais raiva ainda por você achar que eu te beijaria por pena, ou o que é pior, por achar que de alguma forma seria digno de pena, e...
—Ah pelo amor de Deus — ele tateou até achar meu pulso — Cala a boca! — e me puxou para ele antes que eu pudesse continuar.
Harry escorregou os dedos por meus cabelos me beijando mais uma vez, e tudo me atingiu de novo, aquela aceleração ridícula do meu coração, o nó no estômago, meus pés não sentindo mais o chão.
Cedo passagem a sua língua sem a menor resistência, meu corpo traidor se contorce com cada toque dele e eu simplesmente me desligo de tudo aquilo que grita dentro de mim para me afastar.
O agarro com toda a minha força, não quero soltá-lo mais e ele puxa minha cintura para ele também.
Assim que a bengala ‘Berta’ cai ao nosso lado nossos lábios se separam. Seus olhos perdidos mantinham os meus presos a ele, sua respiração me exaltava e eu não pensei duas vezes antes de tirar aquela camiseta exageradamente larga dele.
Fiz com que se sentasse na cama, sentei em seu colo com as pernas uma de cada lado de seu corpo e deixei um beijo rápido em seus lábios.
E então ele começou. Passou as mãos por minhas coxas subindo muito devagar até minha cintura. Percorreu minha barriga e seios, até tirar minha camisola.
Eu sentia sua ereção no meio das minhas pernas.
Desceu as mãos por meus braços enquanto beijava meu colo, sentindo meu cheiro. Harry foi rápido ao tirar meu sutiã e inverteu nossas posições, me deitando na cama.
Ele tocou todo o meu corpo, o percorreu devagar, com firmeza. Beijava cada parte de mim, me conhecendo... me vendo.
E quando sua boca macia chegou em meus mamilos, enquanto usava os dedos para brincar com minha intimidade, Harry me levou a loucura. Estava completamente ferrada com aquele cara.
Arfava, louca por ele, desejando-o como talvez nunca desejei outro homem. O virei arrancando sua cueca com pressa, precisava dele ali naquele momento, sem poder esperar mais.
O ouvi gemer embriagado de tesão quando sentei em seu pau. Harry enterrou os dedos em minha bunda me puxando para ele enquanto mexia meu quadril engolindo-o. Meu corpo estava arrepiado por inteiro, ele brincava com meus mamilos e eu beijava seu pescoço amando cada segundo daquelas sensações.
Harry me puxou para ele assim que sentiu os espasmos e contrações de meu corpo respondendo ao que me causava e não demorou a se enrijecer por inteiro quando o orgasmo o atingiu também. E eu o observei mais satisfeita que nunca por vê-lo sentir tudo aquilo por mim.
Algum tempo depois eu continuava com a cabeça em seu peito, sentindo sua respiração ainda ofegante. Suas mãos acariciavam meu corpo nu.
Eu me sentia de um jeito totalmente diferente de tudo na vida. Era algo que eu não conseguia nem explicar. E sem perceber adormeci em seus braços.
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