Purple Light

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Mais um pro cês. E esse Harry e essa Nina hein? Nada de desenrolar, peloamor!

Gemma e Louis entraram, nenhuma peça de roupa no chão, ou sapatos diferentes.

—Tudo tá bem....

—Normal né? — Gemma fez uma cara engraçada e os dois continuaram

Ela entrou na cozinha e começou a bater uma massa especial. Louis sentou no sofá mexendo no celular.

—Por favor, me diz que é waffle! — Harry encostou no balcão parecendo um zumbi

—Para sua felicidade sim — ela respondeu sorrindo

—A noite aparentemente foi boa — Louis comentou percebendo a cara de ressaca de Harry

—Lou? — Harry sorriu virando-se na direção da voz — Foi ótima! — sorriu de canto lembrando da noite

—Aí, por favor, me diz que tem café — Nina abriu a porta da frente de pijama, toda descabelada e com uma cara tão ruim quanto a de Harry

—Não te ensinaram a bater? — Louis perguntou amargo

—Não te ensinaram a não abrir a boca? — Nina rebateu sem humor

—O que aconteceu ontem? — Harry perguntou com um super sorriso

Antes que pudesse responder Niall e Layla entraram pela porta

—Ouvi dizer que tem tem waffle da Gem hoje. — ele disse todo alegrinho

—Como soube? — Gemma riu

—Mandei mensagem — Louis explicou

Nina os ignorou totalmente

—Ele beijava mal, e tinha bafo de cigarro.

—Eca! — Harry riu satisfeito colocando algumas blueberrys na boca

—Quem? — Lay perguntou curiosa. Ultimamente não via muito Nina fora do abrigo. Ela era inteiramente de Harry agora.

—Hunter — Harry respondeu

—Um carinha aí. — Nina deu de ombros — Vocês não se largam mais?

—Espera, o que houve com o Daniel? — Layla fingiu não ouvir e mudou de assunto rapidamente

Nina sorriu de leve misteriosa e Harry gargalhou.

Ele nunca ia admitir, mas amava o fato de Nina ser exatamente como ele. Desprendida. LIVRE.

Ele sabia de tudo. Nina nunca fingira ser uma puritana, muito pelo contrário, sempre escancarou a verdade para ele.

Ela não queria nada com nada, usava os homens, da mesma forma que ele usava as garotas do Joe's.

Conhecia a história de cada cara e entendia porque todos acabavam querendo ela, mas dava graças a Deus por ela não querer nenhum deles e por ser o único pra quem ela voltava.

—Quem? — ela se fez de desentendida

—Ah Nina, não acredito. — Layla ficou desolada

—Ah, qual é, Lay? Sabe que ela não ia ficar com ele — Harry continuou se divertindo

—Coitadinho — Layla disse fazendo careta

—Nada de coitado, é a vida. — Nina deu de ombros mais uma vez. — A refra é simples.

-Se você se apaixona, é descartado. — Harry completou e ela concordou.

—Por que você sempre acha os caras que querem namorar? — Gem perguntou intrigada

—Parece que eu atraio esse tipo de gente — Nina fez careta enquanto Harry soltava mais uma risada

—Tá rindo tanto por que? — Layla ficou invocada — Você falou da gente — apontou pra Nina — Como se você e esse aí se desgrudassem.

—Verdade! — Gemma riu dos dois

—É isso aí — Niall concordou

Nina cruzou os braços ao lado de Harry olhando o casal

—A diferença é que a gente não transa. — Harry explicou de novo

—Ainda — Niall disse baixo o suficiente pra todo mundo ouvir

—Não posso transar com o Harry, ele vai querer me namorar — Nina deu de ombros fazendo Harry gargalhar

—Deus que nos livre dessa catástrofe — Louis se levantou do sofá roubando um waffle

—Enfim.... — Nina rolou os olhos — De nada importam esses machos perdidos, eu e Harry vamos a caçada de novo essa noite. — ela piscou feliz

—Onde vamos? — ele perguntou sem reclamações.

—Numa festa de máscaras! — ela cantarolou animada — Alias, precisamos de marcarás. Vai se trocar que gente vai atrás disso right now!

—Como arruma tantas festas? — Louis perguntou intrigado

—Mandam convites adoidado pra ela — Layla explicou

—É que sou uma pessoa super interessante — se gabou

—Super!!! — Louis revirou os olhos



***



—CHEGUEI! — Gemma abriu a porta do apartamento

—Bom dia.

Nina estava sentada no balcão tomando café e lendo o jornal com um macacão de unicórnio rosa.

—O que é isso? — Gem perguntou olhando-a de cima a baixo.

—Já tem café? — Harry apareceu com um macacão de unicórnio azul bebê

—Mano..... — era inacreditável

-A gente foi comprar as marcaras, mas acabamos nos distraindo com esses macacões.

—E compraram? — Gemma estava achando o máximo

—Compramos e esquecemos as mascaras — Harry riu deles

—Então voltamos pra cá — Nina começou

—E Nina fez um risoto de abobrinha SENSACIONAL! — Harry disse animado demais

—Risoto de abobrinha? — Gemma riu dos dois — Então não foram a festa?

—Não. Nina começou a ler a história do rei Arthur e acabamos pegando no sono.

—Hmmmm — Gemma entrou na cozinha satisfeita.

Harry ficava genuinamente bem, pra cima com Nina por perto, e ela parecia ser uma ótima pessoa apesar dos motivos que a levava ali.

Observou os dois sentados no sofá conversando sobre algo que ela não fazia parte.

De alguma forma haviam criado um mundo só deles, e nesse mundo Harry era extremamente feliz apesar de todas as limitações que antes eram grandes empecilhos.

Nina deu um gole em sua xícara de café quando percebeu Gemma os observando.

—O que? — Ela perguntou e Gemma balançou a cabeça voltando a preparar o café

—"O que" o que? — Harry perguntou logo depois

—Gemma estava olhando pra nós... — Nina ficou com preguiça e resolveu abordar algo que a incomodava já a um tempo — Esquece. Por que ela tem que vir fazer seu café todo dia?

—Eu sei que pra você deve ser estranho, espero que não se assuste. Não é fácil de perceber. — ele brincou — Eu sou cego. Já faz um tempo...

Ele ia continuar, mas Nina o empurrou

—Cala a boca! — ela olhou Gemma, a cozinha e então Harry de novo — É sério, por que não faz seu próprio café?

— Não é como... — ele ia dizer algo em um tom totalmente diferente dos segundos anteriores, super sério. Mas Nina o interrompeu

—Não é como se não pudesse fazer sozinho.

—Não posso — sua mandíbula se enrijeceu. Pela primeira vez Nina batia de frente com uma coisa que o deixava extremamente desconfortável. Ele pareceu muito irritado, mas Nina não estava afim de terminar aquilo ali

—Pode! — ela cruzou os braços — Você tem braços e pernas perfeitos, consegue se mexer como qualquer pessoa que faz seu próprio café. — Nina odiava a forma com que todos tratavam Harry, como se a qualquer recusa ele pudesse se quebrar — Você NÃO é incapaz, Harry. — Harry deu um leve sorriso anasalado e totalmente sarcástico — Ah, puta merda! Não está me dizendo que se acha...

—Eu não preciso dizer, é meio óbvio. Agente pode fingir que não...

-Não! Não mesmo. Depois de todo esse tempo... — ela continuou indignada — A gente sai...

-A gente sai porque você é uma pessoa funcional.

-E você também, você é completamente capaz de fazer seu próprio café.

-Eu achei que pudesse ser pessimista.

-Pode, sem problemas, mas não pode se contentar em ser inutil. — Um silencio pesado tomou conta da sala. — Calma... — ela tentou mas ele não deixou que continuasse.

-Chega, Nina. — Harry se levantou e entrou no corredor que levava ao quarto tentando deixá-la falando sozinha, mas ela o seguiu

— Eu não entendo...

—Exatamente! — Harry se virou para ela interrompendo-a de novo — VOCÊ NÃO ENTENDE. Já pensou em como é difícil achar as coisas sendo cego? Já imaginou como é complicado não entender o espaço ao seu redor por simplesmente não enxerga-lo? — Nina hesitou em responder e ele continuou — É óbvio que não, porque ninguém percebe o quão dependente é da visão até perdê-la. Então sim, você NÃO entende. NINGUÉM entende. E você é exatamente igual aos outros, só fica aí me julgando...

Harry se jogou na cama irritado e decepcionado enquanto terminava, mas Nina fez o favor de lhe interromper.

—Não, senhor. Eu não chego nem perto dos outros. — Nina se aproximou agora também irritada. — Eles passam a mão na sua cabeça pra TUDO, enquanto eu fico tentando te mostrar que você não é diferente de ninguém. Você é cego? Foda-se! Faça suas próprias panquecas.

—Eu não pedi nada a você — Harry desdenhou e ela sentiu o sangue ferver

—E se tivesse pedido eu não faria também — depois de dizer percebeu o quanto aquilo tinha sido infantil e mentiroso — Tá. Provavelmente faria, mas essa...

—Quer saber? — Harry foi mais rápido, não querendo mais ouvir — Não preciso de mais uma pessoa tentando me tornar seu projeto de caridade pessoal, então por que você não vai embora? Que eu saiba você não mora aqui.

Nina ficou incrédula

—Ótimo. Continue sendo um idiota que não faz panquecas.

Ela saiu furiosa em sua roupa de unicórnio, entrou em casa e bateu à porta com tudo.

Sabia que ele tinha ouvido. As paredes eram finas demais, e seu ouvido bom demais.

Uma semana havia se passado.

Nina tentou ligar para fazer as pazes, mas Harry não atendeu nenhuma de suas ligações. Ela então entendeu que ele queria espaço, e não forçaria nada. Evitou o bar do Joe, as aulas de boxe e todo o resto.

Mas de repente sua vida era vazia.

Sentia falta das risadas, de sua voz e de seu toque quente e reconfortante.

As festas não faziam sentido, o sexo não tinha graça e a bebida muito menos. E então numa noite péssima, sentada em um bar qualquer com um gin tônica ela percebeu que tinha feito a maior merda do mundo.

Se apegou a Harry como jamais imaginaria poder.

Ela não queria nada falso, mas se esqueceu do quão real tudo poderia se tornar. Perdeu o equilíbrio, se é que algum dia realmente o teve.

Estava completamente dependente dele como jamais se permitiu ser de qualquer outro cara. E por mais que seu cérebro gritasse avisando que era hora de se afastar, antes que pudesse pensar direito já havia dispensado o simpático moreno que pagara seu drinque e estava em frente à seu prédio observando os andares, sem muita coragem de subir.

Zany, e Niall apareceram na portaria e estranharam a cena

—Nina? — Niall a chamou para o mundo — Tudo bem?

Ela voltou a si e sorriu para eles.

—Sim! — respondeu quase animada demais, tentando manter os cabelos rebeldes atras da orelha sem muito sucesso — Estou muito bem. Ótima, na verdade. Estou apenas pensando se subo, ou não.

—Você tá bêbada? — Zayn deu uma risadinha

—Não, mas queria estar. — ela pareceu chateada — Talvez não o suficiente.

—Isso tem a ver com Harry? — Niall não a conhecia tão bem, mas não era difícil desvendar Nina. Ela não sabia esconder direito o que estava sentido.

—Não, eu...- Nina mordeu o lábio inferior pensando em mil mentiras, mas ficou com preguiça — É tão óbvio assim? — Ela suspirou derrotada

Niall a puxou pela mão e entrou no prédio parando em frente ao elevador

—Sobe — ele mostrou um sorriso extremamente encorajador

—Ele não quer me ver — Nina disse insegura — Não atendeu minhas ligações...

—Você sabe que ele está doente? — Zayn perguntou calmamente e pela cara de Nina ficou óbvio que ela não sabia de nada

— Foi só uma gripe — Niall percebeu seus ombros enrijecidos e procurou acalma-lá

—Que desencadeou um ataque de asma — Zayn continuou sem se preocupar — você sabe que ele tem asma né? Asma é bem sério. Pessoas morrem de....

—Ta. Ta. Ta bom — Nina entrou no elevador e subiu

—Precisava assustar a menina? — Niall perguntou assim que o elevador fechou

—Lógico — Zayn riu — Ela precisava de algo que superasse o medo. O medo maior de perde Harry, fez ela subir. Sou um gênio.

—Claro, claro. — Niall colocou as mãos no bolso pensativo. — Ela parece se importar bastante.

Zayn assentiu enquanto saiam do prédio de novo.

— Não acho que Anne vai precisar pagá-la muito mais tempo, e tudo vai sair como ela quer.

—Acha que eles...?

—Eu acho que sim. — sorriu — Vamos logo buscar esse jantar.

Notas finais
Primeira briguinha do nosso casal, que emoção! hahahaha O que acharam? Me deixem saber!! Beijinhos