Purple Light
11 Capítulo 10
—ELE SUMIU, GEMMA!! — Niall falava no telefone desesperado.
—Nina não está lá também — Layla entrou no apartamento de Harry tão aflita quanto todos os outros
—Você tem certeza? — Zayn perguntou
—Eu não sei! — Layla se sentou no sofá colocando as mãos na cabeça — Ela ia me dar uma chave, mas resolveu sumir antes. Ou ela saiu, ou está morta lá dentro. Não é possível!
—Talvez ele esteja na casa de alguma garota — Els disse tentando achar uma solução
—Ele nunca faz isso -Sophia se pronunciou
—Precisamos ficar calmos — Louis disse no meio de todo caos
—Ela não atende o maldito celular! — Layla jogou seu celular no sofá
Todos falavam alto, desesperados e preocupados, sem saber onde qualquer um dos dois estavam.
Então, Liam que estava sentado, mexendo no notebook no balcão da cozinha disse calmamente
—Não sei onde estão, mas acho que estão bem — ele sorriu para a tela do computador
—Por que? — Layla se aproximou olhando e os outros vieram atrás
Era uma matéria de um site de fofoca qualquer com uma foto enorme.
Harry e Nina estavam abraçados quando a foto foi tirada.
Nina tinha o braço em volta da cintura de Harry, o olhava de baixo com seu sorriso iluminado. Harry estava com o braço sobre os ombros de Nina, gargalhando de um jeito que ninguém via ha muito tempo..
Pareciam suados e provavelmente bêbados, mas ninguém poderia negar a tamanha felicidade contida naquela foto.
"Harry Styles curte show de Coldplay da pista com acompanhante misteriosa"
Ninguém disse nada, todos pareciam pasmos.
-PISTA? — Louis gritou incredulo — Qual a chance?
—Olha esse sorriso — Els apontou para Harry, e todos continuaram quietos.
***
Já passavam das duas da manhã, o show havia acabado e todos já haviam saído.
Nina e Harry resolveram ser os últimos. Saíram gargalhando, emocionamos com o show incrível que acabaram de ver. E como em todo bom show a chuva não poderia decepcionar. Na última música a garoa começou e no final um pé d'Água caia sobre eles, mas não se importavam. Nem mesmo sentiam a chuva. Estavam extasiados.
Andavam de mãos dadas ainda rindo.
Harry mantinha a bengala no bolso, andando de mãos dadas com ela como um casal qualquer, como se enxergasse tudo a sua frente. Não se sentia inseguro, nem irritado por não ver o show. O som, a adrenalina da musica ao vivo, o arrepio de ouvir a voz de Cris Matin ali do lado e aquela energia avassaladora que Nina transmitia o fazia sentir normal pela primeira vez desde o acidente.
—Você gostou? — ela perguntou em dúvida
—Se eu gostei? — Harry não tinha como explicar aquele sentimento — Não lembro da última vez que tive um dia tão bom assim.
—Ótimo! — ela disse feliz, fazendo Harry gira-la e ele mais uma vez não poderia deixar de sorrir, ela o contagiava de um jeito doido. Ele a girou de novo e a puxou de volta pela cintura fazendo com que ficassem muito perto um do outro.
-Você é maravilhosa! — ele disse sorrindo e Nina sentiu sua respiração ficar mais pesada. Era difícil de respirar olhando aquele sorriso.
Ela foi se aproximando lentamente, e numa sintonia perfeita Harry fez o mesmo. Era como se houvesse uma força invisível que os empurrassem um para o outro.
E de repente ela o beijou. Fácil assim, sem pensar e nem planejar. Apenas aconteceu.
OU...
QUASE.
Nina piscou algumas vezes com o rosto a milímetros do de Harry. Aquilo NÃO podia acontecer!
Não estava ali pra isso, mesmo que seu corpo falasse mais alto, sua mente tinha que ser forte.
Ela se afastou, antes que o beijo tão certo que imaginou acontecesse realmente.
Se afastou delicadamente tentando não fazê-lo perceber o quão desconfortável havia ficado com aquela fantasia.
—Vamos embora — sua voz se tornou brincalhona sem ela mesmo perceber e abraçou a cintura dele com carinho
***
Nina estava sentada na cama de Harry com as pernas cruzadas olhando todas a milhares de mensagens e ligações perdidas. O mundo parecia um caos fora daquela pequena e reconfortante bolha que ela e Harry criaram.
Ele apareceu na porta só de shorts secando o cabelo com a toalha e ela se distraiu brevemente com a imagem.
Nina já tinha tomado banho ali mesmo no apartamento de Harry e agora vestia uma de suas cuecas e uma blusa azul.
—Acabamos de completar 48 horas acordados — ela disse olhando no relógio
—Sério? Já?
—Pois é — ela levantou se espreguiçando — quero dormir LOUCAMENTE!
Harry então largou a toalha na poltrona como se acabasse de se tocar
—Você não vai embora a essa hora né? — ele brincou como se fosse um absurdo
—Não é como se minha casa fosse longe — ela riu enquanto juntava suas roupas, mas antes que pudesse notar, Harry estava parado ao seu lado. Esticou o braço procurando por ela e quando achou seu ombro deslizou sua mão por todo o braço de Nina e segurou sua mão. Aquilo fez seu coração bater como talvez nunca antes.
—Fica — sua voz saiu baixa demais, como se tivesse feito um esforço enorme pedindo aquilo, sem falar na cara de cachorrinho pidão.
Engoliu em seco. Por que ele tinha que ter esse efeito sobre ela?
—Tá bom — ela respondeu tão baixo quanto ele. Ficaria o tempo que ele quisesse.
Talvez nenhum dos dois pudessem admitir o que acontecia ali, mas mesmo Nina negando a si mesma, e Harry desacreditando o máximo que podia, não tinham como evitar os impulsos involuntários de seus corpos em direção um do outro.
Nina se jogou na cama sem rodeios. Enquanto ele se sentou vagarosamente, se recostou na cabeceira e suspirou. Estava nitidamente exausto.
Ela se virou olhando-o com os olhos já fechados, poderia estar dormindo e ela nem perceberia. Lindo, sereno, sexy.
—O que? — ele perguntou rindo fraco. Nina abriu um sorriso delicado
—O que “o que”?
—Por que tá me olhando? — Ele perguntou escorregando na cama, deitando-se virado para ela.
—E-eu não... — ela gaguejou e então franziu as sobrancelhas — Como...?
—Eu sei de tudo — ele disse quase dormindo e ela sorriu observando-o cair no sono devagar. Deitou-se ao seu lado e viu a grande estante com um buraco no meio
—Hey — ela sussurrou deitando-se de frente para ele — Você devia colocar uma TV aqui.
—Pra que? — ele deu de ombros com os olhos fechados
—Pra MIM! — ela brincou e ele mordeu o lábio inferior soltando um riso anasalado.
E adormeceu. Rápido e fácil.
Ela ainda passou um tempo olhando pra ele, até cair no sono também.
***
"LOUIS, LOUIS, LOUIS" — algo gritava pelo quarto
Nina abriu os olhos devagar e logo percebeu que estava deitada no braço de Harry. Ele a abraçava por trás e os dois pareciam se encaixar perfeitamente.
Ela levantou devagar tentando achar o barulho, então Harry se mexeu também.
—O que é isso? — perguntou sonolenta
—Meu celular..... — ele respondeu coçando o olho ainda
— E onde você largou? — ela saiu da cama acendendo a luz.
O celular estava embaixo da cama, provavelmente caiu quando Harry foi tomar banho
—O que é? — Nina atendeu rabugenta — Ele está ótimo, Louis, vê se não enche mais o saco.
Harry sorriu fraco, amava seu jeito bruto de cuidar de todas as coisas
—Cara sem noção — Nina murmurou irritada e ele voltou a se deitar — Meu Deus! Tem ideia de que horas são?
—Eu nunca tenho noção de que horas são — ele riu leve, parecendo mais sério do que pretendia e ela pensou por alguns instantes.
Como era estranho pensar em fechar e abrir os olhos e tudo continuar do mesmo jeito, na mesma escuridão.
—Você não tem aqueles relógios?
—Relógios? — ele levantou a cabeça enquanto ela se ajoelhava na cama
—Que falam?! — Talvez ela nem soubesse do que estava falando — Alias, seu celular grita meu nome quando eu ligo? — aquilo era genial
—Você nunca me liga — a voz de Harry estava mais rouca do que o normal, mas extremamente doce.
Ele esticou o braço e ela tocou em sua mão para mostrar que estava logo ali.
—Que menino dengoso — ela brincou deitando ao seu lado de novo, sentindo Harry entrelaçar seus dedos.
Nina não se demorou muito na cama, se levantou e fez o almoço pra eles.
Harry comeu feliz.
Seria tão bom se todos os dias fossem como aquele. Se todos os dias Nina estivesse lá.
Os três dias seguintes eles passaram grudados um no outro.
Assistiam filmes comendo besteiras e bebendo. Nina narrava toda a ação e Harry pela primeira vez via graça em ouvir os filmes.
Ou em ouvir Nina tentando narra-los.
Os telefones tocavam, mas depois de um tempo eles desistiram.
Até que na manhã do quarto dia a campainha de Harry tocou.
Ele atendeu a porta nem um pouco satisfeito, e logo o cheiro de baunilha e canela de Gemma se alastrou pelo ar acabando com toda a magia.
—Mundo real entrando — ela não esperou que ele a convidasse — Onde esteve? Como não atende a mamãe?
—Eu estava aqui, o tempo todo. Super seguro, sem loucuras. Pode avisar a doida da sua mãe, sem preocupações ou surtos. Só um homem maior de idade vivendo a vida.
—Como se fosse fácil... — Gemma olhou por toda a sala — Não tem ninguém com você?
Nessa mesma hora Nina apareceu na sala. Vestida com suas roupas.
—Harry, eu não achei meus brincos . Quando encontrar, você guarda pra mim?
—Você... — Harry hesitou dando alguns passos em sua direção — Vai embora?
—Gem. — Nina a cumprimentou sem animo ou coragem — Preciso ir, meu irmão precisa de ajuda.
—O que? — Harry nem tentou não parecer surpreso. Como tudo mudava assim tão rápido?
—Amanhã. Eu volto. Acho. — Ela disse confusa, envergonhada, sem saber como seguir a partir dali. Depois de um silencio estranho deu um beijo na bochecha de Harry e apertou seu braço de leve, saindo rápido demais.
Harry estendeu o braço, tentando mante-la ali o quanto pudesse, então ficou atônito.
De repente Nina some e seu mundo volta a ser a mesma mesmice de sempre. A mesma vida sem graça, escura.
Sem luz.
Um mês depois
—Por que essa cara? — Anne perguntou se debruçando na mesa do restaurante ao notar o desconforto de Harry. As comidas acabavam de chegar
—Sabe que eu não gosto de sair
—Mentira. A namorada dele tá viajando — Gemma respondeu rapidamente dando uma cutucada no irmão.
Harry suspirou irritado, aquilo ia render meses de perguntas que ele não estava afim de responder
—Namorada? — A voz de Anne saiu afetada demais pro gosto dele
—Ela não é minha namorada! — Harry respondeu convicto
—E quem é ela? — Anne perguntou com um tom estranho
—Lembra a menina que agora leva ele pra correr no parque?
—Me senti um dos cachorros dela agora. — Harry disse mau humorado, mas nenhuma das duas lhe deram atenção
—Aquela que fez ele voltar pro boxe? — Gemma continuou e Anne assentiu — É ela.
—Ela não me fez voltar. Voltei porque quis.
—Quando vou conhecê-la?
—Mãe.— Harry suspirou irritado — Não vai. — ele esticou a mão procurando pelo sal, e sem querer esbarrou no copo de água a sua frente molhando toda a mesa.
—Tudo bem — Gemma mais que depressa colocou seu guardanapo e chamou o garçom
—Se estivéssemos em casa... — ele ia começar a reclamar, mas Anne não permitiu que continuasse
—Qual o nome dela?
—MÃE! — Harry alterou o tom de voz, sua mandíbula estava visivelmente travada — Eu não namoro, e nem vou. NUNCA!
—Ela faz você sair de casa? — Anne perguntou ainda curiosa, não conseguia contato com Nina a tempos.
— Bastante. — Gemma respondeu pelo irmão — Sabe essa cara? Ela nunca aparece com ela.
—Já gosto dela então. Podemos marcar algo em casa...
Harry se levantou, abriu a bengala e saiu andando antes que a mãe terminasse de falar.
Seu coração batia rápido demais e enquanto contava os passos até a porta torceu para não esbarrar em nada, ou ninguém.
Finalmente saiu pela porta, mas esqueceu do degrau da entrada. Tropeçou e caiu. Seus óculos foram parar em algum lugar longe dele. Odiava cair na frente de pessoas, e provavelmente ali tinham muitas.
—Você esta bem? — sentiu mãos em seu braço o levantando
—Harry!! — Gemma o alcançou — Meu Deus!
—Eu to bem — ele disse querendo que se tranquilizasse
—Não. — ela respondeu com raiva na voz
—Seus óculos — o homem que o ajudara provavelmente o entregava
—Obrigada — Gemma o puxou para o lado fazendo com que andasse
—Obrigado — Harry disse sem nem mesmo saber se ele ainda estava lá
Eles deram poucos passos até Gemma fazê-lo parar outra vez
—Precisava disso? — ela perguntou colocando o óculos em sua mão
—Você não ajuda. — ele praguejou passando a mão na maçã do rosto avermelhada por causa da pancada
Nina tinha sumido. Há duas semanas não dava notícias, ele só sabia que talvez estivesse em Nova York, o que não era muito. E aquilo acabava com ele.
Nas últimas semanas Nina havia explicado bem seu estado de espírito nômade, e se tivesse simplesmente ido embora sem olhar para trás de novo?
—Preciso ficar sozinho agora. — Disse a irmã um pouco fora de si. Não tinha um segundo de sua vida em que Nina não tomasse conta de seus pensamentos.
—Por que não diz de uma vez que precisa encher a cara?
—Eu preciso encher a cara! — Harry disse o que ela queria ouvir — Tá bom pra você? Te fez mais feliz?
—Por que tá fazendo isso?
—Porque é minha vida! — Ele respondeu irritado, não era criança — É uma merda de vida, mas ainda é minha, Gemma. Se quiser eu morro de tanto beber, e ninguém tem nada a ver com isso.
Saiu andando de novo sem nenhuma noção de para onde estava indo, só queria que Gemma o deixasse em paz.
—Espera! — ela segurou em seu braço — Me deixa pelo menos te por num táxi. — ela pediu derrotada e um pouco aflita.
Nunca ficaria tranquila deixando-o vagar por Londres daquele jeito e ele agradeceu em pensamento. era muito complicado voltar para casa sozinha.
Gemma observou o táxi de Harry virar a esquina e Anne finalmente apareceu.
—Pra onde ele foi? — ela se aproximou preocupada
—Para o Joe’s? Não tenho certeza. — Gemma passou a mão nos cabelos descoloridos — Não sei até onde isso tá sendo bom, mãe. — Anne não disse nada, apenas sentia seu coração cada vez mais apertado — Ele fica ótimo, até ela sumir.
Anne continuou em silêncio olhando o taxi se afastar
-Como vai ser quando ela não voltar?
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