Purple Light

8 Capítulo 7


Notas iniciais
Esse ta grandinho

—Você disse isso? — Layla ficou de queixo caído enquanto descarregavam as rações de cachorro do caminhão

—Falei — Nina riu

— Isso foi tão... Poderoso e sexy e... — Lay arqueou a sobrancelha — verdadeiro.

—Lá vem você com a sua psicologia barata...

-E vocês não se viram mais?

-Não. Ele sumiu. — Nina respondeu contrariada

—Sei lá. Só to dizendo que seja lá o tipo de fumaça alucinógena que levantou nesse encontrão que vocês deram, tá sendo bom pros dois né? — Layla deu de ombros enquanto as duas voltavam para o caminhão — Você aceitando esse seu coração duro e gelado e o Harry se soltando, dando uma desamargurada...

—Como você sabe que ele...?

—Hãm... Niall me contou ontem? — ela torceu a boca enquanto Nina jogava um saco de ração para ela

—Dormiu com ele né, filha da puta?

—Por acaso tava no seu contrato que não podia arrumar amigas bonitas para os amigos bonitos do Harry?

—Ah, Layla, puta que pariu. — Nina bufou carregando o último pacote — Aliás, eu não quero mais falar desse jeito da situação, vamos fazer como se tudo isso fosse natural...

—Se fosse natural, VOCÊ já teria transado com o Harry, com o Niall e provavelmente...

—AI, CALA A BOCA! — Nina gritou — Só... Me ajuda a fingir que é de verdade tá?

—Se é o que você quer...

—Sim, eu agradeceria.

—Bom, então é melhor começar já — Layla entrou pela porta do canil e o sininho da porta da frente fez barulho

Harry e Zayn entraram e Nina não escondeu seu sorriso largo.

—Posso ajudá-los, rapazes?

—Nina? — Harry sabia bem se fazer de bobo

—Harry...

—Nina? Sua vizinha? — Zayn já não era tão bom na mentira

—Ela mesma. — Harry confirmou e levantou as mãos já em defesa — Eu não estou te perseguindo, juro. Foi uma coincidência.

—Claro. — Zayn riu — A gente não perguntou pro Niall onde era o abrigo que a Layla trabalha

Nina gargalhou enquanto Harry fazia cara de bosta para o amigo

—Vejam só... — Layla voltou ao balcão — Vizinho gostoso — ela cumprimentou e Harry acenou com a cabeça — Amigo do vizinho tão gostoso quanto...

Layla não tinha jeito.Nina tentava entender se ela simplesmente tinha nascido sem o filtro ou se simplesmente ignorava a existência dele.

Então ela apenas riu revirando os olhos

—Como podemos ajudar as beldades? — Lay deu um empurrãozinho em Nina que não parava de rir

—Zayn quer adotar um cãozinho.

—EU? — Zayn arregalou os olhos enquanto Harry o empurrava para frente — Quero... Quero um cãozinho — ele concordou

—Bom — Nina abriu a portinha para que ele passasse — A Layla pode te mostrar alguns.

—Claro que eu posso — Lay puxou Zayn para dentro e Nina e Harry ficaram sozinhos.

Nina deu a volta no balcão e se recostou nele enquanto observava Harry com seu sorriso cafajestes se aproximar vagarosamente.

—Está querendo ficar a sós comigo, moça?

—Seus impulsos de perseguidor andam mais fortes, Harry. — ela brincou — se continuar assim vou ter que contratar seguranças.

Harry encostou ao seu lado.

—Meu Deus, você não acredita em coincidência, nem em amor... Da pra ser mais incrédula que isso?

—Eu não disse que não acreditava no amor... — ela fez cara de esperta e se sentiu frustrada por ele não poder vê-la. E quando olhou para a porta de vidro da loja de novo viu alguém extremamente inconveniente se aproximar — Ah droga!

—O que?

O problema de "fingir" uma parte de sua vida é que as outras precisam estar na mesma sintonia, ou tudo vira de ponta cabeça.

Nina não tinha pensado na mãe, nos irmãos e em nenhuma parte tão pessoal que poderia acabar se misturando com seu "contrato"

—Nada. Só... — respirou fundo — entra na minha

Harry sentiu o desconforto em sua voz, quando o sininho da porta fez barulho de novo e um cheiro de perfume masculino de repente se misturou com rosas e a respiração de Nina pesou.

—Ben... — ela soltou

—Como está hoje? — o cara perguntou e ela forçou uma risada sem graça

—Tudo como sempre.

—Trouxe... — ele ia dizer, mas ela foi mais rápida

—Ben, esse é Harry. Meu... namorado — a voz dela saiu estranha, mas Harry sentiu uma satisfação dentro de si de outro mundo — Lembra?

—Seu... — A voz do homem quase não saia — Eu não achei que...

—Como vai, Ben? — Harry perguntou ao estender a mão na direção da voz falha.

Ben apertou a mão de Harry com firmeza

—Muito bem. — disse a Harry e depois voltou-se a Nina — Sua mãe...

—Ainda não conhece o Harry, mas logo terá o prazer.

—Bom, vim convidá-la para almoçar, mas já que está acompanhada deixamos para outro dia. Harry, foi um prazer. Nina... — Ben acenou a cabeça e saiu levando o buquê que trouxe junto.

Nina se jogou no balcão respirando aliviada

—Você me salvou — ela segurou na mão de Harry sorrindo — Obrigada!

—Melhor me explicar direito quem era esse Ben, namorada. — Harry brincou entrelaçando seus dedos

—Longa história — ela soltou a mão empurrando seu ombro de leve e olhou para a porta de novo — PUTA QUE PARIU!

—QUE FOI?

Nina passou pelo balcão correndo e enquanto tirava o avental e pegava sua bolsa, teve uma ideia.

—Vamos dizer que é uma outra visita indesejada. — ela riu nervosa

—Outro pretendente?

—Hummm.. Pior. Minha mãe. Então, o que acha da gente sair daqui?

—Tipo agora?

—Tipo já. — Nina o puxou pela mão fazendo-o passar pro outro lado do balcão rápido demais — Pelos fundos. Rápido.

—Tá — ele riu um pouco nervoso e antes que Nina pudesse dar qualquer resposta viu a mãe chegar cada vez mais perto

—Ótimo! — pegou na mão de Harry e o puxou — Não tem degraus e nem nada no chão então não se preocupa, vou avisar quando tiver.

—Nina... — ele pronunciou seu nome sem esconder a insegurança.

Ela se virou segurando ele pela cintura quase colando seus rostos.

—Confia em mim. — Ele assentiu um pouco tonto, talvez pela rapidez, talvez pela proximidade. Então ela se virou, rapido demais outra vez, o guiando para dentro do canil onde encontraram Layla e Zayn — Não dá pra conversar, eu e Harry estamos de saída porque o dragão vai atacar o castelo.

—Sabe que ela vai acampar ai na frente até você aparecer né? — Layla sorriu esperta

—Eu sei. Por isso não volto hoje — sorriu dando de ombros para a amiga e voltou-se para Zayn — Não se preocupe, deixo o Harry em casa antes da hora de dormir.

Os quatro ouviram o sino tocar e Nina puxou Harry com tudo para a saída dos fundos.

—Escada! — ela avisou e percebeu Harry muito tenso. Desceram cinco degraus — Esse é o último.

Estava quase no parque que ficava atrás do abrigo quando olhou para trás e viu sua mãe vindo também. Nina puxou Harry quase começando a correr, mas em poucos paços os dois tropeçaram e rolaram na grama.

Pararam lado a lado, mas Nina se debruçou em cima dele com o cabelo todo bagunçado.

— Meu Deus, você tá bem? — perguntou preocupada, mas logo caiu na risada.

—Você é doida! — ele respondeu tentando não rir — Vai puxando um cara cego pelo parque assim, e acha que vai dar certo?

Os dois riram juntos.

—Desculpa — eles continuaram rindo até ouvirem um grito agudo.

—NINA!

—Puts. — Nina tampou a boca de Harry com a mão — Shhhhh!!

—Eu não disse nada!

—Shhh!!! — ela repetiu. Esperou de olhos fechados que a mãe a puxasse pelos cabelos, mas invés disso quando olhou para trás não havia ninguém conhecido. Respirou aliviada. — Vamos!

Ela levantou devagar e deu o braço para que ele o segurasse.

—Nossos encontros em parques são bem interessantes — Harry comentou e os dois riram de novo — Vai me contar a longa história do Ben agora?

Nina revirou os olhos pegando a mochila do chão

—Tá, eu conto. Mas vamos achar um lugar melhor e... Longe daqui.

Eles andaram por um tempo até que Nina encontrou um lugar no parque mais vazio. Harry não ouvia todas as vozes de antes e o ambiente estava mais fresco então imaginou que estavam entre as árvores.

Ela pegou uma colcha na mochila e estendeu onde os dois se sentaram despreocupadamente.

—Muito bem — ela suspirou como se tomasse fôlego — Ben e eu ficávamos as vezes no primeiro ano, e ele meio que gostava de mim, mas nunca rolou nada demais. Então a gente se formou cada um foi para um lado e a mais ou menos um ano ele apareceu aqui e minha mãe fica jogando ele pra cima de mim, querendo que case com ele... — ela revirou os olhos num tom cansado

—Casar? Sua mãe gosta mesmo dele — Contra tudo o que estava bem estabelecido, Harry se sentiu levemente decepcionado

—Não exatamente dele, mas sim da conta bancária.

—Wow!

—Pois é, eu cresci ouvindo que o amor não enche barriga e o mais importante — ela fez uma pausa dramática — não compra jóias.

—Bom, eu sou rico. Então sua mãe já gosta de mim. — ele comemorou e Nina o empurrou

-Nossa última conversa não valeu de nada?

-Combinamos que não iamos transar, mas quando foi que a gente decidiu não flertar?

-Você é um babaca — Nina concluiu

— Mas sério, isso explica muita coisa, por exemplo, sua descrença no amor. — Harry torceu o nariz e Nina abriu a boca para responder de imediato, mas não conseguiu.

Era como se Harry tivesse um tipo de magia sobre ela que a fizesse pensar sobre as coisas que geralmente ignorava, e além de admitir para si mesma, o fazer para ele também.

— Não é que eu não acredite... — ela pensou por mais um instante. — Eu só não espero muito do amor como todo mundo.

—Isso cheira a medo.

—Isso não cheira a nada. — ela se inclinou empurrando-o de novo

Então eles ficaram ali. Sentados, ajoelhados, deitados, conversando por horas sobre coisas idiotas e, primeiramente, sem muita importância como a mania de Nina de ler as primeiras 30 páginas de um livro e as 30 últimas por ser ansiosa demais e depois se aprofundando com as aventuras da One Direction durante as turnês que Harry por muito tempo tentou esquecer, mas que agora pareciam inofensivas.

—Você não é britânica. — ele teimava — De jeito nenhum!

—Como não? — ela gargalhava

—Esse sotaque americano não me engana.

—Mas...

—Não. Não adianta! Eu sei que você tá mentindo...

-Como eu imprimo uma carteira de identidade em braile pra você ler que eu sou uma cidadã inglesa?

Harry gargalhou

-Ridicula.

—Posso falar? — ela pediu e ele assentiu rindo — Vou contar a história da família Scott agora. Minha avó é brasileira...

—Brasileira? — Harry levantou uma sobrancelha surpreso

—Harry, shhh!! — ela fez cara feia — Ela foi para os Estados Unidos, se casou com um americano, e tiveram minha mãe lá. Então minha mãe cresceu e veio para Londres onde conheceu um cara não rico o suficiente, meu pai. Então eles tiveram três filhos lindos, mas o casamento não deu certo, então minha mãe decidiu voltar para Nova York e eu e minha irmã fomos com ela. Eu tinha 3 anos, então meu sotaque... — ela suspirou — Voltei depois de um tempo pra fazer faculdade.

—Do que?

—Moda. — Harry ouviu a voz de Nina oscilar um pouco, não parecia a vontade entrando nesse assunto. — Mas não terminei. No último ano peguei um avião e... — Nina fitava o nada lembrando da pior época de sua vida. Não se permitia pensar muito nisso também. Mas no meio de toda aquela bagunça as coisas voltavam sem que ela tivesse controle. — Não olhei pra trás.

Uma pausa foi feita

—Por causa da sua mãe? — Harry perguntou cauteloso. Sabia que tinha algo no assunto, mas talvez não devesse se intrometer.

—Não, não dessa vez. — ela suspirou ignorando a historia por tras disso — Passei por alguns países e fiquei um ano no Brasil até a Lay me convencer a voltar.

—Então a culpada pelo nosso encontrão é a Layla?

Nina riu

—Literalmente a Layla, porque naquele dia ela que tinha que passear com os cachorros, mas acabou se enrolando e eu tive que ir no lugar dela.

—Não sei, mas isso parece destino pra mim

—Sério? — Nina riu revirando os olhos — Vai dizer que nós somos destinamos um para o outro?

—Talvez... — Harry riu de si mesmo

—Somos amigos, lembra?

—Amigos, claro — Harry sorriu de canto enquanto dava de ombros se equilibrando no cotovelo com aquele sorriso — E o que vai fazer com essa atração que sente por mim?

—Atração? — A voz de Nina sai meio esganiçada com uma pontada de irritação.

—Não adianta negar, eu posso sentir. — Ele franziu as sobrancelhas — É bem forte.

—Babaca! — ela o empurrou fazendo com que deitasse enquanto ria dela

Ela também deitou-se, do lado contrário ao dele, deixando seus olhos na direção da boca de Harry e vice e versa.

Nina virou-se observando seu lindo perfil e sorriu de lado.

Como alguém podia ser tão bonito assim? Puta merda. Definitivamente a atração existia. Voltou a olhar para a copa das árvores tentando manter o foco.

Ela tinha aceitado fazer parte de todo o plano, mas não como Anne esperava. Não pretendia dormir com Harry e muito menos namora-lo. Se aproximaria, e o ajudaria como pudesse, sendo apenas amigos.

—Posso fazer uma pergunta? — seu tom foi mais sério do que o necessário e, obviamente, Harry percebeu a tensão em sua voz.

Ele deu de ombros com um leve sorriso e Nina suspirou.

—Você contou sobre as turnês, como se divertia e o quanto tudo isso te fazia feliz. Então... — ela mordeu o canto do lábio — Por que simplesmente largar tudo?

Dessa vez foi Harry quem soltou um longo e pesado suspiro.

—As coisas são diferentes agora.

—Sim — Nina concordou cuidadosamente. Aparentemente estava entrando em águas obscuras — Mas não a ponto de precisar se afastar do que você amava fazer. Você pode...

—Eu não posso entrar em um palco e achar que não vou despencar dele porque vejo seus limites

—Tá, mas então você não quer...

—Não quero estragar uma lembrança boa — ele a interrompeu de novo virando-se para ela — Eu lembro de como era. Os gritos e todas aquelas luzes acesas, a atmosfera e o que eu sentia... — Harry perdeu a fala por alguns segundos — Eu ainda vejo perfeitamente. Não vou estragar isso com a merda de realidade que eu tenho agora.

O coração de Nina se apertou com o tom frio que Harry usou. Pela primeira vez Harry demonstrava a ela as coisas de que Anne sempre falava e Nina achava besteira.

—É assim que você vê sua realidade? — pela primeira vez ela entendeu os motivos de Anne — Uma merda?

Ele voltou a cabeça para as copas de novo fechando os olhos.

—Eu não vejo nada, Nina.

Depois de um breve silêncio Nina se sentou

—Tá bom, levanta!

Harry fez o mesmo que ela sem entender.

Nina pegou seu pulso levando sua mão para fora da colcha

—O que é isso? — ela perguntou

—Grama? — ele respondeu confuso

—E isso? — ela perguntou de novo entrelaçando seus dedos.

—Sua mão — ela sorriu satisfeita e então puxou a outra mão de Harry para seu busto

Harry arregalou os olhos surpreso e ela riu

—O que é isso, Harry?

—Seu lindo peito — Harry respondeu com uma voz meio falha, meio cafajeste.

Nina afastou sua mão ainda rindo.

—Espera. Eu não tenho certeza, preciso tocar de novo — ele estendeu a mão, mas Nina deu-lhe um tapa rindo- Aí! — ele riu — Pra que tudo isso?

—Você reconheceu tudo, certo? — Harry confirmou com a cabeça — Então você pode ver — ela respondeu e teve certeza de que se Harry pudesse estaria revirando os olhos agora

—Não é a mes...

—Pode não ser da mesma forma que eu, mas de algum jeito você enxerga.

—De certa forma... — ele se deu por vencido

—Então pra que ser tão negativo?

Ele piscou algumas vezes e pareceu cansado. Ela também não entendia.

-Você... Ninguém entende.

-Tenho certeza disso... — ela fez uma pausa — Mas também não é nossa culpa.

-A culpa é sobre quererem que eu seja o que eu já não sou.

Nina pensou por alguns segundos, realmente ninguém deveria poder exigir nala dele, afinal quem mais perdeu em toda a historia foi ele. Ninguém tinha minimamente a noção de como era estar na pele de Harry.

-Você ta certo. — ele sorriu fraco — Vou deixar você ser um pouco negativo.

-Obrigada, namorada.

Notas finais
E ai, gatinhas? Espero conseguir postar o próximo amanhã, provavelmente na semana não vou ter tempo. Beijinhos