Purple Light

40 Capítulo 39


POV OFF

—Fechou o terraço? – Harry perguntou inconformado enquanto esperavam na porta do Sushisamba para serem atendidos.

—Estou tentando te dar segurança aqui. – Nina respondeu incrédula

—E quanto é que vai me custar toda essa segurança?

—Quer mesmo poupar gastos com a mulher que pode ser uma das suas almas gêmeas? Porra, Harry, você é rico!

—Depois de você sequestrar o meu cartão talvez não seja mais.

—Para de ser ranzinza, isso vai ser legal. – ela deu-lhe uma cotovelada – Agora sorria encantador como só você saber fazer.

—Boa tarde – um rapaz jovem com um belo topete loiro se aproximou com o sorriso largo – Sou Romeo, vou ser o barman de vocês hoje. – ele estendeu a mão para Nina – A senhora deve ser a Millie. – beijou-lhe a mão

—Não, Millie é a futura namorada dele – ela sorriu, mas sem muito humor – Sou Nina, a melhor amiga. E esse é Harry.

—Harry Styles. – Romeo foi rápido – É um prazer conhece-lo

—O prazer é meu – Harry estendeu a mão sem saber que a de Romeo estava logo ao lado. Nina ia avisa-lo, mas o barman segurou a mão de Harry antes não querendo que houvesse qualquer constrangimento. Nina sorriu agradecendo-o por isso.

—Então vamos até o terraço? – ele fez sinal para que os dois o seguissem e Harry mais do que rápido segurou o braço de Nina. Ele não tinha voltado ao Sushisamba depois do acidente e se lembrava pouco do lugar.

—Romeo, quando Harry voltar a noite com Millie você pode fazer exatamente o mesmo caminho até aqui? – Nina pediu e Harry agradeceu mentalmente.

—Claro – ele sorriu indo para trás do bar enquanto Nina ajudava Harry a se sentar – Vocês querem começar com os drinques ou vão almoçar primeiro?

—Drinques – os dois responderam juntos

—Perfeito. Então, por que não me falam um pouco da Millie.

—Ela é australiana – Nina começou com o único detalhe que ia poder fornecer.

—Tudo bem – Romeo separou uma garrafa atrás do bar – E o que mais?

—Millie é simples – Harry sorriu sincero e Nina virou-se para observa-lo – Não existem complicações, ela é tranquila e...rasa.

—Rasa?

—É, não existem coisas a se desvendar sobre Millie, ela é transparente, descomplicada e leve. – ele sorriu feliz e a cada palavra que saia de sua boca o coração de Nina se encolhia um pouco mais.

—Isso é muito bom – Romeo ia separando mais garrafas animado

—Acho ela seria algo refrescante, como um sopro de ar para alguém sufocado.

—Genial, Harry! – Romeo começou a misturar as coisas e Nina ainda olhava Harry meio paralisada com tudo aquilo.

Ela não tinha levado o encontro e o pedido de namoro tão a sério, ainda sentia que a conexão entre eles era maior que qualquer coisa, mas ao ouvi-lo falar daquela forma sentiu o estomago se retorcer.

Ela o estava perdendo.

—Millie parece ótima – sua voz saiu estranha, talvez incomodada demais.

—Usou aquele tom de novo – Harry tombou a cabeça repreendendo-a

—Eu não... — ela ia se defender

—Pronto! – Romeo colocou um copo na frente de cada um não deixando que a discussão começasse

Nina não esperou e deu um gole grande.

A bebida era exatamente como Harry tinha dito, refrescante e leve. Tinha um toque cítrico e não era nada forte, poderia beber aquilo por horas sem sentir o álcool que tinha ali. E bem no finalzinho você conseguia sentir um leve toque de gengibre. Era divino.

—O gengibre do final... – Nina olhou Romeo parabenizando-o sem conseguir usar as palavras

—Ginger beer para um toque da Austrália.

—Perfeito – Harry comentou feliz.

—Que bom que gostaram. – Romeo sorriu satisfeito – Bom, eu vou pegar o cardápio do almoço para vocês e assim que decidirem podem me chamar.

—Obrigada, Romeo. – Nina sorriu

—E não precisam se apressar, o terraço é de vocês até amanhã.

Nina cutucou Harry animada com aquela parte. Seria ótimo passar a tarde tomando drinques totalmente à vontade em uma das melhores vistas da cidade.

Ela leu o cardápio para ele e assim que decidiram, fez o pedido.

—Muito bem – Romeo voltou – Enquanto esperam pela comida por que não criamos mais um drinque? – ele sorriu para Nina

—Ah, não. – ela negou – Isso é sobre Harry e Millie....

—Larga de ser boba, Nina – Harry disse descontraído. Suas bochechas estavam coradas e seu riso fácil demais. O drinque de Millie podia não parecer que tinha álcool, mas a quantidade era considerável e levando em conta que os dois já tinha acabado com uma jarra, seus estados passavam de algo normal.

—Então, Harry, o que sabemos dessa moça tão bonita?

Nina fitou o chão um pouco envergonhada com o elogio de Romeo em tempo de ouvir o suspiro tranquilo de Harry.

—Eu não posso falar sobre o que não posso ver. – Ele deu de ombros com um sorriso envergonhado. – Mas nunca senti uma pessoa igual sinto Nina Scott, e acho que esse é a grande questão sobre ela. Ela merece ser sentida. – Nina levou um baque com aquilo e não foi pequeno, mas Harry não se contentou. – Ela não tem medo de fazer o que tem que ser feito. Às vezes é um pouco bruta, mas ao mesmo tempo é a pessoa mais doce que eu já conheci. – ele sorriu pensando no quanto ela o fazia se sentir bem – Acho que talvez ela seja a maior controvérsia que alguém possa conhecer, talvez o maior mistério do universo. Ela equilibra os melhores opostos. É como uma brisa de verão que pode se transformar em um tornado a qualquer momento. Destrói sua vida, mas ao mesmo tempo dá sentido a ela. Ela é a paz e o caos. Eu diria que Nina é quase uma força da natureza. – suas covinhas não escondiam toda a admiração que tinha por ela – Depois dela você nunca mais é o mesmo. – pigarreou limpando a garganta rapidamente – Eu não sei muito sobre drinques, mas entendo de música. Posso dizer que se Nina fosse uma música seria composta pelas melhores notas, sendo um drinque só pode ter os melhores ingredientes.

—UAU! – Romeo parecia sem folego. Olhou Nina tão afetada quanto ele, e voltou-se pare Harry outra vez – Tudo bem, isso vai ficar demais!

—Você tem tequila aí? – Nina perguntou um pouco passada

—Quer que eu coloque? — Romeo levantou a garrafa

—Não, só preciso de uma dose — Nina falou quase em um gemido. O barman encheu um copo e ela virou sem esperar, então seu telefone tocou – É o Nate – Nina acaricio o braço de Harry e ele acenou

—Vai lá – respondeu com toda a tranquilidade do mundo e ela saiu mais do que depressa. Romeo não conseguiu evitar uma risada abafada – O que? – Harry perguntou já com o sorriso nos lábios

—Vocês dois... – balançou a cabeça negativamente ainda sorrindo

—Da pra perceber, não é? – o semblante de Harry mudou em segundos parecendo derrotado.

—Vocês soltam faíscas, meu amigo. – Harry esfregou os olhos perturbado com a situação – Tem certeza que quer namorar outra garota?

Ele apenas sorriu incomodado e disse:

—Tá com a tequila aí ainda?

—Tenho algo melhor – Romeo colocou um copinho a sua frente – Esse é o "Nina".

Harry tateou até encontrar o drinque. A porção era bem menor do que o drinque feito para Millie, muito mais intenso também.

Harry bebeu num gole só e sentiu todos os extremos de Nina.

A bebida era doce, mas o gosto de álcool era inegável, entrava na boca quente, mas ficava gelado ao descer pela garganta. Parecia feito para aquecer, mas refrescava tanto quanto “Millie”. Talvez mais.

—Perfeito – o sorriso de Harry foi um pouco decepcionado. Queria que Romeo não tivesse conseguido reproduzi-la tão bem.

—Voltei – Nina sorriu um pouco forçado para os dois

—Experimenta seu drinque – Harry sorriu para ela também

—Uau! – ele tinha certeza de que Nina amaria – Eu sou maravilhosa! — ela também já estava levemente embriagada

—Claro que é – Harry concordou com a cabeça baixa e um sorriso conformado nos lábios.

—Mais um? – Romeo perguntou animado

—Hmm...

—Que tal falarmos da sua esplendida ideia de levar a Millie pra jantar com meu irmão? – Harry sentiu toda a tensão do tom nada amigável de Nina.

Pigarreou

—Já traz uns quatro – Harry empurrou de leve o copo para a direção da voz de Romeo com um sorriso e assim que o ouviu sair voltou-se para Nina – Qual o problema?

—O fato dele ser MEU irmão? – Nina estava levemente inconformada

—Ele é meu amigo – Harry manteve a voz extremamente calma – E nós nunca passamos disso também.

Depois de um longo momento de silêncio, ela disse:

—É, eu sei. – Aquelas palavras desmontaram Nina, porque não passavam da mais pura verdade. Ela fechou os olhos mordendo o lábio inferior.

Nina não tinha ideia do quanto Millie estava inserida naquele universo que um dia a pertenceu. Mas o que ela podia esperar? Tinha fugido, se acovardado em Nova York esperando que as coisas esfriassem. Ela só não contava que tudo estivesse tão frio quando voltasse.

—Tudo bem por aqui? – Romeo perguntou enquanto secava alguns copos

—Na verdade, a gente veio aqui pra experimentar drinques, não é? – Harry deu de ombros ouvindo sua voz se suavizar com rapidez – Romeo, queremos um de cada do cardápio.

—É pra já – o barman não perdeu tempo.

Do mesmo jeito que ela fez o clima pesar, conseguiu deixar tudo o mais leve possível outra vez. Quando Harry percebeu já estavam gargalhando juntos outra vez.

A comida estava divina e cada drinque tinha seu encanto, mas como sempre na vida de Harry o sabor que mais se sobressaia era o de “Nina”.

Já passavam da três da tarde quando os dois se sentiam completamente nas nuvens naquele terraço maravilhoso. O sol de inverno estava bem presente, permitindo que o frio penetrasse a cidade com toda sua força, mas eles não se importavam com nada além da sensação inebriante que causavam um ao outro ao se sentirem completamente entregues como só o álcool os permitia ser.

—Precisamos ir embora – ela o chamou de volta para a realidade

—Ainda não – Harry segurou sua mão completamente largado no sofá de frente pra vista da cidade.

—Você não pode se atrasar.

—Eu não vou – ele suspirou um pouco chateado como se o compromisso não fosse nada além disso. – Quando você volta?

—Pra Nova York? – Harry acenou positivamente – Amanhã.

O silêncio durou alguns segundos até a música seguinte começar a ecoar pelo lugar.

—Aaaaaah meu Deus!!! – Nina se levantou ouvindo “Girls like you” do Maroon 5 – Nós PRECISAMOS dançar essa música!

—Não mesmo – ele riu e ela continuou puxando-o – Eu não danço

—Para de ser envergonhado – ele riu dela e se levantou. – Vamos, Harry, se meche!

—Ninaaa... – ele reclamou

—Não é que como se alguém estivesse vendo você fazer isso

—Não é como se eu pudesse saber disso – ele riu

—EXATAMENTE! – ela gritou animada e ele gargalhou. Começou a se mexer devagar, mas sentia o ar a sua volta com os movimentos de Nina no ritmo da música, e ela começou a toca-lo, contagia-lo como sempre.

Quando percebeu seu corpo mexia como o dela, sem nenhuma inibição. Os dois dançavam juntos sem realmente se importar com nada e a sensação que Nina tinha era que o mundo podia acabar naquele momento, sem problema nenhum. Ela estaria nos braços da pessoa que mais a fazia feliz.

Harry a rodou e a puxou de volta para ele, deixando seus corpos colados, suas respirações se misturando. Nina tropeçou em alguma coisa no chão e os dois caíram no sofá outra vez rindo feito loucos.

Foi então que ela parou e olhou para Harry e seu lindo sorriso espontâneo, as covinhas mais do que satisfeitas em estarem aparentes, seus lindos olhos em contraste com a luz daquele sol, ficando no seu tom de verde preferido. E toda aquela alegria que fazia seu coração se iluminar em sua melhor forma.

De repente a voz de Kyle ecoou em sua cabeça: “Tá tudo bem amar o Harry”

De novo, e de novo, até ela perceber que a voz não era Kyle, e sim ela mesma. E como sempre a conexão não falhava, Harry sentiu no momento certo o que acontecia ali.

Ele se virou na direção dela ainda sorrindo, e Nina não aguentou, segurou o rosto de Harry com as duas mãos e o beijou com pressa.

Maybe it's 6:45

(Talvez sejam 6:45)

Maybe I'm barely alive

(Talvez eu mal esteja vivo)

Maybe you've taken my shit for the last time, yeah

(Talvez você tenha suportado minhas merdas pela última vez,yeah)

Harry não lutou contra, apenas emaranhou seus dedos nos cabelos bagunçados de Nina, tomando o controle do beijo, deixando tudo mais tranquilo e calmo.

Maybe I know that I'm drunk

(Talvez eu saiba que estou bêbado)

Maybe I know you're the one

(Talvez eu saiba que você é a garota certa)

Maybe you're thinking it's better if you drive

(Talvez você esteja pensando que é melhor se você dirigir)

O beijo não tinha nada de novo e mesmo assim causava as mesmas reações de sempre em Nina. Os pés não sentiam o chão e as borboletas batiam animadas na parede de seu estomago. Então Harry se afastou com a mesma calma que conduziu o beijo, seus olhos fixos e toda sua tranquilidade transmitiam apenas uma frieza profunda. Ele esperava paciente mais uma das reações de Nina, estava bem familiarizado com o que aconteceria a seguir. Soltou a garota e apoiou os cotovelos sobre seus joelhos ouvindo a respiração acelerada dela, sabia que estava à beira do desespero por mais uma vez entregar suas fraquezas.

Já Nina, podia ver tudo muito claro.

—Harry... – ela sussurrou

—Tudo bem – ele suspirou cansado e Nina se levantou em um pulo

—Preciso fazer uma coisa.

—Claro que precisa – Harry sorriu de lado sem poder esconder sua ironia

—Eu te deixo em casa e...

—Não. – negou com a cabeça – Eu me viro.

—Harry... – ela ia começar, estava acelerada demais, mas Harry não queria ouvir. Estava ressentido consigo mesmo por acreditar que poderia ter contornado a situação. Por pensar que poderiam ter uma relação diferente daquela bagunça.

—Vou ligar pro Bill me buscar – a interrompeu amargo tateando na mesa de centro a sua frente o copo ainda meio cheio – Tenho um encontro, não posso me atrasar.

Ele tomou o resto da bebida e em segundos ouviu os passos de Nina se afastarem. Outra vez, ela estava indo embora.

***

Reconfortada em uma poltrona quentinha perto da lareira, Anne se permitia o prazer da tranquilidade que a muito não sentia. Tudo finalmente voltava a se encaixar, não da forma que ela esperava, mas Harry estava bem e apenas isso importava.

Nina não cumpriu com o contrato, faltando pouco menos de três meses para que tudo terminasse ela se refugiou em Nova York, onde questionamentos jamais seriam feitos. E Anne entendia, o preço que esse maldito contrato cobrava de cada um dos envolvidos era alto demais, então quando Nina ligou desesperada por uma carta de alforria ela impôs uma única condição. Que depois de sua mudança, Nina nunca mais voltasse a ver Harry.

Ela nunca desejou mal algum a Nina, saber que de algum jeito seu plano a tinha machucado lhe tirava o sono, mas no final o contrato atingira seu objetivo. Harry havia retomado boa parte de sua vida, e ele deveria se manter assim. Então aquela era a melhor e a única opção. Com Nina já fora do caminho tudo começava a se encaixava, e Anne finalmente pode voltar a respirar aliviada sem a constante preocupação com o filho, mesmo sabendo que ele era apaixonado por Nina. Por mais que Harry nunca tivesse deixado transparecer, sofrimento dele nunca deixou de ser notado pela mãe. A falta de Nina ocupava um espaço suficientemente grande em seu coração, mas nada que o tempo não pudesse curar. A vida voltava ao seu curso normal e isso talvez fosse o mais reconfortante naquele momento para Anne.

Aquele dia em especial estava magnifico. Harry havia ligado pela manhã com a novidade de que levaria uma moça no almoço do final de semana. Ela tinha tido um almoço maravilhoso com Gemma e depois de um banho quente se distraia com um bom livro.

Então a campainha tocou.

Anne suspirou preguiçosa em sua poltrona ouvindo a campainha outra vez. Se levantou contrariada, caminhando até a porta e qual não foi sua surpresa ao encontrar Nina do lado de fora.

A menina estava parada segurando os braços com os olhos cheios de lágrima. Ela fitava o chão, envergonhada. Parecia nervosa, talvez um pouco fora de si.

—Nina, querida? – Anne estendeu os braços tocando-a preocupada. – Você está bem?

Nina balançou a cabeça negativamente

—Eu não quero ir. – ela engoliu em seco – Não quero ir embora.

Anne sorriu culpada conseguindo sentir toda a dor que Nina carregava e o quanto devia estar sendo difícil para Nina estar ali.

—Você o ama, não é?

Nina comprimiu os lábios voltando a olhar para o chão sem se preocupar em segurar as lágrimas, então respirou rapidamente e olhou nos olhos de Anne acenando positivamente.

—Sim — respirou fundo — Eu o amo.— E pela primeira vez Nina admitiu em voz alta o que sentia por Harry não apenas para ela, mas para outra pessoa também.

—Oh, querida. – Anne a puxou para dentro envolvendo-a em seus braços e ela chorou com desespero.

Anne a levou para seu lugar de conforto, a sentou a poltrona e pediu a moça da cozinha que lhes servissem um chá. Depois de um tempinho Nina conseguiu se recompor.

—Se sente melhor agora?

—Sim, obrigada. – Nina colocou a xícara de chá na mesinha de centro e olhou Anne apreensiva outra vez – Vai me fazer ir embora?

—Te fazer ir embora? – Anne sorriu – Querida, você ainda não entendeu que o contrato foi só um jeito de te deixar presa nisso? Eu nunca tive o controle, Nina, você sempre fez o que quis. – Segurou as mãos de Nina – Eu só precisava de você na vida dele.

—Por que eu? Quer dizer, eu sei que eu era fácil pelos problemas com o abrigo, mas...

—Quando escolhi você não tinha ideia de que o abrigo ia fechar.

—Mas...

—Foi o seu sorriso. – Anne suspirou interrompendo-a – Eu e Gem sempre tomávamos chá naquele parque e um dia Jamie chutou a bola perto de nós, foi quando te vi pela primeira vez. Você brincava com eles e... – precisou parar por um instante para conter a emoção – Você sorria como ele. Sorria como Harry costumava sorrir antes do acidente — lágrimas escorriam pelo rosto de Anne também — Então eu soube que era você, soube que ele te amaria, e rezei com todo o meu coração para que esse amor o salvasse. Foi a primeira vez em muito tempo que senti esperança. — sorriu — E torci para que você o amasse também.

—Eu nunca me achei digna o bastante, ou suficiente.

— Eu sabia que você era uma boa moça, Nina, mas nunca pensei que isso fosse te fazer se sentir tão mal com o que eu fiz você fazer, a ponto de se punir ao extremo não dando espaço a esse amor. — respirou fundo — Tire o peso dos ombros,criança, você só trouxe luz a vida do meu filho. – Nina sorriu entre as lágrimas – Então, o que vai ser agora?

Nina olhou o relógio.

—Ele vai pedir Millie em namoro.

—E está esperando o que? – Anne se levantou e a puxou para cima também – Vá atrás dele!