Purple Light

33 Capítulo 32


Notas iniciais
Olá, minhas amadas!! Não me matem! Não sei o que aconteceu, se não confirmei o agendamento de postagem, só sei que a bagaça não foi!! Bom, mas estamos aqui agora, no problems! Então, o caps de hoje ta meio imensozinho e loucamente dramático, não me matem. Sei que a história ta um pouco enrolada, mas juro que to tentando desenrolar e quando conseguir tenho certeza que toda essa voltona que a gente ta dando vai valer a pena. Enfim, aproveitem esse capitulo para conhecerem o grande amor da Nina. Nós encontramos lá embaixo.....

POV Nina

Meu vestido era um lilas que puxava para o rosa, longo, sem decote, mas a fendas que deixavam a mostra a pele da minha cintura bem marcada compensavam, assim como os cortes na frente para que minhas pernas aparecessem apenas o suficiente.

Deixei os cabelos soltos e enrolei apenas as pontas. Max fez questão que eu usasse uma pulseira caríssima para o toque final.

—Oh meu Deus! — Max tampou a boca quando cheguei na sala. — Não achei que fosse possível, mas está mais maravilhosa do que o normal.

—O que ela tem que eu não tenho? — Layla brincou com Max. Ela tambem estava linda. Seu vestido era de alça com um decote marcando os seios, saia solta com flores lindas na barra. O cabelo preso e alguns fios soltos.

—Pra começar tudo né, querida — Max a olhou de cima a baixo e sorriu brincalhão para mim

—Bixa possessiva — ela rosnou pegando nossas bolsas no balcão, enquanto eu e Max riamos. Só então percebi que Harry já me esperava ali com um lindo terno xadrez azul. Perfeitamente arrumado, estava maravilhoso!

—Meu Deus! — deslizei as mãos até os ombros de Harry e me aconcheguei em seu peito — Você sim está um gato!

—Ah, são seus olhos. — ele brincou. Niall parou ao seu lado também tão maravilhoso quanto.

—Pode dizer que ela está linda, Harry — sussurrou

—Ah, claro. — ele puxou minha nuca e disse em meu ouvido com sua voz rouca — Está linda, Nina. — meu coração acelerou e quase fiquei sem ar quando ele se afastou — Niall é meu controle de qualidade — arqueou as sobrancelhas satisfeito me fazendo rir.

—Vamo embora? — Lay chamou olhando o celular — Hales e Nate já estão lá e... — fez uma pausa olhando para mim — Sua mãe também.

Respirei fundo e senti Harry me apertando mais contra ele.

Eu não via e nem falava com minha mãe há oito meses. Nunca fomos muito próximas, mas dessa vez talvez eu tivesse exagerado. Não podia mais adiar aquilo. Não podia deixar de ir no aniversário dos meus avós e os convites do desfile já tinham sido enviados, era melhor resolver tudo antes.

Mas um aperto no coração me fez ficar aflita com esse encontro a semana toda.

—Antes de ir — Max abriu o iPad — Preciso que veja a lista das modelos.

—Ah, meu Deus, quero ver também! — Lay veio animada olhar a lista comigo.

Eu já tinha visto aquela lista antes e tinha adorado cada nome dela, mas agora tudo tinha mudado.

—Perfeito, menos por isso — apontei pro nome de Kendall — Quero ela fora.

—O que? — Lay gritou

Entreguei o iPad para um Max boquiaberto

—Querida, meu amor, minha rainha... — ele fez a cara que sempre fazia quando eu supostamente queria algo impossível. — Já acertamos tudo com os empresários

Mas eu sabia que Max conseguia qualquer coisa.

—Não importa — foi bem seca. Kendall Jenner podia ser uma das grandes modelos do momento, mas nunca pisaria em uma passarela minha. — Ela não vai participar, Max.

—Mas por que de repente isso? — Max perguntou aflito

—É! — Layla o apoiava — O que você tem contra Kendall?

Olhei pra cara dela desejando poder esfaquea-la. Não queria que Harry soubesse de quem estávamos falando.

—Kendall? — Niall perguntou olhando para Harry que manteve uma postura serena, como se aquilo em nada o afetasse.

—Eu não gosto dela — disse apenas e esperava que ficasse nisso, mas Layla era insistente pra caralho

—Por que?

—Só não gosto, saco! — respondi um pouco mais exaltada do que pretendia — Max, resolve isso pra mim.

—Mas... — ele ia insistir, mas lancei-lhe um olhar ameaçador — Tá bom, vou fazer.

Layla e Niall saíram na frente, mas Harry me esperou. Dei meu braço a ele, que não resistiu em me cutucar

—Achei que não tivéssemos problemas de ciúmes — comentou como quem não queria nada

—Não temos — respondi firme — Não tem nada a ver com ela ter sido sua namorada. — menti

Percebi que tinha entregado o ouro ao bandido quando ouvi sua risada esperta

—Então sabe que ela foi minha namorada...

—Eu sei usar o google — resolvi que seria mais esperta, mas Harry sempre estava um passo à frente e eu só me enrolava

—Então fica procurando coisas sobre mim no Google? — ele gargalhou e eu senti minha bochechas ficarem vermelhas.

—Eu não... — Me virei ficando de frente pra ele antes de sairmos. Cruzei os braços. — Talvez eu não precisasse se você me contasse as coisas

—Eu te conto as coisas — ele encolheu os ombros um pouco na defensiva

—Então vamos começar por Kendall — me aproximei finalmente tendo uma vantagem. Pela primeira vez vi Harry acanhado, sem saber o que fazer. Não estava preparado para isso.

Mas logo um lampejo passou por seu rosto e ele retomou sua postura segura e seu sorriso sacana.

—Falo sobre Kendall quando falar sobre Kyle — sorriu esperto pra mim e eu o odiei por isso.

—Vamos embora — o puxei até o elevador sabendo que tinha sido derrotada.

A casa de campo dos meus avós não era absurdamente longe, mas demoramos uns bons 40 minutos para chegar.

O lugar estava decorado com muitas flores silvestres e tons pastéis representando toda a delicadeza de vovó. As pessoas estavam todas muito bem arrumadas e esbanjando felicidade.

Peguei uma taça de champanhe pra tentar relaxar um pouco, não tinha um bom pressentimento sobre aquela tarde e eu não tinha ideia de como estava certa.

—Nathan! — Ouvi uma voz conhecida chamar atrás de mim e me virei instantaneamente.

Meu pai suspirava enquanto meu irmão se afastava rápido.

—Pai? — chamei vacilante, deixando os três pra trás. Não o via já a um tempo também, mas nos falávamos toda semana.

—Querida! — ele me abraçou carinhoso — Você está linda!

—Obrigada — não dei muita atenção ao elogio sabendo que já tinha acontecido algo — O que aconteceu com Nate?

—Ora, sabe como seu irmão é... — tentou deixar pra lá — Como estão as coisas? Passei no abrigo essa semana e está ficando fantástico, infelizmente você não estava por lá.

—Eu sei — sorri um pouco mais animada que antes — Ando um pouco mais ocupada ultimamente.

—Claro, por causa do desfile — Meu pai colocou a mão na testa se lembrando — Sabe que vai dar tudo certo, não é? Não tem nada que você faça que não seja incrível.

—Ah, pai... — suspirei sorrindo ao perceber o quanto sentia falta de todo aquele optimismo. -Tem falado com a sua irmã? — perguntou, mas antes que eu pudesse responder uma coisinha ruiva se encostou nele com a maior intimidade do mundo

—Querido, já provou os damascos? — Ele me olhou apavorado sabendo que minha reação não seria melhor que a de Nate. A garota devia ter a minha idade e vestia um vestido vermelho sangue com o decote quase no umbigo, cheio de brilho, extravagante demais pra uma festa diurna.

Meu pai nunca tinha sido a pessoa mais sensata do mundo, mas aquilo passava do cumulo.

—Mas que porra...? — comecei entre dentes me segurando

—Querida, essa é Rachel, minha namorada. — ele sorriu desconfortável e a menina sorriu pra mim

—Você deve ser a Nina — Me estendeu a mão e eu só consegui fuzila-la com o olhar, estava pronta para cuspir na cara dele por trazer uma criança na festa dos meus avós.

—Nix, achei seus avós. Senhor, Scott. — Layla apareceu salvando o reino. Cumprimentou meu pai e me puxou de lá — Respira fundo!

—Nina!!! — Meu avô gritou ao me ver chamando mais atenção que o necessário. Eu o abracei forte e ele percebeu toda minha tenção, não precisou dizer nada, apenas com o olhar eu sabia que ele queria uma explicação.

—Viu o que seu filho fez? — perguntei incrédula

—Vi — ele riu — Não se preocupe, teremos uma conversinha depois. Sua avó quer te ver. — ele sorriu para mim e então olhou para Harry atrás de mim — Esse rapaz deve ser o famoso Harry

—Famoso? — Harry riu um pouco envergonhado

—Haley e Nate são só elogios a você, rapaz — meu avó apertou o ombro de Harry — Bem-vindo a família!

—Obrigado — ele riu sabendo que aquilo tinha me causado arrepios

—Nora! — meu avó gritou outra vez chamando minha avó que passava por nós sem nos perceber

—Nina! — ela me abraçou — Está maravilhosa! O convite chegou, estávamos tão animados, minha neta vai ser uma grande estilista!

—Vamos com calma, vovó — eu ri sentindo meus ombros relaxarem um pouco

—Nora, este é Harry, namorado da Nina — meu avô soltou e eu quase tive uma convulsão, deveria saber que isso ia acontecer.

Ri desconfortável enquanto minha avó abraçava Harry. Logo depois ela me olhou e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sabia de tudo o que eu tinha passado depois de Kyle. Sabia o quanto alguém tinha que significar para estar ali como meu namorado, e eu não tive coragem de tirar aquele momento dela.

—Estou tão feliz! — as lágrimas escorreram

—Ah, Nora — meu avô a reprovou

—Não seja ranzinza, Alec. — Esbravejou — Está comigo a 50 anos, caralho, sabe como sou emotiva. — eu ri e a abracei

—Tudo bem, vovó. Vá curtir seus convidados, vou procurar o Nate por ai.

Antes que pudesse sair ela me puxou pra mais um abraço

—Já falou com sua mãe? — sussurrou em meu ouvido

—Ainda não — respondi sentindo o mundo em minhas costas outra vez

Ela me soltou e olhou no fundo dos meus olhos

—Ela não está feliz, querida. E dessa vez você deu razão a ela.

—Eu sei — suspirei — Aconteceu muita coisa em pouco tempo, não soube conciliar tudo. — isso realmente era verdade, mas talvez eu simplesmente não quisesse incluir minha mãe na minha nova vida

—Só... — minha avó sorriu com um pouco de preocupação. Todo mundo sabia que minha mãe e eu protagonizávamos os mais desastrosos encontros — Tente não entrar na dela. — pediu e eu concordei

Ela me deu um beijo e os dois sumiram no meio das pessoas.

Passei meu braço pelo de Harry que tinha um sorriso irritante no rosto.

—Eu não ia dizer que a gente se pega ás vezes pros meus avós — expliquei antes que ele fizesse uma gracinha

—Eu não disse nada, tá tudo certo — ele riu zombeteiro

—Que seja — peguei duas taças de champanhe e coloquei uma na mão de Harry — vamos achar pessoas conhecidas.

Achamos Lay e Niall e Haley e Nate não muito tempo depois, ficamos conversando entre nós, ás vezes tendo que cumprimentar um ou outro e o engraçado era que todos sabiam que Nina tinha um novo namorado. Não esbarrei em minha mãe em momento nenhum, mas sabia que ela estava lá. Já no final da tarde Harry e eu fomos pegar alguns doces e quando voltávamos percebemos que tinha muita gente por metro quadrado lá dentro, era um pouco difícil para Harry andar também, então fomos até o jardim.

Mandei mensagem para Lay nos encontrar lá fora.

—Bem melhor — ele sorriu pra mim e eu suspirei, me sentia mais exposta ali — Agora, vem cá — ele estendeu a mão e eu fiquei confusa

—O que?

—Você não tem noção de como sua respiração muda quando fica tensa. Vem aqui — segurei em sua mão e Harry me puxou para ele, me envolvendo em um abraço perfeito — Vai ficar tudo bem.

Talvez ele não tivesse noção do poder que tinha sobre mim, mas aquilo me fez sentir realmente bem pela primeira vez naquele dia. Infelizmente não durou muito.

—Nina!— aquela voz fez um frio horrendo subir por minha espinha.

Soltei Harry devagar e meus olhos encontraram os dela, estava bem atrás dele nós fitando com tanta frieza que eu até ficaria assustada se não a conhecesse.

—Mãe — minha voz não demonstrou nenhum tipo de sentimento, era vazia e gélida também. Harry apertou minha mão parecendo sentir todo o meu incômodo.

—Ainda lembra que sou sua mãe? — estava irritada ao extremo — Você se mudou sem deixar o endereço, não me ligou nem deu notícias...

—Tive que lidar com muitas coisas em pouco... — ia repetir a desculpa que eu resolvi acreditar, mas minha mãe não cairia naquela

—Você proibiu seu irmão de me falar sobre você. — pois é, eu tinha feito isso

Apertei ligeiramente os olhos e me justifiquei:

—Precisava de um tempo.

—De mim? — pensei ter visto seus olhos vacilarem, mas eu sabia o quanto minha mãe era dissimulada. Adorava se fazer de vítima. E ao invés de me comover com seu espanto eu só consegui sentir raiva

—Óbvio!

-Entendo que os filhos precisem de seu espaço às vezes — e agora se fazendo de boa mãe — Mas oito meses, Nina?

—Depois de você ficar atrás de mim durante um ano para que eu me casasse com Ben, acho que foi um tempo mais que merecido. — respondi agora afiada, tinha esquecido de como minhas conversas com a minha mãe eram a base de estarmos na defensiva.

Então seus olhos gélidos saltaram de mim para Harry.

—E esse deve ser o motivo de Ben ter ido embora. — ela o olhou de cima a baixo e estendeu a mão, mas obviamente Harry não fez nada — Além de um estorvo, ainda é educado — ela torceu o nariz ácida

—Não, mãe... — pousei a mão nos olhos rapidamente — Ele não... Harry, ela estendeu a mão pra você

—Oh, desculpe — Harry estendeu a dele esbarrando-a na mão dela sem saber ao certo onde estava para aperta-la, mas antes de conseguir, minha mãe retirou a mão com o rosto indecifrável. Abaixei as mãos perdidas de Harry e a olhei com firmeza.

—Meu Deus, Nina, onde está com a cabeça? — a pergunta parecia um balde de gelo e eu vi que aquilo não podia acontecer na frente de Harry.

Nate apareceu naquele momento

—Tudo bem por aqui?

—Obviamente não — minha mãe respondeu quase descontrolada

—Mãe, não é hora nem lugar — Nate tomou a frente e tentou puxa-la para longe de nós.

—Vamos sair daqui — sussurrei para Harry e quando demos o primeiro passo para o lado oposto ela disse com todas as letras:

— Você é a maior decepção da minha vida, Nina.— me virei encontrando seus olhos cheios de ódio. Se livrou de Nate e veio até mim — Seu irmão era do seu pai, mais um tolo viciado em basquete. Brooke uma sonhadora incorrigível, trocou o conforto de casa para fotografar a pobreza do mundo a fora — ela fez cara de nojo, lembrando das viagens de trabalho de Brooke — E então veio você. Você seria minha e teria tudo o que eu sempre sonhei. Planejei um futuro perfeito para você, cheio das coisas que você merece! E no final você é a mais decepcionante dos três. No final das contas é disso que você gosta — ela apontou para Harry

—Você é louca — não movi um centímetro, sem acreditar em tudo o que ela dizia. — Você deveria se orgulhar de nós. — Minha voz mantinha-se em um tom calmo, mas meu coração estava disparado — estamos todos sendo bem sucedidos no que escolhemos fazer, conseguindo tudo o que sempre quisemos através de trabalho, sem precisar da merda de um casamento.

—O Ben era a merda de um casamento? Por que ele não precisava de você? Por que você poderia aproveitar a sua vida sem precisar cuidar dele?

A olhei sem acreditar no que ela estava falando. Minha mãe era baixa e não tinha a menor noção do que podia ou não dizer.

—Eu não vou te responder isso, você é nojenta — me virei outra vez para sair dali, mas ela não se contentou

—Não vai me responder porque sabe que é verdade. — ela tentava vir pra cima de mim, mas Nate a segurava — Eu disse a você que não daria certo com Kyle, e você fraca se apaixonou. — Eu parei instantaneamente quando ouvi o nome dele, ela não faria isso. Não seria tão cruel — Quando descobriram o câncer mandei você deixa-lo, avisei que ele ia morrer, que aquilo só atrasaria sua vida e mesmo assim você passou meses sendo enfermeira daquele moribundo, e agora pretende desperdiçar mais tempo cuidando de um cego inútil. Carregando-o pra cima e pra baixo, vendendo uma história de amor brega, onde você não faz nada além de se doar para uma pessoa que não pode nem mesmo admirar a beleza que eu dei pra você, filha. — ela estava inconformada com o meu suposto relacionamento com Harry.

—CHEGA! — gritei ao me virar cega de ódio, nem percebi quando Layla me segurou. As lágrimas escorriam por meu rosto — Você é a pessoa mais horrível que eu já conheci na vida. Eu tenho vergonha de ser sua filha e eu nunca mais vou falar com você outra vez.

Finalmente consegui dar as costas pra todo aquele circo que minha mãe tinha armado no jardim.

Consegui chegar até a entrada e pedir um carro, mas tive que me encostar em uma pilastra por alguns segundos. Meus joelhos cederam e eu escorreguei sentada na escada. Eu tremia por inteiro, meu corpo vibrava de ódio e eu não ouvia nada ao meu redor, não consegui pensar.

Haley apareceu falando alguma coisa pra mim, mas eu não conseguia entender. O mundo parecia rápido demais e minha cabeça fervia.

Então ele apareceu.

Parecia aflito, agoniado. Tão tenso quando eu durante todo aquele maldito dia.

Encontrei forças não sei de onde e me levantei, então mais uma vez Harry me puxou pra ele. Me deixei ser envolvida naquele abraço que me devolveu o ar. Ele acalmou meu mundo e me fez sentir segura.

Harry me apertou forte, sabia que eu precisava disso, precisava dele.

O carro chegou junto com Nate. Entrei no banco de trás e esperei que Harry fizesse o mesmo.

—Você leva ela? — Nathan olhou tão preocupado quanto Harry parecia estar

—Levo, pode deixar. — Nate apertou o ombro de Harry com a expressão mais culpada do mundo.

—Eu sinto muito por isso, cara.

—Não se preocupe — o tom de Harry era calmo e verdadeiro — Vamos estar em casa.

Ele entrou e o carro seguiu. Por mais que eu quisesse, não consegui voltar para perto dele. Estava envergonhada, ainda chocada com aquilo.

Minha mãe tinham dito coisas horríveis sobre ele. E eu conhecia Harry o suficiente para saber o quanto aquilo o podia afetar. No entanto ele estava ali, provavelmente lutando contra seus maiores demônios, fazendo o seu máximo para que as palavras maldosas de minha mãe não deixasse sua escuridão tomar contar dele outra vez. Não tinha sido fácil ouvir aquelas coisas, mas estava ali firme e forte pronto para o que eu precisasse. Estava ali por mim.

Olhei pela janela, toda a paisagem passando enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas de novo. Percebi ali que Harry merecia tudo o que nunca dei a ninguém. Ele merecia tudo de mim. Toda minha sinceridade, toda a história que o fez ser atingido por palavras tão horrendas.

Então sim, eu me doaria pra ele, e por ele.

Quando finalmente entramos em Londres de novo me aproximei do banco do motorista.

—Vire a esquerda na próxima — dei-lhe a cordenada e ele a seguiu

—Nina?

—Quero te levar em um lugar — o interrompi e ele não discutiu.

Esperou pacientemente enquanto eu instruía o motorista em como chegar em um prédio no meio da cidade.

Desci logo depois dele e segurei em sua mão o observando por longos segundos. Ele manteve-se sério e subiu a mão até meu cotovelo.

Entramos no prédio.

—Nina! — O senhorzinho que cuidava da portaria do prédio comercial sorriu feliz em me ver

—Olá, Sr. Duncan — sorri um pouco discreta para ele

—Faz tempo que não aparece

—Eu sei. Será que eu posso...?

O senhorzinho mexeu embaixo de seu balcão, e logo me entregou as chaves.

—São todas suas. — Sorri agradecida e segui com Harry para o elevador no mesmo silêncio que nos acompanhava desde a festa.

Descemos no último andar, então eu abri a porta que dava para o terraço do enorme prédio. Andei até quase a borda me soltando de Harry. Senti o vento bater em meus cabelo e o sol em meu rosto.

—Onde estamos? — ele finalmente me perguntou

Olhei à vista e sorri

—Estamos em um terraço qualquer, de um prédio qualquer no meio de Londres. — ele esperou que eu continuasse — Tem uma vista linda da cidade. Não é a melhor vista — eu ri, sentindo toda a emoção daquele lugar me tomando — Não depois da vista da nossa piscina, mas já foi a melhor um dia — suspirei — Já foi tudo que eu tinha.

—Por que? — parecia um pouco desconfiado e meu coração estava mais disparado do que nunca

—Kyle me deu isso — respondi com a voz embargada. Queria achar o melhor jeito de poder dizer tudo o que queria — Era o refúgio dele. — fechei os olhos sorrindo, segurando ao máximo meu choro ao lembrar de seu sorriso brincalhão a primeira vez que tinha me levado ali. — Nós nos odiávamos sabia? — olhei de volta para Harry, mas logo voltei a fitar a cidade. — Mas acho que é como dizem, o amor e o ódio andam juntos.

“Nós crescemos juntos. Kyle era o mais galinha dos amigos de Nate, e eu era a única que nunca tinha caído na dele. Então um dia ele resolveu que me faria amá-lo, e eu jurei que nunca ia acontecer. — eu ri do quanto era boba — Vivíamos em guerra, éramos diferentes de tudo, mas funcionávamos a nossa maneira. — Meu sorriso desfez — então ele se afastou, e eu soube que tinha alguma coisa errada.

FLASHBACK ON

—Não vai mesmo falar comigo? — Gritei indo atrás de Kyle no bar em que sempre íamos. Ele costumava cantar lá e o dono do bar tinha me avisado que ensaiaria sozinho naquela tarde. Depois de duas semanas sem nenhuma resposta às minhas ligações, resolvi que era hora de agir.

—Eu não tenho mais nada pra falar. — ele parou na porta antes de sair. — Nos divertimos, mas eu cansei. — deu de ombros com a maior indiferença do mundo — Agora acabou.

Fez menção de sair, mas entrei na frente ficando com os olhos dele colados nos meus, algo estava errado.

—O que está havendo?

—Nada — desviou o olhar

—Eu te conheço, sei quando mente.

—Não me enche, Nina. — tentou escapar pelo outro lado, mas não deixei.

—Você não pode simplesmente resolver sumir da minha vida.

—Na verdade, eu posso. E isso era tudo o que você queria a um tempo atrás.

—Era. — abaixei a cabeça, me sentindo derrotada — Aí você começou a fazer sentido.

Olhei para ele de novo e o vi vacilar por alguns instantes. Sabia que ele queria vir até mim, afinal dei a ele exatamente o que queria a meses, mas uma sombra em seus olhos o fez continuar onde estava.

—Não vou ficar com você, Nina. — aquilo pareceu doer mais nele do que em mim

—Por que? — Não me mexi também. Nada daquilo fazia o menor sentido

—Porque eu não quero. — ele desviou o olhar e caminhei até ele, ficando tão próxima que nossas bocas quase se tocaram. Ele não olhava pra mim.

—Mentira! — sorri esperta e ele fez o mesmo, mas algo o incomodava muito. Tinha uma dor tão profunda em seus olhos que me assustava. Então se afastou.

—Acredita no que quiser, mas me deixa em paz — me deu as costas e ia sair, mas antes que pudesse passar pela porta precisou se apoiar em uma das mesas.

Suas pernas pareceram ceder, sua respiração estava falha e eu corri até ele sem entender. Puxei uma cadeira e o ajudei a sentar à beira do desespero.

Me ajoelhei a sua frente, mas ele mantinha os olhos fechados. Suas mãos tremiam e um pouco de suor apareceu em sua testa.

—Vou chamar alguém

— Não — ia me levantar, mas uma de suas mãos trêmulas me agarraram — Já vai passar.

Ele sabia como lidar com aquilo então com certeza já tinha acontecido antes. Meu coração se apertou. Ele parecia mal, e eu estava certa, tinha algo muito errado.

Levou alguns minutos para que a respiração de Kyle voltasse ao normal, mas suas mãos continuavam tremendo. Eu estava bem na frente dele e mesmo assim ele não me olhava.

—O que foi isso? — perguntei tentando disfarçar todo o meu pavor

Ele não respondeu. Fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, talvez tentando fingir que eu não estava ali. Mas eu não iria a lugar algum. Acho que assim que percebeu isso, viu que não teria saída e então disse:

—Eu to doente, Nina.— Continuou sem me olhar e aquela frase nunca sairia da minha cabeça.

—O que... ? — Minha voz sumiu

—É um tumor maligno no cérebro. A coisa vai ficar feia e eu não vou deixar você fazer parte disso.

Eu precisei assimilar aquilo devagar. Não soube o que dizer por um tempo então senti raiva. Dele, dessa merda de doença e da porra da vida que gostava de brincar com as pessoas.

—Você acha mesmo que vai conseguir me afastar? — perguntei finalmente voltando a mim. Minhas mãos também tremiam e lágrimas silenciosas tomavam conta de meu rosto.

—Eu to morrendo! — Ele finalmente olhou para mim. Mergulhou seus olhos cinzas dentro dos meus, e a mistura daquele olhar tão profundo com aquelas três palavras quase me fizeram perder o ar. — Você entende isso? Eu to morrendo e não posso ficar perto de você o suficiente pra saber o que vou perder.

— Vai se foder! — perdi a linha e ele sorriu pra mim tão sincero que eu quase me derreti, mas me mantive firme. — Você é egoísta pra caralho!

—E você é teimosa, porra! — seu tom ficou no mesmo volume que o meu, estávamos de volta. Prontos para mais uma briga. — Você não quer entender — balançou a cabeça negativamente e desviou o olhar outra vez

Segurei seu rosto entre minhas mãos e o fiz voltar para mim de novo

— Você não vai morrer! — disse com toda a certeza que tinha em meu coração. Tinha passado a vida com aquele garoto me enchendo o saco. Ele fez as maiores maldades comigo e então em uma reviravolta da vida, me proporcionou meus momentos mais felizes. Tinha levado tempo demais pra entender que o amava, não o perderia agora — E eu não vou a lugar nenhum, entendeu?

Ele me beijou com todo o amor que a meses escondíamos, cheio de pressa e carinho.

O tempo seria curto, e talvez ele soubesse disso.

FLASHBACK OFF

“Depois dos seis ciclos de quimio o tumor diminuiu e a esperança aumentou. Precisávamos de três tomografias boas, mas na segunda acharam dois novos tumores.

Eu nunca tinha visto Kyle se abalar, ou mesmo pensar em desistir. Ele era ranzinza e teimoso, me escondia coisas sérias e usava a doença pra ganhar a maioria das nossas brigas — eu ri notando um padrão ali — Nunca foi aquele paciente super otimista, mas lutava. Talvez mais por nós do que por ele mesmo.

Mas depois dessa notícia... — engoli em seco me lembrando perfeitamente desse dia. — Estávamos nos reerguendo devagar e a vida nos jogou de volta no chão.

Eu o encontrei aqui completamente devastado. Pela primeira vez em todos aqueles meses eu o vi chorar totalmente abalado, inconsolável. Frágil como nunca havia se mostrado. E pela primeira vez em anos eu não sabia o que dizer a ele.

Algumas sessões de rádio, um tratamento experimental e em alguns meses vi que tudo tinha sido em vão.”

Observei os últimos resquícios do sol tocando os prédios da cidade e lembrei perfeitamente do sorriso de moleque brincalhão de Kyle antes de tudo aquilo, naquela primeira vez que ele tinha me levado ali, e lembrei desse sorriso no último dia dele. Era o mesmo sorriso, mesmo com o tubo de alimentação e a palidez.

Aquele sorriso ainda fazia meu coração disparar, mesmo que só estivesse em minhas lembranças agora.

—Eu sinto muito — Harry tinha a voz embargada, rosto sério.

—Eu também. — voltei para perto dele.

Ficamos confortáveis em um silêncio que pareceu uma eternidade. Então estava feito. Harry tinha tudo de mim. Tudo e mais um pouco do que ninguém já mais teve.

—Esse era o lugar de vocês — ele comentou um pouco cuidadoso depois de um tempo — Por que me trouxe aqui?

Segurei sua mão o observando. Suspirei e senti meu coração falhar uma batida. Eu nunca tinha superado Kyle, e tinha medo nunca conseguir superar Harry também.

Estava quebrada em milhões de pedaços, mas o interessante era que Harry não ficava muito atrás de mim, e talvez isso nos completasse.

—Você tem seus demônios e eu tenho os meus. Eles são diferentes, mas são grandes o suficiente para nos derrubar. — suspirei limpando a última lágrima que me permitiria deixar cair naquele dia — Talvez eu só queira que você seja a pessoa que me encontre quando eu não for forte o suficiente para lutar contra eles.

Notas finais
E então? Nina finalmente se abriu quanto ao que mais a machuca. Será que isso significa que ela ta preparada pra recomeçar? Será que Harry vai sucumbir as palavras da megera da mãe da Nina? Será que mais alguém vai atrapalhar esses dois? pqp muitas questões. Bom, gatinhas, o seguinte. Minha aulas voltam hoje e talvez eu fiquei um pouco ocupada, mas não vou abandonar vocês. Eu me comprometo a postar um capítulo por semana, se der juro que posto mais. Me contem o que vocês acharam do capítulo! Vcs preferem capítulos mais curtos? Ou posso continuar assim? Tem algum personagem que deveria aparecer mais? Falem comigo, bebês!! Nos vemos no próximo ;) Beijinhoss