Purple Light

24 Capítulo 23


Harry acordou no mesmo lugar que Liam o tinha deixado ontem.

A lateral direita de seu rosto ardia, provavelmente pelo tombo.

Ainda estava bêbado, nem ia se dar ao trabalho de tentar levantar, sabia que ia dar merda.

E logo depois disso seu primeiro pensamento foi em Nina.

Maldita Nina!

Quem aquela garota achava que era pra sair invadindo seus pensamentos assim?

Mas a quem ele tentava enganar? Nina era dona de seus pensamentos a tempos, simplesmente os tomara para ela. Penetrara em sua cabeça de um jeito que o deixava irritado.

Ouviu a porta da frente abrir e praguejou mil vezes por ter o péssimo hábito de não trancar a porta.

O silêncio se manteve, mas seu cheiro nunca deixaria que ela se escondesse dele.

—Se quer passar despercebida tem que deixar de usar esse perfume — Harry disse com raiva.

O suspiro dela foi alto, e dolorido demais

—Harry... — A voz de Nina continuava rouca, mas tinha algo mais ali. Arrependimento, talvez culpa.

Ela se aproximou das costas do sofá.

—Não! — ele levantou o rosto de novo. — Nem começa, não estou interessado...

—Mas...

—Nina, eu to de saco cheio. Sai do meu apartamento, vai transar com a porra do Jimmy em qualquer lugar. Faça o que quiser, mas fique bem longe de mim.

—Eu to tentando me desculpar! — ela aumentou a voz tentando fazê-lo entender

— Você não tem que se desculpar comigo, tem que falar com Layla e Niall, mas isso não é problema meu. — Harry também aumentou a voz, ele queria sair dali então sem pensar se levantou e como ele imaginava o maldito equilíbrio fora pro espaço. Ele quase caiu, mas Nina foi rápida e segurou seu braço antes que acontecesse.

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Ele ficou alguns segundos com a respiração ofegante firmando-se no chão fisicamente e mentalmente também. O cheiro dela o distraia.

Puxou o braço bruscamente para que Nina o largasse.

—Sai daqui! — Sua voz beirava o desespero e Nina não entendia — Eu não quero ouvir a sua voz e nem sentir o seu cheiro. Sai da minha casa! Da um ar pra minha vida pelo amor de Deus! Eu não aguento mais isso!

Harry ouviu a porta bater e se deixou cair no sofá outra vez.

Ele não falava dela, mas daquele sentimento inoportuno que o tinha invadido sem ele nem se dar conta.

Ele não havia pedido por aquilo, e não queria mas agora estava ali, tudo dentro dele, o esmagando de dentro para fora apenas por se sentir incapaz.

A porta se abriu de novo.

—Bom dia, flor do dia — A voz de Sophia evitou que Harry gritasse mandando-a embora.

—Ah, é você. — ele esfregou os olhos

—Dormiu aí? — ela perguntou, mas não precisava. Já sabia a resposta. Deixou tudo o que tinha trazido em cima do balcão e foi até o sofá — Está com fome? Trouxe brownie e a pasta de abacate que você adora.

—Não to com fome — respondeu deitando a cabeça para trás.

—Uma pena. — Sophia sabia que ele não resistiria — Vai tomar um banho. Vou preparar um café reforçado pra você.

Harry limitou-se a fechar os olhos enquanto sentia o sofá se mexer com a saída dela.

Ele não tinha o menor controle sobre sua vida.

Então tomou um banho longo que tirou quase todo o álcool dele.

Voltou até a cozinha e sentiu um cheiro ótimo, mas preferiu se jogar no sofá outra vez.

Sophia não demorou muito para ir até ele. Colocou uma bandeja na mesinha de centro, mas antes de qualquer coisa pegou nas duas mãos de Harry e suspirou.

—Ela tem olhos castanhos incríveis.— ela começou e Harry teve certeza de Liam tinha contado sobre a noite anterior

—Sophia... — ele ia detê-la, mas antes que pudesse ela a cortou

—Cala a boca, Harry — fez um pausa rápida e então continuou — Eles brilham com seu sorriso, mas nunca parecem totalmente sinceros. Ela guarda algo, só pra ela, bem lá no fundo.

Algo em sua mente gritava para que a fizesse parar, mas ele não queria.

A verdade é que ansiava desesperadamente por um pouco mais de Nina que provavelmente nunca iria ter, então aceitou de bom grado tudo o que Sophia estava lhe dando.

“Seu nariz é pequenininho. — Sophia riu — Se encaixa perfeitamente no rosto dela, e seus lábios são cheios, mas nada extravagante demais.”

O coração de Harry estava disparado de novo, ele fechara os olhos tentando encaixar cada detalhe na imagem que tinha de Nina.

“Ela tem muitos sorrisos, cada um com suas características e significados, mas eles vem sempre acompanhados por uma única covinha do lado esquerdo. É enorme! — os dois riram juntos e então Sophia ficou séria — Mas ela tem um em especial, um sorriso sincero. Um sorriso que não tem como alguém duvidar da felicidade que esta sentindo naquela hora. É gostoso e contagiante. Geralmente aparece quando ela está com você.”

Harry soltou um suspiro dolorido que parecia vir de dentro da alma.

“Seus cabelos longos tem um tom quase castanho, mais pro loiro escuro, mais claros que os seus. Tem uma única mecha na nuca roxa que entrega toda sua personalidade. — ela sorria — Ela ama roxo, sabia? Tudo e qualquer coisa em sua vida tem um detalhe roxo.

Ela não é magra como eu e Els, mas também não é gordinha. Tem suas curvas bem marcadas, peitos e um bumbum de dar inveja — ela riu de novo.

E todo o resto, Harry, tudo aquilo que realmente importa, tudo de mais incrível nela e o que a torna tão especial você já conhece. — Sophia levou sua mão junto com a dele até o coração de Harry — Porque fica aqui. E todos esses detalhes superficiais do exterior dela se tornam besteira quando você descobre o coração maravilhoso que Nina tem.”

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Harry e o silêncio prevaleceu. Não tinha palavras para descrever o quão grato estava por aquilo.

—Obrigado — sussurrou ainda emocionado

Sophia o soltou sem dar muita importância aquilo, sabia que ele não gostava de se sentir vulnerável.

—Agora come. — ela se levantou — Tem que ficar forte para lutar por ela.

***

A noite tinha caído fria. Nina estava deitada em sua cama com o notebook aberto e a tv ligada, mas não prestava atenção em nada.

“É o aniversário do acidente”

“Não quero ouvir sua voz e nem sentir o seu cheiro”

As palavras de Louis e Harry espancavam a cabeça de Nina como se quisessem desesperadamente sair dali.

Ela era idiota. Provavelmente não existia no mundo uma pessoa mais idiota que ela.

As coisas não podia piorar, não é mesmo? Claro que ela subestimou seu incrível talento de foder com tudo. Em alguns minutos de uma noite maldita ela conseguiu magoar Niall e Layla, deixar as coisas com Harry mais complicadas em um momento super delicado e ainda tinha iludido Jimmy ao extremo.

Tampou o rosto frustrada. Não conseguia acreditar em si mesma.

Então seu celular apitou.

“Sinto sua falta. J.”

“Não sinta.” Ela respondeu sem a mínima vontade de ter que lidar com mais sentimentos confusos e complicados. Não entendia como uma pessoa como ela, tão resolvida em NÃO sentir, estava naquela situação em que seus sentimentos quase a esmagavam.

“Você está bem?”— Jimmy parecia ter um radar que apitava quando Nina precisava se distanciar de tudo.

“Não.” Nina respondeu sem saber o que queria.

“Por que não vem voando pra mim, borboleta?” Ela sorriu ao ler a mensagem. Definitivamente era o que precisava.

Tomou banho e passou seu perfume. Saiu sem se importar com o barulho da porta, apertando o botão do elevador.

Logo ouviu uma porta abrindo atrás de si.

Harry ouvira Nina. Não a deixaria desaparecer de novo com aquele bosta. Levantou da cama o mais rápido que pode, não se permitiu nem mesmo pegar a bengala, e ao abrir a porta de seu apartamento sentiu o perfume dela forte outra vez. Não pode disfarçar o sorriso.

—Vai sair? — Nina o olhou de cima a baixo enquanto esperava o elevador, voltou-se para o elevador de novo decidindo não responder — E vai me ignorar agora também?

—Não sabe a resposta? — ela estava irritada por hoje mais cedo, mas Harry decidiu ignorar isso também.

—Vai pro Joe’s? — ele sabia que não.

Ela levou alguns segundos para responder

—Não. Vou pra casa do Jimmy transar. — ela fez uma pausa — fumar uma maconha, ficar doidona. — falou forçada e deu de ombros — Já que meu melhor amigo está agindo feito um babaca.

Harry suspirou.

—Você namora um imbecil e eu que sou o babaca — uma tontura o tomou de repente e ele se encostou na porta para que ela não percebesse. Devia ter feito o que Sophia tinha mandado mais cedo.

—Se eu não te conhecesse, diria que está com ciúmes — Ela se mantinha de costas para ele.

—Você me conhece — respirou fundo tentando firmar os pés no chão — Sabe que eu estou com ciúmes.

Nina fechou os olhos ouvindo sua voz rouca admitir o que ela queria ouvir. Então virou-se para ele. Harry estava pálido.

—Meu Deus! — Nina se aproximou segurando o braço de Harry — Você tá bem?

—Não. — ele segurou firme nela — Me ajuda a achar o sofá.

Nina o segurou morrendo de medo de que ele caísse e ela não conseguisse segurar.

—Você... — ela gemeu tentando segurar o peso de Harry para que não despencasse no sofá — A quanto tempo não come?

Harry mordeu o lábio inferior sabendo que a resposta o complicaria.

—Comi uma torrada hoje cedo e alguns amendoins ontem no bar

—Amendoins e uma torrada? — Nina socou o ar irritada — você precisa comer, seu animal.

Harry ouviu suas botas de salto se afastando com irritação.

— Eu não to com fome — respondeu como uma criança.

—Idiota! — ela ficou brava e foi até a cozinha.

—Estupida! — ele gritou do sofá

—Continua sendo babaca que eu te deixo aqui pra morrer. — Nina ameaçou achando a comida intacta que Sophia deixara pro almoço

—Eu vivi 21 anos sem você, Nina — ele respondeu mau humorado — Acho que posso viver mais alguns minutos.

Ela levou um prato até o sofá. Segurou o braço de Harry e esperou até que pegasse direito no prato.

—Agora come — mandou e Harry fez careta. Não estava mesmo com fome — Por mim, Harry.

Ele riu. Nina sabia exatamente os efeitos que exercia sobre ele, mas isso não o incomodava. Estava se conformando com toda aquela confusão afinal. Não demorou a comer.

Quando terminou Nina tirou o prato de sua mão e levou para a pia.

—Tá melhor? — ela perguntou sem se aproximar e ele fez sinal com a cabeça e o silêncio tomou conta do apartamento.

Os últimos dias não foram os melhores, mas sentiam uma falta um do outro impossível de negar.

Ele não queria que ela fosse embora, ela com certeza não queria deixá-lo, mas ninguém parecia ter a coragem de dizer primeiro.

Então Harry lembrou de tudo o que Sophia disse e seu peito se encheu de coragem. Lutaria por ela.

—Eu não tenho maconha — ele finalmente disse parecendo um pouco derrotado, mas com uma leve animação — Mas tenho chocolate. Podemos ficar doidos de chocolate. — ele arqueou a sobrancelha esperando por uma resposta e Nina sorriu.

— Tem vinho também? — ela perguntou sem esconder seu riso

—É a minha casa, óbvio que tem vinho — os dois riram juntos

Nina se jogou no sofá com a cabeça no colo de Harry

—Eu fico com uma condição. — Nina impôs e Harry deu um leve sorriso desgostoso — Vou fazer o jantar e você vai comer o que eu por no seu prato.

Ele suspirou

—Não sou criança, Nina.

—Não? Por que ta parecendo. — ela disse beirando uma bronca e resolveu ir mais fundo — Por que tá fazendo isso?

—Esse mês...Eu não... — ele não sabia explicar. O jeito como se sentia, não controlava. — Não faço de propósito.

Ela se levantou, se aproximou devagar sentando ao seu lado.

—Louis me contou — ela deu uma pausa. Não sabia até onde poderia ir com aquele assunto, ainda mais depois dos últimos dias — Sobre o mês. Semana que vem...

Ele abriu um sorriso largo

—Desde quando fala com o Louis? — Harry sabia que os dois não se davam. E Nina revirou os olhos.

—Desde que os dois ficam preocupados com você.

O rosto de Harry mudou repentinamente. Se tornou sombrio e sério.

—Ele nem aparece. Nesse mês. — engoliu em seco — Acho que tem medo de me encontrar mais surtado que o normal — sorriu triste

—Você nunca falou do acidente — Sua voz era calma, mas Harry sentia um tom que dizia totalmente o contrário. Então voltou a sorrir.

—Você nunca perguntou. — ele NUNCA falava sobre o acidente, mas as pessoas perguntavam, ela nunca nem mencionou aquilo. Era como se nunca tivesse acontecido e ele gostava mais dela por isso.

Mas ali, naquela hora, não se importava em falar. Sabia que podia confiar nela e independente de qualquer coisa queria isso.

—Estávamos quase terminando a turnê. Faltavam uns três shows — ele começou — Pegamos a van ainda agitados, brincando feito idiotas como sempre. Eu joguei Zayn pro outro lado e peguei o lugar dele, e no primeiro sinal um mustang bateu com tudo na gente. — ele suspirou — Fui arremessado pela janela e aterrizei de cabeça no asfalto. — Harry riu, nunca tinha sido tão fácil contar isso a alguém, então continuou — Eu fiquei em coma alguns dias, e quando acordei... — Ele levantou as mãos conformado — Meu mundo não existia mais.

Ele sentiu o calor de Nina em sua mão e seu coração se aqueceu por inteiro com ele. Como podia ter negado aquele toque mais cedo?

—Eu sinto muito. — Sua voz era um sussurro.

—Eu também. — ele sorriu e deu de ombros sem nem saber o porque.

Nina sentia um nó em sua garanta. Aquilo nunca lhe interessara muito, Harry era o que era e ela o amava daquele jeito, sem tirar nem por. Não importava o que o tinha feito ser quem era, mas ouvir aquilo a deixou com coração pequenininho.

“Amava?— a palavra ecoou em sua mente — Realmente usou a palavra amor, Nina?”

De qualquer jeito...

Harry além de tudo era um herói. Se não tivesse tirado Zayn do lugar, não estaria onde está.

E de repente ela soltou uma coisa que nunca tinha nem mesmo cogitado..

—Não tem nenhuma chance de... — parou assim que percebeu

—Não. — ele respondeu sério acariciando sua mão — Ninguém sabe o que aconteceu. Meus olhos são perfeitos, foi algo no cérebro. — ele deu de ombros — Fomos em todos os especialistas na época, ninguém entende e mesmo os que queriam descobrir sempre desistiram. Ninguém quer ser responsável pela morte de Harry Styles.

Nina sentiu o ar faltar, suas lágrimas não se contiveram mais depois daquilo, um desespero a tomou de uma forma avassaladora. Ela conhecia aquele sentimento, sabia exatamente de qual parte de seu passado vinha e jamais pensou que poderia sentir tamanho medo.

—Hey! — Harry a puxou para si envolvendo-a em seus braços — Não acredito que está chorando. — ele ficou preocupado, mas brincou tentando acalma-lá — O que aconteceu com seu coração de gelo?

Nina soluçou de novo escondendo seu rosto no peito de Harry

—Você o derreteu — ele riu entre seus soluços e então o abraçou com força — Me promete que nunca mais vai atrás disso? — tentou segurar o choro, mas não conseguia. — Por favor, mesmo que ache um louco que decida abrir o seu cérebro, você não vai. Por favor, Harry, por favor — ela estava desesperada — Não vou aguentar dessa vez.

—Dessa vez?— Harry repetiu enquanto ela se agarrava nele. Demorou um pouco para entender até que algo lhe ocorreu, mas não a confrontaria ali.

Harry apenas a abraçou o mais forte que pode sem machuca-la. Estava embriagado por seu perfume, completamente perdido naquele abraço. Nunca estiveram tão próximos, sentia rosto dela escondido em seu pescoço e só conseguiu pensar em como a vida gostava de brincar com ele. Ela estava ali completamente entregue em seus braços, mas estava sofrendo, podia sentir isso em cada toque, em cada suplica dela.

—Tudo bem. — Ele acariciou sua bochecha com o nariz em um ato de extremo carinho e ela nunca se sentiu tão bem quando ali. E aos poucos seu coração aflito foi se acalmando. — Eu não vou a lugar algum.

Notas finais
Que tal alguns comentários? To precisando de alguns pra me animar a postar os próximos. Espero que tenha gostado. Beijinhos