Purple Light

22 Capítulo 21


—Meu Deus! — Nina suspirou deixando-se cair ao lado de Jimmy na cama. — Você se supera a cada dia.

Ele riu puxando-a pela nuca para beija-la. Nina o soltou logo observando o teto. Estavam nisso a quase dois meses e Jimmy não perdia o encanto.

—Vai ficar? — ele perguntou com aquele olhar de criança e ela revirou os olhos

—Só se prometer me levar amanhã cedo — Ela concordou enquanto Jimmy distribuía beijos por seu corpo animado — Você me ouviu? — ela perguntou rindo — Preciso estar em casa amanhã, vou tomar café no Harry.

Jimmy se jogou ao lado dela perdendo todo o ânimo depois de ouvir aquele nome.

—Harry não tem milhões de outras pessoas que possam tomar café com ele?

—Tem, mas faz duas semanas que eu não vejo ele. — Nina e explicou

—E daí? — Jimmy estava irritado — Graças a Deus, ficou sem vê-lo, vocês não se desgrudam. É Harry pra lá, Harry pra cá...

Nina franziu a testa observando-o intrigada.

—Desde quando eu te dei a liberdade de sentir ciúmes de mim? — não estava gostando daquilo — Somos amiguinhos, lembra? Nada mais que isso.

—E se eu quiser algo a mais que isso? — ele finalmente disse o que ensaiava a tantos dias.

Nina suspirou entediada e levantou da cama caminhando até a cozinha nua.

Pegou um copo no armário e abriu a geladeira procurando por água gelada.

O apartamento era minusculo, Jimmy quase conseguia vê-la na cozinha com aquela ruguinha na testa de preocupação que já não era novidade para ele.

Ele adorava como ela já estava familiarizada com tudo ali.

—E se eu não? — ela devolveu a pergunta finalmente encarando-o sem humor — Deixamos as coisas claras quando nos conhecemos.

Ela fechou a geladeira, mas continuou na cozinha.

—Isso foi a dois meses, Nina — Jimmy se endireitou sentando-se na cama — Todo mundo fala isso no começo pra ninguém sair machucado.

—Eu não. — ela deu de ombros e voltou para o quarto — Estava falando sério, não estrague as coisas.

Jimmy ficou pensativo por alguns instantes dando espaço para Nina se aproximar e passar a mão em seus cabelos quase curtos demais.

—Isso... — ele começou sem muita certeza se deveria bater nessa tecla — Não tem nada a ver com Harry, tem?

—Óbvio que não! -Nina respondeu prontamente se afastando. — Essa sua mania de achar que tudo tem a ver com Harry tá ficando chata.

—É porque ele... vocês... — ele tentava se explicar aflito

Já tinha percebido que Nina tinha uma ligação muito forte com Harry. Uma ligação que apesar dela negar aos sete Deuses, ia bem além da amizade.

Ela sempre estava ocupada com ele, quando não, pensava ou mesmo lembrava dele. Aquilo era irritante demais.

—Já chega. — ela colocou um ponto final naquilo enquanto se esparramava pela cama — Eu preciso dormir, tenho um dia cheio amanhã.

Ele olhou seu corpo nu esticado em sua cama e não conseguiu descrever o quanto queria que aquilo fosse constante.

Eles se viam bastante e geralmente transavam, mas Nina não era só isso.

Era sensacional na cama, mas era divertida e inteligente. Gostava das mesmas músicas que ele e o fazia rir. Topava tudo, era impulsiva e destemida. Uma companheira perfeita.

Só não queria pertencer a ele.

Principalmente quando Harry precisava dela.

Jimmy rolou os olhos com esse pensamento. Precisava relaxar.

—Preciso de uma erva. — levantou da cama vestindo sua cueca ainda observando-a — Você quer?

—Não — ela respondeu com os olhos já fechados.

***

—Olha quem chegou pra fazer a alegria de vocês — Nina entrou no apartamento de Harry e encontrou Gemma na cozinha e Lay sentada na poltrona da sala. — O que está fazendo aí? — ela arqueou a sobrancelha para Gemma

Já tinha tempo que ela não precisava fazer o café para Harry, ele conseguia se virar sozinho agora.

—Ele não tá comendo direito — Gem explicou — Sem falar na bebedeira de ontem à noite. — ela explicou

—Por que vocês estão gritando? — Harry apareceu na porta do corredor. Nina levou um pequeno susto ao vê-lo.

Ele estava visivelmente mais magro, os olhos fundos com olheiras escuras.

—Adivinha quem tá aqui — Layla usou uma voz que beirava o sarcasmo.

Harry caminhou até o balcão devagar. Sua cabeça latejava.

Nina agora tinha o hábito de sumir às vezes e ele ficava à mercê da vida.

Aquilo era agonizante.

—Já ouvi a voz dela — ele respondeu se apoiando. Levantou o rosto para a direção que acreditava estar Nina. Não conseguia sentir seu perfume sempre tão marcante.

Nina notou certa tensão. Layla mal a tinha olhado e o tom que Harry usou no “ela” não tinha sido dos melhores.

—Você disse “não tá comendo bem” — Nina voltou-se para Gemma — Tem certeza de que ele come? — e então para Harry — O que tá acontecendo com você? — a voz dela chegou nos ouvidos dele, mas tinha algo diferente.

Ele não andava muito bem, sabia disso. Aquele mês era um terror, queria poder passar por ele dormindo, mas não podia. E sua melhor morfina de repente tinha encontrado uma nova diversão que fazia questão de afastá-la dele.

—Depois de duas semanas de repente você se importa? — ele manteve a cabeça abaixada sentindo a raiva percorrer seu corpo inteiro.

—Harry... — Nina não tinha como se explicar. Lógico, estava ocupada com as obras do abrigo, e agora estava montando seu próprio escritório para poder lidar melhor com os possíveis contratos e com seus projetos futuros depois do desfile de lançamento, mas o maior culpado era Jimmy.

Quando ela não estava trabalhando, estava com ele.

—Não precisa se explicar — Harry a cortou — estamos bem, pode voltar pro seu namorado.

—Larga esse mau humor e vamos tomar café, eu e você, por favor — ela cruzou os braços se sentindo culpada.

O maxilar de Harry estava travado.

-Não se preocupe em perder seu tempo precioso com um cego mau humorado, eu e Lay já temos planos.

—Você e Layla? — ela sentiu uma pontada de irritação — Desde quando...

—Não interessa, Nina. — Harry não estava fazendo questão de ser minimamente educado. Se deslocou até o sofá ficando mais perto de Nina e sentindo aquele cheiro de perfume masculino misturado com nicotina — Meu Deus! Mas que cheiro é esse?

—Cigarro — Layla fez careta enquanto olhava para a tela do celular.

—Tá. — aquilo estava ridículo. Ela estava ali numa boa e não parava de ser julgada — Eu traguei o cigarro de Jimmy lá embaixo, qual o problema?

—Ah, então agora você fuma também? — Harry perguntou sem acreditar, enjoado com o cheio

Layla soltou uma gargalhada assustando-o

—Ah, querido — ela se dirigiu a Harry sem nem ao menos passar os olhos por Nina — Se fosse só cigarro tava bom.

—Hey — Nina colocou as mãos na cintura, desde quando Layla estava contra ela? — Qual o seu problema, Layla?

—Tá fumando maconha? — o tom de Harry era acusador — Puta merda, o que esse cara tá fazendo com você?

—Ele não tá fazendo nada comigo — Nina respondeu puta da vida — Tudo o que faço com ele faço porque quero fazer. Porque EU sou assim. Sou livre e desimpedida, faço o que quero, quando quero e isso não é da conta de ninguém, então ninguém tem que falar nada, principalmente vocês dois. — ela apontou para Layla e Harry. — Você bebe feito um alcoólatra, não sei se percebeu — Então se voltou para Lay. — E você, desde quando é tão diferente de mim? Desde quando fica contra mim assim?

Lay se levantou finalmente olhando nos olhos de Nina.

—Somos iguais. Você é minha irmã, minha alma gêmea — ela concordou — Mas eu não vou passar a mão na sua cabeça enquanto age como uma adolescente.

—Ótimo! Curtam o dia juntinhos, hipócritas — Nina saiu batendo a porta.

Harry voltou para o quarto, não estava com ânimo e muito menos vontade de fazer nada.

Assim que entrou em seu apartamento o celular de Nina apitou.

“17h. Na minha casa.”

Anne não estava feliz. Nina a tinha ignorado quase o tempo que deixara de ver Harry. Não ia conseguir continuar com aquilo.

Então as 16:55 estava tocando a campainha de Anne.

Louis abriu a porta com aquele sorriso irritante.

—Quem é vivo sempre aparece.

—Posso dizer o mesmo que você — Nina respondeu ácida enquanto entrava

—Finalmente — Anne apareceu com Gemma ao seu lado — Acho que você está um pouco confusa, Nina. Por acaso se esqueceu que temos um contrato?

—Eu nunca vou conseguir esquecer disso.

—Sei que você tem sua vida, seus problemas. — Anne suspirou. O olhar em seus rosto demonstrava mais preocupação que o normal. E depois de ver Harry de manhã Nina entendia completamente — Mas preciso de você.

—Principalmente nas próximas semanas — Gemma concordou

—Sei que arrumou um namorado...

—Eu não arrumei coisa alguma. — rosnou sentindo toda irritação subir por seu corpo — O que tem de tão importante nas próximas semanas?

As duas ficaram quietas por alguns segundos. E Louis se fez presente.

—É o aniversário do acidente.

O silêncio era esmagador. Aquilo não era um assunto delicado só para Harry, mas para todos principalmente por já terem passado por aquele mês uma vez. Sabiam como ele agiria.

—Eu não... — a voz de Nina quase não saiu — Não vou me afastar.

Anne apenas assentiu e ela resolveu que precisava sair dali.

Tudo fazia sentido agora. O humor de Harry, a forma que estava abatido e pra piorar ela ainda se afastara.

Não suportava pensar que em um momento tão delicado para ele, ela o tinha feito sofrer mais por sua ausência, mas sabia que era verdade.

Queria voltar ao apartamento, impor sua presença sem se importar com a forma que seria tratada, mas então se lembrou que Harry encontrara um a substituta a altura para não depender da presença dela, e isso fez sua vontade de parar de pensar nisso aumentar ainda mais.

Resolveu então que não ia pensar nisso, não agora. As coisas não podiam ficar piores, não adiantava se torturar.

Andou a passos largos até o carro discando o número de Jimmy.

LIGAÇÃO ON

—Fala, minha borboleta — Jimmy atendeu e Nina sabia que estava sorrindo

—Preciso de você, AGORA!