Purple Light
2 Capítulo 1
4u Arena Manchester – 6 anos atrás
POV Harry
—Obrigado, Manchester! VOCÊS SÃO OS MELHORES!! — Niall gritou por último e todos saimos do palco.
—Ótimo show, pessoal — Zayn comentou alegre
—Insano! — Liam concordou gargalhando
—Tudo bem, rapazes, temos que ir agora — Paul apareceu para nos levar, mas como sempre depois de todo show estávamos agitados demais — Comemoramos no hotel, vamos, por favor!
Nós cinco saímos conversando e gargalhando, passamos pela multidão que estava fora da arena e entramos no carro.
Empurrei Zayn para roubar seu lugar rindo da cara de bosta que ele fez.
A noite estava linda e fresca. O ar leve e o céu estrelado.
Era o fim de mais uma noite em que tudo parecia estar perfeitamente em seu lugar, nada parecia ser ruim o bastante para conseguir estragar aquilo.
Mas as vezes estamos em uma rota de colisão e nem sabemos. Seja por acidente ou intencional, não podemos fazer nada a respeito.
Um homem em Manchester amargurado e abandonado pela mulher, estava indo beber em um bar no centro, mas ele esqueceu seu casaco e voltou para pega-lo.
Enquanto isso eu e Michael escondíamos a palheta da sorte de Luke.
Então, o homem que esqueceu o casaco tirou seu mustang GT 500 1996 da garagem e 100 metros a frente teve que freá-lo bruscamente pois outro homem atravessava a rua cinco minutos mais tarde do que o normal, por não ter ajustado o despertador.
Enquanto aquele homem atravessava a rua, Luke entrava no palco furioso com Ashton, Michael e Calum que se divertiram enquanto ele procurava sua palheta com desespero. O que acabou atrasando cinco minutos o show.
Enquanto os meninos abriam o show, o homem amargurado sentava-se no bar e pedia sua primeira bebida. E assim foi, uma após a outra até que a mulher do dono do bar o proibiu de servir qualquer coisa mais para o homem amargurado, que começou a discutir com a mulher.
Enquanto eles discutiam, Niall deu uma última olhada em nossa plateia maravilhosa.
Quando, finalmente, o homem amargurado percebeu que não conseguiria nada ali, deixou o bar irritado.
Enquanto isso, Paul tropeçava em um fio e parara para xingar.
Enquanto Paul xingava, o homem amargurado se divertia ouvindo o ronco do motor de seu mustang quando acelerava.
SE ao menos uma coisa tivesse sido diferente...
Se Michael contasse logo a Luke onde estava a palheta, se o homem amargurado lembrasse do casaco, se aquele homem tivesse ajustado o relógio e acordado cinco minutos mais cedo. Se Niall tivesse deixado o palco segundos antes, se Paul não tivesse parado para xingar o fio que o fez tropeçar ou se a mulher do dono do bar não tivesse ido trabalhar, talvez assim nossa van poderia ter passado no cruzamento antes do homem amargurado ter avançado o sinal vermelho.
Mas sendo a vida como ela é, uma série de eventos e incidentes interligados (que NÃO se pode controlar), a nossa van atravessou o cruzamento no mesmo instante que o mustang e ambos colidiram.
Eu não me lembro de quase nada daquela noite e a única coisa que me vem na cabeça quando penso nela é a lua.
Lembro de sorrir ao olha-la e não conseguir imaginar nada tão bonito, enquanto meu cérebro parecia estar queimando dentro da cabeça. E depois tudo ficou escuro.
Acordei no hospital depois de cinco dias em coma e quando abri os olhos tudo, simplesmente, continuou escuro.
Segundo os médicos, vítimas de impacto repentino são umas das mais difíceis de tratar.
Não é só a colisão que as fere. É o que acontece depois. A força centrípeta as mantêm em movimento. Jogando-as contra o veículo. Através do para-brisa e janelas. Batendo os órgãos dentro do esqueleto e o cérebro dentro do crânio. Seus corpos são feridos várias vezes.
Não há como saber o dano causado. Até cessar.
— O funcionamento do cérebro, sua complexidade... ainda é muito limitada a nós, entendemos certas coisas, mas outras... — o médico fez uma pausa. Aposto que estava sorrindo tentando disfarçar o que eu achava ser incompetência e para consolar minha mãe e Gemma que não saíram do lado da minha cama desde que acordei. — Considerando as lesões, tivemos sorte...
—Sorte? – soltei uma risada falsa. Eu não podia ver e aquele imbecil falava sobre sorte? Eu estava pronto para gritar com ele, mas minha mãe acariciou meu rosto tentando me acalmar.
Eu não podia vê-la, mas senti seu desespero quando me tocou e me contive. Ela não merecia nem um pingo do meu ódio.
—Achávamos que você não ia acordar, Harry. Tivemos sorte.
Não tem como se preparar para um impacto repentino. Não tem como se fortalecer.
Só atinge você, do nada.
E, de repente, a vida como a conhecia… Acaba. Para sempre.
POV OFF
Londres — 5 anos e 6 meses antes
—Não é muito cedo? — Liam perguntou ao ver Niall enchendo o copo de Harry com Whisky
—Já são cinco horas. — Harry respondeu emburrado
—São dez e meia da manhã, Harry — Louis disse meio irritado. Não aguentava vê-lo daquela forma.
—Ah é? Sabe como é, Lou, anda difícil enxergar as horas ultimamente. – sorriu sarcástico
Sarcasmo e ironia haviam se tornado a única forma de ver suas covinhas nos últimos meses.
Seu sorriso brincalhão se fora junto com toda luz que existia nele dando espaço para uma escuridão sombria e avassaladora.
Harry passava seus dias dentro de seu apartamento e as vezes saía a noite para o bar do Joe, onde encontrava quem aquecesse suas noites, mas é claro, ninguém que pudesse ficar mais do que até a manhã seguinte.
Ele sobrevivia de álcool e sexo, afastando-se de tudo o que mais amava no mundo.
Niall olhou feio para Louis.
Harry não precisava ser repreendido agora.
—Afinal, o que querem comigo a essa hora da madrugada, meninas? — Harry perguntou, mas já tinha uma ideia.
Os últimos meses tinham sido assim.
Visitas repentinas com desculpas esfarrapadas para tira-lo de casa e tentativas falhas de anima-lo.
Niall se jogou na poltrona se fingindo de desentendido assim como Liam que fitou os pés.
Zayn, encostado na janela, não tirou o olho do cigarro que girava na mão.
—Queremos voltar a gravar. — Louis disse sem hesitar — Os fãs estão esperando, é nossa vida.
—Tudo bem. — Harry virou o copo tomando todo seu whisky
—Sério? — Niall se surpreendeu sorrindo como uma criança na manhã de natal
—Claro. Vocês tem que continuar — ele deu de ombros — Vou passar os direitos das minhas letras...
—Não, Harry. Acho que você não entendeu. — Zayn o interrompeu finalmente largando o cigarro em cima da mesa e caminhando até o meio da sala. — Só vamos gravar se você gravar com a gente.
—É, cara. — Liam concordou sentido — One Direction tem cinco integrantes, nunca faríamos isso sem você.
Fez-se um grande silêncio.
A cabeça de Harry latejava. Talvez pelo whisky, talvez pelo assunto, mas ele não queria ter DE NOVO aquela mesma discussão.
Por que eles não conseguiam entender? Aquilo havia acabado para ele. Não podia continuar, não tinha como.
Agora ele era...Incapaz.
Foi a única palavra que lhe veio a mente e isso fez com que sua mandíbula endurecesse. Ele pigarreou irritado
—Eu já disse não. – sua voz saiu fria – Querem terminar o álbum? Ótimo. Mas eu não faço mais parte disso.
—Então é isso? – Louis perguntou alterado. Como Harry podia simplesmente jogar tudo fora assim? – One direction acaba aqui? Não existe mais?
—A One Direction com cinco integrantes acabou naquele último show em Manchester, mas a One Direction com quatro integrantes pode nascer agora mesmo.
Louis não teve estomago para continuar com aquilo, saiu puto batendo a porta com toda a força.
—Louis... — Zayn o seguiu sem deixar uma palavra pra trás, mas Liam parou na porta antes de sair suspirando:
—Só existe uma One Direction, e ela vai esperar.
Harry apenas sorriu de canto com pura ironia estampada no rosto como se aquilo fosse uma piada ruim.
Niall ainda o observava decepcionado
—Você também pode ir
—Não. — Niall respondeu passando a mão no cabelo — Você é meu amigo, meu irmão. Não vou embora. Eu NUNCA vou embora!
—Você que sabe — Harry deu de ombros esticando as mãos à procura da mesa de centro.
Se levantou devagar e um pouco inseguro mantendo os braços na frente do corpo até achar a parede, depois deslizou os dedos por ela guiando-se para fora do cômodo.
Harry só estava em casa a algumas semanas, tudo ainda era muito novo, muito desconhecido. O mundo agora se resumia a número de passos e mesmo assim tudo abstrato e apavorante.
Niall observou-o se afastar a passos lentos e cuidadosos, desejando poder fazer algo.
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