Purple Heart

1 Feliz Natal!


O gosto amargo do chocolate lhe fazia sorrir. Não era sempre que conseguia um tempo de silencio e paz interior como aqueles. As luzes estavam acesas nas ruas e mais uma vez Paris se vestia para o natal.

Vejo Paris como uma bela e fina dama, e também digamos um pouco extravagante, com suas belas roupagens e brilhos que fazem inveja a muitos de suas irmãs.

Um vento gelado entrava toda vez que um casal apaixonado ou não adentrava aquela pequena cafeteria.

Sabe quando procuramos ansiosamente por alguém que nunca chegar?

Alguém que na verdade nem existe?

Dessa forma Hana estava naquele momento, seu olhos claros, observava todo o tipo de detalhe a procura de algo que preenchesse seu coração gélido como aquela temporada.

Com um suspiro desistiu de tentar se convencer de que algo de bom apareceria.

“Como se realmente algo de bom existisse.”

Levantou-se deixando o dinheiro sobre a mesa, e saiu para enfrentar agora os pequenos flocos de neve que caiam em sua direção.

Com passos curtos e cabeça erguida ela enfrentava aquele vento como se fosse uma luta interna.

Nos fones tocava alguma musica clássica que lhe agradava muito, a fazendo sair de onde estava e mais uma vez se perguntar, porque tudo era tão bom antigamente.

As ruas ao invés de esvaziarem ficavam cada vez mais cheias, e isso realmente a incomodava.

Na verdade, tudo a fazia reclamar, Pessoas, Barulho, Silencio, Luz, Escuro,

Risadas ou lágrimas, tudo era um grande motivo para reclamação.

Hana não era a mulher mais perfeita do mundo, na verdade existiam muitas outras melhores do que ela, mais simpática e belas, e mentirosas também.

Para tentar uma fuga eficaz do espirito natalino virou na primeira esquina escura que viu, podemos pensar que isso não seria algo sábio para uma dama sozinha fazer, mas aquela dama solitária conhecia aquelas ruas e becos como as palmas das mãos... Não que ela olhasse muito para suas mãos...

Então depois de alguns poucos minutos, muitos gatos e rápidos passos estava à porta de seu prédio. Não era na frente da bela Eiffel, nem de frente para as ruas lindas e encantadas de Paris, era um prédio escondido no meio de outros, e a sua melhor vista era para uma senhora de pelo menos 70 anos que entoava cantos da virgem Maria todas as segundas.

Ao entrar em casa, os sapatos foram jogados para um lado o cachecol para outro e as roupas ficaram pelo caminho até o banheiro, nada melhor que agua quente para limpa-lo do espirito natalino, que a enchia de lama e cheiro de perfumes fedorentos.

“Domingo, 23 de dezembro.

Como dizer o que é realmente insuportável?

Trabalho vazio e depois decidir beber um chocolate, Oras eu mereço por tamanho sacrifício, aguentar pessoas procurando livros sobre como pintar as unhas nos fazer perder o animo de viver!

E logo eu já estava fora do mundo, perdida em pensamentos, somente o chocolate fazia a ligação de minha mente e meu corpo, meus olhos mais uma vez procuraram por algo que depois desses 25 anos creio ser inexistente. Quais são as possibilidades de um Mr. Darcy aparecer em nossa porta pedindo um pouco de açúcar?

Okay, mesmo se acontecesse eu não daria, pois o meu está no fim.

Então boa noite, minha cabeça dói e meu corpo pede o carinho e o abraço de meu edredom.”

Já se passava das altas horas da madrugada quando Hana acordou sem saber o porquê, o coração estava acelerado como se alguém tivesse gritado por sua ajuda.
Nos silencio da noite olhou para os lados e demorou um pouco para conseguir se lembrar de onde estava ou quem era ela.
Se levantou e a meio passo da cozinha decidiu olhar a janela.
De sua pequena varanda nada via além dos prédios á sua frente e o beco escuro abaixo dela, fechou os olhos e sorriu com o vento gelado que tocou seu rosto.

Já estava a ponto de sair dali quando algo lhe chamou a atenção. Havia um estranho circulo no céu cinzento, Parecia um pequeno redemoinho que aumentava lentamente cada vez mais, Poderia até se passar despercebido se a cor daquelas nuvens não fosse violentamente roxa.

Ficou paralisada por alguns momentos e quando decidiu pegar sua câmera algo mais estranho ainda aconteceu.
O redemoinho que antes parecia longe, agora estava mais perto, maior e mais denso e então com o barulho de um trovão algo se desprendeu daquela ciranda de nuvens e atravessou o ar, passando violentamente rápido pela janela de Hana e caindo com um grande barulho no chão do beco.
-Mas que merda é essa?
Hana olhou para baixo e mesmo a distancia conseguiu distinguir a sombra de...
-Meu deus é uma pessoa!
Descalça, descabelada e com uma camiseta surrada, Hana desceu as escadas rapidamente ficando sem folego ao chegar ao térreo.

-Sedentários...

Abriu o portão dando a volta no prédio onde aquela coisa que havia caído ainda estava lá. Imóvel.

Ela se aproximou e notou que era um homem grande, vestindo roupas escuras.

Por alguns momentos pensou que poderia ser algum marginal ate lembrar que ele tinha caído do céu.
Ou quem sabe de um avião de marginais, já tinha visto coisas como essas nos filmes.

Ajoelhou-se e tentou acorda-lo.

-Hey... Por favor, não morra já coloquei minhas digitais no seu rosto e sinceramente não estou muito a fim de ser pres...
O rapaz despertou violentamente a assustando, como alguém que não respirava a muito de baixo da água.
-Deus!
Disse ela caindo no chão sobre uma embalagem de chocolate...
-Ah droga... Minha calça...
-Quem é você? Onde eu estou?
Aquele homem apesar de grande tinha uma voz doce o que deixou ela sem palavras por alguns momentos. Hana se levantou tentando ver o tamanho da mancha que havia em sua roupa.
-Ah claro... De nada... Sou Hana e você caiu de um buraco roxo no céu... Ou como eu acredito de um avião de mercenários e estamos em Paris...
-Paris?
-A cidade luz... Sabe? Torre Eiffel?
-Eu sei o que é Paris...
-Então por que... Quem é você?
-Meu nome é... Angelus.

Notas finais
Espero que gostem. E se sim, por favor comentem! Seus comentários fazem meu coração ficar feliz e meus dedos ficarem com mais vontade de escrever!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.