Ele sabia que estava sendo seguido, mas, nos primeiros momentos, tentou agir naturalmente para não entrar em desespero. Sua meta era chegar ao Museu do Antigo Mundo, localizado ao centro da pequena cidade de Prata, pois havia marcado um encontro com seus amigos e colegas de trabalho. Porém, por culpa da situação que se encontrava, acabou se esquecendo do encontro e começou a se perder em ruas e mais ruas, na tentativa de despistar os novos companheiros. Com as mãos juntas, o homem estalava seus dedos, tentando aliviar a tensão, mas a ansiedade era transmitida para os seus lábios, ferindo-os com os dentes. Ao virar a esquina, ele tentou olhar para trás, matar a dúvida que o corroía em saber se havia conseguido tira-los de sua cola, porém acabou desistindo por falta de coragem. Se perguntava o porquê de estarem seguindo-o, ele não era especial, ou pelo menos, nenhum humano sabia que ele era. E após um vacilo dos olhos, por um momento de coragem, virou-se para trás e avistou dois vultos. Tremeu-se todo, pois havia chegado em uma conclusão. Não era humano o que seguia-o e por culpa de sua conclusão, ele se desesperou. Seus passos se tornaram uma corrida, correndo pela rua deserta em que se encontrava em busca de uma mais movimentada, como qualquer outra pessoa perseguida faria. O problema é que quando mais ele corria, mas a rua se alargava e suas energias se esgotavam, por isso acabou se rendendo e parando no meio do caminho. Balançando a cabeça negativamente, ele se virou para o muro de uma casa e se escorou.

– Uma ilusão. – disse soltando a frase em um tom de deboche, se lamentando por ter sido estúpido. Após um longo suspiro, olhando os tijolos se derretendo, o homem voltou a se lamentar. – Como não percebi antes? – ele se agachou com as pernas fraquejadas e após um piscar de olhos ele se viu parado de frente a duas pessoas. – Vocês são bons em brincar com a mente dos outros, quase acabei com todas as minhas energias correndo naquela rua. – ele parou por um tempo, tremendo, observando aqueles dois seres o olhando seriamente. Eram como estátuas gélidas, sem nenhum sentimento, sentinelas vestidos de preto. Ele não queria falar nada, apenas virar e correr, mas obviamente iria cair em outra ilusão. – Eu não sei quem são vocês... – após um vacilo por culpa do estresse, a voz falhou e o homem foi obrigado a engolir no seco. Com a mão, o homem tentou retirar o suor de seu rosto. – Vocês não estavam no grupo, então como vocês tem esses poderes e sabem que eu tenho? – as duas pessoas andaram em volta do homem que se encolhia como um inseto. – Por favor, não me machuquem.

– Me desculpe. Isso é em nome de Diacropeli. – disse um dos dois indivíduos, sacando uma arma e apontando na cabeça do homem encolhido de joelhos no chão. – Você deve morrer. – após o disparo os dois homens se foram, deixando o corpo ali esticado pelo chão, sangrando pela cabeça e com os olhos abertos, vendo aos poucos a sua própria morte.