Por amor a Deus,

lutarei contra mim mesmo

(sou meu pior inimigo),

sufocarei esta febre maligna

com o aperto frio da hipotermia.


Para honrar o sangue sagrado

que tornou a minha alma

tão branca quanto a neve,

eu congelarei,

deixarei o inverno me cristalizar

numa dormente estátua de castidade.


Tem piedade de mim, ó Senhor, um pecador!

Como um pai que acalenta seu filho para dormir,

cubra meu corpo nu

com este lençol branco incrustado de diamantes.

Deixe-me adormecer sob esta pureza glacial;

desvanecer lentamente à vista deste

céu imaculado — pálido-enevoado...


Lágrimas de vidro

caem em estilhaços sobre mim:

eu vejo, entorpecido, mas encantado

esta suave luz azul de brilho cansado,

lentamente espiralando,

apagando o fogo mau

do meu desejo carnal.

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